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Economia do tráfico de cocaína na Colômbia

Entenda o funcionamento do narcotráfico colombiano e a lógica econômica por trás dos desafios de combater essa atividade
Por Hellen Indrigo (hellenindrigoperez@usp.br)

De acordo com a estimativa divulgada na edição de 2025 do Relatório Mundial sobre Drogas, produzido anualmente pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), cerca de 24,8 milhões de pessoas ao redor do mundo consomem cocaína ou psicoativos de mesma origem, como crack, paco e merla. Essas substâncias são produzidas a partir da extração de um alcalóide presente nas folhas de Erythroxylum coca — ou apenas coca, como é denominada popularmente —, uma planta nativa da América do Sul, especialmente de territórios que compõem a Bolívia e o Peru.

O início da prática de ingestão de folha de coca remonta a costumes de comunidades indígenas que povoavam a região dos Andes há mais de quatro milênios. Além de serem ofertadas em rituais sagrados realizados por alguns povos andinos — como os Incas, por exemplo —, as folhas da planta também eram mascadas com o objetivo de reduzir a fome e o frio e aumentar a produtividade de trabalhadores, devido às suas propriedades nutritivas e estimulantes.

Esse costume milenar não só resistiu à colonização espanhola como também se consolidou, com o passar do tempo, como um símbolo cultural e de hospitalidade cotidiana. Segundo Henrique Carneiro, mestre e doutor em História Social pela Universidade de São Paulo (USP), o significado da coca para populações locais pode ser equiparado ao do “cafézinho”, usualmente oferecido no Brasil como um gesto de gentileza. “A coca é uma planta essencial da tradição ameríndia e continua sendo central nessa comunidade”, aponta.

Mão de mulher segurando uma folha
A concentração de cocaína nas folhas de coca é inferior a 1%, ou seja, os efeitos da substância não são sentidos pelo consumo da planta em estado natural [Imagem: Reprodução/Wikimedia Commons]

A cocaína como medicamento

No século 19, a coca passou a ser explorada por empresas farmacêuticas e foi incorporada à medicina ocidental. Em 1859, o químico alemão Albert Niemann foi o primeiro a isolar a cocaína, um alcaloide psicoativo presente nas folhas da planta, e o potencial medicinal da substância despertou o interesse de pesquisadores. 

Um dos principais defensores do uso terapêutico da cocaína foi o psicanalista austríaco Sigmund Freud. De acordo com um estudo realizado pelos pesquisadores Pedro Eugênio Ferreira e Rodrigo Martini, publicado no Brazilian Journal of Psychiatry (Revista Brasileira de Psiquiatria), ele incentivou o uso da substância como um estimulante e euforizante para pacientes em estados depressivos, além de indicá-la para o tratamento de asma, doenças consuptivas, sífilis, desordens digestivas, entre outras comorbidades. 

As pesquisas de Freud despertaram uma nova onda de interesse sobre o alcalóide, que , após pesquisas realizadas pelo médico austríaco Karl Koller, no ramo da oftalmologia, tornou-se o primeiro anestésico local introduzido na medicina. Porém, anos depois de sua primeira publicação a respeito, Freud passou a descartar o uso da cocaína ao observar seu potencial nocivo de criar dependência.

Sigmund Freud com as mãos cruzadas em uma foto preto e branco
Para determinar os possíveis efeitos da cocaína, Freud (foto) consumiu a substância e ofereceu amostras a amigos, colegas pesquisadores e pacientes [Imagem: Reprodução/Wikimedia Commons]

Em 1885, um químico empregado pela companhia farmacêutica Parke-Davis descobriu uma maneira de produzir cocaína semi-refinada e a exportação de folhas de coca in natura, tanto para a América do Norte quanto na Europa, foi substituída pelo envio de uma pasta previamente processada e mais estável. Por possibilitar uma eficiência maior no transporte e conter parcialmente as perdas ao longo da viagem, essa descoberta diminuiu os custos do produto final e resultou no aumento de seu consumo naquelas regiões.

A popularidade crescente da substância também elevou a utilização de produtos comercializados para o público, como cigarros, licores e inalantes. Dessa forma, em 1886, o farmacêutico estadunidense John Stith Pemberton criou um drinque sem álcool, que continha cocaína e noz de cola e era utilizado como tônico para o cérebro e os nervos — assim surgiu a Coca-Cola, que substituiu a cocaína por cafeína anos depois.

Em contrapartida, o aumento no consumo de produtos derivados do alcalóide também levou ao surgimento de casos de toxicidade, dependência e morte, que se tornaram questões de saúde pública ao longo dos anos e perduram até os dias atuais.

A dependência desta substância ocorre, pois sua ação no corpo humano consiste no estímulo do sistema nervoso central. Isso significa que, quando ingerida, a cocaína bloqueia a recaptação da dopamina, neurotransmissor associado à sensação de prazer e recompensa, o que faz com que a substância não seja reabsorvida pelo neurônio responsável por sua emissão e circule livremente por mais tempo. A curto prazo, essa influência causa euforia e aumento da autoconfiança, da energia e do estado de alerta do consumidor.

A longo prazo, porém, o cérebro se acostuma com a dopamina artificial produzida pela cocaína e diminui sua produção natural. De forma cíclica, o usuário passa a necessitar de doses maiores da droga para obter os mesmos efeitos, o que pode resultar em abstinência e dependência química.

Início da guerra às drogas

Duas carreiras de cocaína em um fundo branco
O pó é a forma mais comum da cocaína; quando aspirado pelo nariz, é rapidamente absorvido pela corrente sanguínea e gera efeitos imediatos [Imagem: Reprodução/Wikimedia Commons]

Com a virada para o século 20, a liberação das drogas passou a ser questionada pela comunidade internacional. De acordo com um estudo feito pelos pesquisadores Elize Fonseca e Francisco Bastos, os desdobramentos das ‘Guerras do Ópio’ levaram a discussões acerca da produção e distribuição de outras drogas, como morfina e cocaína. Parte das decisões que motivaram a regulação das mesmas teve origem em questões políticas e econômicas que marcaram a interação entre as potências da época.

As Guerras do Ópio (1839-1842 e 1856-1860) consistiram em disputas entre o Reino Unido — que se aliou à França durante o segundo confronto — e a China, motivadas por relações comerciais. Enquanto os ingleses buscavam adentrar o comércio chinês por meio do escoamento de ópio produzido na Índia, o governo local visava limitar a entrada de produtos estrangeiros. O país europeu saiu vitorioso em ambos os conflitos, e obteve livre acesso aos portos chineses.

Consequentemente, uma das motivações para o interesse pela regulação do ópio foi o desejo estadunidense de interromper o monopólio inglês sobre a substância. Ao não conseguir evitar as discussões a respeito, o Reino Unido utilizou como estratégia a defesa do combate igualitário a outras drogas, como cocaína e heroína. No início do século 20, essas substâncias eram majoritariamente produzidas por empresas farmacêuticas da Alemanha, que se consolidava como a maior rivalidade inglesa em território europeu.

A partir de então, medidas práticas foram tomadas em escala local e global. Em 1914, por exemplo, a implementação da Lei Harrison de Imposto sobre Narcóticos — Harrison Narcotics Tax Act, originalmente — nos Estados Unidos restringiu a circulação local de cocaína e opióides para usos não medicinais. O documento determinou a cobrança de taxas aos envolvidos na produção, importação, venda ou distribuição dessas substâncias, e criminalizou a movimentação sem registro. 

Além de ser motivada pela preocupação com os crescentes casos de dependência causados pelas drogas, a Lei também serviu como instrumento para consolidar a posição de influência do país norte-americano. A crítica à liberação irrestrita das drogas destacou-se como um dos pontos responsáveis por impulsionar a imagem dos Estados Unidos como potência civilizatória global.

No cenário global, a Conferência Internacional sobre o Ópio de Haia serviu como base para a criminalização de diversas drogas — entre elas, a cocaína. Apesar de ter sido realizada em 1912, as determinações da Conferência que envolviam a proibição da produção, comercialização e consumo dessas substâncias só foram completamente ratificadas em 1919, após o fim da Primeira Guerra Mundial.

Contudo, a criminalização das drogas não resultou no fim de seu consumo. Com o passar dos anos, a livre circulação foi substituída por esquemas ilegais de tráfico e distribuição.

Tráfico na Colômbia

De acordo com Taciana Santos de Souza, economista, pesquisadora e cofundadora do Laboratório de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos (LEIPSI), cerca de 98% da produção de folha de coca, o principal insumo da cocaína, está concentrada na Bolívia, no Peru e na Colômbia. Embora uma parcela dessa porcentagem seja legalizada e voltada para o consumo direto da folha, a maior parte do plantio é destinada a suprir a demanda do tráfico.

Os relatórios produzidos pelo UNODC apontam que, em 2022, 354.900 hectares foram utilizados para o plantio ilícito de coca nesses três países. Desse total, 230.000 hectares correspondiam apenas ao plantio realizado na Colômbia.

Tabela de cultivo ilícito de coca em hectares na Bolívia, na Colômbia e no Peru entre os anos de 2010 e 2022
Em tradução livre, a tabela aborda o cultivo ilícito de coca em hectares na Bolívia, na Colômbia e no Peru entre os anos de 2010 e 2022 [Imagem: Reprodução/UNODC]

Apesar de atualmente ser um dos principais produtores e exportadores da droga, o país só adentrou esse mercado recentemente. Priscila Villela, docente do departamento de Relações Internacionais da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), comenta que o tráfico de cocaína na região começou a se desenvolver na década de 1970. “Até então, a Colômbia não produzia folha de coca, mas a potencialidade do mercado de cocaína que começa a crescer naquele momento — movido pela demanda norte-americana, que aumentou conforme a guerra às drogas priorizava o combate a outras substâncias, como maconha e heroína — impulsiona a produção no país”, afirma.

A participação colombiana no tráfico internacional de cocaína foi inicialmente planejada e impulsionada pela atuação do Cartel de Medellín, liderado por Pablo Escobar. Por três décadas, o Cartel dominou mais da metade da produção da droga no país e Escobar se consolidou como um dos principais nomes do narcotráfico global. Em 1987, ele foi citado no ranking da revista Forbes como uma das 100 pessoas mais ricas do mundo, onde permaneceu até 1993, o ano de sua morte. 

“O Cartel de Medellín usava táticas muito violentas para demonstrar poder em uma tentativa de fomentar seu negócio, continuar tendo uma maior lucratividade e, principalmente, o monopólio do negócio da cocaína”, afirma Taciana. Além de promover coações e subornos, o grupo também interferia na política local de modo a favorecer os próprios interesses. Não há consenso sobre o número exato, mas estima-se que as ações coordenadas por Escobar tenham resultado em milhares de mortes. Entre elas, estão a de três candidatos à presidência da Colômbia em 1990: Carlos Pizarro, Bernardo Jaramillo e Luis Carlos Galán.

Além dessas três mortes consumadas, outra tentativa de assassinar um candidato à presidência culminou em um ataque contra Cesar Gaviria, que viria a disputar as eleições do ano seguinte. Em 1989, o Cartel de Mandelín orquestrou um  plano que consistia em detonar uma bomba a bordo do avião em que Gaviria iria viajar, o voo 203 da Avianca com destino a Cali. O candidato acabou por não embarcar naquele dia, mas a bomba explodiu ainda assim. Mais de 100 pessoas a bordo morreram.

Parede pintada com palavras em espanhol e o desenho de Pablo Escobar
Apesar das práticas violentas, Escobar é celebrado por uma parcela da população colombiana devido a ações sociais que promovia [Imagem: Reprodução/Wikimedia Commons]

As práticas violentas utilizadas durante a operação do Cartel fizeram com que ele fosse cada vez mais procurado por agentes locais e internacionais, como o FBI. No dia 2 de dezembro de 1993, Pablo Escobar foi morto a tiros em meio a uma perseguição policial. Mas, apesar de seu domínio e notoriedade no cenário do tráfico internacional de cocaína, sua morte não significou o declínio da atividade em si.

O modelo empresarial do narcotráfico

Taciana aponta que as organizações ligadas ao narcotráfico se encaixam em critérios semelhantes aos aplicados na análise de empresas lícitas. Segundo ela, a notoriedade de Pablo Escobar como um “poderoso chefão” e a dominância imposta pelo Cartel de Medellín remetiam ao sistema de empresas com um único dono. Consequentemente, a organização se fragmentou e deixou de existir com coesão após a morte de seu líder.

Após a queda do Cartel de Medellín, outra organização passou a monopolizar o tráfico de cocaína na Colômbia. O Cartel de Cali, controlado por um grupo de quatro narcotraficantes — Gilberto e Miguel Rodríguez Orejuela, José Santacruz Londonõ e Hélmer Herrera Buitrago — adentrou o mercado da droga também na década de 1970. Em meados de 1990, o grupo chegou a controlar cerca de 80% do tráfico global de cocaína.

Ao contrariar as estratégias adotadas por Escobar, o Cartel de Cali simbolizou um novo marco para o narcotráfico colombiano. “Eles tentavam agir à espreita, se ocultar. Também adotaram outras técnicas, como a de financiar os produtores locais”, afirma Taciana. O Cartel apostou em disponibilizar os insumos necessários para o cultivo de coca e, assim, garantir a entrega da produção. Segundo a pesquisadora, a estratégia de abarcar também o mercado de insumos representou a verticalização da produção, ou seja, a participação da organização em diversas etapas de desenvolvimento até o produto final.

A verticalização da produção em organizações ligadas ao narcotráfico muitas vezes relaciona-se à sua entrada em mercados formalizados. De acordo com Taciana, algumas substâncias utilizadas nos processos de transformação da cocaína — são elas: querosene e ácido sulfúrico na formação da pasta base; éter, ácido clorídrico e acetona no refinamento — estão submetidas ao controle de produção e distribuição para o público geral, embora sejam permitidas à indústria química e farmacêutica. Essa configuração faz com que laboratórios formais sejam mascarados para atender a demandas do narcotráfico.

Placa de uma rua em Nova Iorque
Segundo Henrique Carneiro, grande parte da renda gerada pelo tráfico nos Estados Unidos é embolsada pelo sistema financeiro local por meio da lavagem de dinheiro [Imagem: Reprodução/Public Domain Pictures]

A descentralização da liderança do Cartel de Cali e a divisão do processo de produção em partes menores deram início a um novo modelo de operação no cenário do tráfico de drogas, cada vez mais focado na separação em etapas. A queda do Cartel em meados de 1996 também intensificou a adoção de novas formas de organização, já existentes desde a morte de Pablo Escobar: “O poder que antes estava concentrado nas mãos de um grupo e de um líder passou a se fragmentar entre vários grupos menores, chamados de cartelitos, ou bandas criminosas locais”, comenta Priscila.

Atualmente, o avanço da tecnologia possibilitou o desenvolvimento de redes de grandes facções, inclusive transnacionais, que se comunicam entre si e atuam em esquemas semelhantes à parceria. Esse formato dificulta a repressão ao mercado, uma vez que os alvos visados pelas autoridades muitas vezes representam uma pequena parcela da totalidade das organizações.

“É muito mais difícil prender o dono da facção, até porque hoje os grandes grupos de narcotráfico não têm um dono, eles têm um posto. Se você prende o dono, um outro narcotraficante surge e ocupa aquele posto.”

Taciana Santos de Souza

O valor das drogas

Henrique Carneiro afirma que, apesar do baixo custo de produção das drogas, elas adquirem um alto valor agregado devido à criminalização: “essas substâncias se tornam valiosas não por conta da cadeia produtiva, mas por conta da limitação que a proibição estabelece”. Como consequência, o lucro em cada setor da cadeia de produção relaciona-se de maneira diretamente proporcional ao risco envolvido na atividade.

No caso da cocaína, a primeira etapa de produção é o plantio de coca. Por se tratar de um mercado ilegal, os grupos envolvidos com o narcotráfico pagam um preço maior aos produtores que se dedicam a essa atividade. “Os pequenos produtores podem plantar milho, podem plantar batata, podem fazer outros cultivos, ou podem cultivar coca e alavancar o seu ganho. Isso acaba sendo mais interessante, mais lucrativo”, comenta Taciana.

Porém, apesar de representar um aumento da rentabilidade em comparação a outras possibilidades de cultivo, a parcela reservada aos produtores não faz parte do conjunto de etapas que concentram a maior porcentagem de lucro. Segundo a pesquisadora, as fases mais rentáveis do tráfico são o mercado de varejo — que corresponde à logística de deslocamento de grandes quantidades de droga do seu local de origem ao país de destino — e o mercado de atacado — que engloba a distribuição dessas drogas pelos traficantes locais ao público final.

a tabela mostra o fluxo de tráfico de cocaína no mundo
Em tradução livre, a tabela aborda os fluxos do tráfico de cocaína entre 2020 e 2023 [Imagem: Reprodução/UNODC]

A alta concentração da base de sua cadeia produtiva nos países andinos faz com que a cocaína seja uma das drogas com a maior porcentagem de ganho entre a exportação e a chegada da mercadoria ao consumidor final. Além disso, a rentabilidade também cresce no mercado de varejo devido à adulteração, ou seja, a adição de outras substâncias químicas ao produto para aumentar sua quantidade.

Nos últimos anos, debates sobre a efetividade das políticas de combate às drogas ganharam espaço, especialmente por conta da percepção do alto valor agregado que resulta da proibição e alimenta organizações criminosas. Priscila Villela aponta que, embora as políticas militarizadas tenham conseguido desarticular grandes cartéis tradicionais e reduzir o poder territorial de grupos específicos, isso não significou a redução da produção ou do consumo em si.

Na prática, muitas dessas estratégias resultaram no deslocamento de rotas e territórios de plantio e na formação de novos grupos adaptados às ações do Estado. De acordo com Taciana, esse efeito assemelha-se a um balão cheio de ar: quando um lado é apertado, o ar se move para o outro. “Quando há uma ação intensa de erradicação em regiões da Colômbia conhecidas pelo cultivo de coca, observa-se que a atividade se desloca para outra região do território nacional, ou até mesmo para fora do país”, afirma.

“Trata-se de uma política que fracassou, porque não consegue proteger a saúde do usuário de cocaína ou de outras drogas. E, do ponto de vista de mercado, a atividade continua crescendo e aumentando seus lucros.”

Taciana Santos de Souza

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