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Fernando Haddad destaca educação, ciência e pesquisa como futuro para São Paulo e para o Brasil

Durante evento na Unifesp, o pré-candidato ao governo de São Paulo debateu sobre a democratização do ensino superior e os desafios atuais na política brasileira
Na imagem, Fernando Haddad em um púpito em evento na Unifesp, em São Paulo
Por Helena Brambilla (helenacbrambilla@usp.br) e Pedro Mattos (pedromattostr@usp.br)

Na quarta-feira, 27 de abril, ocorreu uma aula magna com a presença de Fernando Haddad (PT), pré-candidato ao governo de São Paulo, no Anfiteatro Marcos Lindenberg, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Organizada pelo Centro de Estudos Sociedade, Universidade e Ciência (SoU_Ciência), em parceria com o Coletivo Educação e Conhecimento: Emancipação e Hospitalidade, a atividade abordou a educação e a ciência como alicerces para as políticas públicas do Estado de São Paulo e do Brasil. 

Com presença da comunidade acadêmica da Unifesp e de público externo, o evento promoveu uma discussão sobre temas relacionados ao sistema universitário brasileiro, como pesquisa, liberdade de expressão, políticas públicas, cultura, igualdade e justiça.

Ex-ministro da Fazenda e ex-prefeito de São Paulo, Haddad é doutor em Filosofia pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP) e docente ativo no Departamento de Ciência Política da instituição. 

No seminário, estiveram presentes Soraya Smaili, ex-reitora da Unifesp e professora  do Departamento de Farmacologia da Escola Paulista de Medicina da instituição; Pedro Arantes, professor da Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Unifesp (EFLCH); Angélica Minhoto, professora do Departamento de Educação da EFLCH-Unifesp; Olgária Matos, professora no Departamento de Filosofia da EFLCH-Unifesp e coordenadora do Coletivo Educação e Conhecimento; Rafael Bezerra, representante  do departamento técnico-administrativo;  e dois representantes dos discente de medicina da Unifesp.

A importância de uma boa gestão na educação

Ao apresentar Fernando Haddad, Soraya Smaili falou sobre a marca histórica atingida pelo Brasil  no Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM), estudo realizado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e apresentado no dia 26 de abril em sua sede, na cidade de Brasília. Entre 2012 e 2024, o valor do IDHM brasileiro passou de 0,67 para 0,80. O país também ultrapassou a barreira de 0,80 no quesito Geral, colocando o Brasil, pela primeira vez, no grupo de países com “muito alto desenvolvimento humano”, de acordo com o estudo.

Smaili atribuiu tal crescimento às gestões públicas de Haddad, seja como Ministro da Educação, prefeito de São Paulo, ou Ministro da Fazenda, ressaltando a longevidade do pré-candidato. “Nós temos lembrança do seu Ministério, pena que eu não era reitora naquele momento. Mas ainda usufruímos, hoje, de coisas que você plantou e tem deixado”, afirmou.

A ex-reitora também citou o papel de Haddad na criação de políticas públicas que permitiram maior democratização d acesso ao Ensino Superior, como o Sistema de Seleção Unificada (Sisu) e o Programa de Apoio a Planos de Reestruturação, Expansão das Universidades Federais (REUNI), conhecidos popularmente como “cinturão universitário”. O ex-ministro também participou da criação do Programa Nacional de Reestruturação dos Hospitais Universitários Federais (REHUF), que permitiu a revitalização dessas estruturas ligadas ao Sistema Único de Saúde (SUS) e a criação do Banco de Professor Equivalente (BPEq), para repor as vagas de docentes em aberto.

Na imagem, Fernando Haddad ao lado de uma das organizadoras do evento
Segundo dados do Ministério da Educação (MEC), mais de 3,4 milhões de estudantes foram beneficiados pelo Prouni nos últimos 20 anos [Imagem: Pedro Mattos/Jornalismo Júnior]

“São capítulos da mesma novela”

Durante a palestra, Haddad comentou sobre a dificuldade de estudantes do ensino público, negros e baixa renda em acessar a universidade. Segundo ele, o governo Lula criou diversas políticas públicas para ampliar o acesso da população mais pobre ao ensino superior, como  o “fim do vestibular” com a reforma do Enem, em 2009, e a reserva de 50% das vagas nas universidades federais para alunos egressos de escola pública. Ambas essas medidas foram idealizadas pelo Haddad enquanto o mesmo era Ministro da Educação, entre os anos de 2005 e 2012.

O pré-candidato ainda  traçou um comparativo entre a educação brasileira e a de outros países. De acordo com ele, a “receita internacional” para países de renda similar ao Brasil à época era focar na educação obrigatória, dos 7 aos 14 anos, e no ensino médio técnico, para a capacitação de mão de obra para a indústria. Haddad afirma ainda que a universidade era vista como “coisa para outro tipo de gente”, aquelas que são de colégios particulares ou que têm condições de pagar um cursinho. Para ele, o Brasil seguiu o mesmo modelo por muitos anos: a educação brasileira funcionava “sob demanda da indústria”.

Segundo Haddad, durante o governo de José Serra (PSDB), de 2007 a abril de 2010, a situação do Estado de São Paulo era “interessante”pois o estado era o que tinha menos vagas públicas proporcionalmente à população, e as três universidades estaduais (USP, Unesp e Unicamp) encontravam dificuldades de expansão no número de vagas. “O estado líder em economia era o com a menor proporção de alunos em universidades federais”, afirmou.

Após várias negociações,na gestão de Haddad frente à prefeitura da cidade, de 2013 a 2016 foi colocado em prática o plano de expansão das universidades federais  — em São Paulo. Segundo o Memorial da Democracia, a medida impactou cerca de 2,5 milhões de alunos. 

Haddad, enquanto prefeito, implantou novos campi da Unifesp, dentre eles a unidade em Itaquera, na Zona Leste, em 2013 [Imagem: Divulgação/Secretaria Municipal de Educação]

A integração como solução

O pré-candidato apontou que há uma fragmentação de atores e recursos  entre as universidades do país, com pouca flexibilidade para estudantes em uma época de cada vez mais velocidade e mudança. “Nós temos que pensar em formas de integrar mais a universidade e permitir que as pessoas enxerguem a educação de outra maneira”, afirmou Haddad. 

O convidado expressou a ideia de que uma maior integração nas estruturas públicas pode gerar diversos benefícios à população. “A partir dessa nova infraestrutura [e mais integrada], nós podemos edificar um plano de desenvolvimento, buscando mais justiça social, maior efetividade nos serviços públicos e mais isonomia na sociedade”, afirmou Fernando Haddad.

Ao comentar sobre as principais mudanças que observou ao longo de 25 anos na política, o ex-ministro destacou a  polarização política que, para ele, representa um obstáculo à possibilidade de integração. 

“Isso é um outro desafio que temos que enfrentar: requalificar a representação política do nosso país”.
Fernando Haddad

O pré-candidato afirmou que a maneira de resolver a polarização política brasileira é se fazer presente nas disputas eleitorais e engajar nas redes sociais, independentemente da força e intransigência da oposição.

Haddad também apontou a necessidade de ação prática para resolver problemas sociais do país, como a distribuição de renda, com os 10% mais ricos tendo, em 2025, uma renda média 13,8 vezes superior à dos 40% com menores rendimentos, segundo dados do IBGE. “Nós estamos no quinto governo [do PT na presidência] para fazer a primeira reforma no imposto de renda. Estamos voltando a discutir jornada de trabalho, depois de quantos anos da Constituição de 1988? Voltamos a falar de coisas que sensibilizam todo mundo”, afirmou. 

“Estamos voltando a discutir aquilo que é nossa ‘praia’: a agenda progressista”.
Fernando Haddad

O pré-candidato ressaltou por fim que as atuais oportunidades de desenvolvimento nacional são tão grandes quanto os obstáculos. Ele ainda destacou que, depois de quase dez anos de polarização e pouco progresso, existe, como nunca, a necessidade de reflexão teórica e atuação prática. “Nós vamos virar uma página na história do Brasil. Eu acho que, se São Paulo e o Brasil estiverem sintonizados, conseguimos ir muito mais longe do que imaginamos até aqui”.

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