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Nos trilhos de Adoniran Barbosa
Escuta Aí
06 ago 2014 | Por Jornalismo Júnior

Não há churrasco animado, daqueles bons de verdade, que não acompanhe uma música do Adoniran. Não há quem não cantarole, mesmo que baixinho, ao ouvir “Trem das Onze” ou “Saudosa Maloca”. Hoje o nosso querido sambista comemoraria 104 anos, e mesmo passando tanto tempo, suas músicas continuam atuais e perspicazes.

Adoniran Barbosa era nome artístico, seu nome verdadeiro era João Rubinato. O nome Adoniran veio de um amigo de boemia e o sobrenome ele pegou emprestado do sambista carioca Luís Barbosa, a quem sempre admirou. Nasceu em 1910 em Valinhos, mas logo mudou-se para São Paulo. Vindo de uma família pobre, Adoniran trabalhou desde cedo em várias profissões, como engraxate e entregador de marmitas, mas o que queria mesmo era ser artista.

Para realizar esse sonho, começou a participar de alguns programas de calouros a partir de 1930, mas não obteve muito sucesso. Foi em 1934, no programa “Calouros do Rádio”, da Rádio Bandeirantes, que Adoniran ganhou maior notoriedade no mundo da música e, cantando “Filosofia”, de Noel Rosa, conseguiu uma vaga na emissora. Iniciou seu trabalho como ator radiofônico, interpretando personagens no programa “Zé Conversa” e “Serões Domingueiros” e a partir daí começou a compor músicas que vão fazendo bastante sucesso, principalmente na voz do grupo “Demônios da Garoa” e da cantora Elis Regina, como “Trem das Onze” e “Iracema”.

Adoniran faleceu em 23 de novembro de 1982, aos 72 anos de idade, vítima de um efisema pulmonar e está enterrado no Cemitério da Paz, na capital paulista.

E o Ernesto, convidou mesmo?

Diferente de vários outros sambistas que dificultavam as músicas com palavras prolixas e distantes da línguagem oral, Adoniran usava o palavreado simples, das ruas. Parecia estar atento a tudo e isso é refletido em cada música. Elas são verdadeiras crônicas imbuídas de críticas sociais. Sem, é claro, deixar de lado o humor e a ironia. São personagens que vão ganhando vida e ilustrando a capital. Quando perguntado sobre os seus “erros” gramaticais nas canções, Adoniran respondia: “Só faço samba para o povo. Por isso faço letras com erros de português, porque é assim que o povo fala. Além disso, acho que o samba, assim, fica mais bonito de se cantar.”

Iracema, por exemplo, é uma música que trata do atropelamento de uma moça na avenida São João. O sambista teve inspiração ao ver uma nota no jornal notificando a tragédia. Outras músicas, como Saudosa Maloca e Despejo na Favela mostram o problema das desocupações e como os moradores são despejados sem nenhuma consideração.

Outra música curiosa do artista é Samba do Arnesto. Assim como Iracema, Arnesto foi uma pessoa real, com uma pequena diferença no nome: Era Ernesto. Na música, Adoniran conta que “Arnesto” o convidou para um samba no Brás, mas quando chegou lá não tinha ninguém. Ernesto e Adoniran se conheciam desde 1938, quando se apresentaram na Record, no entanto Ernesto nunca chamou Adoniran pra um samba, muito menos deu nele um bolo. Mais tarde, quando Ernesto se encontrou com Adoniran e questionou- o sobre a origem daquela história, ele respondeu divertido: “Arnesto, se não tem bolo, não tem samba”!

Mas foi Trem das Onze a sua música de mais repercussão. Numa eleição da Rede Globo em 2000, ela foi eleita pelo público como a que mais representa São Paulo. Porém essa identificação não se restringe só à capital não. No Kibutz Bror Chail, localizado próximo à Faixa de Gaza, foi inaugurado em 2008 a “Casa Adoniran Barbosa”, um museu de homenagem à carreira do compositor. Além disso, a Companhia de Trens de Israel doou à Casa o primeiro vagão que chegou do Egito em 1910. É o trem das Onze, chegando de Bror Chail.

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Trem das Onze, Kibutz Bror Chail. Imagem: Divulgação.

Mas e o Jaçanã?

Mas o Jaçanã não perde em homenagens ao artista. Inaugurado em 1983 pelo historiador Sylvio Bittencourt com o apoio da viúva de Adoniran, Matilde de Lutiis, o museu de Memória ao Jaçanã reúne uma infinidade de informações, histórias e objetos de Adoniran e do próprio bairro. Ferros de passar roupa antigos, discos de vinil e máquinas de escrever fazem parte do acervo. No começo, Sylvio guardava todos os objetos em sua casa, até que conseguiu comprar o local que hoje é o museu.

Atualmente o museu também recebe escolas e universidades que vem visitá-lo pra saber um pouquinho mais de como era a vida no século passado. Sylvio conta empolgado as histórias de seu tempo, explica os objetos do museu, e mostra orgulhoso a cópia da partitura original do “Samba do Arnesto”, presente do próprio Ernesto. É cômico porque Adoniran chegou a dizer em uma entrevista que só escolheu o Jaçanã para rimar com a palavra “amanhã”, já que na época que compôs ainda nem conhecia o bairro.

Como homenagem pessoal à Adoniran, Sylvio também brinca de compositor e compõe uma paródia do Trem das Onze, mas com o trem substituído pelo metrô. O trem passou, mas Adoniran permanece lá na canção de Sylvio. E em cada churrasco, em cada samba paulista… Permanece lá em Bror Chail, e também aqui em Jaçanã.

Por Isadora Vitti
vittidora95@gmail.com

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COMENTÁRIOS
Carlos
como um amigo meu falou hoje ouvir o cantar de Adoniran e saber que o canto esxite em todos os cantos concordei e continuamos a cantar. esse video e9 raridade mesmo e este1 na minha colee7e3o dos place1veis olha que o gama arrumou um jeito de ficar bonite3o valeu amigo.Sf3 tem uma coisa de tudo de bom e maravilha que o Adoniran fez na minha casa o hino e9 VILA ESPERANc7A, uma obra prima.a0paulinhoa0
29 mar 2015
 
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