Home Arena Literária Em jogo de muitos gols, Real Madrid confirma favoritismo, derrota Al-Hilal e é campeão do mundo pela oitava vez
Em jogo de muitos gols, Real Madrid confirma favoritismo, derrota Al-Hilal e é campeão do mundo pela oitava vez

Merengues contaram com show de Vini Jr., eleito craque da competição, para derrotar algoz do Flamengo no Mundial de Clubes; Flamengo é terceiro colocado

ARQUIBANCADA
20 fev 2023 | Por Ricardo Thomé (ricardo.thome@usp.br)

No último sábado, dia 11, ocorreu a final do Mundial de Clubes Fifa 2022, em Rabat, capital do Marrocos, em jogo entre o Real Madrid-ESP, e o Al-Hilal (ARS). O torneio, que passará por uma mudança de formato a partir de 2025, reúne, atualmente, as equipes campeãs de todos os torneios continentais do planeta — além de uma equipe campeã do país-sede. 

Os participantes: como chegaram até lá?

Nesta edição, estiveram presentes: Al-Ahly (atual vice-campeão da Liga dos Campeões da África, uma vez que o campeão é marroquino), Al-Hilal (campeão Liga dos Campeões da Ásia de 2021, já que a atual edição ainda não acabou), Auckland City (atual campeão da Liga dos Campeões da Oceania), Flamengo (atual campeão da Libertadores da América), Real Madrid (atual campeão da Liga dos Campeões da Europa, a Uefa Champions League), Seattle Sounders (atual campeão da Liga dos Campeões da Confederação de Futebol da América do Norte, Central e Caribe, a Concachampions) e Wydad Casablanca (atual campeão do país-sede, Marrocos, e coincidentemente atual campeão africano — o que fez com que o Al-Ahly pudesse participar).

Segundo o regulamento, as equipes entram na competição em etapas diferentes. E assim foi na edição de 2022 (que é assim chamada pois estava inicialmente programada para o mês de dezembro de 2022, mas foi adiado devido à realização da Copa do Mundo do Catar): nas oitavas de final, o Al-Ahly eliminou o Auckland City, vencendo por 3 a 0. Nas quartas, derrotou o Seattle Sounders por 1 a 0, enquanto Wydad Casablanca e Al-Hilal empataram por 1 a 1, com vitória saudita nos pênaltis, do outro lado da chave. Nas semifinais, com a entrada dos europeus e sul-americanos, o Al-Hilal enfrentou o Flamengo e venceu por 3 a 2, enquanto o Al-Ahly deu trabalho para o Real Madrid, mas acabou derrotado por 4 a 1, com gols marcados no fim do jogo. Ficaram definidos, portanto, os confrontos da decisão do terceiro lugar (entre Al-Ahly e Flamengo) e da grande final (entre Real Madrid e Al-Hilal. 

Pré-Jogo:

Após superar o Flamengo no jogo das semifinais apresentando uma postura muito madura dentro de campo para superar um adversário mais qualificado técnica e financeiramente, o Al-Hilal tentava repetir a dose contra o Real Madrid. Desta vez, porém, o desafio era muito maior. Se por um lado o Flamengo tem um elenco quatro vezes mais valioso que o time saudita, segundo o Transfermarkt, o plantel da equipe espanhola, que chegou ao Marrocos já com sete títulos mundiais na bagagem, vale mais de 21 vezes o do Al-Hilal. 

O Real Madrid, por sua vez, desejava manter a soberania como o maior campeão do torneio. A partida contra o Al-Ahly foi mais difícil do que se imaginava, com os gols saindo no fim e o time sofrendo sérios riscos. Além disso, é importante frisar que a equipe madrilenha tinha desfalques importantes: o goleiro Courtois e o lateral esquerdo Ferland Mendy, entre os titulares, e o lateral-meia Lucas Vázquez e o meia Eden Hazard, entre os reservas, estavam indisponíveis por completo. Eder Militão, recém-recuperado, aparecia no banco. Na mesma situação, Carvajal, Tchouaméni e Benzema iniciaram a partida. 

Primeiro tempo: Real Madrid domina, mas Al-Hilal mostra força de reação 

O jogo começou com o Real Madrid fazendo pressão no campo de ataque e controlando as principais ações no Estádio Príncipe Moulay Abdellah, em Rabat. Mesmo assim, algumas situações já mostravam fragilidades no sistema de marcação do Real Madrid, especialmente pelo lado esquerdo. É importante frisar que esse lado era defendido por Camavinga, volante de origem e que não tem o mesmo poderio de marcação que Mendy ( titular da posição), Alaba, que jogou lá por muito tempo, ou Rüdiger, que pode cumprir o papel. Ramón Díaz definitivamente sabia disso quando armou seu esquema para a final.

Apesar disso, a imposição do time catorze vezes campeão da Europa prevaleceu: aos 13’, Benzema (‘KB’, na foto) fez bonita tabela com Valverde (‘FV’, na foto) na entrada da área e encontrou bom passe para Vini Jr. (‘VJR’, na foto), que entrou na área e tocou na saída de Al-Mayouf para abrir o placar para o Real: 1 a 0! 

A jogada do gol. O time saudita se defendia de forma compacta, com duas linhas de quatro, deixando Vietto e Marega à frente, mas mesmo assim a equipe madrilenha fez parecer fácil. [Foto: Reprodução/YouTube Cazé TV] e [Arte: Ricardo Thomé]

Imediatamente após o gol, o Al-Hilal quase conseguiu o empate: após toque errado de Carvajal para trás, Salem Al-Dawsari fez boa jogada da esquerda para o meio e rolou para Vietto bater de fora da área com perigo. A bola passou ao lado do gol defendido por Lunin. Mas o Madrid era impiedoso: pouco tempo depois, aos 18’, Modrić fez boa jogada pela linha de fundo e cruzou para o meio da área. O goleiro afastou, a bola desviou na defesa e Valverde pegou de primeira, em um bonito voleio, para fazer o segundo gol madridista na partida. 2 a 0!

Desafio cumprido. Ainda em outubro, Ancelotti revelou, em entrevista, que tinha feito uma aposta com Valverde. Segundo o treinador italiano, se o meio-campista uruguaio não marcasse ao menos 10 gols na temporada, ele [Carlo Ancelotti] se aposentaria. Após marcar o décimo gol em 2022/23, Valverde foi abraçar o comandante. [Foto: Reprodução/Twitter @433]

Já na saída de bola após abrir dois gols de diferença no placar, o Real Madrid recuperou a posse da bola. Vinícius recebeu, serviu Benzema e o camisa nove, retornando de lesão após nove dias parado, finalizou para boa defesa de Al-Mayouf. Apesar da pressão, o Al-Hilal seguia tranquilo em campo, trocando passes, avançando as linhas e ciente de sua estratégia, sempre forçando suas jogadas pelo lado direito de seu ataque. Em um desses momentos, aos 22’, Camavinga perdeu a bola no campo de defesa, a equipe saudita rodou a posse e, em rápida troca de passes, Vietto encontrou Marega nas costas do lateral improvisado do Real. O atacante malinês chutou, mas foi bloqueado por Alaba. 

Na jogada seguinte, porém, Alaba não estava lá para ajudar: com 26’, Valverde cruzou a partir da direita, mas teve a bola interceptada por Cuéllar. Na sobra, Salem Al-Dawsari acionou Carrillo, que ganhou de Carvajal no jogo de corpo e encontrou Vietto. O argentino ajeitou para o único jogador do meio para frente da equipe que ainda não tinha tocado na bola durante a jogada, Kanno, que encontrou ótimo lançamento para Marega, livre de marcação e em posição legal, avançar e finalizar para as redes. 2 a 1 e uma aula de contra-ataque e de organização do time de Ramón Díaz. 

12 segundos. Esse foi o tempo de que o Al-Hilal precisou para recuperar a bola e chegar ao gol. Como o time de Ancelotti estava atacando no início da jogada, não havia quase ninguém no sistema defensivo. Carvajal (lateral direito) atacava por dentro, enquanto Camavinga (lateral esquerdo) atacava pela ponta. Tchouaméni (volante de mais marcação) subiu. Formava-se, assim, um buraco do lado esquerdo da defesa madridista, rápida e inteligentemente explorado pela equipe saudita. Nota-se que, no momento do passe de Vietto para Kanno (foto), Camavinga desiste de tentar acompanhar Marega e parte para tentar interceptar o lançamento de Kanno para o camisa 17, sem sucesso. Isso fez com que Marega chegasse sem marcação ao campo de defesa espanhol e tivesse tranquilidade para vencer Lunin. [Foto: Reprodução/YouTube Cazé TV] e [Arte: Ricardo Thomé]

Se no início o jogo parecia resolvido, o Al-Hilal não queria deixar. Os minutos que sucederam ao gol de Marega foram de um Real Madrid tendo dificuldades para furar o bloqueio defensivo rival e de um Al-Hilal que seguia investindo em transições rápidas. Aos 38’, novamente pelo lado direito do ataque, Saud Abdulhamid encontrou Marega na área, mas o atacante finalizou para fora. Depois, aos 41, Valverde tabelou com Modrić e fez cruzamento na medida para Benzema, que acabou tocando para fora, de canela, na pequena área. Ainda deu tempo de Modrić, já nos acréscimos, arriscar de fora da área após cobrança rápida de escanteio. O capitão Al-Mayouf defendeu.

Segundo tempo: chuva de gols e Al-Hilal valente 

Se o final da primeira etapa deixou a desejar em chances de gol, a segunda já começou a todo vapor: com 8’’ de jogo, Toni Kroos pegou de primeira e finalizou de fora da área com perigo. A bola passou à esquerda do gol. O Real Madrid tinha voltado melhor defensivamente e mantinha o controle da bola. As subidas de Camavinga eram mais pontuais e o francês passou a sofrer menos com Marega em suas costas, ainda que o Al-Hilal seguisse insistindo por ali. Em uma dessas subidas, aos 54’, o camisa 12 recebeu de Vini Jr. e devolveu a bola à frente. O brasileiro dominou, avançou e cruzou brilhantemente de trivela para Karim Benzema concluir para o fundo do gol. 3 a 1 e um recital de Vinícius Júnior em Rabat. 

Se o Al-Hilal jogava bem em velocidade, o Real Madrid fez questão de mostrar que também tinha a transição rápida como uma grande arma desde a campanha do título europeu. Aos 57’ 5’’, Carvajal cobrou um lateral do campo de defesa após um ataque saudita que deu errado. Foram 10 toques, com a bola passando por sete jogadores diferentes, até que ela voltasse aos pés de Carvajal, após bom lançamento rasteiro de Tchouaméni. O espanhol avançou, tabelou com Valverde e deixou o uruguaio na cara do gol, restando ao camisa 15 o trabalho de tocar na saída de Al-Mayouf para marcar seu terceiro gol no Mundial de Clubes, exatos trinta segundos após o início da jogada. 4 a 1 e novamente a impressão de que o time madrilenho ganharia sem sustos.

Carvajal progrediu com a bola em velocidade, aproveitando-se de um sistema defensivo que corria para trás diante do passe de Tchouaméni, o que rompeu a primeira linha de contenção do Al-Hilal. As duas linhas de quatro logo eram uma de quatro e outra com dois, no máximo três jogadores. A sequência de toques rápidos com Valverde confundiu a defesa saudita e ajudou os espanhóis a chegarem ao quarto gol. [Fotos: Reprodução/YouTube Cazé TV e Arte: Ricardo Thomé]

Aos 62’, as primeiras mexidas do Real Madrid: Benzema saiu para a entrada de Rodrygo e Tchouaméni foi sacado para a entrada de Dani Ceballos. O camisa 18 do Madrid, que também ficou afastado por lesão antes do Mundial, sentiu dores após uma dividida limpa com Kanno, em que uma falta inexistente foi marcada. Logo após as trocas, o Al-Hilal colocou fogo na partida novamente: Saud Abdulhamid lançou a bola para Marega, que, na ponta direita, fez a parede e devolveu para o camisa 66. Com a zaga do Real Madrid adiantada, Abdulhamid encontrou grande passe para a infiltração de Vietto, que tocou por cima de Lunin para fazer o segundo dos sauditas. 4 a 2 e jogo aberto! Mas os gols não tinham parado por ali: seis minutos depois, aos 69’, Toni Kroos recuperou uma bola no campo de defesa e Modrić encontrou Ceballos. O espanhol, que vive sua melhor fase desde que chegou ao Real Madrid, em 2017, tocou para Vinícius Júnior, que deu uma linda caneta em Saud Abdulhamid e devolveu para Ceballos. O camisa 19 ameaçou bater, fez o corte sobre Jang e a bola sobrou para Vini Jr. bater no canto esquerdo do goleiro e marcar um golaço! Era a união entre talento, individualidade e coletivo fazendo a diferença para o maior time do mundo mais uma vez. 5 a 2 e Vini caminhando a passos largos para ser eleito o melhor do campeonato. Por muito pouco o brasileiro não deixou mais um no lance seguinte: a defesa do Al-Hilal errou na saída de bola, Modrić apertou, Kroos tocou para Vini e o camisa 20 tabelou com Rodrygo (com direito a toque de calcanhar do ‘Rayo’) antes de chutar alto, chapado, para a defesa de Al-Mayouf.

O segundo gol de Vini foi o quarto gol com tabelas na partida, o que mostra a importância dos toques rápidos, do entrosamento e da movimentação no futebol atual para quebrar as linhas de defesa adversárias, cada vez mais compactas.

Depois do gol, Carlo Ancelotti decidiu mexer na equipe mais uma vez. Luka Modrić e Toni Kroos saíram para as entradas do zagueiro Nacho Fernández e do meia Marco Asensio. A alteração fez com que Alaba fosse deslocado para a lateral esquerda (posição na qual atuou por anos no Bayern de Munique), possibilitando que Camavinga retornasse ao meio de campo. Asensio, por sua vez, ocupou a ponta direita, o que também recuou Valverde para sua posição originária, no meio-campo. Rodrigo fazia a função de falso nove. 

Ramón Díaz também mexeu no seu time e promoveu a entrada de Nasser Al-Dawsari no lugar de Salem Al-Dawsari. A principal troca, porém, deu-se na entrada do brasileiro Michael (ex-Flamengo e Goiás) no lugar de Carrillo, visando a trazer mais velocidade ao ataque saudita. E nisso ele teve êxito! Aos 79’, pouco depois do goleiro Al-Mayouf ser obrigado a fazer duas defesas seguras em chutes de Rodrygo e de Valverde, Camavinga — já jogando como volante — errou na saída de bola na entrada da grande área madridista. Cuéllar se aproveitou e roubou a bola, que ficou com Michael. O camisa 96 recebeu, colocou na frente, ganhou da defesa espanhola na velocidade e tocou para Vietto, na pequena área, dominar fazendo um lindo giro sobre Nacho e bater para o gol vazio. 5 a 3! 

O segundo gol de Vietto na decisão sacramentou a final do Mundial de Clubes de 2022 como aquela com mais gols marcados desde 2000, quando a Fifa passou a organizar a competição no atual formato. Os oito gols de Real Madrid 5, Al Hilal 3, superaram os seis gols de Milan 4, Boca Juniors 2 (2007) e de Real Madrid 4, Kashima Antlers 2 (2016). [Foto: Reprodução/Twitter @futtmais]

A partir dali, com cerca de dez minutos mais os acréscimos, o Al-Hilal arriscaria tudo. Pouco depois do gol, Michael fez grande jogada individual sobre o zagueiro Vallejo, que acabara de entrar no lugar do lateral Carvajal. O brasileiro chutou, Lunin defendeu, Vietto pegou o rebote e a bola desviou na marcação madridista. Na sobra, Marega, com o gol aberto, pegou mal de perna direita e não conseguiu acertar o gol. Uma chance incrível perdida pelo Al-Hilal de diminuir a vantagem para apenas um gol e colocar fogo de vez na partida. Tendo em vista que Michael entrou aos 75’, deu uma assistência aos 79’ e criou uma chance clara de gol sobre uma defesa remendada do Real Madrid aos 81’, fica o questionamento: será que ele não poderia ter entrado antes?

Depois de sofrer essa sequência de ataques, o time merengue passou a valorizar mais a posse da bola. Após boa troca de passes, Camavinga fez bonita jogada individual e rolou para Asensio bater de fora da área para boa defesa do capitão do Al-Hilal. Já aos 86’, o treinador argentino decidiu fazer as últimas alterações em sua equipe, e Ighalo, titular na partida contra o Flamengo, entrou no lugar de Marega. Vietto, o melhor dos sauditas no jogo, também saiu. Al-Hamddan foi o escolhido para a vaga. Era uma tentativa de refrescar o time diante da necessidade de imposição física no final do jogo. O Al-Hilal ainda tentou pressionar a saída de bola do Real, mas falhou nas tomadas de decisão e nas definições das jogadas e acabou por não ameaçar o gol de Lunin. Final de jogo: 5 a 3 para o Madrid, octa-campeão do mundo! 

Títulos mundiais e adversários do Real Madrid (contando os formatos de Copa Intercontinental* e de Copa do Mundo de Clubes**:

1960 (0 a 0 e 5 a 1 contra o Peñarol-URU)

1998 (2 a 1 contra o Vasco da Gama)

2002 (2 a 0 contra o Olimpia-PAR)

2014 (2 a 0 contra o San Lorenzo-ARG)

2016 (4 a 2 na prorrogação contra o Kashima Antlers-JAP)

2017 (1 a 0 contra o Grêmio) 

2018 (4 a 1 contra o Al Ain-EAU)

2022 (5 a 3 contra o Al-Hilal-ARS)

Houve, ainda, três oportunidades nas quais o maior campeão mundial perdeu a competição:

1966 (0 a 2 e 0 a 2 contra o Peñarol-URU)

2000 (1 a 2 contra o Boca Juniors-ARG, pela Copa Intercontinental)

2000 (quarto colocado da competição, sendo eliminado no saldo de gols na fase de grupos para o campeão Corinthians e perdendo por 4 a 3 nos pênaltis para o Necaxa-MEX, após empate por 1 a 1 no tempo normal e na prorrogação, pela Copa do Mundo de Clubes da Fifa)

*A Copa Intercontinental (1960-2004) foi organizada, inicialmente, por Conmebol e Uefa (1960-1979) e, posteriormente, pela Associação de Futebol do Japão (1980-2004), com patrocínio da Toyota. O torneio reunia o campeão europeu e o campeão sul-americano para a disputa do título mundial. No primeiro formato, os times se enfrentavam em partidas de ida e volta em seus respectivos estádios. No segundo, o jogo era único e disputado no Japão. 

**A Copa do Mundo de Clubes da Fifa (2000-hoje) abrange equipes de todos os continentes e é o primeiro torneio de caráter mundial a ser organizado totalmente pela entidade.

Para o Al-Hilal, fica a sensação de uma campanha mais do que digna, eliminando o favorito Flamengo e dando trabalho ao poderoso Real Madrid. Além disso, foi a melhor campanha da equipe saudita desde que disputou o torneio pela primeira vez. Nas outras duas oportunidades (2019 e 2021), o Clube dos Príncipes foi eliminado na semifinal (para Flamengo e Chelsea-ING, respectivamente) e perdeu a decisão do terceiro lugar (contra Monterrey-MEX e Al Ahly-EGI, respectivamente). 

Vini Jr.: o craque do Mundial!

Não poderia passar despercebido o fato de Vinícius Júnior ter sido eleito — merecidamente — o melhor jogador do Mundial de Clubes. O craque brasileiro, que foi o segundo melhor do time na última temporada e marcou o gol decisivo do título europeu na final contra o Liverpool, vem sendo perseguido dentro e fora dos gramados na Espanha. Em LaLiga (Campeonato Espanhol), Vini sofre uma média de quase quatro faltas por partida, muitas delas duríssimas, como a que o zagueiro brasileiro Gabriel Paulista, do Valencia, cometeu há algumas semanas. Só contra o Mallorca, em derrota por 1 a 0, foram 10. No Mundial de Clubes, o camisa 20 sofreu duas faltas em cada jogo. E foram faltas de jogo. Fora de campo, o jogador da seleção brasileira vem sofrendo ataques racistas recorrentes de integrantes da torcida de clubes rivais do Real, como o Atlético de Madrid. 

Embora Vinícius prefira responder dentro de campo, tanto LaLiga quanto o próprio Real Madrid não vêm se posicionando de modo a considerar esses casos como racismo ou como algo a ser punido, de fato. Há quem considere que as faltas sofridas por Vini não tenham relação direta com o racismo, mas sim com seu estilo de jogo, de drible e de velocidade. Direta ou indireta, a relação existe e, muitas vezes, o que se vê são jogadores rivais “comprando” uma briga e um discurso contra o atacante para ficarem “bem” ao lado de suas torcidas — ou de parte delas — desconsiderando que o drible faz parte do futebol e que Vini passa longe de ser um atleta pouco objetivo em suas ações dentro de campo, como apontou João Félix, atacante português emprestado pelo Atlético de Madrid ao Chelsea-ING

Craque. A atuação de Vini manteve o brilhantismo de sempre, mas com muito mais leveza. Ele (ao centro) foi o bola de ouro, enquanto Valverde (E) foi o segundo melhor do torneio e Vietto (D) o terceiro. [Fotos: Reprodução/Twitter @realmadrid e @maisfutebol]

Enquanto clube, liga e mídia espanhóis relativizam a gravidade da situação e chegam a culpar Vinícius, ele segue jogando seu futebol e respondendo com muita maturidade, classe, gols, assistências e títulos. No Mundial de Clubes, no Marrocos, Vinícius foi marcado como bom jogador que é, mas com lealdade ao jogo e ao ser humano. Marcou três gols, deu uma assistência e foi eleito o melhor da competição. 

Flamengo vence Al-Ahly e é terceiro colocado; Pedro termina como artilheiro 

Na decisão do terceiro lugar, o Flamengo sofreu, mas conseguiu derrotar o Al-Ahly e atenuou a decepção neste Mundial com a medalha de bronze. O Mais Querido abriu o placar logo no início do jogo, em pênalti cometido por Ali Maâloul em Varela e convertido por Gabi. O time egípico equilibrou o jogo e reagiu, empatando de cabeça com Ahmed Abdelkader após cobrança de escanteio de Ali Maâloul. No início do segundo tempo, o Al-Ahly seguiu melhor e teve um pênalti a seu favor aos 58’. Ali Maâloul bateu fraco e Santos defendeu, mas poucos minutos depois o gol da virada saiu: Abdelkader recebeu de Fathi, fez linda jogada individual e bateu no canto esquerdo do goleiro flamenguista: 2 a 1. Quando o time egípcio era melhor no jogo, o árbitro argelino Mustapha Ghorbal marcou um pênalti a favor do Mengão e, ao fazer a revisão no VAR, viu que a falta foi fora da área. Isso fez com que ele mudasse sua decisão e apresentasse o cartão vermelho a Abdelfattah, lateral direito do Al-Ahly, pelo que considerou “impedir uma chance clara e manifesta de gol” ao derrubar Ayrton Lucas, que partia em direção à linha de fundo. 

Com um a mais em campo, o Flamengo se reencontrou na partida e empatou com Pedro, aos 77’, após saída ruim do goleiro e capitão El-Shenawy. Minutos depois, novo pênalti para o rubro-negro, em toque de mão de Hany. Gabi bateu e converteu mais uma vez. Ainda deu tempo de Pedro interceptar a bola, cortar a marcação e fechar o placar em 4 a 2 para o Flamengo, impedindo um segundo revés no Mundial, garantindo o terceiro lugar e se tornando artilheiro isolado da competição, com quatro gols.

Gabriel Barbosa, o Gabigol (26), à direita, agora tem gols marcados em todas as competições que disputou com a camisa do Flamengo, clube ao qual chegou em 2019 (Campeonato Carioca, Supercopa do Brasil, Recopa Sul-Americana, Copa do Brasil, Campeonato Brasileiro, Libertadores e Mundial). Pedro (25), à esquerda, por sua vez, provou mais uma vez porque faz tanto a diferença no futebol brasileiro e recebeu o troféu de artilheiro — o camisa nove se tornou o primeiro jogador a ser artilheiro da Libertadores e do Mundial de Clubes na mesma temporada.

Ficha técnica:

Real Madrid (4-3-3): Lunin; Carvajal (Vallejo, 79′), Rüdiger, Alaba, Catarina; Tchouaméni (Ceballos, 62′), Kroos (Asensio, 74′) Modrić (Nacho Fernández, 74′); Valverde, Benzema (Rodrygo, 62′) e Vinícius Júnior. T.: Carlo Ancelotti. [Arte: Ricardo Thomé]

Al-Hilal (4-2-3-1): Al-Mayouf; Saud Abdulhamid, Jang Hyun Soo, Al-Boleahi, Khalifah Aldawsari; Cuéllar, Kanno; Carrillo (Michael, 75′), Vietto (Al-Hamdddan, 87′), Salem Al-Dawsari (Nasser Al-Dawsari, 75′) Marega (Ighalo, 86′). T.: Ramón Díaz. [Arte: Ricardo Thomé]

Gols: Vinícius Júnior (Benzema, 13’, e Ceballos, 69’), Valverde (s/ assistência, 18’ e Carvajal, 58’) e Benzema (Vinícius Júnior, 54’) – RMA / Marega (Kanno, 26’) e Vietto (Saud Abdulhamid, 63’ e Michael, 79’)

Cartões amarelos: N/A

*Imagem de capa: Reprodução/Twitter @realmadrid

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