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Remar contra o Alzheimer: a influência positiva do esporte na prevenção da doença

A junção de técnicas para praticar a modalidade pode servir como um grande fator de prevenção à doença

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10 jul 2023 | Por Luíse Silva (luisehomobono2516@usp.br)

O Alzheimer é uma doença neurodegenerativa que afeta milhões de pessoas em todo o mundo, comprometendo progressivamente a memória, o pensamento e o comportamento. No entanto, estudos recentes têm apontado que a prática de esportes pode desempenhar um papel significativo na prevenção e no retardo do desenvolvimento dessa doença.

Nesta matéria, investigaremos a relação entre o esporte remo e a prevenção do Alzheimer, destacando os benefícios dessa modalidade para a saúde cerebral e fornecendo percepções valiosas sobre como o exercício físico pode ajudar a manter a mente saudável.

Equilíbrio e vitalidade: os benefícios da atividade física para a saúde

A prática regular de exercício físico traz inúmeros benefícios para a saúde, desde fortalecer o corpo até melhorar o bem-estar mental. Além disso, evidências indicam que o exercício também desempenha um papel fundamental na prevenção da doença do Alzheimer, um dos maiores desafios da saúde atualmente.

A sua execução contribui para a saúde cardiovascular, ajudando a fortalecer o coração, a melhorar a circulação sanguínea e a reduzir o risco de doenças cardíacas. Praticar atividades físicas também promove o controle de peso e a prevenção da obesidade, que são fatores de risco para diversas condições de saúde.

Ilustração de um coração saudável saudável, que é resultado da junção de uma alimentação correta e da prática de exercícios físicos [Imagem: Reprodução/ Gov.br]

Durante a realização de um exercício, o corpo produz endorfina e serotonina, hormônios responsáveis pela sensação de vitalidade, bem-estar e satisfação. A disposição física provocada auxilia na melhora do humor e no desempenho estudantil. “Com o remo, melhorei meu equilíbrio, respiração, força e também pude ter uma forma de desestressar ao longo da semana”, diz o atleta de remo Eduardo Lobato, estudante de medicina da FMUSP. 

Ilustração de duas pessoas praticando exercícios físicos e cuidando da sua saúde [Imagem: Reprodução/Gov.br]

O exercício físico regular desempenha um papel essencial na promoção da saúde geral e na prevenção de doenças, incluindo a doença do Alzheimer. Ao adotar um estilo de vida ativo, com uma alimentação equilibrada e sono adequado, as pessoas podem fortalecer o corpo, estimular a mente e desfrutar de uma vida mais saudável e plena. Além disso, cada caso é único, e é fundamental consultar um profissional de saúde para obter orientação personalizada e adequada às necessidades individuais.

Remo: saúde, força e equilíbrio em um esporte

O remo é um esporte que desafia tanto o corpo quanto a mente, exigindo disciplina e comprometimento. Durante a prática do remo, é necessária concentração, tomada de decisão rápida e coordenação precisa. Desde a escolha correta dos remos ao simples fato de entrar no barco com os pés no local correto, o esporte acaba demandando uma atenção maior, para que essa junção de técnicas resulte em um treino de alta eficiência. Esses desafios cognitivos estimulam a atividade cerebral e podem ajudar a manter a cognição saudável de várias maneiras.

 O atleta Lucas Verthein (Botafogo) na Copa do Mundo de Remo de 2023, realizada em Zagreb, Croácia. [Imagem: Reprodução/ Instagram @remobrasil]

Durante o remo, é necessário manter uma concentração intensa. Os remadores devem estar atentos aos movimentos do corpo, à posição do barco, às instruções do treinador e à interação com os colegas de equipe. Essa concentração direcionada requer um alto nível de atenção, o que pode fortalecer as redes neurais relacionadas à concentração e ao foco mental. O atleta Christian Delphino, diretor de modalidade de remo da Escola de Comunicação e Artes (ECA-USP), conta que “uma das coisas que mudou em mim depois que eu comecei a praticar o remo foi a minha postura, já que é necessário estar com a coluna ereta para que as remadas sejam feitas de maneira correta”.

Raia Olímpica da Universidade de São Paulo [Foto: Arquivo Pessoal/ Luíse Silva] 

Os remadores devem ajustar sua técnica, seu ritmo e sua força com base nas condições da água, nas estratégias da equipe e nas instruções do treinador. Essa tomada de decisões instantâneas estimula a atividade cerebral, envolvendo áreas responsáveis pelo processamento rápido de informações e pela resolução de problemas.

Alunos da ECA treinando remo. [Foto: Arquivo Pessoal/ ECAPIVARAS] 

Além desses aspectos cognitivos diretos, o remo também proporciona um ambiente estimulante socialmente. A prática em equipe exige comunicação, cooperação e trabalho em conjunto. Esses aspectos sociais do remo estimulam a atividade cerebral relacionada à interação social, empatia e habilidades sociais, que são importantes para a saúde cognitiva e emocional. O entrevistado Eduardo Lobato acrescenta que “devido à concentração de aprimoramento das técnicas, o remo me auxiliou a ter mais foco e atenção. Além disso, treinar em barcos coletivos nos faz também trabalhar a cooperação e habilidades interpessoais”.

O Estadual de Brasília teve sua primeira etapa realizada no Lago Panoá, na sede do Crossrowing/AABR.  [Imagem: Reprodução/ Instagram @remobrasil]

A prática do remo em um ambiente natural e tranquilo, como um rio ou lago, pode ter um efeito calmante e relaxante. O contato com a água, a natureza ao redor e a sensação de fluidez dos movimentos podem ajudar a reduzir os níveis de estresse e promover uma sensação de bem-estar mental.

Possível prevenção à doença de Alzheimer

O Alzheimer é uma doença neurodegenerativa progressiva e fatal, caracterizada por uma variedade de sintomas neuropsiquiátricos e de alterações comportamentais, como a deterioração cognitiva e da memória, que comprometem progressivamente as atividades da vida diária. Essa doença é mais comum em idosos. Com a fisioterapia e a terapia ocupacional, a ciência tem demonstrado a importância de um estilo de vida saudável para a prevenção do mal de Alzheimer. 

Atletas de remo competindo no Campeonato Brasileiro Máster [Imagem: Reprodução/ Instagram @remobrasil]

A neuroplasticidade é uma capacidade de adaptação do Sistema Nervoso Central (SNC)  em resposta às alterações do ambiente, modificando as propriedades fisiológicas. Em uma pessoa afetada pelo Alzheimer, essa habilidade é diretamente afetada, devido à degeneração progressiva das células nervosas, o que impede a capacidade de recuperação de áreas cerebrais que foram lesionadas pela doença. 

No entanto, com a fisioterapia, terapia ocupacional e estimulação cognitiva, é possível promover estímulos cerebrais específicos em algumas pessoas com Alzheimer em estágio inicial. Dentre essas terapias, são utilizadas, na maioria das vezes, a prática da atividade física, principalmente exercícios aeróbicos. “Existem estudos científicos que comprovam que exercícios aeróbicos promovem a neuroplasticidade, porque eles melhoram a circulação sanguínea no cérebro, estimulando o crescimento de células neurais”, explica Luciana Bastos, fisioterapeuta neurofuncional.

Atletas no remo ergômetro, equipamento que simula a remada na água. [Imagem: Reprodução/ FPRemo.pt]

O cérebro impulsionado cria novas conexões entre células nervosas que já existem, reorganizando as redes neurais e compensando a perda de certas partes afetadas pela doença. Assim, a neuroplasticidade e outras funções cognitivas podem ser retomadas.  

Luciana conta que existem alguns estudos que indicam a presença de placas beta-amilóides —concentrações anormais de proteína— acumuladas entre as células de pessoas com Alzheimer, prejudicando o cérebro dos pacientes.“Essas placas podem desencadear uma resposta inflamatória no sistema imunológico do corpo, o que levaria a mais danos cerebrais”, explica a fisioterapeuta.

As pesquisas também apontaram que a irisina, hormônio produzido pelo corpo humano, poderia influenciar na regulação do organismo e no controle do peso. “Além disso, ela também poderia ajudar a proteger o cérebro contra a formação das placas, reduzindo a sua concentração”, acrescenta a especialista.

O remo, por ser um exercício aeróbico, promove o aumento de fluxo sanguíneo para o cérebro. Com isso, ele estimula o crescimento de novas células cerebrais, promovendo a liberação de substâncias químicas, como neurotransmissores, no organismo. Assim,as conexões neurais são fortalecidas, melhorando a função cognitiva e a plasticidade cerebral.

O Instituto Remo meu Rumo promove assistência, ensino e integração social por meio do esporte  [Foto: Arquivo Pessoal/ Roberta Pereira]

Entretanto, é importante ressaltar que a atividade física, incluindo o remo, é apenas um dos fatores que podem influenciar a neuroplasticidade e a prevenção ao Alzheimer. Uma abordagem abrangente para a saúde cerebral também deve incluir uma alimentação saudável, sono adequado, estimulação cognitiva e socialização. É sempre recomendado buscar orientação médica antes de iniciar qualquer atividade física intensa, especialmente no caso de condições médicas pré-existentes.

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