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Netflix | ‘Rua do Medo: 1978 – Parte 2’ – irmandade e crueldade, os dois lados da moeda

SEGUNDO FILME DA TRILOGIA DE TERROR, ‘1978’ É MAIS INTENSO, MAS NEM TANTO REVELADOR

CINÉFILOS
15 jul 2021 | Por Julia Custódio (juliamcustodio@usp.br)

Rua do Medo: 1978 – Parte 2 (Fear Street Part 2: 1978, 2021) é o segundo filme da trilogia de terror baseada nos livros de R. L. Stine, e dá continuidade aos dramas de 1994. Ainda tentando salvar a namorada, Deena (Kiana Madeira) vai em busca de C. Bergman (Gillian Jacobs), a única sobrevivente do massacre do ano de 1978. Certa de que não há como impedir a bruxa, Bergman conta a história da noite em que várias crianças de Shadyside foram assassinadas, inclusive sua irmã.

Ziggy (Sadie Sink) e Cindy Bergman (Emily Rudd) são irmãs bem diferentes uma da outra, a primeira é uma campista rebelde e conformista e a segunda é uma monitora com grandes planos para o futuro — sair de Shadyside, o que por si só já é algo grande. É após a tentativa de assassinato de um dos monitores do acampamento que as coisas começam a se movimentar, e as peças são aos poucos colocadas no lugar.

 

As personagens brancas, com cabelos castanhos claros e camisetas listradas brancas se entreolham durante a discussão.

Cindy e Ziggy em uma discussão. [Imagem: Divulgação/Netflix]

As duas irmãs têm personalidades bem marcantes e nada originais: é fácil se irritar com a perfeição moral de Cindy e também com o temperamento forte de Ziggy, mas, de certa forma, as duas ajudam a balancear o filme, dando intervalos entre uma e outra. As cenas ainda lembram bastante outros clássicos do terror, como acontece em 1994, e engajam, na medida em que dão a impressão que os espectadores também estão lutando pelas próprias vidas do outro lado da tela.

Um ponto positivo em relação ao primeiro filme, é que as personagens são melhores desenvolvidas no quesito psicológico, assim é possível entender quem eram antes do início da trama, as motivações de cada um na tomada de decisões e, por fim, como foram afetados pelos acontecimentos. Isso possui um papel fundamental, já que em 1978 os assassinatos são bem mais cruéis, muito mais crianças estão envolvidas e novos aspectos do universo são apresentados.

Em Rua do Medo, placa com desenho de uma paisagem colorida em que se lê "Welcome to Camp Nightwing".

“Bem vindo ao Acampamento Nightwing”. [Imagem: Reprodução/Netflix]

Outro aspecto interessante é a trilha sonora. As músicas hits da década, principalmente rocks, ajudam na ambientação, a descrever através do som a personalidade de algumas personagens e, até mesmo, em cenas de ação de formas inusitadas. Cherry Bomb, do The Runaways, Carry On Wayward Son, do Kansas, e Moonage Daydream, de David Bowie, são alguns exemplos de músicas que aparecem no decorrer do filme. Aliás, o nome da irmã mais nova é uma referência ao Ziggy Stardust, um personagem de Bowie. 

Uma figura repetida dos filmes é o chefe de polícia Nick Goode (Ted Sutherland), que, em 1978, é um adolescente. A participação dele ajuda a entender por que em 1994 ele estava tão distante dos acontecimentos. Além disso, é comentado um pouco mais sobre as duas cidades rivais: Shadyside e Sunnyside costumavam ser só uma cidade que foi dividida em duas, mas não é dito mais nada a respeito.

Poucas questões foram efetivamente respondidas, a maior novidade da Parte 2 foi a descoberta de uma possível maneira de deter Sarah Fier, a bruxa. Nas cenas finais, uma nova gama de possibilidades são abertas, o que deixa a história de Rua do Medo mais interessante ainda, e, consequentemente, promete cumprir as expectativas.

Nota do Cinéfilo: 3,5 de 5. Bom.

Rua do Medo: 1978 – Parte 2 estreou dia 9 de julho e está disponível para todos os assinantes da Netflix. Confira o trailer:

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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