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Netflix | ‘Rua do Medo: 1994 – Parte 1’ é terror típico, mas intrigante

PRIMEIRO DE UMA TRILOGIA, ‘1994’ É O INÍCIO DE UMA HISTÓRIA MISTERIOSA E CHEIA DE SUSPENSE

CINÉFILOS
15 jul 2021 | Por Julia Custódio (juliamcustodio@usp.br)

Primeiro de uma trilogia baseada nos livros de R. L. Stine, Rua do Medo: 1994 – Parte 1 (Fear Street Part 1: 1994, 2021) é uma ótima decisão para quem gosta dos clássicos do terror, como as sagas Pânico e Sexta Feira 13, ou até mesmo para os fãs de Stranger Things (2016-presente), uma vez que traz muitos elementos parecidos com a série. 

Shadyside é uma cidade com um longo histórico de assassinatos e massacres, um verdadeiro pesadelo comparada à Sunnyside, a cidade vizinha. Os rumores são que o espírito de uma bruxa atormenta a cidade de tempos em tempos, influenciando pessoas a cometerem os crimes.

Deena (Kiana Madeira) e seus amigos, Kate (Julia Rehwald) e Simon (Fred Hechinger), obviamente não acreditam nisso. Eles estão mais preocupados com a rivalidade entre as duas cidades e a protagonista, com sua ex-namorada, Sam (Olivia Welch). É após um acidente de carro que os eventos começam a envolver o grupo: um mascarado no quintal de Deena, uma menina estranha cantando no meio da rua e um louco com um machado que aparece do nada. Só assim, e com o conhecimento bem conveniente de Josh (Benjamin Flores), irmão de Deena, os personagens acreditam na existência da bruxa.

 

Os três personagens com roupas vermelhas e lanternas observam o túmulo em meio a um ambiente escuro e enevoado.

Kate, Simon e Deena no túmulo da bruxa. [Imagem: Divulgação/Netflix]

O filme é um terror típico. Assassinos correm soltos e aparecem de repente, adolescentes que, mesmo no meio do caos, arranjam tempo para romance, um policial que sabe que tem algo errado mas não faz nada a respeito e cenas que nos fazem querer gritar “SAI DAÍ” e “VAI MAIS RÁPIDO”. Mas nem por isso deixa de ser original e extremamente envolvente.

Como muitas questões são levantadas durante a trama e poucas são respondidas, o espectador fica na espera dos filmes seguintes. Por exemplo, a rivalidade entre as duas cidades é fator catalisador de diversos eventos importantes, mas não é explicado o porquê dessa rixa histórica entre Sunnyside e Shadyside. No entanto, apesar das lacunas, a trama não é complicada de acompanhar.

 

Uma pessoa com uma máscara de caveira acinzentada vestindo um capuz preto olha para a câmera.

O assassino mascarado. [Imagem: Divulgação/Netflix]

A escolha da sequência da história é curiosa. A trilogia Rua do Medo é composta pelos acontecimentos dos anos de 1994, 1978 e 1666, respectivamente, o primeiro, segundo e último filme. Logo, por ser o último ano, o filme de 1994 deveria concluir os mistérios e dar um fim ao mal, como se é esperado desse tipo de franquia. Contudo ele apenas dá início, sem conclusão ou solução, convidando o espectador a mergulhar no passado da história. Apesar da inversão cronológica dos eventos, é dada a esperança que os acontecimentos mais recentes terão conclusão nos próximos filmes, e, com certeza, isso contará como critério de avaliação da qualidade da trilogia.

Com muitos acertos nos cortes de câmeras durante as cenas de ação, iluminação, trilha sonora e atuação, o filme se torna bastante imersível, principalmente no final, quando a trama é mais focada no suspense. Apesar disso, há aspectos que incomodam quanto ao desenvolvimento psicológico das personagens, sobretudo relacionado às mortes que ocorrem, afinal, as pessoas morrem e as demais não ficam abaladas ou repensam as relações e os modos de agir? Esse é um erro que pode ser reparado nos próximos filmes e, se ignorado, não atrapalha em nada a experiência.
Nota do Cinéfilo: 3,5 de 5, Bom.

Rua do Medo: 1994 – Parte 1 estreou dia 2 de julho e está disponível para todos os assinantes da Netflix. Confira o trailer:

Cinéfilos
O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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