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‘Siron’ – Vida na tela
CINÉFILOS
10 abr 2021 | Por Luiz Attié (laattiecjj@usp.br)

Siron. Tempo Sobre Tela (2019) é um filme biográfico sobre o artista plástico Siron Franco. Nascido em 1947 em Goiás, seus quadros têm influências modernas e surrealistas e, ao longo da biografia, é possível começar a compreender um pouco melhor o seu processo criativo e como a arte funciona e conversa com ele.

O filme mescla cenas do acervo pessoal com gravações do próprio artista contando sobre si e sua arte. Já na primeira cena, somos ambientados com ele “despintando” uma tela. Assim, conforme os traços vão sumindo, vai sendo perceptível as diferentes camadas da sua arte. Inclusive, camadas literais de diferentes desenhos sobrepostos que vão dando lugar a outros traços no resultado final. Essa ambientação também expõe as pinceladas fortes e assimétricas e a marcação da palma das mãos na tela, adicionando textura à obra.

Enquanto ele vai nos contando, a gente vai ouvindo, por exemplo, sobre sua relação com a ditadura. Embora vários de seus colegas estivessem sendo presos na época, ele mesmo não se envolvia diretamente com os militares ou com a censura. Mas o caso que talvez tenha sido mais marcante para o artista foi o acidente envolvendo o Césio-137 que ocorreu em 1987 em Goiânia, mais especificamente no bairro onde ele morava. O caso foi considerado o maior acidente radiológico do mundo e estima-se que mais de 100 pessoas morreram devido ao contato com a radiação do elemento. O pintor não foi contaminado, mas viu vários de seus vizinhos morrendo, e esse contato com a morte também se reflete na sua arte.

 

Siron pitando em uma tela

[Imagem: reprodução/YouTube/Pandora Filmes Trailers]

Ainda que com uma cadência relativamente lenta, Siron. Tempo Sobre Tela utiliza muito bem o seu formato biográfico-documental para fazer com que a “história” prossiga como se fosse uma contação de histórias, e não um processo linear da vida dele até os dias de hoje, como em blocos temáticos que compõem Siron como é hoje. Assim como seus quadros, são diferentes vivências e experiências que se sobrepõem para, enfim, termos o resultado final. 

No geral, o longa de André Guerreiro Lopes e Rodrigo Campos faz um bom trabalho em trazer uma obra delicada e respeitando Siron e seu legado. Em momentos, a vontade do espectador é de poder conversar ainda mais com ele e poder ouvir tudo o que ele tem a nos dizer. Vemos Siron pai, avô e indivíduo, indo além da sua faceta artística; e é difícil não simpatizar com ele em todos esses âmbitos.

Siron. Tempo Sobre Tela estreou no Brasil simultaneamente nos cinemas e nas plataformas de locação de filmes digitais no dia 25 de março de 2021. Confira o trailer:

Imagem de capa: Divulgação/Pandora Filmes

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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