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Madam C. J. Walker: A Visionária da Beleza
Controle Remoto
28 jun 2020 | Por Juliana Alves (juliana_mendonca@usp.br)

Há quantos negros presidentes de empresas? Quantas mulheres negras comandam negócios? É possível perceber que são poucos. Se o cenário já é limitado hoje, no século passado era mais raro ainda ver uma mulher preta empreendedora. Mas uma das exceções era Madam C. J. Walker, que conseguiu realizar seus sonhos mesmo com vários obstáculos pessoais e sociais. Sua trajetória foi tão fascinante que se transformou em uma minissérie da Netflix.

A Vida e a História de Madam C. J. Walker (Self Made, 2020) foi baseada na biografia On Her Own Ground: The Life and Times of Madam C. J. Walker, de A’Lelia Bundles, uma de suas descendentes. A minissérie é composta por quatro episódios que abordam a história de uma lavandeira que se tornou uma das maiores figuras do empreendedorismo feminino no ramo de cosméticos e a primeira mulher negra a se tornar milionária por conta própria nos Estados Unidos.

Estressada com o trabalho mal remunerado de lavandeira, o cabelo de Sarah Breedlove começou a cair. A solução para melhorar sua autoestima foi o elixir capilar mágico de sua amiga Addie Munroe. Mas Sarah percebeu o quanto o ramo da estética era promissor: decidiu vender seu próprio elixir e tornou-se concorrente de Addie. A partir daí inicia-se uma trajetória de altos e baixos da empreendedora.

Madam C. J. Walker enfrenta dificuldades em montar o negócio. [Imagem: Reprodução/Omelete]

Dificuldades em montar o negócio. [Imagem: Reprodução/Omelete]

Um dos principais motivos que levou Sarah ao sucesso foi sua habilidade de oratória. Ela conquistou vários clientes com a sua emocionante história de vida, e também mostrou como o segmento da beleza era promissor para as mulheres negras. A personagem Sarah passa uma bela reflexão às mulheres: o cabelo bem cuidado não representa só autoestima, mas também simboliza a liberdade e o poder de ser dona do próprio negócio. 

O período histórico em que se passa a série é relevante para entender os detalhes e o comportamento dos personagens. O contexto pós Guerra Civil Americana e o abolicionismo deixaram consequências racistas naquela sociedade. A segregação racial americana é apresentada de maneira sutil, como na cena do cinema, no qual os assentos são delimitados com espaços diferentes para negros e para brancos. 

Além do racismo, há cenas que mostram a perpetuação do machismo. Em vários momentos, há violência, desde a sexual até a psicológica. No caso de Sarah, ela foi muito julgada e criticada por não fazer tarefas domésticas, até mesmo pelo seu marido, C. J. Walker, o qual ficava desconfortável com o comando da empresa pela sua esposa. Percebe-se até o machismo em relação ao nome da marca, sobrenome do marido. É evidente que o roteiro apresenta diversas críticas sociais concisas, e o público pode refletir com os resquícios desses problemas sociais que permanecem até hoje. 

A minissérie tem um roteiro simples, porém com partes que incentivam reflexões ao público. Além disso, também chama atenção em outros aspectos, como a trilha sonora eclética, que vai desde o jazz até o hip hop, os figurinos belíssimos de época e cenas que fazem lembrar a estética de um musical.

A série apresenta uma estética de musical. [Imagem: Reprodução/Veja]

Estética de musical. [Imagem: Reprodução/Veja]

Um aspecto diferencial da minissérie é o fato de que quase todos os atores e até os responsáveis pelo bastidores (como Nicole Jefferson Asher, roteirista, e Janine Sherman Barrois, roteirista e produtora) são negros. Raridade no universo do streaming

Assim, a minissérie, emocionante e muitas vezes bem humorada, apresenta uma história inspiradora, principalmente para as mulheres negras. Passa a mensagem de que, apesar das dificuldades que a sociedade impõe, é possível alcançar seus sonhos. É irresistível fazer a maratona!

Confira o trailer:

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