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As cangaceiras, guerreiras do sertão: a luta pela liberdade dá voz à vida
Em Cena
09 jul 2019 | Por Gabriel Guerra (gabriel_guerra@usp.br)

“Só vive quem da luta não desiste,

E aprende a dizer não.”

Essa máxima está presente na música de abertura de As cangaceiras, guerreiras do sertão. O musical é uma dramaturgia de Newton Moreno, com direção de Sergio Módena e produção de Rodrigo Velloni. A obra é construída em cima da busca de Serena (Amanda Acosta) pelo filho, afastado após o nascimento a pedido de seu marido Taturano (Marco França), líder do cangaço. Após a fuga de Serena, outras mulheres se juntam a ela por variados motivos, como é o caso de Mocinha (Rebeca Jamir) e sua mãe Deodata (Vera Zimmermann) que a acompanham após Serena salvar Mocinha de Meialua (Marcello Boffat), integrante do cangaço de Taturano. Outras integrantes passam a compor o grupo ao decorrer do musical, como Zaroia (Carol Badra) e Viúva (Luciana Lyra). 

O musical surpreende e cativa o público do começo ao fim. O roteiro bem estruturado e as músicas são fatores essenciais para a qualidade da obra. As canções presentes no espetáculo foram criadas para a peça pela diretora musical Fernanda Maia, surpreendendo por sua qualidade e sensibilidade. Os aplausos do público confirmaram este fato. As composições,  a partir da presença de regionalismos e expressões nordestinas, evidenciam a singularidade e o detalhismo na produção do musical. 

 

Serena e Viúva em um combate. [Imagem: Divulgação]

A originalidade da obra também se evidencia na temática abordada. Ao falar em cangaço, Lampião e seus cangaceiros já vem à tona no imaginário popular. Maria Bonita, mulher mais reconhecida na história do cangaço, é lembrada por muitos como a esposa de Lampião. As cangaceiras vem dar voz às mulheres e dissociar a imagem feminina da masculina no cangaço. 

Por motivos diferentes e pessoais, as cangaceiras se unem com um ideal central: a liberdade. “No cangaço, a mulher pode tudo, menos ser livre.” É assim que Zaroia descreve o cangaço para suas companheiras. Cansada de se limitar aos preconceitos que as mulheres sofriam no meio, ela se rebela e junta-se ao grupo para simbolizar e ecoar que a liberdade feminina é necessária e deve ser imediata. A trama, que retrata uma época do século XX, é importante até hoje, já que a igualdade de gêneros é luta constante do século XXI, sendo essencial para a construção de sociedades igualitárias. 

Por mais que o espetáculo trate de uma temática importante a ser debatida, o roteiro é leve e a plateia não fica entediada com o desenrolar da trama. Há momentos de descontração, que permitem que o público também se divirta com o musical. A leveza do roteiro faz com que a obra seja acessível aos diferentes públicos, independentemente da idade.

O musical será apresentado no Teatro Sesi até o dia 4 de Agosto, com apresentações toda sexta, sábado e domingo. As cangaceiras, guerreiras do sertão é uma excelente escolha de final de semana para quem quer se divertir e, ao mesmo tempo, refletir. Ao fim da peça, a marca que o musical deixa é que a liberdade deve ser primordial aos indivíduos. Além disso, o eco dos gritos de luta das personagens firma-se no imaginário do público, não deixando que a emoção se perca. A ideia apresentada no início é consolidada ao decorrer da trama e nos mostra que, realmente, só vive quem da luta não desiste… E aprende a dizer não! 

As cangaceiras com o punho cerrado, simbolizando resistência. [Imagem: Divulgação]

As Cangaceiras, guerreiras do sertão

Local: Teatro Sesi – São Paulo

Horários: Quinta a sábado, às 20h; domingo, às 19h

Temporada: De 25 de abril a 4 de agosto de 2019

Ingresso: Reservas antecipadas às segundas-feiras a partir das 8h no site; 15 minutos antes da peça começar são distribuídos ingressos remanescentes. 

 

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