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Como era o mundo do esporte na última vez que LeBron esteve fora dos Playoffs da NBA?
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17 maio 2019 | Por Arthur Nascimento (arthur.gm.nascimento@usp.br)

LeBron James é, certamente, o maior nome da NBA na atualidade. Seja pelas oito vezes consecutivas em que chegou à final da liga, pelas 12 temporadas em que foi escolhido para o All-NBA First Team ou por outras incríveis marcas, é inegável que LeBron se tornou o jogador mais dominante da liga nos últimos tempos. Por isso, assistir The King desfilando sua habilidade em jogos de Playoffs virou rotina para os fãs de basquete. Entretanto, pela primeira vez em muito tempo, essa cena não será vista.

É difícil imaginar um time que tenha LeBron James longe do título da NBA, mas essa foi a realidade do Los Angeles Lakers na atual temporada. Para Guilherme Tadeu, apresentador do podcast sobre basquete Café Belgrado, o principal fator para sua ausência nos Playoffs foi a saída da Conferência Leste para o Oeste. Para o analista, o astro se arriscou em um cenário certamente mais difícil ao sair da conferência em que foi vencedor por oito anos consecutivos.

Outra dificuldade enfrentada pelo Lakers, de acordo com Guilherme Tadeu, foi a falta de um bom plano por parte da diretoria da franquia. “LeBron imaginava que, chegando ao Lakers, teria uma facilidade maior de atrair outras super-estrelas para jogar com ele”, mas não foi o que aconteceu nessa temporada. O time da Califórnia falhou ao negociar a aquisição de grandes nomes, como Kawhi Leonard, Paul George e Anthony Davis. Acabou montando um elenco com características diferentes das exigidas pela atual NBA, como a dificuldade em realizar cestas de três e a priorização do jogo interno. Isso se reflete, por exemplo, nos contratados Rajon Rondo, Lance Stephenson e JaVale McGee.

Além de tais adversidades, as lesões enfrentadas por jogadores como Lonzo Ball, Brandon Ingram e principalmente o próprio LeBron James explicam a ausência do King nos Playoffs. Entretanto, isso não deixa de ser um fato totalmente fora do comum, que ocorreu pela última vez na distante temporada de 2004-05.

Um evento tão raro leva todos a um questionamento: como era o mundo do esporte na última vez em que LeBron James não esteve nos Playoffs da NBA? Voltaremos para o ano de 2005, relembrando quem dominava o basquete na época, o estágio da carreira de quem é importante no basquete hoje e outros fatores que marcaram o mundo do esporte nesse ano.

LeBron James na última vez fora dos Playoffs: ainda um jovem na NBA [Imagem: AP Photo/Gregory Smith]

 

Nenhum jogador dentre os titulares do atual bicampeão Golden State Warriors estava sequer no basquete universitário

É fato que o time do momento na NBA é o Golden State Warriors. Atual bicampeão da liga e presente nas últimas quatro finais, o time de Oakland é favorito ao título novamente. O elenco que já contava com quatro jogadores de All-Star Game – a partida com os melhores de cada conferência – recebeu o acréscimo de DeMarcus Cousins, pivô também eleito para o jogo das estrelas nos últimos anos.

Entretanto, apesar de todos esses jogadores serem experientes na NBA, o mesmo não podia ser dito na última vez que LeBron James não foi aos Playoffs. Nem Kevin Durant, Stephen Curry, Draymond Green, Klay Thompson ou DeMarcus Cousins eram jogadores profissionais no longínquo ano de 2005, ou sequer universitários.

O estrelado quinteto titular do Golden State Warriors [Imagem: USA Today Sports]

Durant e Curry entraram para o College no ano de 2006, e são os com mais bagagem na liga dentre os titulares do Warriors. Green e Thompson atingiram esse status somente em 2008, enquanto Cousins ingressou no basquete universitário em 2009. Apesar de LeBron fazer esses jogadores parecerem calouros, todos eles possuem pelo menos sete temporadas na NBA e já são veteranos quando o assunto são jogos importantes.

Os únicos jogadores que já foram titulares nos títulos dessa dinastia e estavam na NBA para presenciar LeBron James fora dos Playoffs são Zaza Pachulia e Andre Iguodala. Pachulia, atual pivô do Detroit Pistons, entrou na NBA em 2003 e participou dos últimos dois títulos do Warriors. Já Iguodala estreou na liga em 2004 e chegou a ser MVP das finais da NBA em 2015. Hoje é reserva de luxo para Kevin Durant.

 

A Argentina era a atual campeã olímpica de basquete masculino, batendo os EUA de LeBron na semifinal

A seleção argentina de basquete em 2004: uma equipe mágica [Imagem: Getty Images]

É rotina nos Jogos Olímpicos ver os EUA dominando seus adversários no basquete. Detentores dos últimos seis títulos olímpicos no basquete feminino e atuais tricampeões na modalidade masculina, a última vez que os estadunidenses não ficaram com a medalha de ouro aconteceu antes mesmo de LeBron James não conseguir levar sua equipe aos Playoffs da NBA.

Os argentinos, após três vitórias e duas derrotas, se classificaram em terceiro lugar na fase de grupos. Nas quartas de final, a Argentina enfrentou a Grécia. Os europeus deram trabalho aos hermanos e perderam por apenas cinco pontos. Apesar da classificação ser comemorada, o adversário na semifinal era lamentado: os Estados Unidos de LeBron James, Allen Iverson, Dwyane Wade e Tim Duncan.

Os ianques vinham fortalecidos após eliminar a Espanha. Porém, o que se viu no duelo foi um sul-americano dominando o jogo: Manu Ginóbili, que teve partida de 29 pontos e conduziu os argentinos rumo à vitória por 89 x 81. Os argentinos foram os únicos capazes de eliminar os EUA no basquete olímpico masculino desde 1992.

Na final, a Argentina reencontrou a Itália, adversária já enfrentada na primeira fase, e Luis Scola foi o grande nome do jogo, fazendo 25 pontos e pegando 11 rebotes em uma tranquila vitória por 84 x 69. Dizer que um país sul-americano era o atual campeão no basquete olímpico foi algo que só ocorreu durante quatro anos na história, e foi nesse momento que LeBron James deixou de ir aos Playoffs pela última vez antes de 2019.

 

Miami Heat e Cleveland Cavaliers, times em que LeBron conquistou seus três títulos, nunca haviam sequer alcançado o título de sua conferência

É fato que os torcedores de Cleveland e de Miami possuem extrema gratidão a LeBron James pois, apesar de quaisquer polêmicas em suas transferências entre franquias, a era de ouro das duas equipes ocorreu enquanto o atleta atuava por elas. Os três títulos em nove finais alcançadas são históricos por si só, porém ainda mais para as franquias em questão, já que em suas histórias isso não é comum.

Até a última vez que James ficou longe da pós-temporada, em 2005, nenhuma das duas equipes pelas quais atuou antes do Lakers havia conquistado o título da liga. O melhor desempenho histórico de ambas havia sido chegar nas finais de conferência em duas oportunidades cada, porém em todas as vezes esses times saíram derrotados. O Miami Heat alcançou um desses desempenhos no próprio ano de 2005, em que perdeu para o Detroit Pistons.

A franquia de Miami, desde então, alcançou cinco finais e três títulos. Quatro dessas finais e dois desses títulos foram conquistados com LeBron James na equipe. Já o Cleveland Cavaliers sofre com uma dependência maior em relação ao King, já que em todas as cinco finais que disputou o camisa 23 era o franchise player. O Cavs conquistou seu único título em 2016, e o astro foi eleito o MVP das finais.

 

Oklahoma City Thunder, Charlotte Hornets e New Orleans Pelicans sequer existiam com esse nome

Na última vez em que LeBron havia ficado fora dos Playoffs até então, muita coisa era diferente na NBA. Mais do que jogadores, treinadores e general managers, até os nomes dos times eram diferentes.

Um dos casos é o Seattle Supersonics. A equipe, que já havia conquistado o título da NBA em 1979, era uma das franquias mais queridas da liga. Porém, após não conseguir viabilizar uma arena nova na cidade de Seattle, o time teve sua história encerrada, tornando-se então o Oklahoma City Thunder.

Kevin Durant atuando pelo Seattle Supersonics [Imagem: Stephen Dunn/Getty Images]

Já no ano em que LeBron esteve longe dos Playoffs, Charlotte Hornets e New Orleans Pelicans não tinham esses nomes, e a história das duas nomenclaturas atuais tem ligação direta. Houve um Charlotte Hornets, entre 1988 e 2002, porém essa franquia se mudou para a cidade de Nova Orleans, recebendo o nome de New Orleans Hornets. A mudança gerou uma carência de times na região, e em 2004 foi criado o Charlotte Bobcats.

O time recém-movido para Nova Orleans foi comprado por um novo dono, que decidiu criar maior identidade com a cidade e alterou o nome da franquia para New Orleans Pelicans. Com esse fato, pessoas influentes em Charlotte viram com bons olhos a troca do nome Bobcats para Hornets, como forma de homenagear a franquia original. A NBA aceitou a mudança, e desde julho de 2013 voltou a existir um Charlotte Hornets na liga.

 

A dinastia Brady-Belichick no New England Patriots já tinha conquistado três Super Bowls, enquanto Peyton Manning não possuía nenhum anel

No distante tempo em que LeBron James não conseguiu chegar aos Playoffs da NBA, Tom Brady já estava entre os grandes nomes da história da NFL. Hoje vencedor do Super Bowl em seis oportunidades e quarterback mais vitorioso da história, o camisa 12 já possuía marcas impressionantes.

O Super Bowl XXXIX, realizado em fevereiro de 2005, escreveu mais um capítulo vitorioso na parceria entre Bill Belichick e Tom Brady. A dupla conquistou seu terceiro título da NFL pelo New England Patriots nessa partida, todos entre 2002 e 2005. Nessa oportunidade, Brady bateu o Philadelphia Eagles dos futuros integrantes do hall da fama do futebol americano Terell Owens e Brian Dawkins, por 24×21. O wide receiver Deion Branch, do Patriots, foi o MVP da partida.

Tom Brady no Super Bowl XXXIX [Imagem: Bob Rosato/Sports Illustrated]

Enquanto a dinastia de New England já dominava a NFL, outra lenda do esporte não vivia seus melhores dias. Peyton Manning, quarterback considerado um dos maiores da história, ainda não havia conquistado um título. No ano em que LeBron esteve longe dos Playoffs, Manning ainda buscava o Super Bowl, mas foi eliminado pelo Patriots de Brady. O lendário camisa 18 venceu um Super Bowl apenas em fevereiro de 2007, repetindo o feito em 2016.

 

O Paulista de Jundiaí foi campeão da Copa do Brasil; Brasileirão sofreu com esquemas de apostas e teve jogos anulados

No ano de 2005 aconteceram coisas raras no mundo do esporte, e LeBron longe do título da NBA não foi a única delas. O futebol brasileiro viveu um ano no mínimo marcante. Diversas marcas individuais foram alcançadas por jogadores canarinhos, como Ronaldinho Gaúcho e Marta, que figuraram entre os três melhores do mundo. Além disso, o São Paulo foi campeão do mundo pela FIFA, a seleção foi vencedora da Copa das Confederações e diversas histórias inusitadas e até polêmicas ocorreram no esporte esse ano.

Ronaldinho Gaúcho, o vencedor dos principais prêmios de melhor do mundo em 2005, junto com os companheiros Messi e Eto’o [Imagem: Reuters]

A Copa do Brasil é uma competição historicamente cheia de resultados surpreendentes, porém talvez tenha no ano de 2005 o maior deles. O Paulista, pequena equipe de Jundiaí, entrou como zebra na competição, mas superou Juventude, Botafogo, Internacional, Figueirense, Cruzeiro e Fluminense na final, sagrando-se campeão da competição e conquistando vaga na Libertadores da América.

Já o Brasileirão daquele ano viveu uma polêmica ainda mais incomum. O árbitro Edílson Pereira de Carvalho foi preso por manipular o resultado de partidas de acordo com a vontade de empresários que utilizavam sites de apostas. Apesar de não haver comprovação total da manipulação em todos os jogos, o STJD mandou que onze partidas fossem realizadas novamente.

Sendo justa ou não, o fato é que esta ordem alterou o resultado do campeonato, já que o campeão Corinthians refez duas partidas em que havia sido derrotado, conseguindo uma vitória e um empate contra Santos e São Paulo, respectivamente. Esses quatro pontos conquistados fizeram diferença na corrida pelo título, já que o vice-líder Internacional, que não teve resultados alterados pela polêmica, ficou somente três pontos atrás do Timão.

 

Diego Hypólito tornava-se o primeiro brasileiro a conquistar uma medalha de ouro no mundial

O Brasil tem muito a se orgulhar da ginástica artística nacional no século XXI. O esporte, que rendeu medalhas olímpicas de ouro, prata e bronze para o país desde 2012, teve um desempenho histórico no mesmo ano em que LeBron não colocou seu time entre os melhores da NBA.

Diego Hypólito tornou-se o primeiro homem do Brasil a ser medalhista de ouro em Mundial de Ginástica na edição de 2005. O então jovem ginasta de 19 anos já havia conquistado medalhas de ouro em diversas etapas da Copa do Mundo de Ginástica em 2004 e manteve o grande desempenho, fazendo história com o título mundial no ano seguinte. Todas as medalhas conquistadas foram no aparelho solo.

Diego tornou-se uma referência para o esporte nacional, da mesma maneira que Daiane dos Santos anos antes. A ginasta conquistou em 2003 a medalha de ouro no mundial, também no solo, e encantou o mundo com a leveza e irreverência de seus movimentos.

Pode-se dizer que o sucesso dos dois abriu caminho para o surgimento de diversos talentos, não só no solo. O aparelho que rendeu as primeiras medalhas mundiais ao Brasil também trouxe duas das quatro medalhas olímpicas conquistadas na ginástica. Enquanto isso, as argolas renderam as outras duas, uma prata em 2016 e um ouro em 2012, ambos com Arthur Zanetti.

Diego Hypólito com a inédita medalha de ouro no Mundial de 2005 [Imagem: Arquivo pessoal]

 

Um carro de Fórmula 1 atingiu a maior velocidade já alcançada em uma corrida

A Fórmula 1 possui diversos recordes impressionantes. As marcas de Schumacher, Hamilton e outros grandes nomes do automobilismo são grandiosas, seja em vitórias, pontuação ou pódios. Porém, no ano de 2005, um nome que nunca foi campeão atingiu um recorde difícil de ser superado.

Enquanto LeBron James ficava de fora dos Playoffs, a Fórmula 1 viu Juan Pablo Montoya atingir a maior velocidade da história da modalidade. Seu carro da McLaren-Mercedes chegou a incríveis 372,6 km/h, o que lhe assegura a velocidade mais rápida já registrada em uma corrida.

Um fator que pode ajudar a explicar essa marca é a pista em que ela foi alcançada. O Grande Prêmio da Itália, realizado em Monza, foi sede de diversos recordes, como maior média de velocidade em corrida e a corrida mais rápida da história. O autódromo é marcado pela presença de muitas grandes retas, o que certamente é um dos fatores que viabilizou a marca de Montoya e estas outras marcas.

Juan Pablo Montoya na corrida em Monza [Imagem: Sutton Motorsport Images]

No ano de 2005, a Fórmula 1 viveu outra situação emblemática. Após cinco títulos seguidos de Schumacher, o espanhol Fernando Alonso conseguiu desbancar a dinastia do alemão. O fim dessa sequência também significou o último título para o piloto da Ferrari, que é o recordista histórico com sete títulos.

 

Uma história interrompida

Estar fora dos jogos decisivos após tantas temporadas certamente é algo que LeBron não gostaria. Como lembra Guilherme Tadeu, “É um ano a menos de carreira, e ele estava em uma forma técnica avassaladora. O que ele fez nos Playoffs passados foi impressionante”. Para o Los Angeles Lakers, no entanto, não é um fracasso retumbante, pois o processo de remontagem do time continua, e o camisa 23 permanece uma peça fundamental nisso.

Com tantos fatos peculiares desde a última vez em que o King esteve ausente nos Playoffs, fica claro que o mundo dos esportes era completamente diferente em 2005. Diversas histórias foram criadas no mundo do esporte nesse período, e, pela primeira vez em muito tempo, novas lendas podem surgir no basquete sem encontrar LeBron James no caminho.

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