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Elvira, a rainha do trash
CINÉFILOS
19 mar 2014 | Por Jornalismo Júnior

por Fabio Manzano
frmanzano1@gmail.com

Sente-se confortavelmente em seu sofá que vai começar mais uma sessão dos clássicos de filmes de terror com sua apresentadora favorita, Elvira! Quem viveu durante o final dos anos 80 ou passou algumas horas de sua vida ligado na Sessão da Tarde com certeza conhece a heroína de Elvira, A Rainha das Trevas (Elvira, Mistress of the Dark. 1988). Sua cabeleira farta e decote que desce até a Patagônia são marca registrada da apresentadora dos especiais de susto que se descobre membro de um antigo clã de bruxas.

O enredo de Elvira, A Rainha das Trevas é simples: a apresentadora de TV, interpretada pela atriz Cassandra Peterson, que não aguenta mais trabalhar em seu programa de baixo orçamento, resolve pedir demissão quando é assediada por um dos executivos do canal. Na rua e sem ter em quem se apoiar, Elvira pensa até em desistir de seu grande sonho: ser a protagonista de um show em Las Vegas, com tudo a que uma estrela tem direito, desde dançarinos coreografados, efeitos macabros e outras coisinhas mais.

O longa é uma grande celebração dos “Filmes B” – filmes de terror ou ficção científica de baixo orçamento -, mas realizado pela equipe de um besteirol americano qualquer. A todo momento, Elvira ou outros personagens trazem referências do gênero mais esquecido do cinema. Até Roger Corman (A Pequena Loja dos Horrores, A Mulher Vespa), entra no jogo: o “Rei dos B’s” é o diretor favorito de Elvira, como ela deixa claro em uma sequência.

Crente de que sua vida não podia estar pior, a estrela trash recebe um recado de que sua tia Morgana, interpretada pela própria Cassandra, faleceu e deixou a ela alguns de seus bens em testamento. Para a leitura, Elvira tem que se deslocar até a pacata cidade de Fallwell, Massachusetts, onde Morgana viveu. Em um momento Bruxas de Eastwick, filme de 1987 em que três donas de casa se tornam inimigas da moral por terem a sexualidade a mostra, a Rainha das Trevas se vê em meio a uma comunidade extremamente conservadora e religiosa que faz questão, a todo momento, de mostrar à forasteira que ela não é bem vinda entre eles. Liderados por Chastity Pariah (Edie McClurg), eles se opoem à presença de Elvira na cidade.

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 A personagem de McClurg, Chastity (Castidade, em português), é uma das caricaturas mais extravagantes da sociedade americana em sua busca pela moral. Uma republicana com carteirinha do Tea Party – partido de extrema-direita nos EUA -, se perguntarem para mim. É aí que começa um embate entre a libertação provocada por Elvira e os costumes ultrapassados da cidade. Pode parecer que ela será a vilã de toda a trama, mas como falamos, Elvira é uma bruxa e encontrará um inimigo à altura.

Durante a leitura do testamento, Elvira conhece mais um membro de sua família. Sua ansiedade pelo dinheiro é tanta – afinal, seu show em Las Vegas depende dele – que não percebe com quem está lidando. Vincent Talbot  (William Morgan Sheppard) é o tio que não herdou nada de sua irmã – que fez questão de deixar isso bastante claro. Elvira, por outro lado, ganha da tia uma casa bastante maltratada pelo tempo e seu “Livro de Receitas”, de valor, aparentemente, nulo.

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É no Livro, que na verdade, se escondem todos os feitiços e poções da família de Elvira, destruída pelo velho Talbot, anos antes. De olho no livro de receitas de Morgana, única peça remanescente dos poderes da família de Elvira, Vincent mobiliza todos ao seu redor para tentar acabar com Elvira, sua única herdeira. Tanto com a ajuda de seus capangas, quanto com os membros do Conselho Moral da cidade.

Carregada de clichês dos anos 80,  e um uso excessivo do corpo – por isso o sucesso entre os adolescentes – o filme provoca riso até mesmo pela sua inadequação ao gênero. Não, por incrível que pareça, não é um filme de terror. É uma comédia das mais simples. Se utiliza de artifícios do pastelão em diversos momentos, com tintas e gosmas de suas poções, além de tapas e batidas que forçam o riso. O filme é um clássico trash, e é referência para outras gerações. Cassandra Peterson ganhou, no ano de sua estreia, o Framboesa de Ouro de pior atriz. Mas o sucesso do filme fez com que ele se transformasse em um seriado de televisão que durou pouco mais que 30 episódios.

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