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Extraordinário: a pureza da infância deixa o público em lágrimas
CINÉFILOS
07 dez 2017 | Por Jornalismo Júnior

Poucas coisas conseguem ser mais tocantes do que a sinceridade do coração de uma criança. Extraordinário (Wonder, 2017) comprova essa afirmação ao apresentar uma narrativa que emociona qualquer um que se dispõe a mergulhar no mundo de Auggie e sua família. Chega a ser quase impossível conter sorrisos e (muitas) lágrimas ao acompanhar a trajetória de um menino único que se depara com os obstáculos da vida.

A narrativa apresenta a história de August Pullman (Jacob Tremblay), um menino de 10 anos que, ao nascer com uma síndrome genética, precisou passar por 27 cirurgias e ficou com deformidades na face. Assim, após anos sendo educado em casa, ele ingressa pela primeira vez em um colégio de Nova York para frequentar a 5ª série e precisa enfrentar a rejeição de seus colegas devido à sua aparência.

Nessa jornada, Auggie tem ao seu lado uma família extremamente protetora e dedicada a apoiá-lo em todos os momentos. Sua mãe, Isabel (Julia Roberts), abandonou seu mestrado após o nascimento do filho e foi responsável por educar o menino em casa – fazendo com que ele não perdesse nada por não estar na escola. Por sua vez, Nate (Owen Wilson), pai de Auggie, é o responsável pelo alívio cômico nos momentos tensos durante as refeições e conversas em família, sendo, nas palavras de seu próprio filho, um “pai legal”. A família ainda conta com Via (Izabela Vidovic), a irmã do protagonista, que luta para ganhar a atenção da família, e Daisy, uma cachorrinha muito participativa na rotina dos Pullman.

É na qualidade da atuação que reside o sucesso do filme. Jacob Tremblay já havia se mostrado excelente em O Quarto de Jack (Room, 2015) e agora, aos 11 anos, prova que definitivamente sabe emocionar o público. Mesmo com o rosto deformado por maquiagem, o ator consegue ser convincente e fazer com que o sofrimento de Auggie gere muita empatia em quem assiste. Tremblay faz com que tenhamos vontade de entrar na tela do cinema apenas para abraçá-lo ou sentar ao seu lado durante os solitários recreios escolares de Auggie.

Outra performance digna de reconhecimento é a de Julia Roberts, que gera muita comoção e transmite uma veracidade indescritível em seu papel de mãe. Os discursos de Isabel para Auggie redefinem a representação materna nos cinemas e podem ser considerados as cenas mais emocionantes do longa — mesmo em um filme recheado de momentos comoventes. A genialidade da atriz também pode ser identificada em inúmeras circunstâncias nas quais apenas a expressão de seu rosto arranca lágrimas, como durante uma apresentação de teatro de Via. Nesta cena específica, a qualidade de atuação de Roberts fica evidente, já que sua personagem não possui fala nenhuma e, ainda assim, faz com que o espectador se emocione com seu semblante.

Extraordinário é baseado na obra homônima escrita por R.J. Palacio, que se tornou best-seller do The New York Times. O livro é narrado a partir da perspectiva de Auggie e de seus amigos e familiares, fator representado fielmente na adaptação cinematográfica. A construção da narrativa, que inclui alguns cortes e flashbacks para mostrar o ponto de vista de diferentes personagens, faz com que o espectador compreenda não só a realidade do protagonista, mas também a maneira como Auggie afeta todos a sua volta.

Uma vez que grande parte da narrativa se passa no ambiente escolar, a presença das crianças é muito forte e a autenticidade das amizades infantis cativa qualquer um. É o caso de Jack Will (Noah Jupe) e Summer (Millie Davis), duas crianças cujas interações com o personagem principal tiram suspiros do público. Isso porque Jack é o primeiro menino a se aproximar de Auggie na escola e a conexão entre os dois supera quaisquer barreiras fisionômicas. Por sua vez, Summer é uma menina tímida, porém de coração puro, que constrói uma amizade com Auggie ao buscar um amigo genuíno, que não julga os outros.

Outra construção muito interessante é a de Via, irmã de Auggie, e da abordagem do laço dela com sua falecida avó, interpretada no filme pela brasileira Sonia Braga. Via é a irmã mais velha e, por isso, é muitas vezes deixada de lado por seus pais, que dedicam toda sua atenção ao filho mais novo. Isso faz o público refletir, mostrando que a síndrome de Auggie traz desdobramentos muito mais complexos do que apenas as deformações físicas no próprio menino. Já que os pais acabaram sendo ausentes em suas dificuldades, Via se apoiou em sua avó e a relação das duas é retratada de maneira tocante, mesmo que a presença da avó dure apenas alguns minutos em um flashback do longa.

Nos 113 minutos, Extraordinário promove incontáveis momentos carregados de emoção. Um filme assim consegue passar uma incrível lição para as crianças e, ao mesmo tempo, comover os pais com uma sensação de reconhecimento. A mensagem que o longa deixa é atemporal, relacionando a importância dos laços familiares e de amizade com a luta pela aceitação das diferenças. É um sentimentalismo confortável, que renova nossa visão de mundo e faz com que deixemos de julgar um livro pela capa, ou melhor, um menino pela cara.

 

Extraordinário tem seu lançamento previsto para 7 de dezembro. Confira o trailer (e tente conter as lágrimas):

por Gabriela Bonin
gabibonin@usp.br

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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