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Fell On Black Days: músicos que nos deixaram cedo demais
Escuta Aí
29 set 2017 | Por Jornalismo Júnior

O tema do suicídio, apesar de ser um tabu até os dias atuais, sempre esteve presente na história da humanidade. No mundo do rock isso também se inclui. São muitos os gênios da música que resolveram tirar a própria vida em algum momento de suas promissoras carreiras. Em meio a tantos acordes, letras e melodias melancólicas, se escondiam artistas que não puderam suportar a depressão, a fama ou idealizaram uma vida eterna através do suicídio. Suas mortes prematuras ecoam até hoje em suas obras, no mundo da música e, principalmente, no coração de seus fãs.

Dentre tantos músicos que morreram dessa forma trágica, se destacam alguns por suas obras excepcionais. É o caso de Nick Drake: com grandes habilidades com o violão, compunha músicas do gênero folk com temas bastante depressivos e melancólicos. Sua frustração com sua carreira que não decolava mesmo com três álbuns lançados o levou a desenvolver severa depressão. O abuso de drogas se tornou inevitável. Morreu em 1974 aos 26 anos.

 Já Sid Vicious, um ícone do punk rock, morreu extremamente jovem, aos 21 anos. Baixista do Sex Pistols, viciado em heroína, mantinha um relacionamento com Nancy Spungen. A morte polêmica da companheira em 1978 passou a assombrá-lo, e em 1979 foi encontrado morto por overdose de heroína. Existem dúvidas sobre sua morte até os dias de hoje, pois apesar de ter sido uma overdose, pistas indicam que não foi acidental: junto ao corpo de Sid foi encontrado um bilhete suicida que dizia que tinha um “pacto de morte” com Nancy e que deveria morrer para se juntar a ela.

Outro ícone da música alternativa tirou a própria vida também muito cedo. Ian Curtis, que era vocalista da banda inglesa Joy Division, coincidentemente se interessou por música quando conheceu os Sex Pistols. Passou a sofrer com crises epiléticas, diagnosticadas quando já tinha formado a banda, por conta da intensa rotina de shows que realizava, tendo várias delas ocorridas durante suas próprias apresentações. Como compositor, Curtis escrevia muito sobre morte, violência e dor emocional. Se suicidou em 1980, aos 23 anos.

Um dos casos de suicídio com maior repercussão da mídia foi o de Kurt Cobain. Fundador, vocalista e guitarrista do Nirvana, além de um dos pioneiros da cena grunge de Seattle, logo se viu com uma fama avassaladora em um meio do qual não queria fazer parte. Compunha letras para a banda com temas sobre depressão e morte, o que fez com que ganhasse muita popularidade entre os jovens durante os anos 1990, tornando-se porta voz da sua geração mesmo contra a sua vontade. Cobain morreu em 1994, aos 27 anos.

Elliot Smith é outro músico que morreu em circunstâncias polêmicas. Norte-americano, não chegou a alcançar a popularidade merecedora para o nível de suas composições. Começou sua carreira solo em 1994 e ganhou notoriedade com a música Miss Misery, presente na trilha sonora do filme Gênio Indomável e indicada para o Oscar em 1997. Suas composições relatavam sua depressão e seu vício em drogas. Alegou uma vez ter sofrido abusos sexuais de seu padrasto durante a infância, o que o atormentou durante sua vida adulta. Extremamente introvertido, Smith foi encontrado morto em sua casa em 2003, aos 34 anos.

Em 18 de maio deste ano foi a vez de Chris Cornell, vocalista do Soundgarden e do Audioslave, despedir-se. Chris tinha depressão desde sua adolescência e seu vício por drogas o seguiu por muito tempo. Apesar de curado do vício, foi encontrado morto em um quarto de hotel em Detroit, aos 52 anos. Foram encontradas em seu organismo sete substâncias diferentes, entre elas uma alta dosagem de remédios para ansiedade. 

A mais recente história de suicídio no mundo da música foi a de Chester Bennington, vocalista do Linkin Park. Com um histórico de abusos de álcool e drogas, além de uma afirmação própria de que foi abusado por um homem mais velho quando criança, o músico foi encontrado morto em 20 de julho deste ano, aos 41 anos, em sua casa, próxima a Los Angeles. Chester era amigo íntimo de Chris Cornell, tendo cantado Hallelujah em seu funeral como forma de homenagem.

Independente da forma como deixaram esse mundo, todas as mortes citadas foram trágicas e inesperadas. Nota-se uma romantização do sofrimento pessoal do artista em meio à música, principalmente no cenário do rock, o que intensifica a equivocada ideia de que sofrimento e depressão contribuam para uma boa arte.

Apesar de tamanha tragédia, suas obras encantam e inspiram muitos até os dias de hoje.

O Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece apoio emocional e prevenção ao suicídio gratuitamente 24 horas por dia sob total sigilo. Para mais informações ligue 141 ou acesse o site

Por Maria Paula Andrade
maria.andrade456@gmail.com

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