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Janis: Little Girl Blue – A garotinha triste conquista novos fãs
CINÉFILOS
05 jul 2016 | Por Jornalismo Júnior

por Mariana Rudzinski
marianarudzinski71@gmail.com


“Jesus fucking Christ, I wanna be happy so fucking bad”
(“Jesus Cristo, eu quero tanto ser feliz”, em tradução livre) – Janis Joplin, em carta para um antigo namorado.

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Desde 2015, muitos documentários sobre ícones da música estão sendo lançados, atraindo grande atenção do público e também da crítica. É o caso do vencedor do Oscar de Melhor Documentário de 2016, Amy (Amy, 2015), sobre a cantora Amy Winehouse, e o polêmico Cobain: Montage of Heck (Cobain: Montage of Heck, 2015), produzido por Courtney Love, que conta a história de Kurt Cobain. Indo ao encontro dessa onda de lançamentos bem-sucedidos de filmes biográficos, Janis:Little Girl Blue (Janis: Little Girl Blue, 2015) tem como propósito não apenas apresentar a vida e a carreira de Janis Joplin, um dos maiores nomes do rock dos anos 60, mas também desmitificar sua persona pública extravagante e trazer informações que mostram quem foi a Janis que as câmeras e palcos não revelavam, para além de seus problemas com álcool e drogas. Tal propósito é desenvolvido de maneira inteligente durante o filme, que promete emocionar fãs e também aqueles que ainda estão começando a conhecer a cantora.

Dirigido por Amy Berg, que foi indicada ao Oscar em 2007 por Livrai-nos do Mal (Deliver Us From Evil, 2006) – que trata dos casos de abusos sexuais dentro da Igreja Católica –, Janis levou 7 anos para ser realizado e é composto por entrevistas com amigos, familiares e pessoas que se relacionaram com a cantora ao longo de sua vida, além de imagens inéditas de sua infância e adolescência, gravações de aparições públicas e apresentações. O filme também traz trechos do diário que Joplin manteve por algum tempo e cartas enviadas por ela, lidas pela cantora e compositora Cat Power. Esse é um dos maiores acertos do longa, uma vez que dá voz à própria Janis, para que, através disso, a audiência tenha acesso à sua verdadeira personalidade.

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Joplin é a primeira garota da foto, da direita para a esquerda

O documentário traça uma espécie de linha cronológica da vida de Janis, desde seu nascimento em uma família de classe média em Port Arthurs, no interior do estado do Texas, ao momento em que, após se mudar para São Francisco, na Califórnia, atingiu o reconhecimento do público com a banda Big Brother & the Holding Company e, posteriormente, em sua carreira solo, até sua morte por overdose de heroína, em 1970. Os relatos da família e escritos da cantora surpreendem ao apresentar ao público uma jovem insegura quanto a sua aparência, que questionava profundamente sua sexualidade, os papéis de gênero impostos e a sociedade do sul dos Estados Unidos, enquanto tentava se encaixar em um mundo ao qual sentia que não pertencia, até que descobriu, acidentalmente, segundo ela, que sabia cantar.

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Janis e sua banda, Big Brother & the Holding Company, com a qual atingiu o sucesso após apresentação no Festival Monterey Pop, em 1967

Essa Janis, que lidava com tantos problemas de autoestima, não é o que se esperaria da figura pública radiante e despreocupada que a cantora fez questão de construir ao longo de sua vida. No filme, fica clara a separação entre quem Joplin era nos palcos e em sua vida privada. Diversas cartas escritas por ela em momentos diferentes de sua vida reiteram: Janis se sentia triste e buscava a felicidade e a aceitação social que não encontrou em sua cidade natal e em relacionamentos nos palcos e no cenário musical da costa oeste dos EUA. As gravações e conversas trazidas pelo documentário evidenciam que era fazendo música e se apresentando em shows que ela sentia que era alguém que importava, que era feliz.
As letras das músicas de Janis Joplin também são boas fontes de informações sobre a cantora, uma vez que sempre eram muito autobiográficas e apresentam insights sobre as situações vividas por ela. O documentário foi capaz de explorar essa característica muito bem, intercalando os relatos, documentos e contextualizações dos períodos com vídeos de apresentações de algumas de suas músicas mais marcantes, deixando clara a relação das letras com o momento da vida da cantora que estava sendo analisado. O uso desse recurso torna o filme mais dinâmico e interessante, principalmente para aqueles que ainda não conheciam profundamente sua discografia.
janis 4 de novo

Janis: Little Girl Blue, no geral, supera as expectativas, mesmo dos fãs mais exigentes. O documentário não comete o erro de dramatizar os vícios da cantora e trata o tópico de sua morte de maneira sensível, mas não sensacionalista. Ainda, desconstrói habilmente a imagem de Joplin como apenas mais uma integrante do grupo de artistas que morreram aos 27 anos, trazendo à tona um lado humano e real da cantora, que permite que o público conheça a pessoa por trás da celebridade. É necessário mencionar também a trilha sonora, composta por sucessos e canções menos conhecidas, e que, felizmente, foi lançada em álbum e já está disponível para ser ouvida gratuitamente pelo Spotify. Finalmente, se o objetivo do filme era conquistar mais fãs, foi muito bem-sucedido: é impossível sair da sala de cinema sem se tornar um admirador de Janis.

O documentário estreia nos cinemas brasileiros em 7 de julho. Confira o trailer:

 

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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