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Música Clássica no Cinema: Transformando Partituras em Roteiros
CINÉFILOS
27 jul 2015 | Por Jornalismo Júnior

por Bianca Kirklewski

O conjunto de uma obra cinematográfica não se baseia apenas na imagem e roteiro. Um elemento de grande importância, mas às vezes desvalorizado, é a trilha sonora. Responsável por criar climas, desencadear emoções e eternizar cenas, a música usada nas produções de longas-metragens enriquece as narrativas neles presente.

Muitas vezes as trilhas sonoras não são constituídas de composições inéditas. Nesses casos, é comum que se opte pelo uso de músicas clássicas.

Tendo papel de protagonista ou coadjuvante, a música clássica é capaz de reger filmes com sua potência e sensibilidade. O Cinéfilos fez uma lista de filmes que abordam esse tema.

Amadeus (Amadeus, 1984)

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Amadeus é um filme estadunidense dirigido por Milos Forman. Vencedor de oito Oscars, incluindo o de melhor filme, trata-se de um drama inspirado nas vidas dos compositores Wolfgang Amadeus Mozart e Antonio Salieri. É importante ressaltar que o filme não é biográfico, contendo vários fatos falsos da história de ambos os protagonistas.

O longa-metragem é narrado por Antonio Salieri, que após tentar se suicidar com um corte na garganta enquanto pedia perdão por ter matado seu amigo Mozart, é internado em um hospício. Visitado por um padre, que tem por objetivo conseguir alguma confissão, Salieri passa a contar sobre sua juventude devotada a Deus e à música e revela o relacionamento conturbado que tinha com um jovem Mozart, talentoso músico recém-chegado em Viena.

A rivalidade e ambiguidade regem a história. Mozart é a representação da inocência, e ri da ordinária música de Salieri. Este, apesar de abomina-lo, admira a sua música como mais ninguém na época. O dramatismo aparece, então, no ódio resultante da admiração extrema: com elevada posição social, Salieri era capaz de diminuir o número de exibições de óperas de Mozart, mas assistia a todas.

Tendo a música como tema central, Amadeus faz uso da trilha sonora (majoritariamente composta pelas obras de Mozart) de maneira perspicaz. Ela não é tratada como um ornamento, e sim como um elemento dramático de caráter narrativo.

Clara Schumann (Geliebte Clara, 2008)

 

Geliebte Clara

 

O filme franco-germânico-húngaro foi dirigido pela alemã Helma Sanders-Brahms e conta a história da pianista Clara, seu marido Robert Schumann e Johannes Brahms.

Após conhecer o jovem compositor Brahms em um concerto de piano, o casal resolve acolhe-lo em sua nova casa, na cidade de Düsseldorf, onde Robert começava no emprego de diretor musical. A pressão sentida por ele para compor uma nova sinfonia, a Symphony No. 3, o leva a ter problemas conjugais com Clara e a um vício em drogas.

Enquanto isso, Brahms exibe suas habilidades em compor e tocar piano, deixando o casal impressionado. A mistura de tensão entre os cônjuges e atração entre Clara e Brahms move o filme, que é regado à música clássica com obras, obviamente, de Schumann.

 

O Concerto (Le Concert, 2009)

 

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A música clássica não precisa ser necessariamente abordada em caráter biográfico no cinema. A prova disso é a comédia francesa dirigida por Radu Mihăileanu, que conta a história de Andrei Filipov. Sendo o maior regente de orquestra da União Soviética, Filipov dirigia a renomada Orquestra do Bolshoi. Sua carreira acaba no auge, após se negar a demitir músicos judeus. Trinta anos depois, o aposentado ainda trabalha no Teatro Bolshoi, só que no ofício de faxineiro.

Como que em um golpe de sorte, numa noite, enquanto limpava o escritório do chefe, Andrei intercepta um fax que convidava a Orquestra de Bolshoi para tocar em Paris, no Trèatre du Châtelet. A possibilidade de obter vingança o leva a ter a ideia de reunir seus amigos músicos para tocar no lugar da atual orquestra, se passando por ela. O filme aborda temas políticos de forma cômica e, sobretudo, com muita música.

 

2001: Uma Odisseia no Espaço (2001: A Space Odyssey, 1968)

 

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Dizem que este foi o primeiro grande filme sem músicas originais, ou seja, com trilha inteiramente formada por composições já existentes, apesar de não ser a ideia inicial do diretor Stanley Kubrick, que havia pedido para Alex North compor a trilha sonora oficial.

Durante as gravações de 2001: Uma Odisseia no Espaço obras de Johann Strauss, Ligeti e Richard Strauss eram usadas como fundo musical. Após North terminar sua composição, Kubrick percebe que as músicas anteriormente utilizadas como auxílio se encaixavam perfeitamente ao filme. Ele resolve então abrir mão do trabalho de seu colega de longa data (os dois já tinham trabalhado juntos em outros projetos).

A cena de abertura do filme tem como “protagonista” a obra de Strauss “Also Sprach Zarathustra”, que o leva a uma experiência artisticamente tridimensional não imaginada pelo telespectador. Explica-se: Strauss se inspirou na obra “Assim Falou Zaratustra”, do filósofo Nietzsche, para escrever seu poema sinfônico. Dessa maneira temos a união de literatura, música e cinema.

 

Fantasia (Fantasia, 1940)

 

Fantasia

 

É difícil pensar na relação entre cinema e música clássica e não se lembrar da prestigiada animação Fantasia, produzida pela Walt Disney Pictures. Sob a regência de Leopold Stokowski, o filme consiste em oito segmentos animados que, acompanhados de músicas clássicas, buscam interpretá-las através de histórias fantasiosas.

Fantasia ganhou uma continuação quase 60 anos depois: Fantasia 2000 (1999) conta com o mesmo esquema de segmentos enriquecidos de música clássica e foi produzida pelo sobrinho de Disney, Roy E. Disney. A produção dos filmes se difere, pois enquanto as imagens da animação presente em Fantasia 2000 foram geradas por computador, a antecessora é feita apenas com imagens desenhadas à mão.

O segmento “O Aprendiz de Feiticeiro” está presente nos dois filmes e mostra Mickey Mouse em seu papel mais famoso: como feiticeiro e caracterizado de um chapéu azul com estrelas. O poema sinfônico que toca durante o curta foi baseado na obra de Johann Wolfgang von Goethe.

 

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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