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Na final, experiência para as holandesas e resultado para as americanas
ARQUIBANCADA
07 jul 2019 | Por Catarina Barbosa e Pedro Lobo (catarinavbarbosa@usp.br e pcostalobo@usp.br)

Pela quarta vez, a seleção feminina de futebol dos Estados Unidos é campeã da Copa do Mundo Feminina. Embora tenham feito a melhor campanha da história durante a primeira fase do Mundial e ganhado os jogos das oitavas, quartas e semifinal de maneira consistente, as norte-americanas não tiveram vida fácil neste último jogo, fazendo uma final dura e equilibrada contra a também talentosa seleção holandesa.

O Jogo

O confronto foi disputado no estádio do Lyon. Em todos os seis primeiros jogos, as norte-americanas marcaram o primeiro gol até os 15 primeiros minutos, caracterizando seu ataque rápido. Porém, na final, já passando dos 20 minutos de jogo, o placar permanecia zerado e apontava um jogo bastante equilibrado.

Bem postadas na defesa, as holandesas chegaram aos primeiros minutos bem compactas, defendendo com muita entrega, elas sabiam qual o jogo das americanas.

As norte-americanas ficaram mais com a bola durante a primeira etapa, tentando atacar, mas parando na boa defesa do time holandês. Apostando em uma defesa forte e contra-ataques rápidos, as holandesas conseguiram algumas chances, mas nada concreto. Muitos erros de passe. Nenhum chute a gol no primeiro tempo.

Sua melhor jogada foi um lance individual da camisa 9, Miedema, mas isso só na 2a etapa, depois que as coisas desandaram.

Os Estados Unidos mostraram perigo real mais para o meio do primeiro tempo: depois de uma rápida reposição de bola, as norte-americanas conseguiram um escanteio, cobrado pela capitã Rapinoe, e que quase terminou em gol.

As goleiras dos times trabalharam bastante no primeiro tempo. Mesmo com um jogo bastante disputado pelo meio de campo, ambas as defesas apresentaram furos que levaram a ataques perigosos, também de ambas as seleções, mas que foram mal finalizados.

Aos 36, Alex Morgan foi tocada na área e caiu no chão, mas a juíza entendeu que não havia sido pênalti e ainda advertiu a atacante por simulação. 

Já no fim do primeiro tempo, as norte-americanas passaram a apertar mais, chegando com mais frequência até a área holandesa. Com o passar do tempo, a goleira Veenendaal teve cada vez mais trabalho, as estadunidenses encontraram espaço e testaram os reflexos da goleira. Defesa dupla, bola no canto, bola forte, o primeiro tempo foi de 4 defesas. Nada passou, e o primeiro tempo terminou com o 0 a 0 no placar.

Durante a segunda etapa, Morgan foi novamente atingida dentro da área, lance que gerou tensão e foi revisto pelo VAR. O pênalti para os Estados Unidos foi devidamente marcado, agora com direito a cartão amarelo para a zagueira holandesa van der Gragt.

Rapinoe foi quem bateu. De frente com a goleira holandesa, a capitã norte-americana foi precisa: nem piscou e mandou a bola direto para o meio gol, sem chance de defesa para Veenendaal. 1 a 0 para os Estados Unidos, que comemoraram e seguiram atacando.

Aos 20 minutos da etapa final, com a derrota parcial por um gol, Miedema recebe no ataque. Dribla uma, duas, três defensoras americanas. Uma jogada linda, ia para o quarto drible quando foi desarmada já dentro da área. Quando começou a investida holandesa, as estadunidenses marcaram de novo: na aproximação da jovem camisa 16, Lavelle, desviou de duas defensoras holandesas e bateu pro gol com a perna esquerda, marcando o segundo gol da final e ampliando a vantagem. 

A estabilidade das europeias se perde, a marcação já não é tão efetiva e as chances para os EUA de aumentar o placar vão surgindo.

Mesmo com a troca de atacantes, Van de Sanden no lugar de Martens, e a aposta ofensiva na saída da zagueira Dekker para a entrada da ofensiva Jill Roord, as holandesas não conseguiram alterar o placar. Os passes errados ainda prejudicaram os contra-ataques, e a ligação direta entre defesa e ataque não ajudou as jogadoras de frente. 

Rapinoe foi substituída por Press, e saiu de campo sob aplausos da torcida, fazendo jus a sua grande atuação e ao destaque que suas falas trouxeram para o mundial.

Após os dois gols, as norte-americanas tiveram mais liberdade para chegar dentro da área da Holanda, mas investiram demais no individual e não conseguiram finalizar nenhuma jogada. Mesmo assim, após cinco minutos de acréscimo, o jogo terminou: 2 a 0 e o tetracampeonato para as implacáveis jogadoras dos Estados Unidos.

Final de Copa Feminina? As norte-americanas sempre estão lá!

[Imagem: Getty Images]

Desde o início dos mundiais femininos, as norte-americanas nunca ficaram abaixo do quarto lugar. Chegaram em cinco finais e sagraram-se campeãs em quatro ocasiões: nos anos de 1991, 1999, 2015 e agora em 2019. Em 2011, elas chegaram na final, mas perderam a disputa de pênaltis para o Japão.

Contrariando o tradicional favoritismo, os Estados Unidos foram eliminados nas quartas de final das Olimpíadas do Rio em 2016, última grande competição disputada pelo time. As norte-americanas não ficavam de fora da final olímpica desde 1996, primeiro ano em que o futebol feminino foi disputado nos jogos. Assim, a Copa da França foi a oportunidade ideal de mostrar serviço novamente.

Como em solo norte-americano o futebol feminino faz parte da cultura, o esporte recebe bons investimentos desde a base até os times profissionais, o que garante uma seleção sempre forte e renovada. Durante esta Copa, destacaram-se duas figuras centrais do time: as atacantes Megan Rapinoe e Alex Morgan, artilheiras do mundial com seis gols cada e vencedoras da Chuteiras de Ouro e de Prata, respectivamente.

Rapinoe, capitã da seleção – e eleita melhor jogadora da Copa -, além de ótima atacante também ganha destaque pelas fortes opiniões que dá fora de campo: ativista do movimento LGBTQ+, a jogadora disse, ainda no início da competição, que se vencesse a Copa da França não iria se encontrar com o presidente Donald Trump na Casa Branca. A atacante também fez duras críticas à Federação de Futebol dos Estados Unidos, que insiste em priorizar a seleção masculina mesmo tendo um time feminino muito melhor, e até à própria FIFA que – além de marcar outras duas importantes finais no mesmo dia da final feminina – paga para a seleção campeã um prêmio mais de nove vezes menor do que o prêmio da copa masculina.

Morgan, queridinha da torcida, destaca-se por seu jogo pegado e muito eficiente. A atacante, que esbanja talento e autoconfiança, fez cinco dos 13 gols norte-americanos na goleada histórica contra a Tailândia, ainda na primeira fase da competição. Ela também deixou um gol na semifinal contra a Inglaterra e comemorou tomando um chá, o que foi visto por alguns como arrogância. Alex, no entanto, disse que não foi sua intenção ofender as adversárias ou os torcedores ingleses, completando ainda que ninguém questiona as comemorações dos jogadores do masculino, e por isso não fazia sentido tantos holofotes sob sua comemoração.

[Imagem: Getty Images]

Um belo começo para a jovem Laranja Mecânica

Nada mal para uma segunda tentativa: essa foi a segunda Copa do Mundo disputada pela Laranja Mecânica. Na anterior, foram barradas pelas japonesas ainda nas oitavas de final, hoje tiveram a chance de conquistar o mundo.

Seus destaques? Uma linha ofensiva de três atacantes, incluindo a melhor do mundo em 2017, Lieke Martens, e a centroavante campeã inglesa pelo Arsenal, Vivianne Miedema.

Mas não só de boas atacantes vive o time dos Países Baixos: a defesa é estruturada no talento de Sari van Veenendaal, goleira de 1,80m que tornou-se cada vez mais decisiva ao longo do torneio.

Campeãs da Eurocopa de 2017, conquistada em casa e de forma invicta, as partidas das holandesas na Copa na França foram marcadas por uma torcida muito presente, festiva. As imagens da multidão laranja tocando e cantando circularam o mundo.

Com média de 25,5 anos de idade, a equipe holandesa é jovem e de pouca experiência: o histórico do futebol feminino no país é recente. A primeira divisão profissional (Eredivise) só foi oficializada em 2007. A primeira classificação para a Euro só em 2009.

[Imagem: Phillipe Huguen / AFP]

“Antes tarde do que nunca, até o final”: foi essa a filosofia da campanha dos Países Baixos. Nas oitavas de final, o gol de desempate só saiu com um pênalti convertido no último minuto. Nas quartas, os dois gols das holandesas vieram aos 70 e 80 minutos de partida. Na semi, o gol laranja saiu aos 9 minutos, no primeiro tempo da prorrogação. De 11 gols marcados na competição, nove deles foram no segundo tempo. Desses, sete a partir dos vinte minutos finais.

Elas de novo?

Ao apito final da juíza francesa, a justiça estava feita. Em um torneio em que investimento, preparação e estrutura do futebol feminino foram pautas constantes, a vitória das americanas era mais do que esperada. Com o desempenho em campo ao longo dessa Copa, e de todas as anteriores, a suposta arrogância se revela uma confiança coerente: elas trabalham muito e não é de hoje.

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