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Porta dos Fundos busca novos caminhos
Controle Remoto
21 jan 2015 | Por Jornalismo Júnior

Surgido em 2012 e logo alçado à condição de fenômeno nacional, o canal humorístico Porta dos Fundos, que já supera a marca de 300 vídeos, estreou no último mês de outubro uma nova etapa de sua ainda curta existência: a aparição na televisão por assinatura, na Fox.

Atualmente o canal conta com quase 9,5 milhões de inscritos, o que o coloca entre uns dos 30 maiores canais do YouTube em todo o mundo, além de ser o maior brasileiro. Inicialmente o grupo exibia dois vídeos por semana (às segundas e quintas-feiras), mas passou a exibir três, com o acréscimo dos sábados. Nas terças os fãs podem conferir o Porta dos Fundos na televisão.

A trajetória do Porta surge de um grupo de amigos, muitos deles atores ou humoristas. O sucesso de público rapidamente veio, com esquetes curtas e engraçadas. Alguns temas recorrentes caíram na graça (ou no ódio) dos espectadores, como a abordagem sexual, escárnio à Polícia Militar e críticas a religiões. Seus fundadores – o blogueiro Antônio Tabet (que leva o apelido do seu próprio site, o Kibe Loco), os publicitários João Vicente de Castro e Ian SBF (este o principal diretor dos vídeos), e os atores Fábio Porchat e Gregório Duvivier – declararam em variadas oportunidades que o grupo não se interessava numa migração para a TV por acreditarem que o formato do YouTube lhes oferecia mais liberdade. Eles inclusive fizeram, em 2013, um vídeo que ironizava a questão, com referências claras e ácidas ao humor do Zorra Total, programa humorístico da TV Globo.

Muitos, portanto, se espantaram ou os criticaram quando veio a notícia, no ano passado, que o Porta havia fechado um acordo com a Fox. O assédio de canais pagos já era intenso. A resposta não demorou a vir e se defenderam dizendo que, na verdade, o Porta dos Fundos nunca rejeitou o formato televisivo, mas que no passado não estava interessado. Para reforçar o argumento veio o fato de que o canal da internet continuaria em atividade normal. Eles acrescentaram ainda que a decisão pela Fox esteve pautada na exibição, por esse canal, de séries como Os Simpsons e Family Guy, com que eles possuem afinidade artística e humorística. Além disso, o grupo não nega que a oferta financeira foi muito atrativa. É produzido conteúdo inédito para a televisão, não ocorre a mera replicação de vídeos do YouTube. Para o segundo semestre deste ano haverá a exibição de uma série original feita por Fábio Porchat e companhia.

Mas o crescimento do Porta dos Fundos é muito mais amplo do que apenas o contrato com a Fox. Toda a estrutura da empresa se profissionalizou. Já há um tempo eles contam com uma presidente, uma loja que oferece produtos com artes e frases famosas advindas das esquetes, fazem propagandas e vendem espaço para marcas em seus vídeos.

Em abril 2014 o Porta dos Fundos fez uma série chamada “Viral”, que tratou de derrubar estigmas dos portadores do HIV com muito senso de humor, composta de quatro episódios, mostrando a versatilidade do grupo nos formatos utilizados. Nela um homem descobre ser soropositivo e vai, com a ajuda de seu amigo, atrás das mulheres com quem transou para avisá-las e convencê-las a também fazer o teste. Em novembro foi a vez de uma nova série, intitulada “Refém”, sinalizar o uso de uma linguagem mais próxima do cinema, com fotografia mais escura e câmera menos fixa. Além disso, os cinco episódios da série mostram claramente uma produção que dispõe de mais recursos. O aluguel de um helicóptero, a contratação de dezenas de figurantes e o número expressivo de atores no elenco indicam o custo elevado que o Porta pode bancar.

Cinema que é outra empreitada da marca. O filme, há muito prometido, tem estreia prevista para este ano. No mês passado saiu um teaser no próprio canal, cuja grande novidade foi a aparição de Compadre Washington. O longa tem a história inspirada no seriado “Game of Thrones” e já deixa os fãs ansiosos, ainda mais por haver poucas informações divulgadas sobre ele.

Outra guinada na trajetória do Porta dos Fundos foi seu projeto de internacionalização. Há tempo seus vídeos contam com a opção de legenda em inglês, mas o que pouca gente sabe é que existe um canal específico no YouTube, ligado ao principal, que apresenta legendas de cara, assim como o título traduzido. Tudo em inglês. Aliás, o canal se chama “Backdoor”, tradução ao pé da letra. O contrato com a Fox também visou a internacionalização, já que existe a possibilidade de serem exibidos em outros países. O ‘Porta dos Fundos’ fará também uma série de animação para adultos, com promessa de sair em 2015. O objetivo, dizem alguns, é se tornar ”Os Simpsons” brasileiro. Ambicioso? Sim, mas certamente eles acreditam no seu talento para o humor.

Por Matheus Pimentel
matheus.pimentel.aguiar@gmail.com

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