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Retrospectiva 2017: melhores séries
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30 dez 2017 | Por Jornalismo Júnior

Imagem: Bruno Carbinatto/Comunicação Visual

2017 foi um ótimo ano para os viciados em séries. Apesar de algumas continuações de histórias já amadas pelo público, o que mais se destacou foi o grande número de séries de qualidade estreando. O Sala33 separou as 10 melhores séries de 2017 para você maratonar neste fim de ano!

10ª –  Dear White People

Imagem: Adam Rose/Netflix

Em décimo, mas não por isso menos comentada, Dear White People veio logo no começo do ano para a Netflix. Dividindo opiniões por conta do tema polêmico que trata, o streaming, que foi acusado algumas vezes de racismo implícito, ganhou muita credibilidade por tratar de maneira delicada e certeira o assunto.

O drama irônico se passa em uma universidade Ivy League (grupo formado pelas oito universidades mais prestigiadas dos EUA): composta em sua maioria por pessoas brancas. A história começa quando é feita uma festa blackface na universidade, e nela seus participantes se fantasiam como pessoas negras icônicas para fazer uma espécie de sátira, o que é o estopim para o início de discussões sobre racismo pela comunidade negra da universidade.

A protagonista Sam White (Logan Browning) cria um programa de rádio com o mesmo nome da série para difundir essa ideia pelo campi da universidade e trazer essas temáticas à tona. Cada um dos dez episódios foca em um dos personagens centrais e aborda o tipo de preconceito sofrido por eles.

A Netflix acertou no tom para tratar o assunto — segundo várias críticas — por reconhecer o local de fala dos negros, que criaram, dirigiram, produziram e protagonizaram a série; usar do sarcasmo para discutir um tema pesado, tornando-o mais natural e fácil de ser assistido pelo público; e por retratar muito bem a reação dos brancos ao movimento de militância contra o preconceito, o que acontece muito no cotidiano. O sucesso foi tanto que a segunda temporada já está confirmada e com previsão de lançamento para 2018.

Se interessou? Olha a resenha que o Sala33 escreveu para a série!

 

9ª – Game of Thrones (7ª temporada)

Imagem: HBO/Divulgação

Talvez a maior série da atualidade, Game of Thrones chegou à sua penúltima temporada com apenas 7 episódios – algo atípico para a série que mantinha o formato de 10 episódios. O número bastou para agradar a imensa legião de fãs que a série conquistou ao longo dos anos e atingir audiência recorde nos EUA com seu último episódio.

Em termos de produção, a sétima temporada está melhor do que nunca. Os efeitos visuais, a ambientação e o figurino estão impecáveis. Obviamente, a superprodução mais lucrativa da HBO não poderia pecar em aspectos técnicos. A fotografia da série está ainda mais impressionante, especialmente porque grande parte da trama se passa no reino do Norte, com lindas paisagens congeladas e repletas de montanhas nevadas.

A trama da série, no entanto, não é unanimidade, tanto entre os críticos quanto entre o público. O roteiro acabou sendo prejudicado pela redução de episódios, encurtando enredos e acelerando o ritmo dos episódios. Muitos personagens anteriormente importantes acabaram ficando de escanteio para os protagonistas – nessa temporada, Daenerys Targaryen, Jon Snow e Cersei Lannister – e furos de roteiro foram constante. Fica claro que os produtores estão estabelecendo a base para a construção do tão esperado desfecho da obra, então o ritmo realmente é frenético e muitas pontas soltas acabam sendo resolvidas da maneira mais rápida possível, e nem sempre da melhor forma.

Mesmo inferior às suas temporadas anteriores, Game of Thrones mantém o nível de excelência e só continua a crescer. Nos resta esperar a oitava temporada para finalmente assistirmos à Grande Batalha e ver quem ganhará o jogo dos tronos – se é que haverá um vencedor.

 

8ª – Sense8 (2ª temporada)

Imagem: Netflix/Divulgação

A série queridinha dos brasileiros — que teve cenas gravadas na parada LGBT de São Paulo e participação de alguns atores brasileiros — lançou a última temporada este ano e logo depois anunciou seu cancelamento. Mesmo com a comunidade sensate triste com o final do show, a segunda leva de episódios deixou os fãs aparentemente muito satisfeitos — colocando-a nas melhores do ano.

Os onze novos episódios dão continuidade a história dos oito sensates que, mesmo espalhados pelo mundo, conseguem se comunicar e ajudar um ao outro com os problemas em que cada um está metido. Agora, mais unidos do que nunca, eles precisam lutar contra

a BPO (Organização de Preservação Biológica), que é comandada pelo vilão Whispers (Terrence Mann) que quer fazer pesquisas com o cérebro dos homo sensorium.

Além dos problemas que cada um enfrenta em sua vida individual, existe um agravante de toda a situação que é a ligação de Will (Brian J. Smith) com Whispers, em que eles podem invadir a mente um do outro, e nisso, revelar a localização dos outros membros do cluster, colocando todos em perigo.

Mesmo tendo feito sucesso com o público — em sua maioria —, a série foi bastante criticada pelo fato de ter um cancelamento repentino (justificado por precisar de uma estrutura muito cara para gravar em oito partes do mundo e pelo afastamento de uma das suas principais produtoras) que deixaria a história sem nenhum desfecho. Pela pressão popular, a Netflix decidiu produzir um episódio final para amarrar as pontas soltas e deixar os espectadores felizes.

 

7ª – American Gods

Imagem: STARZ/Divulgação

A série americana é a adaptação televisiva do romance de mesmo nome de Neil Gaiman, um dos mais renomados escritores da atualidade e que também atuou como produtor executivo da obra. Por esse motivo, o roteiro, os personagens e os diálogos são muito bem construídos ao longo dos episódios.

A trama acompanha Shadow Moon (Ricky Whittle), um homem que acaba de sair da prisão após a morte da sua esposa. Ele se encontra com o Sr. Wednesday, brilhantemente interpretado por Ian McShane, e logo se vê no meio de um estranho conflito. Os velhos deuses, como são chamadas as divindades de diversas religiões e mitologias que já conhecemos, se reúnem para enfrentar os novos deuses: aspectos da vida moderna que são cada vez mais cultuados, como a Mídia e a Tecnologia. Tanto os novos quanto os velhos deuses são criativamente personificados e representados, fugindo dos clichês, e a combinação final é uma inteligente e ácida crítica da sociedade atual, tudo sem perder o humor negro, o suspense e a ação.

Apesar de não atingir um público muito significativo, a qualidade de American Gods é inegável. Vale lembrar que a irreverência da série causou polêmica, principalmente naquilo que tange à religião, além do conteúdo adulto explícito. De qualquer maneira, o sucesso foi o suficiente para a série ser renovada para uma segunda temporada.

 

6ª – Legion

Imagem: FX/Divulgação

Pouco conhecida no Brasil, Legion provou que não é preciso ter um grande orçamento para impressionar. A série é derivada do universo de X-Men, da Marvel, mas traz um clima muito mais adulto e sombrio do que os filmes de heróis que estamos acostumados. Na trama, acompanhamos o paciente psiquiátrico David Haller (Dan Stevens), um mutante diagnosticado com transtornos mentais que não entende plenamente sua condição. Após a chegada de outra paciente, interpretada por Rachel Keller, a vida do mutante assume novos rumos.

O roteiro é propositalmente construído de forma confusa, quebrando o costume de linearidade que as histórias de herói trazem; nos sentimos literalmente na mente esquizofrênica de Haller, questionando o que é real e o que não é. Nesse sentido, o elemento de ficção científica é uma adição interessante – os poderes não são usados apenas para batalhas vibrantes, mas também para contribuir para o clima onírico do seriado. Além disso, os plot-twists são frequentes e bem encaixados na trama

O mais interessante de Legion, porém, é a inovação estética e fotográfica que a série traz. Os episódios são repletos de takes psicodélicos, com cores vibrantes e misturando até mesmo elementos de gêneros como animações, musicais e o nostálgico cinema mudo em preto e branco. As atuações, apesar de contar com nomes pouco conhecidos, não deixam a desejar.

Com apenas 8 episódios, Legion se mostrou uma série digna de continuação. Não à toa, a série foi renovada para segunda temporada, a ser lançada em 2018.

 

5ª – Stranger Things (2ª temporada)

Imagem: Netflix/Divulgação

A série, que estreou em 2016 e logo caiu no gosto popular, voltou com tudo em 2017. Stranger Things nos trouxe de volta à fictícia Hawkins dos anos 80, dando continuidade à trama de ficção científica e trazendo (ou não) respostas às perguntas deixadas na primeira temporada. A história se desenrola através de Will (Noah Schnapp), que, embora esteja de volta ao mundo real, ainda carrega uma conexão perigosa com o “mundo invertido”. Eleven, Mike, Joyce e todos os outros personagens já conhecidos do público também estão de volta, e vão enfrentar conflitos ainda mais complexos e profundos. O desenvolvimento deles é o grande foco dos 9 episódios, às vezes se sobrepondo até mesmo a trama principal.

Mas talvez o mais interessante da segunda temporada seja justamente a adição de novos personagens: os irmãos Max (Sadie Sink) e Billy (Dacre Montgomery), que logo vão tumultuar a vida do núcleo jovem da série; e Bob (Sean Astin), o novo parceiro romântico de Joyce, que, além de servir como um ótimo alívio cômico, virou queridinho dos fãs.

As referências da cultura pop continuam com força total na temporada, mantendo o ar nostálgico da série. Logo no segundo episódio, por exemplo, vemos o quarteto principal se fantasiando de Os Caça Fantasma (Ghostbusters), um paralelo irônico e até engraçado com a história dos meninos. A trilha sonora, como de costume, continua ótima e perfeitamente encaixada nos episódios.

Stranger Things já mostrou seu valor como uma das maiores séries da atualidade – sua legião de fãs mais do que prova isso –  e a segunda temporada não deixou a desejar nesse sentido. Divertida, misteriosa e intensa, a continuação da Netflix é quase uma unanimidade na lista de melhores séries de 2017.

Confira mais do que o Sala33 achou na nossa resenha!

 

4ª – Feud

Imagem: FX/Divulgação

Diferente do normal dos seriados que tendem a manter uma narrativa por várias temporadas, Feud se propõe a discutir um conflito marcante da história a cada temporada e, pelo jeito, a primeira temporada deu bastante certo, conquistando o coração da crítica e dos espectadores.

Lançada em março deste ano, a primeira narrativa da série narra o conflito entre Bette Davis (Susan Sarandon) e Joan Crawford (Jessica Lange), duas atrizes hollywoodianas de muito sucesso na década de 30, mas que, com o passar do tempo, foram perdendo espaço nos holofotes devido ao avanço da idade e surgimento de outras estrelas no mundo do audiovisual.

A trama se passa no período em que as duas personagens são escaladas para estrear o filme O Que Terá Acontecido a Baby Jane? (What Ever Happened To Baby Jane, 1962) e se tornaram um grande espetáculo na mídia por conta das indiretas soltadas entre as atrizes. Durante a temporada, é possível entender melhor sobre a personalidades das duas personagens e o porquê do conflito entre elas.

A série é produzida pelo célebre Ryan Murphy, que também criou American Horror Story e Glee, e aborda os temas polêmicos da idade da mulher na indústria cinematográfica, os padrões de beleza a elas impostos e a sede da mídia por conflitos entre famosos.

A segunda temporada já está confirmada para 2018 e vai abordar o casamento de Princesa Diana com o Príncipe Charles, começando no divórcio dos dois e terminando com a morte da princesa.

 

3ª – Alias Grace

Imagem: Jan Thijs

Parece que os livros de Margaret Atwood mexeram com o mundo dos seriados este ano. Alias Grace, assim como The Handmaid’s Tale, é inspirado no livro homônimo da autora e foi recebido muito bem pela crítica e pelo público em 2017. Por mais chocante que pareça, a história é baseada em fatos reais de um caso que aconteceu em 1843 e que se não fosse o livro de Atwood, poderia ter morrido na história.

Grace Marks (Sarah Gordon) é uma adolescente imigrante irlandesa no Canadá e depois de ter passado por vários traumas familiares envolvendo morte e estupro, vai trabalhar em uma fazenda como serva. Pouco tempo depois, o patrão e a governanta do lugar são brutalmente assassinados e a culpa cai sobre Grace e o rapaz que trabalhava nos estábulos, James.

O homem é enforcado, enquanto a serva é internada em um hospital psiquiátrico. Quinze anos depois, um médico é chamado para investigar mais a fundo as memórias da prisioneira e julgar de novo se ela é culpada ou não dos assassinatos. A trama traz reflexões muito fortes sobre a diferença de tratamento das duas personagens e sobre o papel da mulher no mundo.

A série fez muito barulho este ano pelo evidente paralelo com os dias de hoje — que, assim como The Handmaid’s Tale, nos faz pensar que estamos vivendo um tempo com conceitos retrógrados —, por trazer um debate feminista e por conseguir, em apenas seis episódios, deixar qualquer um muito em dúvida sobre qual a verdadeira história e quão culpada é a protagonista.

 

2ª – Big Little Lies

Imagem: HBO/Divulgação

Com 8 vitórias no Emmy Awards – incluindo melhor minissérie e melhor atriz e ator em minissérie – a nova aposta da HBO é baseada no livro de mesmo nome da escritora australiana Liane Moriarty. A trama se passa na luxuosa cidade de Monterey, Califórnia, e acompanha a história da recém chegada Jane (Shailene Woodley), uma jovem mãe solteira com um passado misterioso e traumático. Aos poucos, somos apresentados à vida da elite do local, aparentemente perfeita, até tudo ser abalado por um assassinato.

Contando com um elenco de peso, que inclui Nicole Kidman, Reese Witherspoon, Alexander Skarsgård e Laura Dern, Big Little Lies nos prende tanto no drama quanto no suspense – não sabemos nem ao menos a vítima do assassinato – e trata de temas polêmicos, como violência doméstica, estupro e rivalidade feminina. A série é uma crítica à superficialidade e à futilidade de uma elite de aparências e tem personagens incrivelmente bem escritos e complexos.

Como se não bastasse um elenco e roteiro impecáveis, a série também possui uma linda fotografia da paradisíaca Califórnia e uma trilha sonora viciante, como era esperado de uma superprodução da HBO. O resultado é uma ótima recepção, tanto do público quanto da crítica especializada.
Pensada inicialmente como uma minissérie de 7 episódios, o sucesso de Big Little Lies foi tão grande que a HBO já confirmou a segunda temporada para 2018. A série contará com a produção de Kidman e Witherspoon e também uma direção feminina, de Andrea Arnold.

Confere mais do que o Sala33 achou da temporada na nossa resenha!

 

1ª – The Handmaid’s Tale

Imagem: George Kraychyk/Hulu

O seriado estadunidense foi inspirado no livro de mesmo nome da autora Margaret Atwood e que, com algumas adaptações, foi a série de maior sucesso do ano.

A história se passa no futuro — nem tão distante assim — em que as taxas de fertilidade das mulheres são baixíssimas por conta dos níveis de poluição e DST’s que cresceram absurdamente em poucos anos. Para prevenir que a humanidade fosse extinta, um grupo de religiosos dá um golpe durante uma guerra civil e faz com que os Estados Unidos se torne uma sociedade militar, patriarcal e organizada em castas sociais.

A personagem principal, Offred (Elisabeth Moss), é da casta das handmaid (aias), composta por mulheres férteis que são separadas de sua família para servirem casais do grupo dominante e que não podem ter filhos. Essas mulheres são estupradas no seu período fértil e castigadas se não conseguem engravidar enquanto estão servindo a casa. Ao passar dos episódios, a história do passado de Offred vai sendo revelada e a série é tomada de ação pela revolta de algumas aias contra o sistema.

The Handmaid’s Tale galgou primeiro lugar esse ano por conta da crescente impressionante que a história consegue criar em apenas dez episódios, deixando o espectador fascinado e um pouco paranóico de que isso possa acontecer nos dias de hoje com uma reviravolta política. O seriado do streaming Hulu levou pra casa seis prêmios do Emmy 2017 incluindo melhor série dramática, melhor atriz dramática (para Elisabeth Moss) e melhor roteiro.

O Sala33 resenhou a vencedora do ano aqui também!

 

Por Bruno Carbinatto Giovana Christ
brunocarbinatto@gmail.com | giovanachrist@usp.br

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