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Netflix: ‘Ricos de Amor’ é um clichê para se divertir e refletir
CINÉFILOS
21 maio 2020 | Por Ana Carolina Guerra (anacarolinariosguerra@usp.br)

As comédias românticas são conhecidas por serem clichês, nos quais o público quase sempre sabe como a trama se desenrolará. Isso as torna um entretenimento leve e divertido, foi assim que o gênero conquistou muitos fãs. Ricos de Amor (2020) é uma comédia romântica brasileira, original Netflix, que não foge da fórmula do gênero. O filme apresenta uma trama que já foi várias vezes contada em outras comédias românticas. Mas isso não é algo negativo, pois, sendo divertido e fofo ao mesmo tempo, ele o faz muito bem. Contudo, essa obra se diferencia por abordar vários problemas sociais presentes em nosso cotidiano, propiciando, assim, uma reflexão ao espectador.

Ricos de Amor conta a história de Teto (Danilo Mesquita), um playboy mimado que decide se passar por um jovem de origem menos favorecida com o intuito de conquistar Paula (Giovanna Lancellotti), uma jovem estudante de medicina. A história de alguém que mente sua origem para conquistar seu par romântico é um dos grandes clichês do gênero, e  o filme não tem pretensões de subverter isso,nem de acrescentar nada de novo na fórmula. A direção de Bruno Garotti também não apresenta nenhuma inovação. Dessa forma, os principais pontos positivos da produção ficam a cargo dos personagens carismáticos e das reflexões sobre problemáticas da nossa sociedade.

O primeiro ponto positivo é o casal de protagonistas, que apresenta muita química e tem ótima interação. Eles propiciam muitas cenas românticas e engraçadas ao espectador ― o humor vem principalmente por parte de Teto. Outra excelente interação é entre Teto e Monique (Lellê). A relação entre eles gera tanto cenas engraçadas, como também outras que demonstram  a desigualdade social.

Aproveitando o gancho, vamos falar de Monique, uma personagem que chama a atenção do espectador. Ela representa as mulheres negras da periferia, que sempre têm que batalhar muito mais do que os outros para conquistar seu espaço. Além disso, ao longo do filme, a vemos em uma posição de chefia, algo  pelo qual o longa  se destaca e deve servir de exemplo para outras produções e para a nossa sociedade.

 

Monique é uma personagem que representa muitas mulheres negras e faz o espectador refletir [Imagem: AdoroCinema]

Monique é uma personagem que representa muitas mulheres negras e faz o espectador refletir [Imagem: AdoroCinema]

O longa também merece reconhecimento por tratar sobre outros temas problemáticos, como o assédio no trabalho, a desigualdade social e as relações entre patrões e empregados. Ele faz isso de maneira séria, mas sem perder a leveza. Outro ponto ponto positivo, apesar do pouco tempo de tela, é a amizade entre Paula, Raissa (Bruna Griphao) e Katia (Jeniffer Dias), que é um lindo exemplo de união feminina e sororidade.

O que também pode agradar os espectadores é a trilha sonora recheada de sucessos eletrônicos do DJ Alok, que inclusive faz uma participação no filme. O carro chefe da trilha é a música All The Lies, de Alok, Felix Jaehn e The Vamps, que combina bastante com atmosfera da obra.

No final das contas, Ricos de Amor é uma comédia romântica bem clichê, que deve agradar a todos os fãs do gênero e a quem deseja ver um filme leve e divertido, mas que não deixa de proporcionar reflexões importantes para o nosso tempo.

O longa já está disponível para todos os assinantes da Netflix Brasil. Confira o trailer

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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