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Seleções marcantes na história das Copas
ARQUIBANCADA
29 jun 2018 | Por Jornalismo Júnior

Em sua 21ª edição, a Copa do Mundo FIFA é um dos grandes eventos esportivos mundiais, o maior torneio realizado pela Federação. Além de futebol, a Copa é arte, torcida, sofrimento. Mais do que um campeonato futebolístico, traz a representação nacional por meio do esporte mais popular do planeta.

Mesmo para os não-fãs de futebol, é quase impossível fugir da emoção, nacionalismo e energia envolvidos, fruto de 88 anos de história da competição.  O torneio eternizou grandes equipes ao longo do tempo, seja por título, estilo de jogo único, ou até mesmo pela garra dos jogadores. Todo pai saudosista tem, em seu coração, aquela seleção preferida.  

Pensando nisso, o Arquibancada traz uma lista sem pretensões de ranqueamento. Seis grandes seleções que já competiram pelo título – algumas com sucesso e outras que, apesar da derrota, deixaram sua marca. Feita tanto para o avô boleiro que chorou em 58 quanto para aquele primo que não viu o penta.

As memoráveis Amarelinhas

Brasil, 70 – O primeiro a ser tricampeão

A melhor seleção brasileira de todos os tempos. A melhor seleção da história das Copas do Mundo. Essas afirmações são repletas de controvérsias, todavia existe um consenso. Quando, aos 26 minutos do segundo tempo, Jairzinho marcou o terceiro do Brasil, na final da Copa de 1970 no México, todos já sabiam: o primeiro tricampeão do mundo estava anunciado.

Apesar da goleada de 4 a 1 sobre a Itália na decisão, o caminho até o tricampeonato foi conturbado, houve quem não acreditasse na seleção de 70. O período não era dos mais fáceis: o Brasil amargava a ditadura militar e o General Emílio Garrastazu Médici havia acabado de chegar ao poder, para endurecer ainda mais o regime e dar seus pitacos na seleção canarinho.

Rivellino, do Brasil, e Bobby Moore, da Inglaterra, no jogo entre as seleções na Copa de 70, no Estádio Jalisco (Lemyr Martins/VEJA)

A equipe de craques como Pelé, Rivellino, Gérson, Tostão e Jairzinho mostrou um futebol excepcional durante as eliminatórias, terminando as seis partidas invicta e com 23 gols marcados. Tudo corria bem para a seleção do então técnico e jornalista João Saldanha. Além disso, Saldanha era militante do Partido Comunista Brasileiro e forte crítico da ditadura militar. Suas posições lhe custaram muito.

Por não aceitar as intromissões do ditador Médici em seu equipe, e após resultados ruins durante o período de preparação, como a emblemática derrota para o Atlético Mineiro, o treinador jornalista era demitido às vésperas da Copa. Saldanha deixaria a seleção brasileira sobre a alcunha de João Sem Medo, e Zagallo viria a substituí-lo no México.

Jogadores da Itália seguram Tostão e Jairzinho durante a final da Copa do Mundo de 1970, no Estádio Azteca (Lemyr Martins/VEJA)

Sob o comando de Zagallo, o Brasil conseguiu retomar o futebol apresentado nas eliminatórias. O primeiro jogo foi contra a Tchecoslováquia, adversária na conquista do bicampeonato em 1962. A seleção estreou dando um show de bola, ao vencer a antiga oponente por 4 a 1. Os próximos confrontos seriam contra a campeã Inglaterra e a grande seleção peruana de 70, considerada a melhor geração de jogadores do país. 1 a 0 e 4 a 2 foram os respectivos resultados.

Agora, a seleção canarinho enfrentaria seu maior fantasma: o Uruguai. A semifinal disputada pelas duas seleções foi o primeiro confronto desde que Ghiggia calou o Maracanã na Copa de 50, vencendo o Brasil e consagrando a equipe celeste campeã. Era a chance de redenção do futebol brasileiro. O Uruguai saiu na frente com gol de Cubilla, mas Clodoaldo, Jairzinho, Rivellino também deixaram suas marcas. Placar final: 3 a 1 para o Brasil.

Tostão comemora gol do Brasil na final contra a Itália, no Estádio Azteca, na Copa do Mundo de 1970 (Lemyr Martins/VEJA)

Na final do México, dois bicampeões mundiais batalhando para o inédito tricampeonato: Brasil e Itália. A soberania do verde e amarelo ficou evidente durante toda a partida. O mundo inteiro parou para assistir aos brasileiros fazendo história.

Brasil, 82 – Nem só de títulos se faz uma grande seleção

Da esquerda para a direita: Valdir Peres, Leandro, Oscar, Falcão, Luisinho e Júnior; agachados: Sócrates, Cerezo, Serginho, Zico e Éder (Imagem: Fifa)

Falcão, Sócrates, Cerezo e Zico. Além dos grandes nomes, a seleção de 82 é relembrada por seu futebol arte, espírito de equipe, comoção do público – e pela eliminação inesperada. Apesar de seu lugar em nossa lista e da grandiosidade que a cerca, a seleção brasileira de 82 não levantou a taça. Na verdade passou longe, sendo eliminada pela Itália nas quartas de final. Isso, porém, não tira o mérito de uma das equipes mais saudadas de nossa história, publicamente admirada por Tite, atual técnico da canarinho.

A maior síntese do que foi o Brasil em 82 pode ser descrita pela fala de seu treinador, Telê Santana: “Voltem tranquilos para o Brasil, porque o mundo inteiro aplaudiu vocês.”

Comissão técnica; Telê ao centro (Imagem: Reprodução)

A expectativa em volta do time viria não só por causa dos grandes nomes dentro de campo, mas também pelo técnico ilustre que os comandava. Um ano antes, a equipe tinha brilhado em três amistosos fora de casa, no Velho Continente, contra grandes times europeus – França, Alemanha e Inglaterra. Ganhou os três com beleza e maestria. Já se criava, meses antes, a admiração pelo conjunto aparentemente impecável.

Durante a Copa, passou com facilidade pela fase de grupos, incluindo uma bela vitória de 3 a 1 contra a Argentina de Maradona na segunda fase. A vitória contra um time desacreditado como a Itália era certa por qualquer brasileiro. Afinal, éramos a seleção do ano.

(Imagem: O Estado de São Paulo)

Talvez a expectativa em torno do time, criando uma energia de vitória antes desta ser efetivada, tenha sido um impedimento. Era bonito de se ver os brasileiros jogarem, fruto da visão do técnico Telê, admirador do futebol arte. Porém, ao se deparar com uma seleção mais fria e organizada, que soube aproveitar os pontos fracos do adversário, perdeu-se o tetra. Além disso, o Brasil tinha um jogador importante a menos: Careca, o “matador” da seleção, tinha se contundido antes da Copa, tendo assistido-a em casa.

Giancarlo Antognoni, meia da Itália que os eliminou, comentou em antiga entrevista ao El País espanhol sobre a alta pressão por cima da Canarinho. “Eles estavam obrigados a ganhar. Do ponto de vista psicológico, nós estávamos melhor preparados. Não necessitávamos ganhar. Essas coisas pesam muito no futebol: se joga contra outros que são melhores, se considera normal perder.”

Entretanto, não só de títulos se faz uma grande equipe e isso foi provado em 1982. A memória e o futebol revolucionário de 82 permanecem relembrados com saudosismo até hoje. “Ganhamos um prêmio mais importante do que o título, que é o reconhecimento do mundo para o nosso jogo bonito, para nossa arte, para o nosso futebol coletivo, para a nossa disposição de encantar o público e tornar aquele time inesquecível.”  – citação de Falcão em seu livro “Brasil, o time que perdeu a Copa e encantou o mundo” – editora AGE, 2012.

Brasil, 02 – Virada ao penta

A seleção pentacampeã. Em pé: Lúcio, Edmílson, Roque Júnior, Gilberto Silva, Marcos, Kaká, Vampeta, Anderson Polga, Dida, Rogério Ceni, Belletti; Agachados: Ronaldinho, Ronaldo, Roberto Carlos, Kléberson, Rivaldo, Cafu, Júnior, Ricardinho, Luizão, Edilson, Denílson e Juninho Paulista (Imagem: Nelson Almeida/LANCE!Press)

Do outro lado do mundo, no Japão, a seleção brasileira se tornava a primeira e única pentacampeã da história das Copas. A conquista foi mais árdua do que se parece, apesar das estrelas escaladas, como Ronaldinho, Ronaldo e Rivaldo – o “trio ofensivo”.

O Brasil não era um dos favoritos da competição em 2002. A moral do time estava em baixa, bem diferente das expectativas presenciadas em 1982.

A seleção já tinha enfrentado a derrota para a França nas finais da Copa anterior, em 1998. Após esse acontecimento, vários nomes passaram sem sucesso pelo comando técnico. Ronaldo, uma das estrelas, passava por recuperação de uma lesão no joelho. Os brasileiros perderam para Honduras na Copa América de 2001 – um vexame – e quase não foram classificados para a Copa durante as eliminatórias. Mas todos esses obstáculos tornam a conquista do penta ainda mais satisfatória.

Felipão, o cara da Família Scolari (Imagem: Alaor Filho/Agência Estado)

Em 2001, Luís Felipe Scolari, o Felipão, assume como treinador. Conhecido por seu jeito paternal nos bastidores, fechou o time, formando a “Família Scolari”. A força da Família se evidencia na decisão do técnico de não convocar Romário, nome esperado por grande parte dos torcedores, gerando críticas sobre a escalação.

Ao tratar os jogadores de maneira mais paternal além do relacionamento cordial entre treinador-jogador, o técnico é conhecido por levar a sério comportamentos que desaprova. Romário já tinha vivenciado alguns atritos com o treinador da seleção. Antes da infame derrota contra Honduras na Copa América, em jogo na Colômbia, pediu licença para uma cirurgia no olho – mas além de não tê-la feito, viajou ao México em excursão com o Vasco.

Ao não ser chamado para alguns jogos de eliminatórias, soltava na imprensa comentários polêmicos sobre. “O que me convoca é o que eu faço. Amanhã poderei falar para o Romarinho: teu pai foi para a seleção porque era f…, e não por causa de amizade. Porque tem um monte aí que tem amigos, padrinhos, empresários”. Apesar de um nome altamente especulado e brilhando em sua carreira, Romário ficou de fora da equipe naquele ano. Surpreendentemente deu certo.

Destaque para o não-original mas eficiente esquema tático. O sistema de Felipão era montado baseado na força do ataque de sua equipe. No modelo 3-5-2, a formação de três zagueiros permitia que a trinca ofensiva pudesse jogar solta pelo campo. Lúcio, zagueiro da seleção, afirmou em entrevista ao Correio que “a vantagem de jogar com três zagueiros era a segurança da defesa.” Com segurança para defender, meio com presença intensa e um ataque forte, Felipão conseguiu fazer de seu esquema um modelo bem-sucedido na época, garantindo a vitória do time.

A equipe de 2002 não é considerada uma das melhores de nossa história. Entretanto, o time contava com um trio de “erres” emblemático. Rivaldo, Ronaldinho Gaúcho e Ronaldo formavam um dos maiores trios de ataque já vistos na história do futebol e são peças fundamentais na construção do quinto título brasileiro – principalmente no jogo final. Dos 18 gols marcados na Copa, 15 foram de autoria de um dos três craques.

O trio dos R’s em foco, todos vencedores da Bola de Ouro (Imagem: Reprodução)

O Brasil, durante a Copa, conseguiu passar com maestria jogos difíceis como Bélgica, Inglaterra, Turquia – esta última, por mais estranha que pareça a citação, em sua melhor época. Fase por fase, a seleção provaria que, mais que talento ou futebol arte, é necessário garra. O Brasil não queria apenas vencer os jogos. Ia em busca da taça.

Ao passar por uma difícil semifinal contra a seleção turca, a “Família Scolari” teria um último desafio: enfrentar a Alemanha, uma das queridinhas do ano. Obstáculo tamanho rendeu uma final memorável – aos dispostos a assisti-la de madrugada, pelo menos.

Além da técnica do adversário muito bem trabalhada em campo, o Brasil enfrentava outro time de nomes inesquecíveis – entre eles, Klose, Neuville e Oliver Kahn, goleiro eleito Craque da Copa. A equipe alemã era forte e uma das favoritas desde o começo. Mas o Brasil também já tinha mostrado a que veio.

A grande final começou complicada. O primeiro tempo terminou empatado e zerado. Contudo, após os 15 minutos de intervalo, toda a vontade brasileira valeu: dois passes de Rivaldo a Ronaldo, além de uma falha antológica de Oliver Kahn, renderiam os gols determinantes da vitória.

Por 2 a 0, o Brasil conquistava o penta. Ronaldo seria o artilheiro da Copa, com oito gols. E a seleção de 2002 deixava sua eterna marca em todos nós.

A alegria de quem conquista o primeiro penta da história (Imagem: Getty Images)

Por outros rios, mares e continentes

Hungria, 54 – A revolução sem título

Da esquerda pra direita em pé: Gyula Lóránt, Jenõ Buzánzky, Nándor Hidegkuti, Sándor Kocsis, József Zakariás, Zoltán Czibor, József Bozsik e László Budai. Agachados: Mihály Lantos, Ferenc Puskás e Gyula Grosics. (Imagem: Reprodução)

Os Mágicos Magiares. Assim ficou conhecida a seleção que transformou o futebol com seu estilo de jogo único.

Se fossemos dividir o futebol em duas grandes eras, não poderíamos adotar outro referencial senão a seleção húngara dos anos 50. A equipe dirigida por Gusztáv Sebes revolucionou o mundo da bola. Contando com craques como Puskás, Hidegkuti e Kocsis, a seleção da Hungria foi a maior máquina de fazer gols da história do futebol europeu.

Sebes assume o comando da seleção em 1949, propondo uma nova maneira de se jogar futebol. O esquema tático “WM”, ou 3-2-2-3, era amplamente empregado por todo grande time da época: três zagueiros, dois médios defensivos, dois meias ofensivos e três atacantes. Esse era o futebol “Pré-Hungria”.

“Batalha de Berna”, como ficou conhecida a disputa entre Brasil e Hungria. Os húngaros levaram a melhor, 4 a 2. (Imagem: Reprodução)

Na ausência da posse de bola, Sebes recuou um volante, formando uma linha de 4. Além disso, ele propôs que Hidegkuti jogasse como um meia-atacante, chegando de surpresa na zaga adversária. Estava formado o “WW”, um novo esquema tático, muito mais ofensivo e dinâmico. Os resultados vieram logo: ouro nas Olimpíadas de 1952, com uma média de 4 gols por partidas.

O novo esquema tático desenhado por Gusztáv Sebes deu origem ao 4-2-4 apresentado pelo Brasil na Copa de 1958, garantindo a taça Jules Rimet para a seleção brasileira. O estilo de jogo difuso da seleção húngara, no qual alguns jogadores não tinham posição definida, foi o protótipo do “futebol total” da Holanda de 1974. O legado futebolístico deixado pela Hungria dos anos 50 é inegável. Podemos até considerar Hidegkuti como o primeiro “falso 9” da história do futebol.

Ferenc Puskás, um dos imortais do futebol. Grande estrela da seleção húngara (Imagem: Reprodução)

Londres, 25 de novembro de 1953. Os jornais da capital britânica anunciavam: o maior jogo do século – Inglaterra x Hungria. A disputa entre a duas seleções foi um divisor de águas tático, evidenciando a supremacia do “WW” sobre o “WM”. A era “Pós-Hungria” estava iniciada. Os húngaros venceram os ingleses por 6 a 3 com um gol aos 43 segundos do primeiro tempo. No ano seguinte, houve uma partida de “revanche”: os 6 a 3 viraram 7 a 1 em Budapeste. Os mágicos magiares estavam prontos para a Copa.

Iniciava-se a Copa do Mundo de 1954, na Suíça. Contra a primeira seleção adversária, a Coreia do Sul, goleada de 9 a 0. Alemanha Ocidental, 8 a 3. A máquina de fazer gols projetada por Sebes era aclamada. Enquanto todas as seleções estavam no “WM”, a Hungria reinventava o futebol. Brasil, 4 a 2. Para muitos, a única equipe que poderia fazer páreo contra os magiares era o então campeão Uruguai. A semifinal com gosto de decisão foi emocionante. A seleção celeste foi a única a segurar os húngaros por 90 minutos, mas na prorrogação a magia foi feita, 4 a 2.

A seleção que revolucionou o futebol não foi a seleção campeã. No confronto que ficou conhecido como o “Milagre de Berna”, a Alemanha Ocidental, depois da goleada na fase de grupos, venceu a Hungria por 3 a 2 e levou a taça Jules Rimet. “A única coisa que deu errado no Mundial foi a decisão”, comentou a estrela da seleção, Puskás, anos depois do confronto.

Holanda, 74 – A Laranja Mecânica

A Holanda de 74 é marcada por seus apelidos. Carrossel Holandês, porque nenhum jogador permanecia em apenas uma posição fixa. Laranja Mecânica, em referência ao famoso filme de Kubrick.

A equipe capitaneada pela lenda Johan Cruyff vinha para se reerguer e levar a Jules Rimet. Popularizou o estilo de jogo conhecido como Futebol Total, marca da seleção. Marcação pesada, ocupação dos espaços, bons ataque e defesa, a fúria pela vitória. Não apenas tinha um ataque forte, mas pressionava e marcava os adversários, dificultando o jogo. Quem assiste aos registros nostálgicos dessa seleção em campo se encanta com a garra, a técnica – e uma leve maldade contra o adversário – que traziam os holandeses.

Cruyff, um gênio da tática e da técnica (Imagem: Popperfoto/Getty Images)

É preciso abrir um parágrafo para o gênio da camisa 14, Cruyff. Revolucionou o futebol holandês e é considerado um dos melhores jogadores europeus do século XX. Por regras tradicionais do futebol, consideramos Cruyff como meia e atacante; na prática, ele exercia todas as posições a seu alcance. Em uma década conseguiu reerguer o Ajax, da Holanda, nos campeonatos europeus. Se já era uma estrela europeia, foi na Copa que mundializou seu talento e encantou fanáticos de todos os continentes. Falecido em 2016, é um ícone do futebol internacional, tanto como jogador quanto treinador. E passou pela possível maior frustração de sua vida em 1974.

A Holanda não tinha tradição nenhuma em Copas. Modestas participações na década de 30, apenas. A classificação em 74 seria inédita para as gerações mais novas. O mundo não esperava uma equipe tão revolucionária, que estreou brilhando o torneio em partida contra o Uruguai. Com o técnico Rinus Michel e um jogador tão respeitado, via-se pela primeira vez a possibilidade do título.

Enfrentou sem medo grandes equipes da época, como Uruguai, Argentina e, também, Brasil.  A semifinal contra a seleção brasileira, inclusive, foi marcada pela violência excessiva. A Canarinho, tricampeã, gerava medo nos jogadores europeus, por melhores que fossem. Também trazia nomes de peso como Rivellino e o goleiro Leão, um dos responsáveis pelo resultado “ameno” – perdemos de 2 a 0, mas poderia ter sido pior.

Imagens de Holanda x Brasil, uma das partidas mais brutas da história dos mundiais (Imagem: Reprodução)

Ao passar pelo mata-mata com confiança e encantando o mundo todo com seu Futebol Total, os holandeses teriam, por fim, de enfrentar a dona da casa: a Alemanha Ocidental. Apesar da força desta em campo, parecia certa a vitória laranja entre os bolões pelo mundo.

A final de 74 é um clássico. Já começou, aos seus primeiros minutos, com um pênalti para a Holanda, que marcou o gol. Porém, aquele seria seu único momento de triunfo. A equipe da Alemanha trazia a frieza, calma e eficiência características de seu povo. O craque do time, Cruyff, também sofreu com a forte marcação. Ao primeiro tempo, o time alemão conseguiu virar o placar que se manteve até as prorrogações: 2 a 1.

Ao fim do jogo, o mundial era alemão. A Holanda merecia o título. Mas futebol nem sempre é justo em seus resultados. Apesar da derrota, a seleção holandesa deixou sua marca como o maior time de todos os tempos do país. Até chegou longe outras vezes, porém nunca passou do vice-campeonato.

O carrossel não foi capaz de superar a Alemanha Ocidental de Gerd Müller na decisão (Imagem: Reprodução)

É outra prova de que história não depende apenas de títulos. O futebol total da Laranja Mecânica encantou o mundo e provou seu valor com grandeza, admirado e lembrado com toques de nostalgia até hoje.  

Argentina, 86 – A seleção de Maradona

“La mano de Diós”. Gol de mão de Maradona no jogo entre Argentina e Inglaterra na Copa do México de 1986 (Imagem: Bongarts/VEJA)

A Argentina estava sedenta por um título desde sua primeira conquista em 1978 contra a Holanda. Houve polêmicas a respeito do confronto entre os hermanos e a seleção peruana – aparentemente, o Peru teria favorecido o resultado à Argentina, que, consequentemente, eliminou o Brasil e avançou às fases finais. Tal boato revirou o orgulho argentino, outra taça Jules Rimet fazia-se indispensável.

A seleção de 1986 era a mais equilibrada dos últimos tempos, com uma zaga forte, um meio campo coeso e um ataque feroz. Mas existia um nome que estava além da média: Diego Maradona, o melhor jogador da história do futebol argentino. Dieguito foi o homem da Copa e responsável por recuperar o orgulho argentino, trazendo o bicampeonato.

O jogo de estreia foi contra a Coreia do Sul, e os hermanos venceram sem dificuldade por 3 a 1. A partida seguinte seria contra a fortíssima seleção italiana, umas das responsáveis pela eliminação da Argentina na Copa de 82, ainda na fase de grupos. O equilíbrio entre as duas equipes se refletiu no placar 1 a 1.

Diego Maradona entre jogadores ingleses na Copa de 86. (Imagem: Reprodução)

Nas oitavas, a seleção argentina enfrentaria um de maiores rivais, Uruguai. A partida foi extremamente pegada, física e psicologicamente falando. A Argentina conseguiu marcar no final do primeiro tempo, sendo esse o único gol da partida.

Talvez o jogo contra a Inglaterra tenha sido até mais emblemático que a final da Copa. Maradona se eternizou com o gol mais bonito das Copas do Mundo, driblando cinco jogadores e marcando na saída do goleiro. O feito foi tão extraordinário que alguns até esquecem que na mesma partida Maradona fez um gol de mão.

A frieza dos alemães aguardava Dieguito na final. A seleção germânica contava com grandes nomes como Schumacher, Magath e Rummenigge. Os argentinos sabiam que não iria ser fácil, como realmente não foi. Maradona deu a assistência para o gol do título. 3 a 2 e Argentina campeã.   

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