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Paris Saint-Germain supera Arsenal nos pênaltis e conquista bicampeonato da Champions League

Depois de empate por 1 a 1 no tempo regulamentar, franceses levam a melhor nas cobranças e erguem a taça em Budapeste

Por Fernando Lucchi (fernandolucchi@usp.br) e Lucas Miranda (lucasmirandaf@usp.br) Paris

Um ano após ganhar a primeira Champions League da história do clube, o Paris Saint-Germain (PSG) repete o feito e mantém a posição de melhor time da Europa na temporada 2025/26. Depois de saírem atrás no início da partida, os franceses aproveitaram a oportunidade que precisavam, e Dembélé empatou o jogo após converter pênalti sofrido por Kvaratskhelia.

Do outro lado do campo, após encerrar jejum de 22 anos e conquistar o Campeonato Inglês em campanha memorável, os Gunners chegaram à final com a missão de levantar o troféu que falta à história do time. Apesar do domínio francês nas finalizações — 19 contra cinco do Arsenal —, a equipe de Londres mostrou porque tem uma das melhores defesas da atualidade e foi derrotada apenas na disputa por pênaltis, quando o Paris sagrou-se campeão.

Caminho até a final

Paris Saint-Germain

Após tropeçar na fase de liga, o PSG avançou aos playoffs na 11ª colocação. Foram quatro vitórias, dois empates e duas derrotas em oito jogos. Apesar da campanha irregular, o clube parisiense superou o Mônaco no mata-mata, com placar agregado de 5 a 4, e seguiu vivo na competição.

Nas oitavas de final, a reação veio: o agregado de 8 a 2 diante do Chelsea foi mais do que suficiente para renovar a confiança da equipe. Nas quartas, o PSG manteve o embalo e venceu o Liverpool por 4 a 0 na soma dos placares.

Na semifinal, o time francês enfrentou o Bayern, que vinha confiante após eliminar o Real Madrid nas quartas de final. A primeira partida, disputada em Paris, foi um espetáculo para os fãs de futebol, com vitória dos anfitriões por 5 a 4. No jogo de volta, em Munique, o PSG segurou o empate em 1 a 1, resultado que garantiu a vaga na final.

O PSG teve o melhor ataque desta edição da Champions, com 45 gols marcados em 17 jogos disputados [Imagem: Reprodução/X/@PSGbrasil]

Arsenal

Na fase de liga, os Gunners fizeram campanha perfeita e garantiram a classificação em primeiro lugar após vencerem todos os jogos. Nas oitavas de final, eliminaram o Bayer Leverkusen com placar agregado de 3 a 1.

Na sequência, a vitória pelo placar mínimo em Portugal bastou para que a equipe inglesa se classificasse, após segurar um empate sem gols em casa diante do Sporting no jogo de volta. Na semifinal, desta vez contra o Atlético de Madrid, o Arsenal empatou por 1 a 1 na Espanha e assegurou a vaga na decisão com uma vitória por 1 a 0 em Londres.

Apesar dos resultados magros, a campanha invicta na competição dava confiança aos Gunners, que chegaram à final com a melhor defesa do torneio. Foram apenas seis gols sofridos e 29 marcados em 14 jogos.

Esta foi a segunda final de Champions disputada pelo Arsenal. Na primeira, em 2006, o time inglês acabou derrotado por 2 a 1 pelo Barcelona [Imagem: Reprodução/X/@Arsenal]

Pré-jogo: Paris Saint-Germain x Arsenal

Após a classificação contra o Bayern e a conquista do Campeonato Francês com seis rodadas de antecedência, o PSG vinha empolgado para defender seu título na final contra o Arsenal. No entanto, a condição de Hakimi, Nuno Mendes e Dembélé — todos em recuperação de lesão — preocupava o treinador Luis Enrique. Para sorte do técnico, embora não estivessem no auge da forma física, os três se recuperaram a tempo e estavam à disposição para a decisão.

A conquista do Campeonato Inglês e a campanha invicta na Champions eram motivos suficientes para os Gunners acreditarem no título inédito. O clube voltava a disputar uma final da competição após 20 anos, e o único desfalque era o lateral-direito Ben White, que sofreu grave lesão no joelho em 12 de maio e ficou fora da reta final da temporada. A principal dúvida estava no ataque: entre Kai Havertz e Gyökeres, o primeiro foi escalado. A aposta do treinador Mikel Arteta se mostrou acertada logo no início da partida, quando Havertz abriu o placar aos 6’.

Os dois times chegavam à final sem um favorito claro. De um lado, o PSG, dono do melhor ataque da competição e atual campeão do torneio. Do outro, o Arsenal, responsável pela melhor defesa da Champions e em busca do primeiro título. Todos os ingredientes apontavam para uma decisão equilibrada e disputada até o último minuto.

A decisão em Budapeste

Logo nos primeiros minutos da decisão, os prognósticos que apontavam para um início cauteloso entre as equipes foram rapidamente contrariados. Aos 6’, para escapar da pressão alta do PSG, Declan Rice lançou a bola para a frente e encontrou Kai Havertz, que dominou e abriu pela esquerda para Hincapié. A tentativa de continuidade da jogada gerou um bate-rebate no meio de campo, até que Marquinhos afastou mal e acertou Leandro Trossard. A bola sobrou para Havertz, que superou Pacho na velocidade, avançou pela ponta e finalizou com força e altura para marcar o primeiro gol da final. 

A primeira grande oportunidade do Paris Saint-Germain veio aos 11’, quando Kvaratskhelia ficou cara-a-cara com David Raya, mas foi impedido de finalizar por um corte preciso de Gabriel Magalhães. A partir desse momento, a partida passou a refletir as características que marcaram as duas equipes ao longo da temporada: os parisienses assumiram o controle da posse de bola e empurraram o adversário para trás, enquanto o Arsenal se mostrou extremamente sólido defensivamente, sem abrir brechas para o empate. 

Já nos acréscimos da primeira etapa, aos 45’ +3, os Gunners desperdiçaram a melhor chance de ampliar a vantagem. Pela direita, Mosquera encontrou Odegaard na entrada da área, e o norueguês, com um passe de primeira, rompeu a linha defensiva do PSG e deixou Kai Havertz sozinho diante de Safonov. No momento da finalização, porém, Marquinhos apareceu com um carrinho providencial para bloquear a conclusão e evitar que o confronto escapasse ainda mais do controle dos franceses. Antes do intervalo, Fabián Ruiz ainda levou perigo com um voleio da esquerda da área, que exigiu defesa em dois tempos de Raya. Assim, o árbitro encerrou o primeiro tempo com vantagem mínima do Arsenal no placar. 

Na segunda etapa, o panorama da partida pouco se alterou. O Paris Saint-Germain seguiu com o domínio da posse de bola e pressionava em busca do empate, enquanto o Arsenal mantinha sua estrutura defensiva para conter o ataque francês. Aos 62’, a brecha que os comandados de Luis Enrique precisavam apareceu: pela ponta esquerda, Kvaratskhelia tabelou com Ousmane Dembélé e invadiu a área antes de ser derrubado por Mosquera. Sem hesitar, o árbitro Daniel Siebert marcou o pênalti para o PSG. Na cobrança, Dembélé deslocou David Raya, bola de um lado e goleiro do outro, e empatou a final em Budapeste. 

Com o placar novamente igualado, o Arsenal tentou adotar uma postura mais agressiva para recuperar o controle das ações ofensivas, mas encontrou dificuldades para transformar a posse de bola em oportunidades claras. O espaço concedido passou a favorecer o PSG, que esteve muito perto da virada aos 77’, após Saliba sair mal da defesa, Kvaratskhelia disparou em velocidade no contra-ataque. O lance só não terminou em gol graças a um desvio de Myles Lewis-Skelly na finalização do georgiano. A bola ainda tocou na trave antes de sair pela linha de fundo. 

A pressão parisiense continuou nos minutos finais. Aos 89’, Vitinha arriscou um chute de fora da área após jogada construída por Désiré Doué, mas a bola passou por cima do gol do Arsenal com muito perigo. Já no último minuto do tempo regulamentar, Doué voltou a criar uma grande chance ao lançar para Bradley Barcola, que avançava pelas costas da defesa londrina. Livre contra Raya, o atacante francês teve a chance de definir a partida, mas finalizou para fora de perna esquerda. Foi a última grande oportunidade dos noventa minutos e o lance que confirmou a prorrogação na Puskás Arena.

Na prorrogação, o desgaste físico das duas equipes ficou evidente, e as oportunidades de gol tornaram-se raras. A melhor delas surgiu aos 106’, quando Barcola desviou de cabeça para o meio da área e obrigou Raya a deixar a linha do gol para afastar o perigo. A sobra quase encontrou João Neves em condições de finalizar, mas a defesa do Arsenal foi rápida na reação e impediu o chute. Sem que nenhuma das equipes conseguisse criar chances claras, o empate persistiu até o apito final da prorrogação, e a grande decisão da Champions League foi para a disputa por pênaltis.

A disputa por pênaltis começou em alto nível. Gonçalo Ramos abriu a série com uma cobrança indefensável no ângulo de David Raya. Pelo Arsenal, Gyökeres respondeu ao deslocar Safonov. Na sequência, Désiré Doué converteu para recolocar o PSG em vantagem, antes do primeiro momento decisivo das penalidades: Eberechi Eze, que havia entrado durante a prorrogação no lugar de Kai Havertz, bateu rasteiro para fora, à direita da trave.

O erro não encerrou as esperanças londrinas. Logo depois, Raya defendeu a cobrança de Nuno Mendes e os Gunners voltaram para a disputa. Declan Rice empatou a série, enquanto Hakimi e Gabriel Martinelli também converteram suas tentativas. Na quinta batida parisiense, Lucas Beraldo mostrou frieza para marcar e colocou toda a pressão em Gabriel Magalhães.

Para a infelicidade dos torcedores londrinos, o futebol reservou um desfecho cruel para o zagueiro brasileiro. Depois de uma atuação praticamente impecável ao longo dos 120 minutos, Gabriel isolou sua cobrança por cima do gol de Safonov e colocou fim à disputa: com a vitória por 4 a 3 nos pênaltis, o Paris Saint-Germain conquistou seu segundo título consecutivo da UEFA Champions League.

Destaques

Vitinha e João Neves

A dupla portuguesa do meio-campo do PSG voltou a brilhar em uma final continental, ao atuar com a naturalidade de quem parecia jogar no próprio quintal de casa. Enquanto João Neves foi o pulmão da equipe, dominante nos duelos no setor central ao longo dos 120 minutos e dificultou a participação de Odegaard e Myles Lewis-Skelly na construção ofensiva do Arsenal, Vitinha mais uma vez assumiu o papel de cérebro criativo dos parisienses. Foi dele a responsabilidade de conectar defesa e ataque, acelerar a circulação da bola e encontrar soluções diante da sólida marcação londrina. 

Além de participar diretamente das principais ações ofensivas da equipe, o camisa 17 protagonizou uma exibição de enorme controle técnico, com impressionantes 141 passes completos em 150 tentativas. O desempenho lhe rendeu o prêmio de melhor jogador da final concedido pela UEFA. 

Campeã da Nations League por Portugal e agora bicampeã de Champions, a dupla do PSG tem tudo para compor o melhor meio-campo da Copa do Mundo desse ano [Imagem: Reprodução/Instagram/@vitinha]

A defesa do Arsenal

Apesar do erro individual de Mosquera, que originou o pênalti do empate, e da cobrança desperdiçada por Gabriel Magalhães na disputa decisiva, o sistema defensivo do Arsenal realizou uma atuação digna de destaque. 

Ao longo da partida, os Gunners conseguiram neutralizar o excelente ataque do PSG de uma forma que poucos adversários haviam conseguido durante a temporada. Gabriel e William Saliba combinaram 20 cortes no jogo, em uma linha defensiva que também contou com atuações sólidas de Hincapié, Mosquera e, posteriormente, Jurriën Timber. Graças a esse trabalho coletivo, a presença de Kvaratskhelia e de Ousmane Dembélé, vencedor da última Bola de Ouro, foi menos sentida do que o habitual, o que obrigou o ataque parisiense a buscar alternativas durante grande parte da decisão. 

A defesa do Arsenal foi o principal pilar do clube durante a Champions League, e Gabriel entrou para o time do torneio [Imagem: Reprodução/Instagram/@_gabrielmagalhaes]

Luis Enrique e Mikel Arteta

A final também evidenciou a qualidade do trabalho realizado pelos dois treinadores. Pelo lado do PSG, Luis Enrique novamente colocou sua equipe como a grande potência do futebol europeu ao conduzir os parisienses a mais um título continental. Seu estilo ofensivo de posse de bola, intensidade na defesa e no ataque, unido à entrega e comprometimento de seus jogadores proporcionou à torcida parisiense mais uma noite de comemorações neste sábado. 

Do outro lado, Mikel Arteta confirmou a evolução do Arsenal ao levar os Gunners de volta ao mais alto patamar do continente. Embora tenha ficado com o vice-campeonato, o treinador espanhol montou uma equipe equilibrada e muito resiliente, que conseguiu competir em igualdade com o atual campeão europeu e esteve a poucos detalhes de conquistar a taça. 

Em uma decisão definida apenas nos pênaltis, ambos os treinadores deixaram Budapeste com suas credenciais reforçadas entre os principais técnicos do futebol mundial. 

Luis Enrique igualou Pep Guardiola, Bob Paisley e Zinedine Zidane como únicos treinadores tricampeões da Champions, e está atrás apenas de Ancelotti, com cinco, como maior vencedor [Imagem: Reprodução/X/@ChampionsLeague]

A festa em Paris continua

Por décadas, o Paris Saint-Germain viveu a contradição de ser um dos clubes mais ricos e estrelados do futebol mundial sem conseguir transformar seu domínio doméstico em uma dinastia continental. Depois de anos de eliminações traumáticas e projetos construídos ao redor de grandes superestrelas, os parisienses finalmente encontraram a fórmula para se estabelecer entre a elite da Europa. O bicampeonato consecutivo da UEFA Champions League representa mais do que a conquista de um troféu: simboliza a consolidação definitiva do PSG como a potência a ser batida do continente.

Grande parte dessa transformação, é claro, passa pelo trabalho de Luis Enrique. Desde sua chegada, o treinador espanhol buscou construir uma equipe menos dependente de individualidades e mais comprometida com um modelo coletivo de jogo. Mesmo após mudanças importantes no elenco, o PSG manteve uma identidade clara baseada em intensidade, posse de bola e versatilidade tática. A evolução de jogadores como Vitinha, João Neves e Désiré Doué ilustra o sucesso de um projeto que soube equilibrar juventude, talento e competitividade no mais alto nível, sem precisar de um rosto que se comprometesse a ser o grande talento individual da equipe. 

Se o primeiro título europeu serviu para acabar com um azar histórico, o segundo confirmou que o sucesso parisiense não foi obra do acaso. Em vez de depender exclusivamente de contratações midiáticas, o clube passou a investir na construção de um elenco profundo, equilibrado e capaz de competir em diferentes contextos sem perder sua identidade. 

Esse já lendário time do Paris Saint-Germain não apenas exorcizou o fantasma que durante tantos anos perseguiu a equipe na Champions League, como também redefiniu a percepção sobre o que o projeto parisiense pode alcançar. Com uma gestão sólida, um treinador de elite, jovens talentos em ascensão e uma ambição que parece não se esgotar, o PSG encerra mais uma temporada como campeão da Europa com um recado para seus rivais: quando um time reúne qualidade, organização e uma fome insaciável por vitórias, atingir o topo do futebol pode se tornar uma questão de hábito. 

Os 3 principais responsáveis pela grande fase do PSG jogam fora das quatro linhas: Nasser Al-Khelaïfi investiu no clube, Luis Campos montou o elenco e Luis Enrique comandou a equipe para vencer novamente a Champions League [Imagem: Reprodução/X/@PSG_Inside]

Ficha técnica

Paris Saint-Germain 1 (4) x (3) 1 Arsenal

Data: 30/05/2026

Horário: 13h (BRT)

Paris Saint-Germain (4-3-3): Safonov, Hakimi, Marquinhos (Zabarnyi 106’), Pacho, Nuno Mendes, João Neves, Fabián Ruiz (Zaïre-Emery 95’), Vitinha (Beraldo 106’), Doué, Kvaratskhelia (Barcola 84’) e Dembélé (Gonçalo Ramos 90+5’).

Arsenal (4-2-3-1): Raya, Mosquera (Timber 66’), Saliba, Gabriel Magalhães, Hincapié, Rice, Lewis-Skelly (Zubimendi 91’), Odegaard (Gyökeres 66’), Saka (Madueke 83’), Trossard (Gabriel Martinelli 83’), Havertz (Eze 91’).

Gols: Arsenal – Havertz (5’); Paris Saint-Germain – Dembélé (64’).

Pênaltis: Paris Saint-Germain – Gonçalo Ramos (gol), Doué (gol), Nuno Mendes (defendido), Hakimi (gol), Beraldo (gol); Arsenal – Gyökeres (gol), Eze (fora), Rice (gol), Gabriel Martinelli (gol), Gabriel Magalhães (fora).

Cartões amarelos: Paris Saint-Germain – João Neves (90+5’) e Nuno Mendes (118’); Arsenal – Mosquera (47’), Saka (54’), Gyökeres (98’) e Rice (103’).

Árbitro: Daniel Siebert (Alemanha).

*Imagem de capa: Reprodução/X/@ChampionsLeague

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