Por Hellen Rodrigues (helliv7@usp.br) e Mayara Felisardo (mayarafelisardo@usp.br) kimi
No Grande Prêmio do México, no último domingo (1º), Andrea Kimi Antonelli conquistou o Campeonato de Pilotos de 2026 da Fórmula 1 pela Mercedes. O piloto italiano tornou-se campeão antecipadamente após terminar a corrida em terceiro lugar e dividir o pódio com Max Verstappen e Lewis Hamilton.
Com apenas 20 anos de idade, ele se tornou o piloto mais jovem a ser campeão mundial na categoria e o primeiro italiano a vencer o título desde Alberto Ascari em 1953. Com o número 12 no carro em homenagem ao ídolo Ayrton Senna, Kimi garantiu sua marca na história do automobilismo com a conquista.
O caminho até a Fórmula 1
A trajetória de Antonelli começou antes da Fórmula 1, ainda no kart. Em 2019, a Mercedes reconheceu o talento do jovem piloto e decidiu integrá-lo à academia de pilotos da equipe. No ano seguinte, o italiano acumulou títulos nos Campeonatos Italiano e Europeu de Kart e na Euro Series. Gradualmente, iniciou sua transição das pistas de kart para as competições de monopostos. No fim de 2021, surgiu a primeira oportunidade de competir na nova modalidade, com sua estreia na Fórmula 4 Italiana.
Sua primeira temporada na categoria foi discreta. O jovem disputou apenas três das sete etapas e terminou a competição na décima posição. Contudo, no ano seguinte, Kimi demonstrou seu potencial e alcançou a marca de treze vitórias e quatorze pole positions. Com o desempenho, conquistou o título antecipadamente, com cem pontos de vantagem sobre o segundo colocado. Além disso, no mesmo ano, disputou a Fórmula 4 Alemã e se sagrou campeão mais uma vez, também com algumas rodadas de antecedência.
Em 2022, Antonelli inaugurou mais um capítulo de sua trajetória no automobilismo. O italiano migrou para as Fórmulas Regionais e, logo em seu primeiro ano nas competições, conquistou dois títulos: o da Fórmula Regional do Oriente Médio e o da Fórmula Regional Europeia. Ambas as conquistas reforçaram sua ascensão no automobilismo e consolidaram sua imagem como uma das principais apostas da Mercedes para o futuro.
Com uma carreira cada vez mais promissora, o italiano não seguiu a progressão tradicional que se espera dos corredores. Após as Fórmulas Regionais, é comum que os competidores avancem para a Fórmula 3 e, depois, para a Fórmula 2. Porém, Kimi demonstrava estar um degrau acima de seus concorrentes. Assim, a Mercedes decidiu promovê-lo diretamente para a Fórmula 2.
Kimi correu pela equipe italiana Prema Racing durante sua passagem pela Fórmula 2 [Imagem: Reprodução/Instagram/@kimi.antonelli]
A mudança representou um desafio significativo. A Fórmula 2 apresentava um nível de competitividade diferente das categorias regionais, com um grid mais acirrado e nomes de destaque no cenário automobilístico, como Gabriel Bortoleto, Oliver Bearman, Isack Hadjar e Franco Colapinto. Apesar das dificuldades, o piloto conseguiu manter certa constância durante a temporada e conquistou duas vitórias. O desempenho o colocou na sexta posição do campeonato e reforçou ainda mais sua condição de promessa da Mercedes.
O primeiro ano na categoria
A trajetória de Kimi mudou drasticamente em 2024, quando a Mercedes anunciou a saída do heptacampeão mundial, Lewis Hamilton. O italiano passou a ser apontado como o principal candidato a ocupar a vaga deixada pelo britânico.
Porém, ele ainda não tinha completado 18 anos e esbarrava nas exigências da Federação Internacional do Automóvel (FIA) para a obtenção da superlicença, documento obrigatório para competir na Fórmula 1. A restrição havia ganhado destaque após a estreia de Max Verstappen, em 2015, quando tinha apenas 17 anos. Desde então, a idade mínima para a conseguir a superlicença é de 18 anos.
A Mercedes recorreu a FIA para alterar a regra e, após um mês de deliberação, a organização publicou uma atualização do Código Esportivo Internacional, o qual prevê que: “um piloto que tenha demonstrado recente e consistentemente habilidade e maturidade excepcionais em competições de monopostos poderá receber uma superlicença aos 17 anos de idade”. Assim, Antonelli foi autorizado a competir na Fórmula 1 no lugar de Lewis Hamilton em 2025.
Porém, a primeira temporada do piloto da Mercedes na categoria não foi bem recebida por críticos e fãs do esporte. Ao entrar como substituto do heptacampeão e pela mudança de regra para trazê-lo para a equipe, o italiano enfrentou expectativas altas desde o início de 2025. O desempenho e os resultados não foram ruins, mas abriram espaço para dúvidas.
Kimi pontuou em quase todas as corridas no início da temporada e os dois primeiros abandonos, em Imola e na Espanha, foram causados por falhas mecânicas. No Grande Prêmio do Canadá, ele terminou em terceiro lugar e subiu ao pódio pela primeira vez, o que fez dele o terceiro piloto mais jovem a conquistar um troféu na categoria.
Kimi dividiu seu primeiro pódio com o companheiro de equipe George Russell, que venceu a prova do Canadá [Imagem: Reprodução/Instagram/@f1]
Apesar de ter conquistado outros dois pódios até o final do ano, em Interlagos e Las Vegas, o resto da temporada foi marcado por desafios. Antonelli cometeu erros que, apesar de comuns para iniciantes na Fórmula 1, levaram a diversas críticas, como a colisão com Verstappen na Áustria. O carro da Mercedes também passou por problemas de desenvolvimento, que dificultaram ainda mais as corridas para o italiano.
No final de 2025, Kimi terminou o campeonato na sétima posição, com 128 pontos a menos do que o seu companheiro de equipe. Mesmo assim, a Mercedes seguiu com o piloto para 2025, defendeu a sua performance e declarou que a verdadeira prova de talento para o italiano viria em 2026.
A temporada do título
Em 2026, o cenário para a Mercedes e especialmente para Kimi mudou. Desde a primeira corrida, a equipe se mostrou dominante e seus dois pilotos se tornaram favoritos para o título após subirem aos dois lugares mais altos do pódio. Já na segunda prova, no Grande Prêmio da China, o italiano fez história ao conseguir a pole aos 19 anos de idade e conquistou também sua primeira vitória na categoria.
Nas corridas seguintes, ele e o companheiro de equipe, George Russell, mantiveram a dominância e a disputa pelo campeonato de pilotos passou a ser dentro da Mercedes. Porém, a constância do italiano e os desafios enfrentados pelo britânico rapidamente colocaram Antonelli na liderança e encaminharam o resultado do título.
Na corrida anterior ao Grande Prêmio do México, no Circuito das Américas, o jovem piloto conquistou sua nona vitória da temporada e abriu 123 pontos de vantagem sobre Russell. A apenas dois pontos de se sagrar campeão, ele só precisava terminar entre os nove primeiros colocados na prova do último domingo.
No sábado, o piloto da Mercedes se classificou em quarto lugar para a corrida depois de uma qualificação com tensões, mas terminou o domingo em terceiro e conseguiu os pontos necessários para ganhar o mundial. A comemoração do título no pódio foi dividida com Max Verstappen, vencedor da etapa, e Lewis Hamilton. Além disso, a família do italiano também estava presente e participou do momento emocionante.
Com a vitória de Kimi, o pódio do Grande Prêmio do México foi formado por três campeões mundiais [Imagem: Reprodução/Instagram/@f1]
Com 20 anos e 68 dias de idade, Kimi Antonelli se tornou o campeão mais jovem da história da Fórmula 1, recorde que antes pertencia a Sebastian Vettel. Ele também deu fim à seca italiana e é o primeiro italiano a conquistar o título em mais de 70 anos — o último campeão tinha sido Alberto Ascari, com os títulos de 1952 e 1953. A temporada de 2025 ainda terá mais quatro corridas e o Campeonato de Construtores segue em aberto: a Mercedes lidera, 126 pontos à frente da segunda colocada, a Ferrari.
*Imagem de capa: Reprodução/Instagram/@mercedesamgf1



