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A Julia Tolezano por trás da Jout Jout

Conheça a história de uma das personalidades mais influentes brasileiras, com mais de dois milhões de inscritos em seu canal do YouTube: JoutJout Prazer

Julia Tolezano da Veiga Faria nasceu no dia 14 de março de 1991, em Niterói, Rio de Janeiro. A fluminense, escritora, youtuber, influencer e jornalista não imaginaria que, depois de 26 anos, se tornaria uma das pessoas mais assistidas na plataforma do YouTube, com cerca de 275 milhões de visualizações. 

 

O início da Família Jout Jout

Em 12 de maio de 2014, o canal JoutJout Prazer nasceu a partir da vontade, da própria criadora, de vencer o medo de críticas. Em um primeiro momento, a intenção era criar  um lugar para expor reflexões ao mundo e estar vulnerável aos retornos de telespectadores. Assim, foi publicado seu primeiro vídeo, EXPRESSÃO MÁXIMA DE DESCONFORTO

 

Desde sua estreia, percebe-se um padrão em todos os seus vídeos, a sensação de estar em uma conversa com a própria Julia. O estilo realista  de gravação, sem grandes produções de iluminação ou de figurino, e a forma com que os  temas são discutidos, em geral com leveza, mas não sem profundidade, formaram a identidade do JoutJout Prazer. Um exemplo da espontaneidade em discutir assuntos mais sérios, e o principal responsável pela ascensão do canal, foi o vídeo NÃO TIRA O BATOM VERMELHO. Em 26 de fevereiro de 2015, Jout Jout discutiu os principais sinais de um relacionamento abusivo e como, para ela, deve-se lidar com ele. 

 

 

A repercussão do conteúdo atingiu números impressionantes – quase quatro milhões de visualizações – e rendeu inúmeras entrevistas para apresentar Julia Tolezano ao mundo da internet. Após esse crescimento  do canal, Jout Jout conquistou, além de espectadores, fãs, os quais denominaram-se como  Família Jout Jout

 

A youtuber está com o livro na mão.
Jout Jout com o livro A parte que falta em seu vídeo do YouTube. [Imagem: Reprodução/Hypeness]

 

“A família Jout Jout é muito gostosinha porque eles ficam lá dando amor. […] Eu faço um vídeo e alguém comenta falando um problema, aí vem outro e resolve o problema, ou ajuda, ou dá um abraço virtual.” declara Julia em uma entrevista para a Revista Miga sobre a comunidade telespectadora. Apesar de algumas exceções, toda a configuração de JoutJout Prazer parecia se afastar da comum toxicidade da internet, como uma espécie de refúgio comunitário no YouTube. 

 

Um outro exemplo de vídeo – com mais de oito milhões de visualizações – que traduz a essência do canal e consegue representar  essa sensação de bem estar é o da famosa leitura de A parte que falta (Companhia das Letrinhas, 2018), escrito por  Shel Silverstein. O livro infantil teve seu sucesso intensificado com a interpretação de Julia em seu canal, no qual a obra e seus tópicos profundos sobre a constante busca por algo e, consequentemente, a falta que a falta faz, foram analisadas. A partir daí, Jout Jout foi traçando sua história de sucesso de um jeito orgânico com seus vídeos, seu carisma e sua maneira cativante de ver a vida. 

 

Mais Julia Tolezano, menos Jout Jout

Julia é filha de Marize e Sergio e, segundo a própria, usufruiu de uma infância perfeita. Em uma entrevista ao canal de Rafa Dias, a youtuber contou um pouco mais sobre seus progenitores. Sua mãe, dona do salão de beleza de Niterói chamado Prya, exala a imagem de uma mulher elegante e fina. Já seu pai, um homem que trabalha desencalhando barcos nas costas brasileiras, possui uma personalidade calma. É, nesse ambiente, que a  personalidade Jout Jout nasce e evolui, vivenciando crises típicas de cada fase da vida: infância, adolescência e juventude.  

 

Em seu livro Tá todo mundo mal: O livro das crises (Companhia das Letras, 2016), a fluminense deixa claro o quão parecidas as pessoas são entre si, uma vez que lidamos com muitas situações em comum durante a vida. Esse é o tema central das histórias contadas em capítulos, que, com certa cronologia, expõem, por meio de uma vivência da própria Julia,   um dilema ou reflexão que podem ser comuns para os leitores.

 

Imagem do livro Tá Todo Mundo Mal, da Jout Jout.
Jout Jout com o livro A parte que falta em seu vídeo do YouTube. [Imagem: Reprodução/Hypeness]

 

Em um primeiro momento, Julia discute, no livro, a transição que ela vivenciou e sentiu o impacto em sua autoestima: a de uma criança fofa para uma adolescente cheia de espinhas. Essa avaliação de si mesma passou por altos e baixos, principalmente por causa de uma condição física com sua mandíbula que em um determinado momento, parou de se desenvolver. De fato, Julia se encontrava no meio de uma crise e ela não era gentil com sua própria aparência,  não entendendo qual seria o sentido da vaidade, uma vez que ela acreditava ser algo fútil. No entanto, ao perceber como muito desse pensamento era fruto de uma influência externa, Julia passou por uma reconstrução de sua autoestima. “Assim como eu decido se vou cortar ou não o cabelo da minha Barbie. [..] A boneca é minha, o corpo é meu, eu decido”, reflete Jout Jout em Tá todo mundo mal

 

Joutjout com um coletor menstrual no nariz.
Jout Jout discute sobre o uso de coletores menstruais em vídeos de seu canal. [Imagem:Reprodução/ Em Pauta UFPel]

 

“Eu que sequer consigo escolher um filme na Netflix, não sabia nem que área do conhecimento humano me agradava”. A influencer também não ficou imune às indecisões do período pré-vestibular. Julia, além da incerteza sobre qual curso seguir – Letras, Jornalismo ou Editoração –, acreditava não ter nenhum talento em especial quando comparada às pessoas ao seu redor.

 

Enfim, decidiu a profissão jornalística, pois, de acordo com terceiros, escrevia bem. Todavia, a graduação não lhe trouxe satisfação em nenhum momento, as matérias não a agradavam, e muito menos os trabalhos: inventava fontes e depoimentos para suas matérias. Diferentemente do que muitos imaginam, a prática jornalística não contribuiu para sua comunicabilidade – segundo Julia, ela sempre foi uma pessoa falante. O curso, afinal, teria rendido apenas “um pouco mais de poeira acumulada no diploma” se não fosse por seu encontro com Caio, que a ajudou a levantar o canal JoutJout Prazer. 

 

A youtuber está sentada de pernas cruzadas em uma cadeira branca.
Jout Jout no painel de um festival discutindo paixão e trabalho. [Imagem: Reprodução/Patrícia Devoraes/Brazil News]

 

Como pontua Julia em Tá todo mundo mal, o trabalho “esquisito” de produzir vídeos para o YouTube pode ser muito complexo. Por um lado, realizador e admirável, mas, por outro lado, extremamente solitário, uma vez que, muitas vezes, ser a própria chefe e ter um horário flexível não significa o mesmo que maior liberdade e menor responsabilidade, mesmo amando seu trabalho. 

 

Julia, por meio de seu canal no Youtube, não só permitiu um processo de autodescoberta, como a percepção de uma pessoa feminista, mas também possibilitou o diálogo de diversas questões que ainda são consideradas um tabu social, como a saúde mental, o prazer feminino, a violência contra a mulher, com um diálogo simples, mas não simplório. Um exemplo desse movimento pela troca transparente é a parceria da influencer brasileira, com a ação coordenada do YouTube, Creators for Change, em que foi criada a iniciativa GIRLS EDUCATION: ELAS QUE LUTAM. Nesse projeto, Jout Jout vai até cidades do interior do Brasil para conhecer escolas com grupos de meninas que lutam pela educação digna para jovens mulheres e discutem diversas questões sociais. 

 

Imagem de um quadro de uma escola.
Parte do pequeno documentário lançado por Jout Jout em parceria com o Creators for Change. [Imagem: Reprodução/YouTube/JoutJout Prazer]

 

A Jout Jout fora das câmeras

Por mais que, com os vídeos, pode parecer que nós/o telespectador pode sentir que Jout Jout seja um ser mais evoluído e com quem nós aprendemos mais sobre a vida a cada vídeo – como em uma espécie de sessão de terapia – por trás das câmeras, a personagem JoutJout continua sendo a fluminense Julia Tolezano da Veiga Faria, um ser humano comum. Assim, após 5 anos contínuos produzindo conteúdos para o canal, ela precisou de um tempo sozinha e fora do YouTube. ”. 

 

Jout Jout segurando equipamentos de câmera.
Afinal, Julia esteve na ativa por sete anos e conquistou 2,47 milhões de pessoas na Família Jout Jout. [Imagem: Reprodução/Redação Engeplus]

 

No início de 2020, o canal foi paralizado por Julia e Caio, ex-namorado de Julia que também trabalhava na criação dos vídeos, para o que seria um período de férias. No entanto, essa paralisação foi acompanhada por uma saída das redes sociais e, o que eram férias, transformaram-se em dois anos de hiato. Durante esse tempo, Julia decidiu viajar para cada canto do Brasil, mas sem divulgar todas as suas aventuras para a internet, visto que acredita que seria algo irresponsável a se fazer. Isso porque ela explora as profundezas brasileiras sozinha, apenas com seu carro e com suas economias dos últimos anos e, apesar de não ter sofrido nenhuma complicação mais séria, Julia compreende que é arriscado expor sua situação pela influência que pode causar no público. 

 

O fim da Era JoutJout Prazer 

Muitos dizem que Jout Jout fala apenas o óbvio e é glorificada por isso, em um sentido pejorativo. No entanto, muitas vezes, dizer o evidente é extremamente necessário em um mundo em que até as coisas óbvias parecem ser um enigma a ser resolvido. Julia Tolezano cumpre essa função ao ter a coragem e a clareza de  declarar essas coisas de forma direta e, ao mesmo tempo, com tanta leveza e simplicidade. 

 

A youtuber veste camisa verde.
Aos 31 anos, Julia Tolezano encerra um ciclo para iniciar uma nova fase da vida. [Imagem: Reprodução/YouTube/JoutJout Prazer]

 

No  dia 23 de julho de 2022, a personalidade brasileira declarou o fim de uma Era e a Família Jout Jout lamentou diante da declaração de que a youtuber se afastaria completamente das redes sociais. Porém, depois de cinco anos produzindo conteúdo todas as semanas, e de dois anos de pausa do canal para uma viagem ao redor do Brasil, JoutJout Prazer foi encerrado com um vídeo de quarenta e quatro minutos, em que Julia compartilha, pela última vez, suas palavras. 

 

“Não faz sentido a gente lutar para as coisas serem para sempre, a gente tinha que lutar para as coisas serem gostosas enquanto elas durem”. Esse pensamento, divulgado há três anos em um de seus vídeos, traduz um sentimento que agora ganha mais um significado com o fim dessa Era JoutJout Prazer. 

 

 

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