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Netflix |  ‘À Segunda Vista’: uma comédia que tentou ir além, mas não conseguiu

O novo lançamento da Netflix é superficial do início ao fim, sem dar tempo ou oportunidade para que ideias da trama sejam desenvolvidas por completo

CINÉFILOS
01 jul 2021 | Por Amanda Marangoni (amandamarangoni@usp.br)

O filme À Segunda Vista (Good on Paper, 2021), dirigido por Kimmy Gatewood e lançado em 23 de junho pela Netflix, conta a história de Andrea Singer (Iliza Shlesinger), uma comediante de stand-up e aspirante a atriz em Hollywood. Nos primeiros minutos, o espectador é apresentado à Andrea enquanto performa stand-up, mas a cena que sucede esse momento mostra a protagonista sendo fortemente rejeitada numa audição. O contraste entre as duas cenas expõe, logo no começo, a dualidade e os desafios presentes na vida da protagonista.

O longa, inicialmente, é entendido como uma comédia. No entanto, quando Andrea vai para o aeroporto, a caminho de volta para casa, ela conhece Dennis Kelly (Ryan Hansen), um gerente de fundos especulativos por quem ela desenvolve imediata simpatia. Após a introdução do novo personagem, À Segunda Vista se transforma, apresentando um tom romântico.

A trama passa a se desenvolver com base no relacionamento entre Andrea e Dennis, que inicia como uma amizade, e, então, evolui para algo mais sério. Mas a protagonista logo percebe discrepâncias na fala de Dennis e começa a suspeitar que ele não é quem diz ser. Então, sempre acompanhada de sua melhor amiga Margot (Margaret Cho), ela começa a investigar a vida de seu novo interesse amoroso.

 Andrea e Dennis em cena de À Segunda Vista [Imagem: Divulgação/Netflix]

Andrea e Dennis. [Imagem: Divulgação/Netflix]

Como é exibido no início do longa À Segunda Vista, a história é baseada em fatos reais que aconteceram na vida da atriz principal Iliza Shlesinger, porém isso não se mostra suficiente para tornar a experiência do filme completa. O instável desenvolvimento da trama, como antes citado, começa como uma comédia, transforma-se, por um instante, em romance e, então, em um suspense, mas, no fim das contas, não satisfaz nenhum desses gêneros.

A ideia central, de que Andrea é uma mulher tentando avançar no mundo da comédia e da televisão e que acaba entrando num relacionamento, o que há muito tempo era evitado por ela, não é ruim por si só, contudo acaba sendo completamente ofuscada pelo roteiro tumultuoso. Até mesmo as boas ideias e piadas, que em outra ocasião poderiam ter ganhado mais atenção, acabam sendo ignoradas em meio à desorganização geral da trama de À Segunda Vista.

Andrea e Margot em cena de À Segunda Vista [Imagem: Divulgação/Netflix]

Andrea e Margot. [Imagem: Divulgação/Netflix]

Outro ponto negativo exaustivo do longa é o papel de Serena (Rebecca Rittenhouse), uma atriz que chegou em Hollywood na mesma época que Andrea, mas que conseguiu mais papéis e oportunidades na indústria. A protagonista ressente Serena e expõe seus incômodos em relação a ela inúmeras vezes, de modo a tornar uma situação que já é extremamente clichê, ainda por cima, repetitiva.

As atuações responsivas de Iliza Shlesinger, que carrega a maior parte emocional do filme, e de Margaret Cho, que, infelizmente, aparenta ser apenas uma forma de apoio da protagonista, poderiam ter sido bem aproveitadas, caso o roteiro não fosse tão mal desenvolvido. À Segunda Vista possui base para uma possível boa comédia sobre amor, carreira e amizade, mas a realização não se mostrou concreta o suficiente.

À Segunda Vista está disponível para os assinantes da Netflix. Confira o trailer

Imagem de capa: [Imagem: Divulgação/Netflix]

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