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Copa do Mundo 2026 | “É proibido sonhar pequeno”: Brasil promete resgatar o orgulho nacional e colocar a sexta estrela na camisa

Única seleção a já ter disputado todas as edições e vencido cinco delas, Brasil busca superar a pressão e levantar a sexta taça após 24 anos de seca

Por Melissa Siqueira (melissasiqdiogo@gmail.combrasil

Com glórias – e dramas – memoráveis, o “país do futebol” chega à América do Norte em busca de realizar o sonho do hexa. Após uma classificação assegurada com antecedência nas Eliminatórias Sul-Americanas, o Brasil caiu no Grupo C e irá enfrentar as seleções do Marrocos, Escócia e Haiti na primeira fase.

Considerado um dos países com a trajetória mais influente no esporte, a história da Seleção Brasileira se confunde com a própria história do futebol mundial. Agora, há apenas um ano no comando, o treinador multicampeão Carlo Ancelotti terá a missão de conduzir o time à sexta vitória mundial. 

Entre altos e baixos: o sonho do hexa

Desde 1930, a Seleção Brasileira é marcada por participações históricas no maior torneio internacional de futebol. Para o Brasa, a Copa do Mundo representa um pilar cultural que fortalece a identidade nacional de 4 em 4 anos. Entretanto, com o jejum prolongado, tradições nacionais como pintar as ruas, colecionar álbuns de figurinhas e vestir com orgulho a camisa verde-amarela têm perdido cada vez mais espaço.

Apesar das gerações marcantes e atuações históricas em 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002, hoje a Seleção não aparece como favorita ao prêmio. Desde o último título, a cobrança por uma vitória cresce cada vez mais, principalmente após o vexame sofrido em casa na fatídica derrota por 7×1 contra a Alemanha, em 2014. 

Na época, a equipe comandada por Luiz Felipe “Felipão” Scolari era uma das principais apostas para a conquista da taça. Depois da eliminação naquele ano, a equipe passou por uma extensa troca de treinadores. Foram eles: Dunga (2014 – 2016), Tite (2016 – 2022), Ramon Menezes (2023 – Interino), Fernando Diniz (2023/2024 – Interino), Dorival Júnior (2024) e Carlo Ancelotti (2025 – atual). 

Desde 2002, a Seleção Brasileira não conquistou nenhuma Copa. Diante da escassez de títulos, de tantas trocas de treinador e da derrota na última edição para a Croácia nos pênaltis das quartas de final, o clima não era dos melhores. Foi nesse cenário que, em maio de 2025, Carlo Ancelotti chegou.

Ciclo Ancelotti

Primeiro técnico estrangeiro responsável por comandar a equipe do Brasil em uma Copa do Mundo de maneira efetiva, o italiano Carlo Ancelotti é famoso por ser o único treinador a conquistar títulos nas cinco principais ligas europeias. E agora, carrega a responsabilidade de levar o time brasileiro ao seu auge novamente. 

Pouco mais de um ano depois de sua chegada, o professor obteve cinco vitórias, dois empates e três derrotas em dez jogos, com 18 gols marcados e 8 sofridos. Ele tem criado um ambiente favorável em busca de consolidar o hexacampeonato, e seu trabalho já é tão valorizado que a CBF renovou seu contrato até 2030, o que evidencia um projeto de longo prazo. 

Desfalcado de peças importantes como o atacante Rodrygo, o defensor Éder Militão e o ponta-direita Estêvão, e após altas especulações sobre quem seriam os jogadores cotados, Ancelotti divulgou a lista oficial dos convocados da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo 2026 no dia 18 de maio, em um evento no Museu do Amanhã para mais de 700 jornalistas de diferentes países. Confira quais são os jogadores que irão compor o elenco:

Goleiros 

  • Alisson (Liverpool-ENG)
  • Ederson (Fenerbahçe-TUR)
  • Weverton (Grêmio-BRA)

Laterais

  • Wesley (Roma-ITA)
  • Douglas Santos (Zenit-RUS)
  • Alex Sandro (Flamengo-BRA)

Zagueiros

  • Gabriel Magalhães (Arsenal-ENG)
  • Marquinhos (PSG-FRA)
  • Danilo (Flamengo-BRA)
  • Bremer (Juventus-ITA)
  • Ibañez (Al-Ahli-KSA)
  • Léo Pereira (Flamengo-BRA)

Meio-campistas

  • Bruno Guimarães (Newcastle-ENG)
  • Casemiro (Manchester United-ENG)
  • Danilo Santos (Botafogo-BRA)
  • Fabinho (Al-Ittihad-KSA)
  • Lucas Paquetá (Flamengo-BRA)

Atacantes

  • Raphinha (Barcelona-ESP)
  • Neymar (Santos-BRA)
  • Vinícius Júnior (Real Madrid-ESP)
  • Luiz Henrique (Zenit-RUS)
  • Matheus Cunha (Manchester United-ENG)
  • Gabriel Martinelli (Arsenal-ENG)
  • Igor Thiago (Brentford-ENG)
  • Endrick (Lyon-FRA)
  • Rayan (Bournemouth-ENG)

Como jogará o Brasil

Ancelotti é conhecido por ser um camaleão tático: versátil no estilo de jogo e com capacidade de se adaptar ao elenco. Com 30 títulos no bolso, 5 deles de Champions, o italiano chegou ao Brasil e estabeleceu metas que visam ajudar os jogadores a transformar a pressão em combustível dentro de campo. Sem esquemas táticos fixos, Carletto prioriza estabilidade defensiva antes de se arriscar no ataque.

Embora utilize principalmente o 4-4-2, as opções do italiano para a Amarelinha já variaram um pouco nos jogos em que esteve à frente da comissão técnica. Nas Eliminatórias, em um jogo contra o Chile, o Brasil jogou em 4-2-4. Na ocasião, Martinelli, João Pedro, Estêvão e Raphinha movimentaram o ataque e trocaram de lados com jogadas de toque curto, o que reflete a intenção do treinador de que os jogadores troquem de posição durante as partidas e atuem em diferentes setores do campo para aumentar a pressão ofensiva.

A ideia do Mister é montar uma seleção com defesa sólida e um setor ofensivo com movimentação e velocidade, principalmente durante a fase de grupos, em que o Brasil enfrentará equipes que tendem a ser fechadas defensivamente. A dupla de zaga deve ser formada por Marquinhos e Gabriel Magalhães, com Wesley pela direita e Douglas Santos pela esquerda. À frente, Casemiro seria responsável pela proteção e Bruno Guimarães atuaria na construção das jogadas.

Já na parte ofensiva, Raphinha, Vini Jr. e Matheus Cunha aparecem entre os nomes mais fortes para iniciar os jogos. No lado direito do ataque, Endrick, Rayan e Luiz Henrique disputam espaço e dependem do esquema tático escolhido pelo treinador.

Vini deve jogar como um segundo atacante, com Matheus Cunha se movimentando mais entre ataque e meio-campo [Arte: Melissa Siqueira]

Em um primeiro momento, Neymar não se encaixa nos esquemas já utilizados por Ancelotti e sua presença em campo pode provocar mudanças importantes: o atacante pode atuar como um falso 9, ou até mesmo exercer função de armador. Nesse caso, Matheus Cunha poderia entrar no lugar de Raphinha para que não se perca a movimentação entre defesa e ataque.

Utilizando Matheus Cunha, como no exemplo, não existirão tantas exigências no quesito defensivo para Neymar e Vini Jr [Arte: Melissa Siqueira]

Na parte ofensiva do campo, as variações são muitas e cada jogador traz uma característica diferente para dentro de campo. Tudo dependerá dos adversários e da atuação individual dos jogadores brasileiros.

Principais nomes da geração 26 brasil

Neymar Júnior

Com talento e uma legião de fãs, o meia-atacante foi revelado pelo Santos em 2009 e já disputou três Copas do Mundo, além de comandar a Seleção na conquista do ouro inédito nos Jogos Olímpicos Rio 2016. Após sua presença ter sido um dos temas mais discutidos antes da divulgação da lista oficial de convocados, o jogador chega à disputa com o objetivo de marcar de vez seu nome na história do esporte. Com um histórico de lesões, polêmicas e apelidos como “Cai-Cai”, dados devido ao seus recentes desempenhos com a camisa amarela, Neymar busca conquistar seu primeiro título na Copa.

Neymar se tornou o principal artilheiro da história da Seleção Brasileira ao superar a marca de Pelé nas contas da FIFA: ele atingiu 79 gols contra 77 do Rei [Imagem: Reprodução/Instagram: @neymarjr]  

Vínicius Júnior

O ponta-esquerda entrou para a história do futebol mundial ao ser vendido pelo Flamengo ao Real Madrid por 45 milhões de euros com apenas 16 anos de idade. Conhecido por ser habilidoso e técnico, o jogador ainda recebe alguns comentários contraditórios quanto a seu desempenho com a camisa brasileira. Ele tem sido cobrado por nunca ter brilhado na Seleção tanto quanto brilha no clube merengue. Em 2026, aos 25 anos, Vini é uma das maiores promessas do elenco e tem a chance de concretizar sua virada de chave definitiva na Amarelinha.

Vini foi eleito como o Melhor Jogador no The Best FIFA Awards em 2024 e devolveu o Brasil ao topo após 17 anos de espera [Imagem: Reprodução/Instagram: @vinijr]  

Alisson Becker

Com 33 anos, o experiente goleiro é figurinha carimbada da Seleção Brasileira há mais de uma década e mira igualar marcas de Taffarel e Gylmar dos Santos Neves. Com 76 partidas, passou 46 delas sem sofrer gols e tem apenas 35 tomados, além de ser reconhecido como um dos principais goleiros do futebol mundial nas últimas temporadas – seja pelo Brasil ou pelo Liverpool. Após recentes problemas causados por lesões, o goleiro avançou na recuperação e integrou o elenco pela terceira Copa consecutiva.

Em 2025, Alisson foi indicado ao prêmio de melhor goleiro do mundo e representou o Brasil entre os dez nomes que concorrem ao Troféu Yashin da Bola de Ouro [Imagem: Reprodução/Instagram: @alissonbecker]  

Marquinhos

O zagueiro destaca-se pela liderança, passes longos e leitura de jogo. Capitão do Paris Saint-Germain, o jogador foi revelado nas categorias de base do Corinthians e consolidou-se na Seleção Brasileira como um dos principais nomes do elenco na parte defensiva. 

Em 2024, Marquinhos tornou-se o jogador com mais partidas na história do Paris Saint-Germain ao superar a marca de Jean-Marc Pilorget [Imagem: Reprodução/Instagram: @marquinhosm5]  

Endrick

Com apenas 19 anos, o atacante disputará sua primeira Copa do Mundo e é uma das maiores novidades e esperanças da Seleção. Artilheiro, o jogador se destacou por ter marcado 161 gols em 188 partidas nas categorias de base do Palmeiras e por ser o mais jovem a estrear no profissional do alviverde, aos 16 anos. Atualmente emprestado ao Lyon pelo Real Madrid, Endrick tornou-se o quarto jogador mais jovem a jogar pelo Brasil — atrás apenas de Pelé, Edu e Coutinho — quando estreou para disputar as Eliminatórias da Copa, em novembro de 2023, aos 17 anos.

Endrick é considerado o “cara do hexa” e foi um dos nomes mais celebrados durante a convocação de Carlo Ancelotti [Imagem: Reprodução/Instagram: @endrick] 

*Foto de capa: Reprodução/Youtube: @FiltrMusicBR⁩ e @brasil⁩

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