Por Fernando Lucchi (fernandolucchi@usp.br) méxico
A Copa do Mundo de 2026 já começou! Na tarde da última quinta-feira (11), o México recebeu a África do Sul no Estádio Azteca e venceu com tranquilidade para estrear com o pé direito no Mundial. A partida também entrou para a história graças às três expulsões aplicadas pelo árbitro brasileiro Wilton Pereira Sampaio, um recorde em jogos de abertura da competição. Antes da bola rolar, a cerimônia de abertura contou com apresentações de grandes nomes da música latina, como Shakira e J Balvin.
O show de abertura
A primeira das três cerimônias de abertura teve como tema central a cultura latino-americana e mexicana. O espetáculo começou às 14h30 (BRT) com homenagens aos povos ancestrais da região, enquanto a cantora Lila Downs deu as boas-vindas ao público mundial que acompanhará, pelo próximo mês, a Copa no México. Em seguida, uma estátua de 15 metros de altura da icônica taça do Mundial foi erguida no centro do Estádio Azteca.
Após a abertura protocolar, a banda Maná subiu ao palco para interpretar Oye Mi Amor, seguida pelo venezuelano Danny Ocean, que apresentou Partidazo, faixa integrante do álbum oficial da FIFA para a Copa, acompanhado por bailarinas folclóricas mexicanas. Na sequência, o grupo Los Ángeles Azules e a cantora Belinda apresentaram Por Ella, outra música do projeto oficial do torneio.
Após um breve interlúdio de menos de dez segundos, que contou com a aparição de dois Labubus, J Balvin assumiu o palco e apresentou um medley com alguns dos maiores sucessos de sua carreira. Para terminar a cerimônia, Shakira e Burna Boy interpretaram Dai Dai, música-tema da Copa do Mundo de 2026, e encerraram o espetáculo em grande estilo.
Alguns minutos antes da partida, Andrea Bocelli, David Guetta e Ejae ainda cantaram DNA, hino oficial da Copa do Mundo, rodeados por representantes das 48 nações classificadas com suas bandeiras apontadas ao centro do campo.
Pré-jogo
A principal novidade da Seleção Mexicana, escalada no 4-1-2-3, foi Israel Reyes como titular na lateral-direita, no lugar de Jorge Sánchez. Empolgados ao jogar em casa com um público de aproximadamente oitenta mil pessoas no lendário Estádio Azteca, e em uma sequência invicta de oito jogos, o México chegou como claro favorito do confronto.
Por sua vez, o técnico Hugo Broos surpreendeu ao escalar a África do Sul em um 5-3-2, esquema pouco utilizado pela seleção ao longo do ciclo. A estratégia sul-africana buscava neutralizar o ataque mexicano e priorizar jogar em contra-ataques para Foster e Rayners.
O protocolo pré-jogo foi encerrado com a execução dos hinos nacionais. Alejandro Fernández interpretou o hino mexicano, enquanto a cantora Tyla ficou responsável pelo hino sul-africano. Com as cerimônias concluídas e o clima de festa no Estádio Azteca, a bola finalmente rolou para a primeira partida do Mundial.
A estreia
Às 16 horas no horário de Brasília, o árbitro brasileiro Wilton Pereira Sampaio deu início à Copa do Mundo de 2026. Empurrada pela torcida no Estádio Azteca, a Seleção Mexicana assumiu o controle das ações desde os primeiros minutos. Aos 4’, Roberto Alvarado passou para Israel Reyes, que cruzou na entrada da área e achou Raúl Jiménez. O centroavante finalizou de primeira e exigiu que Ronwen Williams fizesse a primeira grande defesa do Mundial. Aos 9’, Siphephelo Sithole vacilou na saída de bola e foi desarmado por Erik Lira na entrada da área. O ponta mexicano Julián Quiñones ficou com a bola, cortou para dentro, finalizou rasteiro por entre as pernas de Williams, e eternizou seu nome na história da Copa do Mundo como primeiro a marcar no torneio de 2026.
Mesmo em vantagem, os anfitriões seguiram mais perigosos. Aos 19’, Quiñones voltou a trazer risco em chute de longa distância que saiu pela esquerda da meta sul-africana. Depois disso, a partida perdeu intensidade por alguns instantes, até que o México ameaçou novamente aos 35’, quando Brian Gutiérrez acionou Quiñones pela esquerda, que encontrou Gallardo em ultrapassagem. O lateral cruzou rasteiro, mas Williams segurou sem dificuldades. Dois minutos depois, foi a África do Sul quem chegou pela primeira vez ao ataque, quando Mbokazi levantou a bola na área para Lyle Foster, que cabeceou para fora.
A reta final do primeiro tempo voltou a ser dominada pelos mexicanos. Aos 42’, a equipe criou duas grandes oportunidades em sequência para ampliar a vantagem: na primeira, um cruzamento de Fidalgo desviou levemente em Raúl Jiménez e obrigou Williams a fazer outra excelente defesa. Logo depois, Quiñones recebeu e finalizou após Gutiérrez ajeitar a bola para ele, mas acertou o pé da trave. Antes do intervalo, Mbokazi ainda arriscou de muito longe e forçou a primeira participação do goleiro Rangel na partida.
Já nos acréscimos, mais uma falha na saída de bola dos Bafana Bafana quase resultou em gol. Gutiérrez recuperou a posse, passou para Jiménez e recebeu novamente de Quiñones já dentro da área. Livre diante do gol, o meia finalizou mal e mandou para fora a última grande chance da primeira etapa.
Logo no primeiro minuto da etapa final, a pressão mexicana voltou a causar problemas para a defesa sul-africana. Ronwen Williams saiu mal com os pés e Erik Lira interceptou a bola na entrada da área. O volante avançou em direção ao gol, mas foi desarmado antes da finalização. Na sobra, com a bola ainda no ar, Brian Gutiérrez tentou surpreender de longe, mas mandou por cima da meta. Aos 48’, Quiñones seguiu eletrizante pelo lado esquerdo, e após tabelar com Raúl Jiménez, aplicou uma caneta no defensor adversário, viu Williams mal posicionado e arriscou um chute quase do meio-campo, que resultou em defesa fácil.
Poucos segundos depois, o México recuperou novamente a posse e lançou Brian Gutiérrez em velocidade. Quando avançava livre em direção ao gol, o meia foi derrubado por Sithole na meia-lua da grande área. Wilton Pereira Sampaio assinalou a falta e exibiu o primeiro cartão vermelho da Copa do Mundo de 2026. Na cobrança, Jiménez acertou a barreira e, no rebote, Gallardo finalizou para fora.
A superioridade numérica aumentou ainda mais o domínio dos anfitriões, que chegaram ao segundo gol aos 67’, quando Quiñones tabelou por dentro e abriu para Alvarado na ponta direita. O cruzamento na medida achou Raúl Jiménez livre, que, de cabeça, ampliou a vantagem mexicana.
A situação da África do Sul ficou ainda mais complicada aos 84’, quando, no campo de ataque, Themba Zwane acertou o rosto de Roberto Alvarado sem a bola, mas a jogada seguiu. Após recomendação do árbitro de vídeo, Wilton revisou o lance no monitor e expulsou o meia por conduta violenta.
Já nos acréscimos, o juiz brasileiro voltou a mostrar o cartão vermelho, dessa vez, para o capitão mexicano César Montes, que derrubou Khuliso Mudau na entrada da área. A terceira expulsão da partida estabeleceu um novo recorde para jogos de abertura de Copa do Mundo e fez do confronto o que teve mais cartões vermelhos diretos desde a histórica “Batalha de Berna”, entre Brasil e Hungria, em 1954. Aos 90’ +7’, Wilton Pereira Sampaio encerrou a partida e confirmou a vitória por 2 a 0 e os primeiros três pontos do México no Mundial.
Destaques
Julián Quiñones
O ponta do Al-Qadsiah mostrou a que veio na primeira partida da Copa do Mundo, e foi o grande nome da tarde no Estádio Azteca. Quiñones não só abriu a contagem de gols do torneio como criou e finalizou jogadas por todas as áreas do ataque, participou do segundo tento mexicano e coroou os anfitriões com uma vitória já marcante na história do México em Mundiais.

Nascido em Magui, na Colômbia, Julián esperou por muito tempo uma convocação por seu país de nascimento, mas sem oportunidades, se naturalizou mexicano em 2023 [Imagem: Reprodução/X/@miseleccionmx]
Raúl Jiménez
O centroavante de El Tri finalmente marcou seu primeiro gol em Copas com uma cabeçada de manual, após passar em branco nas últimas três edições. Muito participativo, também gerou perigo por meio de associações com os pontas ao longo do jogo e finalizações de dentro e fora da área. Raúl demonstrou muita vontade ao longo dos noventa minutos e se emocionou na comemoração de seu gol, que dedicou ao seu pai.

Raúl Jiménez joga com um protetor craniano em decorrência de uma lesão sofrida em choque com o zagueiro David Luiz em 2020, que o afastou dos gramados por dez meses [Imagem: Reprodução/X/@miseleccionmx]
Ronwen Williams
Em uma partida apagada do resto da equipe, coube ao goleiro sul-africano evitar que os Bafana Bafana sofressem uma goleada na estreia da Copa. Williams demonstrou elasticidade na primeira finalização de Raúl Jiménez, bons reflexos no cruzamento de Fidalgo que foi desviado pelo nove mexicano, e se posicionou de maneira sólida para conseguir intervenções importantes ao longo do jogo.

Capitão dos Bafana Bafana, Williams se destacou e conquistou a titularidade na seleção após bloquear quatro cobranças de pênaltis nas quartas de final da Copa Africana de Nações de 2023, contra Cabo Verde [Imagem: Reprodução/X/@ronwen30]
Wilton Pereira Sampaio
Além do resultado e do bom desempenho mexicano, a estreia da Copa do Mundo de 2026 também ficou marcada pela atuação de Wilton Pereira Sampaio. O árbitro brasileiro teve uma partida movimentada e precisou tomar decisões importantes ao longo dos noventa minutos, principalmente nas três expulsões diretas. Seguro nas marcações e respaldado pelo VAR nos lances mais controversos, Wilton manteve o controle de uma partida que se tornou cada vez mais física na reta final e entrou para a história da competição não apenas pelo placar, mas também pela intensa atuação da equipe de arbitragem.
Ficha Técnica
México 2 x 0 África do Sul
Data: 11/06/2026
Local: Estádio Azteca, Cidade do México
Horário: 16h (BRT)
México (4-1-2-3): Raúl Rangel, Israel Reyes, César Montes, Johan Vásquez, Jesús Gallardo, Erik Lira (Edson Álvarez 76’), Brian Gutiérrez (Luis Chávez 66’), Álvaro Fidalgo (Gilberto Mora 66’), Roberto Alvarado, Julián Quiñones (Alexis Vega 79’), Raúl Jiménez (Armando González 76’).
África do Sul (5-3-2): Ronwen Williams, Khuliso Mudau, Nkosinathi Sibisi, Ime Okon, Mbekezeli Mbokazi, Aubrey Modiba (Oswin Appollis 76’), Teboho Mokoena, Siphephelo Sithole, Jayden Adams (Themba Zwane 61’), Iqraam Rayners (Evidence Makgopa 76’), Lyle Foster (Thalente Mbatha 56’).
Gols: Julián Quiñones (9’) e Raúl Jiménez (67’).
Cartões amarelos: México – Brian Gutiérrez (23’); África do Sul – Teboho Mokoena (17’) e Nkosinathi Sibisi (74’).
Cartões vermelhos: México – César Montes (90’ +2); África do Sul – Siphephelo Sithole (49’) e Themba Zwane (84’).
Árbitro: Wilton Pereira Sampaio (Brasil).
*Imagem de capa: Reprodução/X/@miseleccionmx
