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Disney+ | ‘Cruella’: uma nova perspectiva da vilã clássica

O live-action acerta ao apresentar as origens e o brilhantismo da personagem

CINÉFILOS
17 jun 2021 | Por Adrielly Kilryann (adriellykilryann@usp.br)

Quando a Disney anunciou um live-action sobre a vilã de 101 Dálmatas (One Hundred and One Dalmatians, 1961), muitos disseram que a produtora não seria capaz de fazer com que o público compadecesse por uma personagem que deseja usar da pele de filhotinhos para confeccionar um casaco para si. Entretanto, Cruella (2021) deixa claro que a sua intenção, seguindo a onda de produções sobre vilões e anti-heróis, é gerar empatia e afeição pela personagem.

Cruella acompanha a história de Estella (Emma Stone), uma menina de genialidade precoce e comportamento conturbado, que vê seu destino mudar drasticamente após uma tragédia familiar, a qual a leva a morar nas ruas. Contudo, Jasper (Joel Fry) e Horácio (Paul Walter Hauser), uma dupla de jovens ladrões, unem-se à ela e, com a ajuda dos cãezinhos Buddy e Wink, crescem e sobrevivem juntos aprimorando suas habilidades de furto, formando uma nova família.

A vida da garota é novamente transformada quando recebe a oportunidade de trabalhar como estilista para a temida Baronesa (Emma Thompson), dona de uma das maiores grifes de roupas de Londres. No entanto, o relacionamento entre as duas é marcado por atritos que implicam no ressurgimento de Cruella, lado rebelde da protagonista.

Em cena de Cruella, Estella em pé ao lado de Horácio e Jasper sentados. [Imagem: Divulgação/Disney Enterprises, Inc]

Estella ao lado de Horácio e Jasper. [Imagem: Divulgação/Disney Enterprises, Inc]

O conflito entre Baronesa e Estella/Cruella é o que rege o longa, marcado pelas múltiplas tentativas de superação artística e pela busca da posição máxima de influência no mundo da moda. Ao fazer o espectador torcer incessantemente pela talentosa aprendiz em detrimento de sua patroa impiedosa e perfeccionista, o filme relembra a famosa comédia O Diabo Veste Prada (The Devil Wears Prada, 2006). No qual, Andy (Anne Hathaway), uma jovem sonhadora tem suas expectativas destruídas ao perceber que Miranda (Meryl Streep), por trás de todo o sucesso nos negócios, é uma pessoa totalmente insensível e manipuladora. Sem deixar as nuances de vilania de Cruella desaparecerem, a obra utiliza do artifício de acrescentar uma nova vilã a fim de fazer o público simpatizar com a personagem principal.

A participação de Jasper e Horácio também colabora para a apreciação da história. É divertido acompanhar os dois durante toda a trajetória de Estella, desde as suas confusões cotidianas até os desafios que surgem ao longo da evolução e dos planos de Cruella. Horácio é um ótimo alívio cômico sempre que está em cena, especialmente quando em companhia de seu fiel ajudante Wink. Já Jasper funciona como a razão do grupo, oferecendo, em determinados momentos, a visão racional e contestadora diante dos atos vingativos da protagonista.

Partindo da premissa de uma estilista brilhante, um dos pontos fortes da película Cruella não poderia ser outro senão o figurino e a maquiagem. Desde os trajes de gala utilizados por personagens secundários até os modelos da linha de roupas da Baronesa, os figurinos não pecam em trazer para o espectador a sensação de um mundo onde a moda é o que realmente importa. O que se destaca, acima disso, são os looks de Cruella, que roubam a cena não só por suas composições totalmente extravagantes e conceituais, mas também pelo modo como são apresentados. A expectativa por um novo show de interpretação a cada vez que a personalidade indomável de Estella surge na tela prende a atenção e causa empolgação no espectador.

Além disso, a ambientação, os efeitos visuais,a nostálgica e a prestigiosa trilha sonora, contendo clássicos como The Clash, Nina Simone, Queen e Blondie, também contribuem grandemente para a construção de uma atmosfera muito agitada e, ao mesmo tempo, elegante em Cruella.

Cruella exibindo um look com uma blusa de manga comprida preta com refências em uniformes militares e com uma saia vermelha com babados. [Imagem: Divulgação/Disney Enterprises, Inc]

Cruella exibindo um de seus looks. [Imagem: Divulgação/Disney Enterprises, Inc]

Cruella preza pela redenção e compreensão da personagem, apresentando seu passado e explicando as razões que fizeram com que fosse quem é. Colocando-a em uma posição de vítima dos eventos trágicos de sua história, pode decepcionar alguns ao não explorar tanto os atos realmente cruéis que norteiam a animação original. Mas sendo uma produção da Disney, era de se esperar que a prequela de uma vilã tivesse como principal objetivo humanizá-la, e nisso o filme cumpre bem o seu papel.

Cruella está em exibição nos cinemas brasileiros e no Disney+ para os assinantes da plataforma. Confira o trailer:

*Imagem da capa: Divulgação/Walt Disney Pictures

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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