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E3 2021: Dias 14 e 15

Pela primeira vez em formato totalmente virtual, o maior festival de games do mundo foi marcado pelo contraste entre lançamentos muito aguardados e a frustração em torno de jogos que foram completamente esquecidos por suas desenvolvedoras.

Eu Fui
24 jun 2021 | Por Pedro Fagundes (pfmend@usp.br)

Entre os dias 12 e 15 de junho, ocorreu a  Electronic Entertainment Expo — ou para os gamers de longa data — a E3 2021. Organizada pela Entertainment Software Association (Asmicrososociação de Software de Entretenimento, em português), a feira que recebe o título de maior evento de games do mundo foi composta por apresentações das maiores desenvolvedoras de jogos do planeta — com exceção da Sony, gigante japonesa responsável pela linha de consoles PS. Durante os intensos quatro dias de conferência, as empresas buscaram mostrar ao público e a seus acionistas as principais novidades que chegarão ao mercado. Repleta de fanservices, surpresas, expectativas e, inevitavelmente, decepções, a edição deste ano, mesmo que remota devido à pandemia, entregou aos fãs dos controles, mouses e teclados uma grande experiência e otimismo para as próximas fases. Confira a segunda parte da cobertura realizada pelo Sala33.

Dia 14: Conferência da Take-Two Interactive e Capcom

E3 2021: painel de videoconferência com as telas de oito conferencistas, cinco mulheres e três homens

Painel da Take Two Interactive na E3 2021 não contou com apresentação de jogos [Imagem: Reprodução/YouTube/IGN]


Após dois dias de grandes apresentações, os destaques do terceiro dia da E3 2021 foram mínimos. Até por isso sua cobertura se resumirá aos destaques. No caso da
gigante Take-Two Interactive — produtora responsável por franquias como GTA, Red Dead Redemption, Bully, Nba2k e muito mais —, o que se testemunhou foi um belo gol social e uma bola mais do que fora para todos aqueles que esperavam por, no mínimo, um anúncio. Sim, a produtora não apresentou nenhum jogo, no entanto, usou de seu tempo para tratar sobre a diversidade e a inclusão na indústria de videogame, além de seus respectivos desafios. Uma causa nobre, mas que não agradou muito aos entusiastas do GTA 6.

Por outro lado, a japonesa Capcom programou-se para trazer ao público ao menos um ou outro título. Dentre eles, destacam-se a revelação de River City Girls 2, o anúncio da produção de uma DLC para Resident Evil Village e mais um trailer para Monster Hunter Stories 2: Wings of Ruin.

Dia 15:  Conferência da Nintendo

E3 2021: dois homens asiáticos, vestidos de terno contra um fundo vermelho, representaram a Nintendo

Em apresentação dinâmica com grande revelação ao final, a Nintendo Direct trouxe as novidades da clássica produtora de jogos. [Imagem: Reprodução/YouTube/Nintendo]


Chega enfim o último dia de E3 2021. É esperado, como de costume, a clássica Nintendo Direct — modelo referência para produtoras ao redor do mundo. Aguardava-se o básico: 40 minutos de uma apresentação dinâmica, bem preenchida e, é claro, direta. Para que ninguém morra de curiosidade, vamos aos principais destaques. Dentre eles: a parceria entre
Tekken e Super Smash Bros que entrega o mais novo personagem, o inusitado porém muito aguardado Metroid Dread (Metroid 5); o mais família dos jogos, Mario Party Superstars; o hilário e cafona WarioWare: Get It Together!; um pouco mais de Mario Golf: Super Rush; a homenagem ao clássico de Wii, Super Monkey Ball: Banana Mania, e o tesouro para os amantes de Persona, Shin Megami Tensei 5.

Como de praxe, os amigos de Mario e companhia optaram por aquecer os motores mostrando o mais novo herói do Super Smash Brothers. O nome da vez foi Kazuya Mishima, lutador que desceu do ringue do Tekken para se juntar aos mais importantes nomes do videogame. Após a catarse inicial, foi possível identificar qual trajetória seria percorrida pela Nintendo em sua Direct. Em termos gerais, eles optaram por alternar entre um anúncio maior de duração estendida e uma demonstração mais dinâmica de jogos de menor expressão. 

Os produtores mostraram ao público títulos que chegarão em breve ao Nintendo Switch. A começar por Life is Strange: True Colors & Remastered, Marvel’s Guardians of Galaxy, a frenética batalha entre lesmas Worms Rumble, e o rpg de semideuses Astria Ascending. Após esses títulos secundários, foi anunciado, brevemente, Super Monkey Ball: Banana Mania — com antigas pistas e desafios nostálgicos —, e o Mario Party Superstars. O último contará com cem minigames, personagens clássicos, muita sorte, possíveis términos de relacionamento e brigas familiares intensas. Todos os fatores envoltos pela magia que apenas a Nintendo consegue proporcionar. No entanto, só após esses anúncios foi enfim divulgada a primeira bomba.

Dezenove anos. Este foi o tempo (que curiosamente corresponde à idade do redator desta cobertura) necessário para que Metroid voltasse plenamente para as prateleiras da Nintendo. O clássico imortal que deu nome a um gênero — Metroidvania — recebeu finalmente seu mais novo título: o inesperado Metroid 5 ou, como foi chamado, Metroid Dread. Inesperado, pois desde o final da E3 2017 se aguarda ansiosamente outro título da franquia: o Metroid Prime 4. Entretanto, os anos passaram, os planos se alteraram e, dessa forma, chegou ao público o Dread. Game que segue o tradicional estilo 2D, o novo Metroid coloca a icônica Samus a bordo de uma nave espacial — como de costume — pronta para enfrentar ameaças robóticas que procuram deletar a vida humana, os E.M.M.I.. Nada mais Metroid do que isso.

A partir disso, a Direct seguiu com mais anúncios rápidos (com destaque para a revelação do novo WarioWare) até a segunda grande bomba da conferência: Shin Megami Tensei 5. A clássica franquia de J-RPG ganha seu mais novo título. O quinto volume entrega em seu trailer, junto ao ar sombrio típico da série, o aprimoramento do sistema de combate.  Observa-se o desenvolvimento de uma nova mecânica que consiste em encontrar o ponto fraco do inimigo. Ademais, identifica-se ainda o recurso de recrutar adversários vencidos. É um prato cheio para quem se amarra no gênero.

Rumo ao enigmático final, a produtora japonesa ainda reservou aos ouvintes algumas boas notícias. Dentre elas, o anúncio de Danganronpa Decadence  — uma coleção dos quatro títulos anteriores em um —, o trailer de Fatal Frame: Maiden of Black Water, a confirmação de Tony Hawk Pro Skater 1+2 para o Switch, uma pincelada a mais de Mario + Rabbits Sparks of Hope e, para finalizar, o estratégico Advance Wars 1+2: Reboot Camp.

Nos últimos minutos da conferência, aparece à frente das telas Eiji Aonuma, diretor e produtor de The Legend of Zelda — terceira maior saga da Nintendo. Neste momento, o coração de todo nerd não se aguenta mais. Todos os pensamentos convergem para apenas um ponto: onde está  The Legend of Zelda Breath of the Wild 2? No entanto, essa pergunta não é respondida. Em vez disso, é apresentada a nova expansão de Hyrule Warriors: Age of Calamity. Mesmo que muito interessante — principalmente ao mostrar a famosa motinha do Link utilizada pela própria Zelda — ela passa despercebida pelos mais eufóricos fãs da franquia. Em sequência é mostrado mais um trailer do remake de Skyward Sword, ou seja, nada além de tempo consumido pelo relógio. Por fim, todos os olhos voltam-se para o tão aguardado… The Legend of Zelda Game & Watch System. Sim, a vida de um nintendista nunca é fácil. Não bastava apenas a espera, todos ainda sairiam da Direct de mãos abanando e expectativas frustradas. A menos que…

No melhor estilo Nintendo, a tal cereja do bolo, ou melhor, o bolo inteiro foi reservado para os últimos dois minutos de apresentação (ou no caso desta matéria, os últimos 2 parágrafos). Com o anúncio em alto e bom som feito pelo próprio Eiji Aonuma, as luzes se apagaram, a tela escureceu e foi iniciado o tão aguardado segundo trailer de The Legend of Zelda Breath of the Wild 2 — ainda sem nome definitivo. Sinceramente, seria possível passar parágrafos e parágrafos analisando cada detalhe a ser encontrado no teaser que tem pouco mais de 1 minuto de duração. No entanto, deixemos as teorias para as mentes pensantes de Hyrule e vamos conceder ao teaser, que encerra a participação da Nintendo no festival, o direito de falar por si.



E então, assistiu ao teaser? Simplesmente imperdível, não é mesmo? Como pudemos ver, ele seguiu fielmente os passos dados pelo primeiro trailer — divulgado na E3 2019 — ao apresentar um visual macabro e dispor de trechos tocados de trás para frente. Junto a esse contexto, as novas habilidades apresentadas pelo herói alimentaram a esperança do público em ver a manipulação do tempo — recurso recorrente no mais renomado título da franquia, Ocarina of Time — retornar à saga. Para além disso, vale destacar a ocupação dos céus através de ilhas flutuantes onde, com certeza, se passará parte da trama. Um segundo trailer irretocável e que deixa os fãs do elfo de vestes verdes muito animados para acompanhar as próximas novidades.
The Legend of Zelda Breath of the Wild 2 ainda não tem data confirmada, porém deve chegar ao mercado em meados de 2022.

E3 2021: logomarca dos videogames Xbox, à esquerda, e Nintendo, à direita.

Os maiores nomes da E3 2021: Xbox e Nintendo [Imagem: Reprodução/Site/IGN Brasil]


Desta forma é dado o ponto final na E3 2021. Sem dúvidas foi um ano marcante, atípico, repleto de grandes divulgações e muita esperança para o futuro dos consoles. Quanto ao título imaginário de “vencedor da E3”, bem, isto cabe à avaliação de cada jogador que está aí do outro lado da tela. No entanto, caso fosse possível apontar dois nomes, seriam estes: a Microsoft e suas dezenas de novos exclusivos e a Nintendo — sempre parceira da nostalgia e de estrondosas surpresas. Ano que vem tem mais. 

 

 

*Imagem de capa: Divulgação/Entertainment Software Association

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