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Punk rock não é só pro seu namorado

Vinte anos depois da explosão na Inglaterra, as garotas tomaram a frente e, unindo música punk e feminismo, instauraram seu próprio movimento: o riot grrrl

Escuta Aí
14 jul 2021 | Por Júlia Rodrigues (rodriguesjulia673@usp.br)

“O equipamento dos Sex Pistols foi montado e então, sem maiores cerimônias, eles apareceram: Johnny Rotten, Glen Matlock, Steve Jones e Paul Cook. Steve Jones usava um macacão, e o resto deles parecia que tinha saqueado um bazar beneficente de roupas velhas. Rotten usava um suéter amarelo que tinha sido rasgado na frente para ficar aberto e olhava para a plateia como se quisesse matar cada um de nós, um de cada vez, antes que a banda atacasse com algo que poderia ser Did You No Wrong, mas que não dava para dizer porque o som era muito alto, sujo e distorcido”. Esse era o cenário no Lesser Free Trade Hall, em Manchester, onde o Sex Pistols tocou em 4 de junho de 1976. 

Nas palavras de Peter Hook — ex-baixista do Joy Division, banda que se tornaria, no início, uma das expoentes do movimento punk inglês —, a atitude dos Pistols, em especial do vocalista Johnny Rotten, fez com que as menos de cinquenta pessoas presentes deixassem o show em choque. 

As seguintes apresentações do Sex Pistols em Manchester difundiram o furor do punk rock pela Inglaterra, influenciando uma multidão de jovens a formarem suas próprias bandas. Foi assim que Hook, junto a Bernard Sumner, Ian Curtis e Stephen Morris, formou o Warsaw, banda punk embrionária, que um ano depois se transformaria no Joy Division. A filosofia do do it yourself (faça você mesmo), ou DIY, não se demonstrava só nas músicas curtas e simples, que qualquer um poderia tocar, mas também no vestuário: roupas ordinárias eram customizadas com rasgos e spikes, num claro manifesto de autonomia. 

Ao contrário dos hippies, os punks não se agrupavam em torno de uma utopia comunitária, mas sim numa expressão individual que os separava dos demais. Quando adotavam uma postura agressiva, resgatavam a rebeldia adolescente e vestiam adornos não convencionais — alfinetes, correntes de privada, coleiras de couro e peças do mundo fetichista — eles pretendiam contestar a cultura mainstream e ironizar seus arquétipos de consumo. 

Sex Pistols no Lesser Free Trade Hall em junho de 1976. Da direita para a esquerda: Glen Matlock, Johnny Rotten e Paul Cook. [Imagem: Reprodução/ Joy Division - Unknown Pleasures (2012)]

Sex Pistols no Lesser Free Trade Hall em junho de 1976. Da direita para a esquerda: Glen Matlock, Johnny Rotten e Paul Cook. [Imagem: Reprodução/ Joy Division – Unknown Pleasures (2012)]

Quando surgiram, a postura e o estilo do punk eram aglutinadores e, por isso, uniam jovens de diferentes realidades e classes sociais. Na Inglaterra, o primeiro local de encontro de punks foi o clube lésbico Louise Nightclub, em Londres, cujos frequentadores se assemelhavam pelo modo inovador de se vestir. Na medida em que a cena se popularizava e os ideais de protesto se exprimiam pela conduta violenta, era evidente que o movimento não era tão heterogêneo assim. 

Nos shows que Peter frequentava com seus amigos, era comum que levassem as namoradas — quando Peter conheceu Ian Curtis, no segundo show do Sex Pistols em Manchester, ele estava acompanhado de sua esposa Debbie Curtis —, mas elas nunca eram as protagonistas dali. Os ambientes eram dominados pelos homens, que, além de serem a maioria no palco, tomavam a iniciativa nas brigas e no mosh da plateia; as bandas femininas que existiam não recebiam destaque na mídia, nem mesmo nas revistas de nicho. O movimento punk, que parecia ser o mais novo urro da juventude contestadora e rebelde, só tinha espaço para os jovens homens. Tamanha foi a exclusão das mulheres no movimento que somente quase vinte anos depois elas conseguiram formar o seu próprio, aproximando punk da ideologia feminista. 

Os moshs e as brigas eram comuns na cena punk da Inglaterra. [Imagem: Reprodução/  Joy Division - Unknown Pleasures (2012)]

Os moshs e as brigas eram comuns na cena punk da Inglaterra. [Imagem: Reprodução/  Joy Division – Unknown Pleasures (2012)]

 

O Riot Grrrl

Foi na comunidade universitária do Evergreen State College, em Washington, que as primeiras manifestações do movimento punk feminista apareceram. Lá, Kathleen Hanna, uma estudante de fotografia, resgatou o lema DIY e formou com algumas colegas a banda Bikini Kill, em 1990. Numa época em que a desigualdade de gênero parecia abandonada no debate público, elas lançaram o seu primeiro álbum, o Revolution Girl Style Now! (algo como “revolução no estilo das garotas agora”, em tradução livre), uma reivindicação pela liberdade das mulheres.

Bikini Kill: Tobi, Kathleen, Kathi e Billy, respectivamente. [Imagem: Reprodução/ The Punk Singer (2013)]

Bikini Kill: Tobi, Kathleen, Kathi e Billy, respectivamente. [Imagem: Reprodução/ The Punk Singer (2013)]

Na sétima faixa, Double Dare Ya (te desafio em dobro), Kathleen dispara  “dare ya to do what you want/ dare ya to be who you will/ dare ya to cry right outloud” (te desafio a fazer o que você quer/ te desafio a ser quem você quer/ te desafio a chorar muito alto) como se desafiasse seu público, as mulheres, a se comportarem como as outras pessoas não queriam. As músicas do Bikini Kill não eram um escape do machismo e da misoginia, mas sim um afronte. Quando Kathleen expressava suas frustrações num vocal feroz tipicamente punk, as meninas sentiam que podiam fazer o mesmo.

Com exceção de Billy — que só entrou na banda por falta de uma guitarrista —, o palco era das mulheres e, aos poucos, a plateia também passou a ser. “Nós tocávamos nesses lugares loucos e eles amontoavam umas seiscentas pessoas lá dentro. Não havia seguranças”, relatava a baterista Tobi Vail. Ainda que, no começo, boa parte dos espectadores fossem homens, as mulheres eram encorajadas a estar presentes: com a ordem “girls to the front!”, Kathleen fazia com que elas viessem para a frente do palco, criando uma barreira de segurança para a banda e para elas mesmas. 

Kathleen convocava as meninas para a frente da plateia em shows do Bikini Kill. [Imagem: Reprodução/ The Punk Singer (2013)]

Kathleen convocava as meninas para a frente da plateia em shows do Bikini Kill. [Imagem: Reprodução/ The Punk Singer (2013)]

Além dos shows, a divulgação de músicas e ideais acontecia por meio dos fanzines ou zines, revistas feitas à mão com colagens, recortes e desenhos. Eles já existiam desde a origem do punk e serviam para a troca de informações entre os participantes da cena. Agora repaginados, os zines associavam questões feministas à música punk e hardcore e influenciavam cada vez mais meninas. Depois de Bikini Kill, outras bandas nasceram, como Bratmobile e Sleater-Kinney, e o movimento, que tomava corpo, adquiria uma ideologia mais clara. A liga entre o termo “riot”, de tumulto, e “grrrl”, a palavra garota, porém convertida em expressão de raiva, resultou na nomenclatura “Riot Grrrl”.

O zine “Riot Grrrl” consolidou o nome do movimento e foi escrito principalmente por Kathleen, Tobi, Allison Wolfe e Molly Neuman do Bratmobile e Jen Smith, que sugeriu o uso do termo “riot”. [Imagem: Reprodução/ The Punk Singer (2013)]

           

As riots na mídia 

Vinte anos depois, tendo o movimento punk se dissipado e perdido popularidade, o fator estilo não era mais primordial para a subcultura. Mesmo assim, as garotas do Riot Grrrl, particularmente o Bikini Kill, criaram na vestimenta e no corpo um meio de protestar. O escárnio dessa vez era também direcionado aos padrões e tipos do mercado da moda, porém com enfoque de gênero. Vestidos curtos, saias xadrez, tênis, oxfords e o rabo de cavalo traziam para a estética da banda a feminilidade infantilizada ao mesmo tempo em que frases como “slut” (vadia) e “rape” (estupro) eram escritas no peito, na barriga e nos braços. 

Allison Wolfe, assim como Kathleen, costumava usar vestidos curtos ou rodados. [Imagem: Reprodução/ Greg Neate no Flickr]

Allison Wolfe, assim como Kathleen, costumava usar vestidos curtos ou rodados. [Imagem: Reprodução/ Greg Neate no Flickr]

Kathleen soava como uma “valley girl” — termo estadunidense usado para se referir a mulheres jovens de classe alta, tidas como fúteis — e o fazia de propósito, mostrando que todas as mulheres, independente de seus hobbies e estilos de vida, merecem ser ouvidas. Nas letras, as riots falavam sobre estupro, machismo e sexismo, o que não era esperado de um grupo de meninas. Havia uma pulsão evidente entre as bandas e suas ouvintes e o movimento possuía um caráter muito profundo e transformador, uma vez que elas agora tinham a validação para contarem sobre todos os abusos que haviam sofrido. 

Kathleen escrevia frases pelo corpo para protestar nos shows do Bikini Kill. [Imagem: Reprodução/ The Punk Singer (2013)]

Kathleen escrevia frases pelo corpo para protestar nos shows do Bikini Kill. [Imagem: Reprodução/ The Punk Singer (2013)]

Para a mídia, no entanto, importava mais enfatizar suas vestimentas e comportamentos destituídos do real significado e inventar histórias pelo sensacionalismo. Kathleen era “uma ex-stripper que cantava e escrevia sobre ser uma vítima de estupro e abuso infantil”. Um artigo no The Washington Post de 1992 alegou que ela havia sido estuprada por seu pai, o que ela nunca havia dito em momento nenhum. A grande mídia retratava a imagem de meninas histéricas, todas sobreviventes de abuso sexual, que usavam sua histeria para fazer música. 

Quando não invadiam a vida pessoal das integrantes, os jornalistas as comparavam entre si, incitando rivalidade. Em 1995, Courtney Love, na época vocalista da banda grunge Hole, atacou Kathleen com um soco enquanto ela assistia ao show do Sonic Youth no Lollapalooza. Elas nem sequer se conheciam em pessoa e os testemunhos dos presentes, inclusive dos membros do Sonic Youth, atestavam que havia sido um ataque aleatório, sem motivo. Ainda assim, veículos como a MTV insinuaram uma briga. A violência e a rivalidade entre os punks eram típicas da rebelião jovem. Nada mais corriqueiro que as bandas tocassem “debaixo de uma saraivada de cuspe e garrafas, com brigas constantes rolando diante do palco”, segundo relatos de Hook, mas, a partir do momento em que os personagens dali eram mulheres, todo e qualquer desentendimento — muitos deles fabricados ou manipulados pela mídia — tinha como pivô escândalos de inveja e ciúmes.

 

O movimento Riot Grrrl no Brasil

Se Bikini Kill foi a banda responsável por inaugurar o punk feminista nos EUA, o posto ocupado aqui no Brasil é da Dominatrix, banda formada em 1995 pelas irmãs Elisa e Isabella Gargiulo. “Meu primeiro contato com o Riot Grrrl foi com aquela notícia de que a Courtney Love bateu na Kathleen Hanna. Foi parar nos semanários britânicos e eu comprava na banca de jornal”, relata Elisa, então adolescente. Ela, que tocava guitarra desde os 11 anos de idade, interessou-se pela banda e encomendou um CD numa loja da Galeria do Rock. “Quando chegou o CD do Bikini Kill, no encarte tinha vários endereços de fanzines e tal e a gente começou a trocar fanzine com as meninas”. 

Show do Dominatrix na década de 90. Isabella aparece à frente no vocal. [Imagem: Reprodução/ Faça Você Mesma (2019)]

Show do Dominatrix na década de 90. Isabella aparece à frente no vocal. [Imagem: Reprodução/ Faça Você Mesma (2019)]

O primeiro show ocorreu em 1996 e lá, com o público ainda meio misturado, entre skatistas, punks tradicionais e algumas feministas, as meninas colheram informações e entrevistas para o primeiro zine do movimento Riot Grrrl brasileiro, o Kaostica. Nele, punk e feminismo se entrelaçavam, criando a base de onde muitas meninas tirariam inspiração. “Ele acabou sendo uma fotografia daquele momento e de quem estava se movimentando em torno dessas ideias. Por mais que tivesse sido eu e minha irmã, foi uma construção meio coletiva”, lembra Elisa. A produção desse material passou literalmente pelas mãos de diversas mulheres: “a gente fazia recorte e cola, foi pedindo os textos pras meninas e foi colando”. Era assim, numa rede cada vez mais extensa, que bandas do Brasil todo se comunicavam na cena pré-internet. As banquinhas dos shows, tanto da Dominatrix quanto de outras bandas, eram um compêndio de tudo o que ocorria no movimento Riot Grrrl no país, como diz Elisa, pois “você sempre levava um monte de coisa, eu levava zine do Brasil inteiro, às vezes até camiseta e CD de outras bandas. Isso era uma banquinha considerada boa”.

O zine Kaostica foi o primeiro a representar o movimento e trazia temas como violência doméstica, aborto e sexismo, além de entrevistas com membras de bandas e notícias sobre a cena riot grrrl. [Imagem: Isabella Gargiulo/ via Letícia Marques] 

O zine Kaostica foi o primeiro a representar o movimento e trazia temas como violência doméstica, aborto e sexismo, além de entrevistas com membras de bandas e notícias sobre a cena Riot Grrrl. [Imagem: Isabella Gargiulo/ via Letícia Marques]

Em pouco tempo, as meninas se sentiam mais confiantes para frequentar os shows e formar suas bandas por conta própria. Surgiram, então, TPM e No Class em São Paulo, Hitch Lizard em Santos, Bulimia em Brasília e muitas outras. Em 1997, Dominatrix lançou seu primeiro álbum, Girl Gathering e a quarta faixa, Patriarchal Laws (leis patriarcais), inicia-se com que parece ser uma espécie de manifesto do movimento Riot grrrl brasileiro: “three things you should learn: riot grrrl will never die!/ every girl is a riot grrrl!/ stop boys violence!” (três coisas que você deve aprender: riot grrrl nunca vai morrer!/ toda garota é riot grrrl!/ acabe com a violência masculina!), cantada em coro por Elisa, Isabella, a baterista Estela, a guitarrista Eliane, Carol do No Class, e outras colegas. Nos anos iniciais, o Riot Grrrl, em sua essência, era trabalho de várias meninas adolescentes, que se conheciam nos shows e trocavam experiências por meio dos zines. Mesmo os zines individuais e os álbuns representavam algo maior, uma geração de mulheres que se descobria por meio da música e compartilhava essas descobertas entre si. 

Elisa, à esquerda, e Isabella, à direita, juntaram-se para tocar num show em 2011. A banda, ativa até os dias de hoje, não conta mais com Isabella nem com as outras meninas da formação original, somente Elisa. [Imagem: Harley Sebastião/ Flickr]

Elisa, à direita, e Isabella, à direita, juntaram-se para tocar num show em 2011. [Imagem: Harley Sebastião/ Flickr]

Bem como acontecia com as bandas do Riot Grrrl estadunidense, as garotas do Dominatrix e de outras bandas sofreram muita resistência. Nos shows, os caras punks acusavam-nas de separatismo, uma vez que elas também incitavam as meninas a ficarem na frente da plateia. Eles diziam que não sabiam tocar e ficavam olhando para ver se eram elas mesmo que mexiam nos equipamentos e amplificadores, segundo relatou Gigi Louise, baixista do Hitch Lizard. Muitas delas sofriam ataques misóginos, impulsionados pelo caráter violento da cena hardcore paulista. Junto a Bikini Kill, as bandas brasileiras queriam tornar aqueles ambientes seguros para as mulheres, combatendo os moshs e as brigas. O objetivo era que as meninas pudessem protagonizar esses espaços e não se escondessem atrás de seus namorados, como cantou a banda Bulimia em sua faixa “punk rock não é só pro seu namorado”: “faça o que você tiver vontade/ mostre o que você pensa/ tenha a sua personalidade/ não se esconda atrás de um homem”. Mais que isso, era também um local em que as mulheres podiam expressar sua identidade e orientação sexual de maneira livre. 

 A banda TPM em show em São Paulo. [Imagem: Reprodução/ Faça Você Mesma (2019)]

A banda TPM em show em São Paulo. [Imagem: Reprodução/ Faça Você Mesma (2019)]

 

A herança riot

Em 2020, foi exibido no festival In-Edit Brasil (Festival Internacional do Documentário Musical) o documentário “Faça Você Mesma” (2019), da cineasta Letícia Marques. O filme, que começou a ser gravado em 2016, conta a história do Riot Grrrl no país e faz uma projeção para os dias atuais da vida das mulheres que participaram do movimento. “Em 2016 estava rolando uma conversa no Facebook, pois tinham sido lançados uns filmes sobre cena hardcore em São Paulo e neles só se falava das bandas de homens. A minha amiga Patrícia estava conversando sobre como deveria ter um filme sobre a cena riot do Brasil e aí me taguearam”. 

Poster do documentário “Faça Você Mesma” (2019), de Letícia Marques. Na foto, Isabella toca baixo num dos primeiros shows do Dominatrix. [Imagem: Divulgação/ Instagram @facavocemesmafilme]

Poster do documentário “Faça Você Mesma” (2019), de Letícia Marques. Na foto, Isabella toca baixo num dos primeiros shows do Dominatrix. [Imagem: Divulgação/ Instagram @facavocemesmafilme]

Letícia viveu o movimento em seu início. Na adolescência ela e suas amigas andavam de skate e ouviam bandas punk e hardcore. “Uma amiga minha tinha uma fita do Dominatrix e ela me deu. Uma das primeiras músicas que eu ouvi foi aquela ‘three things you should learn: riot grrrl never die!’, e eu achei incrível”.

Nos anos 2000, mesmo com o Riot Grrrl amortecido, festivais como o Ladyfest e o Girls Rock Camp disseminavam seus ideais. Para Letícia, a essência do Riot Grrrl é justamente essa, a perpetuação entre gerações de mulheres. Por isso, ela escolheu que algumas das personagens de seu documentário fossem representadas segundo seu crescimento pessoal, além da figura das adolescentes revolucionárias. É interessante perceber que, após décadas, elas ainda carregam consigo o feminismo, a auto-descoberta e a sororidade, sendo que algumas inclusive trabalham ou desenvolvem projetos em prol de outras mulheres atualmente.

O filme, que contou com várias voluntárias, nasceu dessa necessidade de autonomia, de “a gente fazer nós mesmas”, afirma Letícia. Hoje, como documentarista, ela diz priorizar narrativas que tratem de protagonismo feminino: “No início era meio intuitivo ter só mulheres, hoje é decisivo. Se eu tiver cinco entrevistados, eu vou editar e montar com mais mulheres, talvez não deixe nem um cara”. Para além do cinema, ela diz que estar no Riot Grrrl e participar dessas trocas entre mulheres trouxe pertencimento: “A música me levava a esse lugar em que eu me sentia pertencida, vista e reconhecida. E isso se relaciona muito com o feminismo, no sentido de que a gente gosta de estar entre mulheres pois é um lugar de igualdade, onde eu te vejo e você me vê e vice-versa. Eu acho que as mulheres vêm fazendo isso desde que a sociedade é patriarcal. Existe uma sociedade completamente excludente e opressora, mas elas existem dentro de um contexto delas, do mundo delas”.

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