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‘Verity’: em que verdade acreditar?
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18 abr 2021 | Por Lívia Magalhães (liviabmagalhaes@usp.br)

Explorar novos gêneros ao contar uma história não é um desafio fácil. Mas é o que Colleen Hoover, escritora estadunidense, faz em Verity (Galera, 2020). Hoover, que tem mais de 20 livros publicados, não decepciona seus fiéis fãs e prova que suspense psicológico provavelmente é o gênero que ela escreve melhor – mesmo tendo consolidado seu nome com romances picantes de cabeceira.

Não que o romance não seja importante em Verity. Ao contrário: temos um triângulo amoroso não tradicional entre a protagonista Lowen, o carismático e misterioso Jeremy e a mulher dele, que dá nome ao livro, Verity. O nome significa “verdade”, conceito que vai ficando cada vez mais frágil ao longo da trama. 

Lowen é uma escritora de pouco sucesso. De repente, ela se vê diante de uma chance que pode mudar seu papel na cena literária nova-iorquina. A autora é contratada para dar continuidade à série de livros best seller da renomada escritora Verity Crawford, que está incapaz de continuar a saga. Para isso, Lowen se muda para a mansão de Verity e Jeremy, onde analisa os arquivos da famosa escritora e estuda o que ela planejava para o projeto. 

A parte não tradicional deste complicado triângulo amoroso vem por causa da condição de Verity: após um acidente de carro, a mulher não consegue mais falar ou se movimentar direito sozinha. Tudo que o leitor tem de informações sobre ela vem de uma autobiografia não publicada que Lowen encontra durante seus estudos no escritório de Crawford.

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Colleen Hoover,  autora de Verity  e outros livros voltados ao público de jovens adultos, como a série Nunca Jamais (Galera, 2016-2019). [Imagem: Reprodução/Twitter/Sem Spoiler]


Colleen Hoover, além de optar por Lowen como narradora personagem, também dá voz à Verity. Os capítulos da autobiografia da famosa escritora são revelados para o leitor à medida que a própria Lowen os lê. Nesse sentido,
Verity são dois livros em um. Ambos narrados por escritoras, trazem também reflexões sobre o processo de escrita, o que caracteriza um verdadeiro festival metalinguístico

Ao ler o manuscrito, Lowen mergulha na mente psicótica de Verity e as tragédias que parecem cercar a família Crawford ficam ainda mais suspeitas. Na cabeça do leitor, Hoover instala, com maestria, uma série de dúvidas: coisas que antes pareciam acidentes infelizes se metamorfoseiam em crueldades que apenas as mentes mais perversas poderiam arquitetar. 

Mas com livros desse tipo – thrillers psicológicos que bastam ser lançados para atingir o topo dos best sellers do New York Times – há sempre uma reviravolta: as últimas páginas parecem mudar todo o nosso entendimento do que acabamos de ler. Resta saber se vamos descobrir o final antes de ele ser revelado ou não. No caso de Verity, ficarei muito surpresa se alguém disser que descobriu. Ou se alguém souber em que acreditar, com convicção, após ler a última página.

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