Viúva Negra (Black Widow, 2021) é o filme solo da personagem de mesmo nome que busca explorar um pouco do passado da vingadora e responder perguntas que pairavam sobre a personagem desde que ela foi introduzida no Universo Cinematográfico da Marvel (MCU). A história não poderia ser mais simples: Natasha Romanoff (Scarlett Johansson), reclusa e em fuga, contra sua vontade é obrigada a encarar seu passado, que a levou a se tornar a espiã que todos conhecemos, e para isso deve se unir com alguém de seu passado para encerrar o assunto de uma vez por todas.
A obra segue a fórmula padrão da Marvel de cabo a rabo em seus acertos e erros, o que não é necessariamente algo ruim, mas impede que a personagem, que teve que esperar 11 anos para ter seu filme solo, atinja o potencial que todos os envolvidos na produção poderiam ter entregue. Dentro da fórmula do MCU, Viúva Negra cai em velhos clichês que poderiam ser evitados, como o humor excessivo, vilões mais do que esquecíveis, cenas de ação que tentam ser grandiosas ao invés de originais e referências exageradas das outras franquias do universo. Esses problemas se evidenciam ainda mais no segundo ato do longa, pois, no primeiro, parece que o filme dá indícios que irá abordar um lado mais voltado ao suspense e espionagem do que o lado galhofa dos quadrinhos.
![Em cena de Viúva Negra, Natasha e Yelena em uma moto. [Imagem: Divulgação/Marvel Studios]](http://jornalismojunior.com.br/wp-content/uploads/2021/07/2-3.jpg)
Os problemas de tom ficam mais claros quando os demais personagens entram em cena. Yelena Belova, personagem de Florence Pugh, é quem coloca a história em movimento. Após trair a organização da qual fazia parte, ela vai atrás de Natasha, sua irmã adotiva, pedir ajuda para lidar com a ameaça. As cenas que ambas estão juntas são ótimas para mostrar como elas veem seus respectivos passados e como cada uma carrega a culpa do que fizeram. E se o filme se limitasse as duas personagens encarando essa questão, os temas de sororidade e redenção funcionariam bem melhor, mas ao trazer mais gente para essa dinâmica, perde-se tempo de tela que poderiam aprofundar esses pontos. As personagens Melina Vostokoff (Rachel Weisz) e Alexei Shostakov/Guardião Vermelho (David Harbour), respectivamente as figuras maternas e paternas de Natasha e Yelena, não adicionam muito no arco de ambas. Melina serve só como ponte para o plano do vilão de Viúva Negra e a persona de Harbour é um lembrete que elas são soldadas da União Soviética e alívio cômico, o que contradiz muito com o personagem que havia sido mostrado no começo do filme.
![Guardião Vermelho abraçando Natasha e Yelena. [Imagem: Divulgação/Marvel Studios]](http://jornalismojunior.com.br/wp-content/uploads/2021/07/3-1.jpg)
Viúva Negra é a despedida de Scarlett Johansson, um filme mediano, tardio e deslocado que perdeu a chance de ser a primeira película de uma super-heroína feminina, apesar de ter sido a primeira a ter uma grande popularidade nesta nova era dos “quadrinhos”. Com um núcleo emocional confuso, ele perde a força dentro da fórmula Marvel, tornando-se uma amálgama de cenas de ações genéricas com cenas expositivas sobre o passado da personagem titular. Se você quer conhecer mais sobre a personagem, esse longa entrega, literalmente, as respostas, por mais que elas não adicionem muito a persona. Agora, se você está procurando algum entretenimento envolvendo espionagem e ação desenfreada ou só quer uma obra de super-herói para passar a tarde, talvez existam opções melhores para isso.
Viúva Negra está em cartaz nos cinemas brasileiros e disponível para assinantes da plataforma de streaming Disney+ com o premier access. Confira o trailer:
*Imagem da capa: Divulgação/Marvel Studios