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26ª Festival Mix Brasil: O Príncipe Feliz
CINÉFILOS
27 nov 2018 | Por Cinéfilos

Este filme faz parte do 26ª Festival Mix Brasil. Para mais resenhas do festival, clique aqui.

O Príncipe Feliz

O ator inglês Rupert Everett interpreta o dramaturgo Oscar Wilde (Imagem: Lionsgate)

Ser o que esperam ou viver o amor verdadeiro é o dilema que vive o escritor e dramaturgo Oscar Wilde. Apesar de sua grande coragem para enfrentar esse impasse, as aparências irão determinar partes importantes de seu destino. O Príncipe Feliz (The Happy Prince, 2018) é o retrato de como a ignorância matou ainda que não literalmente diversos gênios ao longo da história.

Oscar Fingal O’Flahertie Wills Wilde era um influente e reconhecido escritor na Inglaterra do século XIX. Ele declamava seus escritos em locais públicos e todos paravam para ouvir seus relatos. Não à toa, uma das cenas iniciais do longa mostra Oscar contando uma história.

O enredo perpassa pelos últimos dias do amargurado escritor. Após ter sido condenado a trabalhar forçadamente por dois anos na prisão, Oscar está decidido a deixar para trás o que todos condenavam: sua homossexualidade. Quer se reconciliar com a esposa e promete nunca mais se envolver com Lorde Alfred Douglas (Colin Morgan) ― conhecido por Bosie. É por conta do amor que sente por esse mesmo Lorde que Oscar irá ver sua vida ir a ruínas também após a condenação.

Seu verdadeiro amigo é Robbie Ross (Edwin Thomas), homem que está presente em todos os momentos da vida de Wilde, sem exceção. Antes, durante e quando termina o tempo de prisão lá está ele, fiel companheiro e amigo para todas as horas. Após toda a turbulência que vive Oscar, será Ross a mantê-lo, e garantir que viva seus últimos dias, minimamente, confortável.

O longa apresenta o dramaturgo como alguém que tinha uma vida esplendorosa antes da condenação. Era muito admirado por conta das peças que escrevia e querido por quem o rodeava, até o momento em que descobrem o sentimento que tinha por outro homem e passam a persegui-lo como se fosse o pior dos animais. Não bastasse a prisão, é perseguido também fora dela. Há uma cena que representa bem isso: um grupo de garotos decidem atormentá-lo e segui-lo com pedaços de pau.

Todo esse impedimento para ser quem era faz com que se sinta perdido. Oscar não sabe se vive o verdadeiro amor, como escreve em suas peças; não sabe se volta para a família, mulher (Emily Watson) e filhos. A vida do romancista parece não possuir caminho fácil. Como viver da maneira, dita correta, se não é ela que o faz sentir-se vivo?

O Príncipe Feliz

Oscar Wilde e Lord Alfred ao seu lado na estação de trem (Imagem: Lionsgate)

O longa trabalha bem essa rotina de conflito interno do personagem, com um enredo não linear e cenas que vem e vão, representando as lembranças sobre o passado e o presente – os momentos que vivia quando não sabiam de seu segredo e como precisa viver agora, se escondendo, sob um pseudônimo e mendigando. A aparência dos atores é outro aspecto interessante, pois muito se assemelha à das pessoas reais desta história, assim como os figurinos e cenários, igualmente, quesitos elogiáveis pois o espectador certamente irá sentir que adentra ao universo dos anos 1800.

O Príncipe Feliz é dirigido, roteirizado e protagonizado por Rupert Everett.

Confira o trailer:

por Crisley Santana
crisley.ss@usp.br

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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