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3ª Semana da Jornalismo Júnior | 1º dia: E agora? As Novas Redações
Eu Fui
23 ago 2016 | Por Jornalismo Júnior

Em plena segunda feira, muito fria por sinal, a 3ª Semana da Jornalismo Júnior começou com o pé direito. Sob os olhares de uma plateia grande e entusiasmada Paula Miraglia, Vitor Hugo Brandalise e Eduardo Roberto debateram importantes temas ligados as novas redações e aos rumos que o jornalismo tem tomado.

Após serem apresentados, Paula Miraglia iniciou o debate falando um pouco sobre o Nexo, jornal do qual ela é co-fundadora e Diretora Geral. Com o advento da internet e do jornalismo que migra cada vez mais para o digital, Paula disse que uma das grandes motivações para criar o Nexo foi a crença no debate público como um transformador social. Ela ressaltou ainda que hoje estamos em um ambiente em que montar um jornal virtual tornou-se viável. Em relação ao formato do jornal, Paula disse que foi preciso que fizessem algumas escolhas importantes para que o Nexo se tornasse o que ele é hoje, como por exemplo optar por oferecer assinaturas ao invés de ganhar por meio de propagandas. Sobre o formato do jornal, declarou que optaram por um jornalismo mais informativo do que de “furos” e notícias quentes.

Em seguida, Eduardo Roberto deu continuidade falando um pouco sobre a Vice, empresa na qual entrou como redator e hoje assume o cargo de editor de música. Ao tratar dos rumos do jornalismo, Eduardo disse acreditar que a carreira não passa por uma crise e sim que esta já se sedimentou no estado em que se encontra. De acordo com ele o jornalismo não está em um momento bom como qualquer outra carreira que sofre com os efeitos da crise econômica, e que a precariedade na regulamentação da profissão não é de hoje e remonta a décadas atrás. Por isso não faz sentido falar que somente agora o jornalismo passa por uma crise. Eduardo falou ainda sobre o modo como as carreiras da área de comunicação tem se aproximado e declarou que a dependência que a maior parte dos jornais têm em relação aos anunciantes pode acabar, futuramente, fundindo o jornalismo e a publicidade.

Eduardo então passou a vez para Vitor Brandalise, repórter do caderno Aliás do jornal O Estado de S.Paulo. Vitor, que se declarou conservador no meio jornalístico pelo apego ao impresso e a grande reportagem, falou um pouco sobre a crença na importância do jornal impresso, mesmo diante de todas as mudanças trazidas pela internet. Sobre a pressa do leitor de hoje e o aparente desinteresse em matérias de maior profundidade, Vitor mostrou-se esperançoso “Você sempre arranja tempo para uma boa história”. Para ele, a maneira de atrair leitores está justamente na forma como se escreve. Uma boa narrativa, desde o início, é o que prende o leitor: “É a velha carpintaria do jornalismo: bom título, boa linha fina e bom início de texto”, declarou. Em relação ao papel da internet, disse acreditar que são produtos diferentes e que devem ser vendidos de forma diferente. O impresso é para aquele leitor que busca algo de maior profundidade que dificilmente encontrará na internet.

Foi aberto então um espaço para que o público fizesse perguntas. Quando questionados sobre se a internet prejudica ou beneficia o jornalismo, a ênfase na democratização da informação foi unanime entre os palestrantes. Vitor, apesar de acreditar na importância do impresso, ressaltou que o acesso é um grande benefício do jornalismo digital. Eduardo disse que em uma época anterior à internet havia uma hora específica para ter acesso a informação, diferente do que vivemos hoje “Estamos em contato absoluto com todos os fatos do mundo ao mesmo tempo”. De acordo com ele, por causa disso desenvolvemos uma espécie de vício informacional.

Ainda sobre esta questão, Paula demonstrou acreditar muito na força e importância da internet e, antes de tudo, na capacidade do leitor de diferir o conteúdo jornalístico daquele que não agrega informação. Nem tudo o que viraliza neste meio esta atrelado ao interesse público. Para Paula “O alcance não determina o que é notícia”. Produzir um conteúdo de qualidade é também um ponto que considera de crucial importância.

Entre outras perguntas da platéia, a questão do perfil do jornalista brasileiro fomentou um importante debate. Para Eduardo, em especial em São Paulo, o perfil do jornalista é o “branco, de classe média, que mora na Consolação e veio de boa faculdade”. Ele ressalta inclusive que a Vice tenta constantemente quebrar com este padrão e formar uma redação mais representativa. Por fim, acaba admitindo a dificuldade deste tarefa e dizendo que a empresa cai neste estereótipo porque estas pessoas são muitas vezes as que possuem a qualificação necessária. Paula lembra que é preciso que a mudança comece pelas redações e que estas quebrem o preconceito que muitas vezes inviabiliza esta transformação.

A noite terminou sob os aplausos do público e com o sorteio de uma bolsa integral para um curso da Aberje. A primeira noite da terceira Semana da Jornalismo Júnior mostrou que esta semana promete ser enriquecedora e muito animada.

sem t+¡tulo (26 de 24)

1º dia da 3ª Semana da Jornalismo Júnior. Foto: Luis Henrique/Audiovisual – Jornalismo Júnior

Por Tais Ilhéu
taisilheusouza@gmail.com

 

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COMENTÁRIOS
dani
Infelizmente não pude ir, mas pelos convidados, tema e conteúdo, acredito que a palestra tenha sido muito boa. Contudo, infelizmente faltou uma revisão nesse texto.
23 ago 2016
 
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