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Famosos que se aventuraram no cinema
CINÉFILOS
28 mar 2020 | Por Arthur Nascimento (arthur.gm.nascimento@usp.br)

É comum no mundo da sétima arte, especialmente em filmes de grande circulação, que famosos de outros segmentos artísticos realizem participações especiais no cinema. Muitos gostam de se aventurar no universo da sétima arte, mesmo que não tenham uma carreira na atuação.

Há personalidades, no entanto, que vão além da figuração ou de easter eggs em uma cena isolada, exercendo papel importante nos filmes que participam. E são casos assim que o Cinéfilos buscou para montar essa lista.


Lady Gaga

Lady Gaga e Bradley Cooper: casal fez sucesso em Nasce uma Estrela, papel que levou a cantora a ser indicada ao Oscar de Melhor Atriz. [Foto: Warner Bros. Pictures]

Um caso recente e bem famoso de cantora que fez sucesso nas telonas foi o de Lady Gaga. No ano passado, ela alcançou muito sucesso com o filme Nasce uma estrela (A Star Is Born, 2018), sendo até mesmo indicada à premiação de melhor atriz no Oscar. Mas o filme do ator e diretor Bradley Cooper não foi o primeiro na carreira da artista estadunidense.

A estreia de Lady Gaga no mundo do cinema aconteceu em 2013, no filme Machete Mata (Machete Kills, 2013). Ela recebeu um papel secundário no trash do diretor Robert Rodriguez, não lhe proporcionando destaque positivo. A cantora chegou a receber uma indicação ao Framboesa de Ouro na categoria pior atriz secundária.

No ano seguinte, Lady Gaga voltou a trabalhar com Robert Rodriguez, novamente em um papel coadjuvante. Ela foi Bertha, uma bartender em Sin City: A Dama Fatal (Sin City: A Dame to Kill For, 2014). No mesmo ano, a cantora também fez uma participação especial em Muppets 2 – Procurados e Amados (Muppets Most Wanted, 2014), interpretando a si mesma.

Mas foi em 2018, na terceira releitura do clássico Nasce uma Estrela, que Lady Gaga se consagrou no mundo do cinema. Ela interpretou Ally, uma cantora e compositora que nunca havia recebido chances no cenário musical. Até que ela conhece Jackson Maine (Bradley Cooper), cantor famoso de country.

Os dois protagonizam não só a história de ascensão na carreira de Ally, como também uma trama de amor. Os personagens de Lady Gaga e Bradley Cooper se apaixonam já nas cenas iniciais do filme e, ao longo de toda a obra, buscam superar todas as adversidades para alcançar o sucesso profissional e na vida pessoal.

O filme, assim como a personagem de Lady Gaga, foi um sucesso entre os críticos e o público. Diversos aspectos da obra foram elogiados, como o trabalho do ator e diretor Bradley Cooper, a trilha sonora do filme e a notável química entre os protagonistas da trama.

Tamanho sucesso rendeu oito indicações ao Oscar para Nasce uma Estrela. Lady Gaga recebeu duas delas, concorrendo aos prêmios de melhor atriz principal e melhor canção original, com Shallow. Apesar do elevado número de indicações, a única vitória na premiação foi com a canção de Lady Gaga.


Madonna

Madonna foi Eva Perón no musical biográfico Evita. [Foto: Buena Vista Pictures]

Não é só de Lady Gaga que vive o cenário das cantoras pop no cinema. Ninguém menos que Madonna, a própria rainha do pop, também já se aventurou no universo da sétima arte.

Antes de Madonna ser uma cantora consagrada, ela protagonizou um filme de baixo orçamento chamado Um Certo Sacrifício (A Certain Sacrifice, 1979). A obra, controversa por ter cenas eróticas, estupro e rituais satanistas envolvendo a própria Madonna, não foi lançada no mesmo ano.

Somente em 1985, quando Madonna havia se consolidado no mundo da música com o álbum Like a Virgin, os produtores decidiram publicar o filme. A rainha do pop tentou impedir isso por conta das cenas de nudez e outras imagens que poderiam interferir em sua carreira, mas seu esforço não foi suficiente. O filme foi divulgado, mas para sorte de Madonna não foi exibido nos cinemas.

A partir de 1985, a já famosa Madonna teve a condição de atuar em projetos que não lhe trariam prejuízos morais e para a carreira. Filmes como Procura-se Susan Desesperadamente (Desperately Seeking Susan, 1985) e Quem é Aquela Garota? (Who’s That Girl?, 1987) foram protagonizados pela cantora e fizeram algum sucesso na década de 1980.

No início da próxima década, Madonna foi uma das principais coadjuvantes do filme Dick Tracy (1990). O longa entrou para a história, não pela versatilidade de Warren Beatty — diretor, produtor e ator principal da obra — ou pela atuação da rainha do pop, mas sim por ser o primeiro filme feito com som digital.

Madonna foi coadjuvante em outros projetos, como Neblina e Sombras (Shadows and Fog, 1991), do renomado e controverso diretor Woody Allen, e  Liga de Mulheres (A League of Their Own, 1992). Mas o maior reconhecimento veio com Evita (1996), em que a cantora interpretou a popular primeira-dama argentina Eva Perón.

Evita, uma mistura de musical e biografia, recebeu quatro indicações em categorias técnicas — melhor direção de arte, melhor fotografia, melhor edição/montagem e melhor som. Mas foi com a canção You Must Love Me, interpretada por Madonna, que o filme alcançou a honraria da Academia. A rainha do pop também venceu o Globo de Ouro como melhor atriz em comédia/musical.

Desde então, ela fez poucas participações em filmes. Foi coadjuvante em 007 – Um Novo Dia para Morrer (Die Another Day, 2002) e dublou a Princesa Selénia em Arthur e os Minimoys (Arthur et les Minimoys, 2006). Para uma cantora, Madonna tem um extenso currículo de atuações no cinema.


Gisele Bündchen

Gisele Bündchen em Táxi, o papel de maior protagonismo que ela teve. [Foto: 20th Century Fox]

Mais um caso de experiências no mundo da sétima arte é o de Gisele Bündchen. A modelo brasileira é referência mundial dentro da sua carreira e aproveitou o momento de sucesso que viveu no início dos anos 2000 para participar em produções hollywoodianas.

O primeiro filme em que a top model brasileira apareceu foi Táxi (Taxi, 2004). Essa mistura de comédia e ação é um remake de uma produção francesa de mesmo nome, lançada em 1998.

Mesmo com a participação de Luc Besson, diretor da versão original, o filme não obteve o mesmo sucesso do anterior. O filme de 1998 possui 81% de aprovação do público no site Rotten Tomatoes, enquanto o remake possui somente 43%. Quando o assunto é aprovação da crítica especializada, o percentual fica ainda menor, com apenas 9% para o filme de 2004.

Mas a presença de nomes famosos como Gisele Bündchen, Queen Latifah e Jimmy Fallon elevou a bilheteria da produção. A brasileira teve um papel importante na trama, interpretando uma líder de gangue que assalta bancos. Ela é perseguida por um policial e uma taxista que aceita ajudar o agente da lei.

Dois anos depois, a top model realizou uma participação especial em O Diabo veste Prada (The Devil Wears Prada, 2006). Sua aparição foi rápida, porém ajuda a tornar o filme mais marcante, que, além de um ser sucesso de crítica e público, aborda como tema o mundo da moda.


Justin Timberlake

Justin Timberlake chegou a trabalhar com diretores renomados. Um desses casos é A Rede Social, em que foi dirigido por David Fincher. [Foto: Columbia Pictures]

Apesar de ter surgido e se estabelecido como um cantor, Justin Timberlake pode ser considerado um artista versátil. Além do sucesso no mundo da música, ele atuou ou realizou dublagem em mais de 20 produções.

Entre os anos de 2000 e 2017, Timberlake participou de diversos filmes, alguns notáveis e outros nem tanto. Mas ele foi capaz de conciliar a carreira no cinema com a musical, aproveitando anos em que não realizou turnês ou lançou álbuns para atuar em mais filmes.

O cantor tem experiência na dublagem de animações. Ele dublou Artie em Shrek Terceiro (Shrek the Third, 2007) e em Shrek Para Sempre (Shrek: The Final Chapter, 2010). Também deu voz a Catatau em Zé Colmeia – O Filme (Yogi Bear, 2010), além de dublar e ser responsável pela trilha sonora de Trolls (2016). Um de seus maiores sucessos musicais, Can’t Stop the Feeling, foi produzido originalmente para esse filme.

Timberlake também protagonizou papéis importantes além da dublagem. Em A Rede Social (The Social Network, 2010), filme que retrata a história da criação do Facebook, o cantor interpreta Sean Parker. O personagem é o pivô de conflito entre Mark Zuckerberg e Eduardo Saverin, por ser um investidor que só aceitaria trabalhar com Zuckerberg para popularizar a rede social.

Mais um filme com a participação de Timberlake foi a comédia romântica Amizade Colorida (Friends with Benefits, 2011). No longa, ele se envolve sexualmente com a personagem de Mila Kunis, mas os dois se enganam ao acreditar que não irão desenvolver sentimentos um pelo outro.

No mesmo ano, o cantor foi protagonista em mais uma produção. Em O Preço do Amanhã (In Time, 2011), Timberlake vive Will Salas, homem acusado injustamente de assaltar outra pessoa e entra em fuga. Mas esse assalto é diferente dos demais, pois a trama ocorre em um futuro que o tempo virou moeda, e a vida seria infinita para aqueles que não param de enriquecer.

Além dessas produções, sua carreira possui filmes como Alpha Dog (2006) e Entre o Céu e o Inferno (Black Snake Moan, 2006). Com tantas atuações, é possível afirmar que Timberlake é mais do que um cantor que realiza participações especiais no cinema.


Jared Leto

Rayon, o papel mais reconhecido do vocalista. Ele viveu a transexual em Clube de Compras Dallas. [Foto: Focus Features]

Mais um caso de artista versátil é o de Jared Leto. Conhecido por ser o vocalista da banda 30 seconds to Mars, ele também se estabeleceu como uma personalidade recorrente no mundo do cinema.

O papel mais famoso de Leto, no entanto, é uma atuação pela qual ele recebeu duras críticas. Sua interpretação de Coringa no controverso Esquadrão Suicida (Suicide Squad, 2016) não recebeu elogios. O cantor chegou a afirmar que as constantes mudanças no projeto do filme e o corte final desvalorizaram seu trabalho como o Palhaço do Crime.

Mas Leto não vive somente de trabalhos criticados. Ele atuou em filmes aclamados, como Garota Interrompida (Girl, Interrupted, 1999), Psicopata Americano (American Psycho, 2000) e o clássico Clube da Luta (Fight Club, 1999), em que interpreta Cara de Anjo, um dos mais fiéis seguidores do clube de Tyler Durden.

Outro papel de destaque vivido pelo artista no final do século 20 foi o de Harry Goldfarb, em Réquiem para um Sonho (Requiem for a Dream, 2000). Seu personagem enfrenta problemas com vício em drogas, e a maneira como essa questão é retratada pelo diretor Darren Aronofsky torna o filme aclamado pela crítica.

Mais um sucesso dentre os analistas de cinema na carreira de Jared Leto é Blade Runner 2049 (2017). Na sequência do clássico Blade Runner — O Caçador de Androides (1982), Leto vive Niander Wallace, o dono da empresa que passou a dominar o mercado dos replicantes — maneira como os androides desse futuro alternativo são denominados.

O maior papel da carreira do vocalista, porém, não foi em nenhum desses sucessos. Foi em Clube de Compras Dallas (Dallas Buyers Club, 2013) que ele alcançou um Oscar por sua atuação. Leto interpreta a transexual Rayon, que ajuda o protagonista Ron Woodroof, diagnosticado com AIDS, a sobreviver e conseguir recursos de alguma forma. Ele precisa aprender a superar preconceitos e conviver com a transexual.

Leto venceu diversos prêmios por conta de sua atuação nesse filme. Os principais foram o Globo de Ouro e o Oscar na categoria de Melhor Ator Coadjuvante. Rayon certamente foi um papel que marcou para sempre a carreira de Leto, um cantor que possui ampla experiência na atuação.

São diversos os casos de artistas que decidem se aventurar no mundo do cinema. Além dos citados, há também Frank Sinatra, Beyoncé, David Bowie, Seu Jorge, Elvis Presley, Björk… Para descobrir se eles mandam bem nas telonas, só nos resta experimentar e assistir seus filmes.

Cinéfilos
O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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