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Disney+: ‘Mulan’ – O Retorno da Guerreira Chinesa
CINÉFILOS
04 dez 2020 | Por Rebeca Alencar (rebs.alencar@usp.br)

Uma das grandes apostas dos Estúdios Disney para o ano de 2020 era o lançamento do live action Mulan (2020), que chegaria aos cinemas brasileiros em abril. No entanto, as medidas protetivas contra a disseminação da pandemia de Covid-19 ao redor do mundo impediram que o longa chegasse às bilheterias americanas e, consequentemente, às internacionais também. 

Após vários adiamentos, foi decidido que a obra seria lançada diretamente no Disney+, serviço de streaming exclusivo da companhia. Nos Estados Unidos, Mulan chegou à plataforma no mesmo dia de sua inauguração, 17 de novembro. Já aqui no Brasil, a película foi disponibilizada hoje, dia 4. 

Assim como a primeira versão, lançada em 1998, o filme conta a história de Fa Mulan que, diante da convocação do império chinês por um homem de cada família para lutar em uma guerra contra invasores, substitui seu pai clandestinamente no exército e se disfarça de soldado. Lá, além do dever de proteger seu povo, ela deve provar que é tão competente quanto seus outros companheiros de combate, ao mesmo tempo em que teme por sua descoberta.

 

Mulan como Hua Jun, seu disfarce para entrar no exército chinês [Imagem: Divulgação/Walt Disney Studios]

Mulan como Hua Jun, seu disfarce para entrar no exército chinês [Imagem: Divulgação/Walt Disney Studios]

Como já fora revelado pela equipe produtiva, o live action não tem o mesmo tom humorístico da animação. Os personagens chaves para trazer descontração à trama – Mushu e Grilo da Sorte – não estão presentes aqui. O corte de personagens foi motivado pelo objetivo de se adequar mais a cultura chinesa, no entanto, muito se especulava que o filme perderia sua essência sem eles. O que ocorreu, na verdade, foi justamente o contrário: uma construção inédita da história, mas que continua trazendo os mesmos valores do enredo original.

Os fãs de carteirinha da animação com certeza irão notar diferenças além da ausência de Mushu e Grilo. Na versão atual, Mulan (Liu Yifei) não corta os cabelos, a águia do líder dos invasores assume a forma de bruxa feiticeira (Gong Li), e General Shang, par romântico da personagem principal, também foi tirado do longa. Há várias outras substituições marcantes, mas é importante ressaltar que cada uma delas teve um porquê e não interferiu negativamente no objetivo principal descrito acima: manter os valores da versão de 1998.

 

Xianniang (Gong Li) é uma novidade no roteiro do live action de Mulan. Anunciada nos trailers, a personagem despertou curiosidade do público. [Imagem: Divulgação/Walt Disney Studios]

Xianniang (Gong Li) é uma novidade no roteiro. Anunciada nos trailers, a personagem despertou curiosidade do público. [Imagem: Divulgação/Walt Disney Studios]

Assim como houveram substituições na trama, também houveram reproduções. A cena clássica de Mulan se arrumando para ir à casamenteira da vila é uma delas. É certo que a presença do Grilo da Sorte na primeira versão dessa cena foi cirúrgica para torná-la tão marcante, mas o novo desenrolar que deram a ela fez jus à sua importância. 

Além do roteiro, fotografia, figurino, cenário e efeitos especiais também se destacam em Mulan. Diante do contexto histórico marcado pela China imperial, construir uma arquitetura e estética fiéis a esse momento foi um desafio que a equipe produtiva – liderada pelo diretor  Niki Caro – tirou de letra. 

Por outro lado, considerando esse mesmo contexto, a localização geográfica e a nacionalidade do elenco, a língua inglesa como idioma original denuncia certo descompasso com a proposta. É certo que, tendo em vista o domínio mundial da indústria cinematográfica americana e o país de origem da principal distribuidora, Disney Pixar, não seria realista imaginar qualquer saída da zona de conforto pelos estúdios em relação à isso. Contudo, é inegável que a língua chinesa como original – e não como dublagem e legenda – traria uma experiência diferenciada ao espectador.

Nas lista de metas dos produtores do live action, uma delas era atrair o público chinês, vasto em número e, por isso, um dos principais mercados consumidores para a obra. Ao fim de duas horas, a conclusão é que a Disney fez sua parte em focar na reprodução cultural contida na história. 

Enquanto a China provavelmente será conquistada pela sua cultura estampada nas telas, os demais públicos certamente serão cativados pela grande atuação de Yifei, mas não para por aí. À você, que guarda o sentimento de nostalgia da animação, o filme matará a sua saudade da grande guerreira. E, quem sabe, após mais de 20 anos da versão original, a nova lhe trará uma nova perspectiva sobre ela, sem perder os encantos que tiraram lágrimas e sorrisos de crianças e adultos na década de 2000.

Confira o trailer:

 

*Imagem de capa: Divulgação/Walt Disney Studios

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