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NFL Draft 2018: a primeira estação da temporada
ARQUIBANCADA
26 abr 2018 | Por Jornalismo Júnior

Por Carlos Ferreira e Tainah Ramos

(Imagem: Carlos Ferreira/Comunicação Visual – Jornalismo Júnior)

Trinta e duas equipes. Três dias. Sete rounds. Essa é a configuração do Draft da NFL, a principal porta de entrada dos atletas universitários nas equipes profissionais de futebol americano. A 83ª edição do evento ocorre, no Texas, nestes três próximos dias – 26 a 28 de abril – e provoca ansiedade em todos os fãs desse esporte. Conhecer os jovens jogadores, cobiçar talentos a longo prazo e apalpar o tão aguardado início da temporada arrebata até mesmo o mais controlado dos espectadores.

Nas redes sociais, os aficionados contavam regressivamente até que o momento anelado chegasse, faziam suas apostas e revelavam seus desejos. No site oficial, não havia nenhuma diferença, não só pelo enorme relógio que marcava quantos dias faltavam para o grande dia, mas também porque era possível prever as escolhas (predict the pick), contribuindo para avolumar a inquietude de todos.

O Cleveland Browns terá, novamente, a primeira escolha da classe. A equipe está sentindo o gosto amargo da pior campanha por dois anos consecutivos, repetindo a façanha desastrosa de 1999 e 2000. Cabe ressaltar, ainda, seu caráter exclusivo: nenhuma outra franquia, até o momento, apresentou resultados tão infelizes.

A segunda escolha será do New York Giants, seguidos pelo New York Jets. Milhares de mock drafts (simulações do drafts) já foram feitas, muitos esperam que os Browns apostem em um quarterback (QB), posição historicamente deficitária no elenco, somando 27 titulares em 19 anos. Contudo, a franquia de Cleveland costuma ser conhecida por suas escolhas pouco previsíveis. Nada está decidido.

(Imagem: Reprodução)

Além de selecionar jovens habilidosos, por que o Draft é tão especial?

Quando se fala em NFL, mira-se em um universo macro, sendo o Draft o primeiro e importante instante da trilha até o Super Bowl. Essa antiga e instituída cerimônia cumpre um papel determinante no equilíbrio técnico da Liga, pois, o pior colocado na última temporada tem direito à primeira escolha de cada round. Essa ordem segue crescente até que a última escolha seja do atual campeão.

Tal regulamento não é apenas um discurso demagógico sobre igualdade, ele ocorre na prática, um meio de democratizar o acesso aos mais promissores atletas da Liga Universitária (NCAA). Mas “é lógico que se o time que teve a pior campanha escolher mal, o time não vai melhorar”, esclarece Renan do Couto, narrador da ESPN: “É só ver os Browns. E não é do dia para a noite que o time vai melhorar, ainda que faça a escolha certa. Mas é uma forma de se distribuir o talento entre os 32 times na liga, e a História mostra que isso dá resultado, elucida o narrador esportivo.

De fato, a história mostra os resultados. Há diversos casos de equipes que fizeram a primeira escolha do Draft, acertaram e alcançaram os playoffs. Para citar um exemplo, o Indianapolis Colts teve uma péssima campanha na temporada 2011-12, e foi o primeiro a escolher em 2012. Escolheram Andrew Luck, um QB que o logrou uma boa atuação durante a temporada 2012-13, e os Colts rumaram aos playoffs.

(Imagem: Júlia Vieira/Comunicação Visual – Jornalismo Júnior)

O que mais você precisa saber sobre o Draft

Algumas informações podem ser bastante úteis no momento de acompanhar o Draft. Por regra, cada equipe tem o direito de pelo menos uma escolha por round, essas escolhas podem ser negociadas livremente entre as equipes. Há outras 32 escolhas compensatórias, divididas entre o 3º e o 7º round, e destinadas às franquias que perderam mais jogadores do que contrataram na temporada anterior.

O relógio é outro elemento determinante na dinâmica de seleção. Dez minutos é o tempo exato que cada franquia dispõe para realizar sua escolha no 1º round, sete minutos são reservados para cada equipe no 2º. Entre o 3º e 6º round as equipes contam com metade do tempo inicial, cinco minutos. As escolhas do último round devem obedecer o tempo de 4 minutos. Uma vez estourado o relógio, a franquia não perde o direito de escolha, e sim a prioridade na seleção.

Em média, 256 atletas são draftados por temporada. Os jogadores não selecionados podem tentar caminhos alternativos para adentrarem a liga, tornando-se agentes livres. Disputar competições de menor escala ou serem convidados a jogar os amistosos pré-temporada são opções para chamar a atenção de uma grande franquia da NFL.

(Imagem: Sporting News)

A possibilidade de vários QBs serem selecionados em primeiro round é “empolgante”

A singularidade do Draft 2018 está no alto número de QBs de qualidade, os quais podem ser selecionados já na primeira rodada. “Há a possibilidade de as quatro primeiras escolhas serem QBs, o que nunca aconteceu”, afirma Renan do Couto.

Tal circunstância revela um cenário original quando comparado com as edições anteriores, uma vez que, em 2017, apenas três jogadores dessa posição foram escolhidos no primeiro round – em 2016, também três e, em 2015, o número cai para dois.

O contexto não poderia ser diferente, tanto fãs, quanto jornalistas, notaram a capacidade de nomes como Josh Rosen, Sam Darnold, Josh Allen e Baker Mayfield. Para Rogério Rodrigues, torcedor do New York Giants, a conjuntura atinge o estado de euforia. “Esse Draft será muito empolgante devido a possibilidade de cinco QBs saírem no primeiro round. Ficará na memória, pois a classe de QBs é muito promissora, e, isso é certeza de que, ou haverá muitos astros no futuro, ou vários busts, pois os olhos estarão em cima dos novatos que vão precisar chegar fazendo a diferença na liga e fazer valer essa escolhas altas no board.”

No entanto, como nem só de quarterback vive um time de football, o running back Saquon Barkley é um nome muito cotado. Considerado uma promessa, alguns o apontam como o maior destaque do evento. O jovem de 21 anos conquistou uma marca de 40 jardas em 4.40 segundos, 29 repetições no levantamento de peso e 1,04m no pulo vertical, segundo os dados das provas NFL Scouting Combine – exibição física e mental dos atletas perante as 32 franquias. Atenção, também, aos nomes de defesa, como Minkah Fitzpatrick e Bradley Chubb.

(Imagem: Reprodução)

O destino do Draft é incerto

Apesar de todas as análises, probabilidades e sentimentos, não é possível determinar o que realmente vai acontecer no Draft ou quais são as reais intenções das franquias. A ocasião que gera desassossego o faz porque o evento com sua imensidão é, por si só, imprevisível – por isso, impressionante. As picks, conquanto calculadas, sempre são, ao fim, um touchdown inesperado e salvador nos últimos segundos de uma partida.

Com olhos atentos, coração acelerado, todos os amantes do esporte com a bola oval – torcedores, jornalistas, técnicos e, principalmente, atletas universitários – estarão conectados, segurando o fôlego à menor fração de tempo em que cada nome for anunciado.

Arquibancada
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