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O maior tenista da história: Roger Federer
ARQUIBANCADA
26 abr 2019 | Por Arquibancada

Por Gabriel Cillo

gccillo@usp.br

 

Início de Carreira

Roger Federer nasceu na cidade de Basel, região da Suíça próxima à França e Alemanha, no dia 8 de agosto de 1981. Já aos oito anos de idade, começou a rebater suas primeiras bolas. Aos poucos foi tomando gosto pelo tênis e se mostrando um garoto talentoso. Talento este que em 1998 refletiu em conquistas, no título de Wimbledon, em simples e duplas, na categoria de juniores.

Nesse mesmo ano, já figurou entre os profissionais, no entanto, não teve uma escalada meteórica de conquistas. Pelo destaque nas categorias juvenis, era esperado que o jovem suíço fosse explodir logo de cara. Entretanto, não foi o que ocorreu, e apenas quatro depois foi que surgiu para o mundo do tênis de fato, a nível mundial, com a conquista do Torneio de Wimbledon de 2003, agora na elite do esporte.

Roger Federer em sua primeira conquista de Grand Slam [Imagem: Jeff J Mitchell]

Auge como Melhor do Mundo – Líder do ranking da ATP

O auge da carreira de Federer foi entre 2004 e 2008, quando figurou como o melhor tenista do mundo, ocupando durante 237 semanas seguidas a ponta do ranking da ATP (Associação de Tenistas Profissionais), a mais extensa liderança da história de maneira ininterrupta. O suíço assumiu a colocação em 2004 após a vitória no Australian Open, além das conquistas de Wimbledon e do US Open no mesmo ano.

Federer durante partida em Wimbledon [Imagem: Adrien Dennis/AFP Photo]

Sua hegemonia no tênis foi tamanha que conquistou inúmeros títulos de Grand Slam nos anos posteriores. Em 2005, Wimbledon e US Open. Em 2006 e 2007, a trinca Australian Open, Wimbledon e US Open seguidamente. E em 2008 o US Open, apenas. Esses títulos demonstram o domínio de Federer nas quadras, chegando constantemente em fases agudas dos quatro torneios anuais mais importantes, os Grand Slams, sempre disputando todos os títulos com máxima competência e talento. Após tanto tempo no auge, era impensável saber seu limite e até quando iria jogar um tênis de tamanha qualidade e elegância. 

 

Queda da primeira colocação da ATP

A excelente fase vivida por Federer durante os anos em que esteve na liderança do ranking da ATP foi interrompida pelo espanhol Rafael Nadal, que tomou o posto no ranking após vitórias marcantes contra o suíço. Com destaque para duas finais, Roland Garros e principalmente Wimbledon, ambas em 2008. O primeiro torneio, disputado em Paris, na França, não apresenta um elemento extraordinário como o disputado em solo inglês. Afinal, Nadal é especialista no saibro, piso de Roland Garros, tanto que nessa ocasião concretizou seu quarto título dentre dez que ainda conquistaria. Já no tradicional torneio de Wimbledon foi de maneira diferente: Nadal superou as críticas de brilhar apenas no saibro, travando uma grande final com Federer, que tem a grama de Wimbledon como um dos seus pontos fortes.

No entanto, a ascensão de Rafael Nadal como principal tenista do mundo no período após assumir a liderança da ATP não significou a total queda de Roger Federer. O multicampeão suíço continuou disputando em alto nível os torneios. Já no ano seguinte, em 2009, após ser derrotado no início do ano pelo próprio Nadal no Australian Open, recuperou-se com duas conquistas no inédito saibro de Roland Garros e em Wimbledon. O Aberto da França teve uma simbologia única. Já Wimbledon coroou Federer como o maior vencedor de Grand Slams, na época foi o décimo quinto, superando o norte americano Pete Sampras.

Roger Federer continuou em grande nível, tanto que conquistou mais dois títulos: o Aberto da Austrália em 2010 e Wimbledon em 2012. Foi apenas posteriormente que Federer ficou mais à margem do tênis mundial, permitindo que outros roubassem a cena, como o sérvio Novak Djokovic, o britânico Andy Murray e Rafael Nadal. Federer amargurou cinco anos sem poder levantar um troféu do circuito principal Australian Open, Roland Garros, Wimbledon e US Open parecendo que seu encantamento e seu melhor tênis já tinha se esvaído com o passar dos anos.

 

Ressurge para o Tênis – Atualmente

O período de 2012 até 2017 foi muito complicado para Roger Federer. Depois de muitos momentos de glória, o suíço estava sofrendo com uma seca de títulos durante esses anos. O jogador mais vencedor da história do tênis tinha chegado ao seu limite e não conseguia mais superar seus adversários, muito mais novos que ele. Fato este que fez grande parte dos amantes de tênis acharem que nunca mais veriam aquele antigo Roger Federer, que com tamanha classe e esplendor conquistou o máximo que se pode alcançar nesse esporte.

Em 2016, passou pela primeira cirurgia na carreira, e logo aos 34 anos não tinha garantias se voltaria a jogar em alto nível. Surpreendentemente, ele voltou. E foi além. Após seis meses afastado das quadras por conta da lesão no joelho, retornou com tudo e conquistou o Australian Open e o Wimbledon em 2017, chegando a incrível marca de 19 Grand Slams na carreira.

Roger Federer ressurge para o tênis mundial com a conquista do Australian Open de 2017 [Imagem: Getty]

Para retornar ao topo do tênis, Federer passou por um processo, como conta Fernando Meligeni, o Fininho, ex-jogador de tênis: “O Federer fez algumas mudanças no seu jogo, com certeza, mas ele voltou a ser número um do mundo muito pela excelência que ele vem jogando, por ter se encontrado um pouquinho melhor nos últimos anos. Logicamente, esses caras muito bons vivem muito da confiança, e quando começam a ficar confiantes jogam um belíssimo tênis como ele tá jogando agora”.

Além da confiança, Meligeni comenta a parte técnica e a questão da idade, já que, hoje, Federer tem 36 anos: “Eu acho que a única grande mudança que ele fez, além da raquete, um tempo atrás, é que a bola dele anda um pouquinho mais. Ele tem entrado mais na esquerda, tem encurtado um pouco mais o jogo, tem se adaptado a essa evolução do tênis que é encurtar o adversário o tempo inteiro, e tem treinado muito a esquerda. Dá pra perceber. Outro ponto muito interessante é como ele tá muito bem fisicamente, mesmo com essa idade ele consegue pegar a bola com um pouquinho mais de tempo, então a esquerda acaba sendo menos vulnerável do que era antes”.

Outro ponto estratégico lembrado pelo Fininho foi a questão do calendário com um olhar um pouco mais inteligente, sabendo medir as limitações: “Você vê que o calendário dele é um pouco mais enxuto, escolhe melhor os campeonatos. Ele nunca teve o saibro como seu melhor piso, mas ao mesmo tempo não é um cara que não joga bem no saibro, ele apenas sofre mais com o saibro. E principalmente jogadores que jogam um pouco mais alto com bastante topspin acabam complicando um pouco ele. Mas hoje a não ida pra ele no saibro está no desgaste físico que esse tipo de piso acaba lidando, você ter quatro horas de tênis na quadra rápida é uma coisa, você ter quatro horas no saibro é uma coisa bem mais complicada, porque acaba desgastando muito mais, você corre muito mais do que nas outras superfícies”.

O ex-jogador termina dizendo: “O encantamento pelo Federer é por vários motivos, não só pelo talento. Ele é um jogador com muito talento, é claro. Consegue jogar um tênis absurdo, consegue fazer muita coisa com a bola, tem uma facilidade muito grande e uma percepção de tênis que poucos jogadores tem. É um jogador extremamente habilidoso. Mas eu acho que ele não só encanta pelo grande jogador que é, mas também por ser um jogador tão incrível fora da quadra, por ser um cara tão carismático, tão boa pessoa, que luta pelos outros jogadores, que luta pelo esporte. Então, quando você bota tudo isso dentro de um jogador só, não tem como deixar de admirar. Você pode gostar mais de um Nadal, de um Djokovic, do estilo de jogo deles. Mas é impossível não gostar do Federer como atleta. Para mim, sim. Ele é o maior de todos os tempos, por tudo que ele já conquistou. Logicamente, é difícil você falar de diferentes épocas, falar de Rod Laver e ele, ou até mesmo Sampras e ele. São épocas diferentes. Mas eu acho que mesmo sendo em momentos diferentes, ele continua, sem dúvida nenhuma, sendo o melhor de todos os tempos”

No alto dos seus 37 anos, esteve em primeiro lugar no ranking da ATP, o mais velho da história. Roger Federer apresenta um encantamento diferenciado. Além de vitorioso, ele joga de maneira clássica, como se estivesse indo para um jantar de gala. Suas tacadas não batem simplesmente na bolinha de qualquer maneira, a convidam para dançar de uma forma fascinante, gerando amor pelo jogo de tênis. 

Arquibancada
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