Por Ana Germano (anabrgermano@usp.br), Fernando Lucchi (fernandolucchi@usp.br) e Melissa Siqueira (melissasiqdiogo@usp.br) final
Na tarde do último dia 19 de julho, a Espanha conquistou o título da Copa do Mundo de 2026 ao vencer a Argentina por 1 a 0 no MetLife Stadium, em Nova Jersey. Com gol de Ferran Torres no segundo tempo da prorrogação, La Furia voltou a levantar a taça do principal torneio de seleções da Fifa e sagrou-se bicampeã mundial, 16 anos após a conquista na África do Sul.
Espanhóis e argentinos se reuniram no confronto após eliminarem França e Inglaterra, respectivamente, nas semifinais. Com o resultado, a Seleção Espanhola voltou ao topo do futebol mundial e encerrou uma campanha invicta na competição. Já a Argentina, então campeã do mundo, não conseguiu superar a pressão espanhola na decisão e ficou com o vice-campeonato.
A cerimônia de abertura da final
Antes da bola rolar para o tão aguardado confronto, o MetLife Stadium recebeu uma breve cerimônia de abertura, iniciada às 14h45 (BRT). O espetáculo começou com um bandeirão que cobriu todo o gramado, acompanhado por estruturas representativas de cada uma das cidades-sede da Copa do Mundo. Em seguida, os grupos de percussão nova-iorquinos Brooklyn United, Fogo Azul e NYC Bucket Drummers comandaram a apresentação com coreografias e uma sequência de tambores que ditou o ritmo da festa.
A passagem dos percussionistas abriu espaço para a entrada do streamer IShowSpeed, que apresentou World Cup (Champions), uma das faixas do álbum oficial da FIFA para o Mundial. Na sequência, foi a vez de Post Malone assumir o palco. Enquanto caminhava até o centro do estádio, o cantor estreou a inédita Chrome Heartbreaker, que deve integrar seu próximo álbum. Para encerrar sua participação e o primeiro show do dia, embalou o público com dois dos maiores sucessos de sua carreira: Wow. e Sunflower, esta última performada ao lado do rapper Swae Lee.
Às 15h45 (BRT), a atriz Jennifer Hudson assumiu o palco para interpretar o hino nacional dos Estados Unidos, que encerrou o protocolo oficial pré-jogo. Em seguida, Robbie Williams, Laura Pausini e Nicole Scherzinger apresentaram Desire, música-tema da FIFA, enquanto as bandeiras das 48 seleções participantes da Copa do Mundo de 2026 tomavam conta do gramado.
Na reta final da cerimônia, a atriz sul-coreana Jung Ho-yeon e o tenista espanhol Carlos Alcaraz, embaixadores da Louis Vuitton, conduziram a mala de grife com a taça até o campo. O troféu foi então apresentado ao público pelos campeões mundiais Mario Kempes, vencedor com a Argentina em 1978, e Andrés Iniesta, herói do título espanhol em 2010. Para encerrar o espetáculo, o ator Tom Cruise fez um discurso em homenagem ao futebol e ao espírito da Copa do Mundo.
O caminho das finalistas
Espanha
A campanha da Espanha até a final foi marcada por uma equipe dominante, que fez da posse de bola e do controle das ações sua principal identidade. No Grupo H, a única frustração veio na estreia, no empate sem gols com Cabo Verde, resultado construído principalmente pela atuação histórica do goleiro Vozinha. As vitórias seguras sobre Arábia Saudita e Uruguai, porém, garantiram à Fúria a liderança da chave.
No mata-mata, La Roja manteve o alto nível. A classificação sobre a Áustria nos 16 avos de final veio sem grandes dificuldades, antes de dois confrontos muito mais equilibrados contra Portugal e Bélgica. Em ambas as partidas, Mikel Merino apareceu nos minutos finais para marcar os gols que mantiveram os espanhóis vivos na competição. A semifinal colocou frente a frente as duas principais favoritas ao título, mas a Espanha controlou a França com uma atuação defensiva de alto nível e venceu por 2 a 0, com gols de Mikel Oyarzabal e Pedro Porro, e garantiu a vaga em sua segunda final de Copa do Mundo.

O Barcelona foi o clube que mais cedeu jogadores à Espanha na Copa do Mundo de 2026, com oito atletas representando La Roja no torneio [Imagem: Reprodução/X/@SEFutbol]
Argentina
Por sua vez, a Argentina voltou a mostrar a combinação entre talento individual e resiliência que marcou sua geração vencedora. Embalada pela genialidade de Lionel Messi e por uma equipe acostumada a grandes decisões, a liderança do Grupo J veio de forma incontestável, com vitórias sobre Argélia, Áustria e Jordânia.
Nas fases eliminatórias, porém, o caminho argentino foi muito mais desafiador. Nos 16 avos de final, a equipe superou Cabo Verde por 3 a 2 na prorrogação, em um dos jogos mais emocionantes do torneio. Contra o Egito, pelas oitavas, o roteiro foi ainda mais dramático: os Faraós venciam por 2 a 0 até os minutos finais, quando Cristian Romero, Lionel Messi e Enzo Fernández marcaram os gols da histórica virada por 3 a 2. Nas quartas de final, diante da Suíça, a igualdade persistiu durante o tempo regulamentar, mas um golaço de Julián Álvarez na prorrogação colocou os atuais campeões entre os quatro melhores.
A vaga na decisão foi confirmada em mais um capítulo de uma das maiores rivalidades da história das Copas. Diante da Inglaterra, os argentinos viram Anthony Gordon abrir o placar para os europeus, mas, assim como havia acontecido contra o Egito, a Argentina encontrou forças na reta final da partida. Com os ingleses recuados, Enzo Fernández empatou o confronto. Nos acréscimos, Lautaro Martínez classificou La Albiceleste para mais uma final e manteve vivo o sonho do bicampeonato consecutivo.

Mesmo aos 39 anos, Lionel Messi fez a Copa do Mundo mais artilheira de sua carreira, com oito gols em oito jogos [Imagem: Reprodução/X/@Argentina]
Pré-jogo
Sem mudanças em relação à equipe que derrotou a França na semifinal, Luis de la Fuente manteve a confiança no esquema 4-2-3-1 e repetiu a formação titular da Espanha, com Fabián Ruiz novamente entre os 11 iniciais, na vaga de Pedri.
Do outro lado, Lionel Scaloni promoveu três alterações na equipe argentina: Nahuel Molina, Leandro Paredes e Giuliano Simeone deixaram o time para as entradas de Gonzalo Montiel, Rodrigo De Paul e Nicolás González. As mudanças buscavam aumentar a intensidade ofensiva e explorar os espaços que a Espanha poderia oferecer ao adiantar suas linhas.
Embora a atuação dominante diante da França atribuísse à Espanha um leve favoritismo, o histórico da Argentina ao longo do mata-mata impedia qualquer previsão mais contundente. Os espanhóis chegavam à decisão com a expectativa de controlar a posse de bola e ditar o ritmo da partida desde os primeiros minutos, enquanto a Albiceleste apostava na intensidade física, na solidez defensiva e nos contra-ataques liderados por Lionel Messi para equilibrar o confronto.
Boa parte da expectativa em torno da final também estava concentrada no encontro entre duas gerações. De um lado, Lamine Yamal, aos 19 anos, já apontado como um dos grandes nomes do futuro e herdeiro do legado deixado por Messi no Barcelona. Do outro, o próprio camisa dez argentino, aos 39 anos, na disputa de sua última partida na Copa do Mundo. Se um novo título consolidaria ainda mais a posição de Messi entre os maiores jogadores da história, a conquista espanhola representaria mais um capítulo na trajetória da jovem estrela, que já desponta como protagonista do futebol mundial.

Assim que a final foi confirmada, a foto de um ainda jovem Lionel Messi dando banho no bebê Lamine Yamal, registrada em 2007, voltou a viralizar nas redes e alimentou a narrativa de que o destino havia reservado a colisão entre passado e futuro como o grande clímax da Copa do Mundo [Imagem: Reprodução/X/@Sport]
Após a execução do hino da Espanha pelo quinteto Spanish Brass e do hino da Argentina, interpretado pela cantora María Becerra, o protocolo pré-jogo foi concluído. Com as arquibancadas do MetLife Stadium em clima de decisão, a bola finalmente rolou para a grande final da Copa do Mundo de 2026.
A final
Primeiro tempo
O início da decisão confirmou o cenário projetado antes da bola rolar: a Espanha assumiu o controle da posse desde os primeiros minutos e passou a sufocar a Argentina com seu jogo apoiado. Aos 4’, Lamine Yamal protagonizou a primeira grande chance da final. Após boa troca de passes pelo lado direito, Dani Olmo encontrou o jovem atacante dentro da área. Yamal finalizou, a bola desviou em Lisandro Martínez e obrigou o goleiro argentino a fazer uma defesa com os pés.
Na sequência, uma saída de bola equivocada da Argentina permitiu que Rodri recuperasse a posse próximo à área albiceleste. A jogada, porém, foi mal aproveitada pelos espanhóis e terminou em um contra-ataque que quase deixou Lionel Messi frente a frente com Unai Simón. Atento, o goleiro espanhol saiu da área para interceptar o passe de Julián Álvarez e afastar o perigo. Aos 17’, Yamal voltou a levar vantagem sobre a defesa argentina ao superar Nicolás Tagliafico no duelo individual e cruzar rasteiro para a área, mas Dibu Martínez antecipou o lance e ficou com a bola antes que a finalização acontecesse.
A pausa para hidratação reduziu a intensidade da partida e diminuiu o volume ofensivo das equipes. A Espanha voltou a ameaçar apenas aos 38’, quando Fabián Ruiz encontrou Mikel Oyarzabal com um passe de primeira que quebrou a linha defensiva argentina. O atacante finalizou rasteiro da entrada da área, mas Emiliano Martínez fez a defesa com segurança. Já aos 43’, Marc Cucurella arriscou de longa distância em um chute cruzado que passou à esquerda da trave. Foi a última oportunidade de perigo antes do intervalo, que encerrou, sem gols, a primeira etapa no MetLife Stadium.
Show do intervalo
Pela primeira vez na história, a final da Copa do Mundo contou com um show de intervalo nos moldes do Super Bowl, decisão da NFL (National Football League), principal liga estadunidense de futebol americano. Com curadoria de Chris Martin, vocalista do Coldplay, a apresentação estendeu o intervalo para 27 minutos, em vez dos tradicionais 15, e transformou o MetLife Stadium em um palco para artistas de diferentes partes do mundo.
O espetáculo começou com Madonna, que abriu a apresentação ao som de Music, acompanhada pelos pentacampeões mundiais Ronaldinho Gaúcho e Ronaldo Fenômeno. Em seguida, o maestro venezuelano Gustavo Dudamel conduziu uma versão de Seven Nation Army, clássico do The White Stripes, ao lado da Orquestra Filarmônica de Nova Iorque, da Orquestra Sinfônica Simón Bolívar e do multi-instrumentista iraniano Bijan Mortazavi. A performance ainda contou com a participação especial dos personagens da banda fictícia The Electric Mayhem, dos Muppets.
Em um dos momentos mais descontraídos do show, a apresentação fez referência à tradicional “remada viking” da torcida da Noruega, manifestação que se tornou um dos grandes símbolos culturais desta Copa do Mundo. A homenagem serviu de transição para a entrada do grupo sul-coreano BTS, que deixou sua participação com o sucesso Dynamite.
Outro momento que serviu como interlúdio no espetáculo foi a participação especial de Ted Lasso, personagem interpretado por Jason Sudeikis, e do inseparável Coach Beard, vivido por Brendan Hunt. Os protagonistas da série Ted Lasso, que acompanha um treinador de futebol americano contratado de forma improvável para comandar um clube da Premier League, estrelaram um breve esquete em que “colocaram” Justin Bieber em campo. O clima animado da apresentação rapidamente foi tomado pela emoção da música Everything Hallelujah.
Após a contribuição do canadense, Shakira e Burna Boy devolveram o clima de festa ao MetLife Stadium com Dai Dai, música-tema da Copa do Mundo de 2026. A performance ganhou ainda mais força com a participação do Ghetto Kids, grupo de dança formado por crianças da comunidade de Katwe, em Uganda, que protagonizou uma das apresentações mais celebradas do intervalo.
O encerramento do espetáculo foi reservado para uma homenagem à Pelé. Os telões do estádio exibiram imagens da despedida do Rei do Futebol dos gramados, no discurso que culminou na histórica frase “love, love and love”, que serviu como introdução para a última atração da cerimônia. Na sequência, o Coldplay apresentou a inédita We Dance, acompanhados pelos personagens de Vila Sésamo, pelos Muppets, pelo cantor australiano Emmanuel Kelly e pelo coral PS22. Todos os participantes ocuparam o gramado sob um enorme bandeirão estampado com uma única palavra: Love.
Além do espetáculo musical, o show de intervalo também teve um caráter solidário. A apresentação arrecadou cem milhões de dólares para o FIFA Global Citizen Education Fund, iniciativa criada em parceria entre a FIFA e a organização Global Citizen para ampliar o acesso de crianças ao esporte e apoiar ações de combate à extrema pobreza ao redor do mundo.
Segundo tempo
Na volta do intervalo, Lionel Scaloni promoveu sua primeira alteração ao colocar Leandro Paredes na vaga de Nicolás González. A mudança, porém, quase teve efeito imediato e negativo para a Argentina. Logo no primeiro minuto da etapa final, o volante errou um passe na saída de bola e permitiu que Álex Baena recuperasse a posse, conduzisse pelo centro e finalizasse nas mãos de Emiliano Martínez. Pouco depois, Paredes ainda recebeu cartão amarelo por uma falta em Rodri, longe da bola.
A Espanha manteve o controle da partida e voltou a assustar aos 54’. Em uma troca de passes rápida iniciada ainda no campo de defesa, Fabián Ruiz, Dani Olmo e Oyarzabal envolveram a marcação argentina até a bola chegar à área, onde Nicolás Otamendi apareceu no momento exato para impedir a finalização. Na sequência, um lançamento preciso de Pau Cubarsí encontrou Olmo na área, mas Gonzalo Montiel fez o corte antes que Cucurella pudesse completar a jogada.
A pressão espanhola aumentou antes da parada para hidratação. Aos 63’, Pedri criou boa jogada pelo lado esquerdo e encontrou Dani Olmo na entrada da área. O meia finalizou no centro do gol e obrigou Dibu Martínez a espalmar para escanteio. Na cobrança, Lamine Yamal cruzou mal, mas recuperou a posse e levantou novamente para a área, onde Leandro Paredes afastou de cabeça. Quatro minutos depois, Yamal voltou a desequilibrar pelo lado direito ao passar entre dois marcadores e cruzar com precisão para Ferran Torres. Livre na pequena área, o atacante desperdiçou a melhor oportunidade da Espanha até então ao cabecear nas mãos do goleiro argentino.
A Espanha seguiu dominante na reta final do tempo regulamentar. Aos 76’, Pedri voltou a aparecer pelo lado esquerdo e, após trocar passes com Nico Williams, Ferran Torres e Rodri, invadiu a área para finalizar nas mãos de Emiliano Martínez. Segundos depois, a pressão espanhola recuperou rapidamente a posse, e Pau Cubarsí arriscou de longa distância, o que obrigou Dibu a fazer mais uma boa defesa. O goleiro argentino, até então, sustentava sozinho o empate na grande final.
Aos 80’, a parceria entre Pedri e Nico Williams voltou a criar problemas para a defesa albiceleste. O ponta cruzou na medida para Aymeric Laporte, que cabeceou firme e exigiu outra intervenção de Martínez. Dois minutos depois, Enzo Fernández recebeu cartão amarelo por reclamação. A insistência espanhola continuou aos 86’, quando Mikel Merino encontrou Ferran Torres dentro da área, mas o atacante finalizou mascado para fora. Antes dos acréscimos, Rodri ainda tentou surpreender de longe, mas mandou por cima do travessão.
Os ânimos da partida saíram do controle aos 90’+2’: a Argentina chegou ao ataque pela segunda vez em toda a partida e Giuliano Simeone cruzou rasteiro para Unai Simón fazer a defesa sem dificuldades. O goleiro espanhol rapidamente iniciou um contra-ataque com Nico Williams, que arrancou em velocidade contra a defesa desorganizada da Albiceleste e finalizou de média distância, mas Dibu Martínez conseguiu espalmar. Na disputa pelo rebote, Enzo Fernández acertou Pau Cubarsí com uma solada imprudente. Como já havia sido advertido, o meia recebeu o segundo cartão amarelo, foi expulso e desfalcou a Argentina.
Mesmo com a vantagem numérica, a Espanha ainda precisou de uma última grande oportunidade para tentar evitar o tempo extra. Aos 90’ +8’, Paredes derrubou Ferran Torres na entrada da área. Yamal assumiu a cobrança e acertou um chute colocado que tinha endereço certo, mas Emiliano Martínez protagonizou mais uma defesa espetacular para garantir o empate sem gols e levar a final para a prorrogação.
Prorrogação
A prorrogação começou exatamente como terminou o tempo regulamentar: com a Espanha no controle absoluto das ações e a Argentina completamente encurralada em seu campo de defesa. Logo aos 93’, Pedri conduziu pelo centro e levantou uma bola precisa para Nico Williams, que desviou de cabeça e obrigou Emiliano Martínez a fazer sua maior defesa na decisão. Com um reflexo impressionante, o goleiro argentino espalmou a bola e manteve o empate.
A pressão espanhola parecia finalmente ser recompensada aos 96’, quando Pedro Porro cruzou para a área e encontrou Mikel Merino. O meia não conseguiu dominar, Dibu Martínez saiu mal do gol e a bola sobrou livre para Nico Williams empurrar para as redes. A comemoração, porém, durou pouco. Após revisão do lance, a arbitragem assinalou falta de Merino sobre Nicolás Otamendi no início da jogada e anulou o gol que colocaria a Espanha em vantagem.
Mesmo com a frustração, La Roja seguiu insistindo. Nico Williams, principal válvula de escape da equipe durante a partida, voltou a desequilibrar aos 103’, ao colocar um cruzamento preciso na cabeça de Merino. O volante testou firme, mas a bola passou rente à trave e custou mais uma oportunidade de ouro para a Seleção Espanhola antes do intervalo da prorrogação.
A resistência argentina parecia interminável, mas aos 106’, ela finalmente cedeu. Depois de mais de uma hora e meia de domínio territorial, pressão incessante e uma sequência de chances desperdiçadas, a Espanha encontrou o gol que tanto buscava. Pau Cubarsí acionou Lamine Yamal pela direita, que ameaçou o cruzamento, atraiu a marcação e rolou para Pedro Porro. O lateral levantou na medida para Nico Williams, que, sem ângulo para finalizar de cabeça, escorou para o meio da área. Livre de marcação, Ferran Torres bateu de primeira, com força, sem dar qualquer chance a Emiliano Martínez. Depois de uma atuação dominante e de uma pressão que parecia não ter fim, a bola enfim balançou as redes e fez o MetLife Stadium explodir, com a Espanha a poucos minutos de conquistar o bicampeonato mundial.
Os espanhóis ainda chegaram perto de ampliar o placar aos 113’. Ferran Torres arrancou desde o meio-campo, venceu Emiliano Martínez no mano a mano e balançou as redes pela segunda vez na prorrogação. A comemoração, no entanto, foi interrompida pela bandeira do assistente, que assinalou impedimento e manteve a vantagem mínima da Fúria.
Sem outra alternativa, a Argentina lançou-se ao ataque nos minutos finais. Lionel Messi quase surpreendeu Unai Simón em um cruzamento fechado que passou perigosamente sobre o travessão. Do outro lado, Nico Williams continuava sendo um pesadelo para a defesa albiceleste e voltou a deixar Molina para trás, mas, ao tentar uma firula em vez da finalização, desperdiçou uma oportunidade clara. Pouco depois, Messi tentou mais uma vez de fora da área, mas viu Merino bloquear a finalização com o rosto.
As últimas esperanças argentinas ficaram concentradas nos pés de seu camisa dez. Aos 120’, Messi conduziu a bola até a entrada da área e acionou Giuliano Simeone, que cruzou para o meio antes da defesa espanhola afastar o perigo. Na sequência, após novo escanteio, Messi levantou a bola na área, Nicolás Tagliafico desviou e a sobra caiu justamente para Simeone. Livre, o atacante teve nos pés a chance de levar a final para os pênaltis, mas finalizou por cima do gol de Unai Simón.
Aos 120’ +5’, o árbitro Slavko Vinčić levou o apito à boca pela última vez na Copa do Mundo de 2026. Depois de uma atuação dominante, a Espanha derrotou a Argentina por 1 a 0 e conquistou o bicampeonato mundial!
Os “Reyes del Mundo”
Coroada com o maior título do futebol, a campanha da Seleção Espanhola se destaca ao priorizar a funcionalidade tática coletiva sem deixar de aproveitar as habilidades individuais do elenco. Marcada pela solidez defensiva e por prezar pelo controle de bola durante os jogos, a equipe comandada por Luis de la Fuente se mostrou segura e adaptada ao estilo de jogo característico do treinador.
Com uma trajetória invicta de sete vitórias e um empate, e com apenas um gol sofrido, a Seleção da Espanha não só consagrou o seu futebol como o melhor do mundo, mas também quebrou marcas numéricas que há anos se mantinham intactas.
O Guinness Book of World Records, livro-guia conhecido por apurar e documentar as maiores façanhas mundiais, registrou três novos recordes da seleção campeã: menor número de gols sofridos, maior sequência invicta, após alcançar 38 jogos oficiais sem derrotas no futebol competitivo masculino, e mais jogos sem sofrer gols, dadas as sete partidas em que não tiveram a defesa vazada.

A seleção da Espanha superou o recorde da Suíça de tempo sem sofrer gols em Copas do Mundo durante o torneio de 2026 [Imagem: Reprodução/Instagram/@unaisimon.23]
Destaques da Final
Nico Williams
A partir de sua entrada no segundo tempo, o atacante do Athletic Club, de Bilbao, mudou drasticamente o ritmo do setor ofensivo de La Roja com sua velocidade e drible agressivo pelas pontas. Após balançar as redes em um gol anulado pela arbitragem por falta na origem da jogada, Nico permaneceu incisivo e selou a conquista inédita de sua geração na prorrogação: no tempo extra, ele deu o passe decisivo para Ferran Torres marcar o gol do bicampeonato mundial espanhol.

Filho de pais ganeses e nascido na Espanha, Nico Williams segue caminho diferente de seu colega de time e irmão Iñaki Williams, também jogador de futebol profissional. Eles jogam juntos como atacantes no Athletic Bilbao e defendem seleções nacionais diferentes – Nico pela Espanha e Inãki por Gana [Imagem: Reprodução/Instagram/@nicolas_williams9]
Ferran Torres
Vindo do banco de reservas no segundo tempo, Ferran Torres consagrou-se como o grande herói do bicampeonato mundial da Espanha. O atacante finalizou de primeira com a perna esquerda, sem chances de defesa, para marcar o gol do título na prorrogação, aos 106’.
Eleito o Jogador da Partida (MVP) pela FIFA, Ferran superou a retranca sul-americana após La Furia ter tido um gol anulado anteriormente e gravou seu nome na história do futebol espanhol.

Assim como a Copa do Mundo, Ferran só comemora seu aniversário na data exata a cada quatro anos, já que o atacante nasceu no dia 29 de fevereiro [Imagem: Reprodução/Instagram/@ferrantorres]
Emiliano Martinez
Do lado argentino, Emiliano Martínez protagonizou uma atuação de enorme resistência e alto nível técnico sob as traves. O goleiro realizou uma sequência de intervenções decisivas ao longo dos noventa minutos regulamentares e do tempo extra, parando cabeceios à queima-roupa e finalizações perigosas do meio-campo espanhol. Diante de um volume ofensivo avassalador da Espanha — que finalizou vinte vezes, das quais 12 miravam o alvo —, “Dibu” operou milagres que adiaram o gol adversário até o limite e mantiveram a Argentina com chances de título até o fim da prorrogação.

Antes de se firmar, o goleiro argentino passou cerca de dez anos na reserva e emprestado a vários clubes pequenos enquanto esteve no Arsenal [Imagem: Reprodução/Instagram/@femi_martinez26]
Cerimônia de premiação
Após o apito final, a Fifa realizou a cerimônia de premiação com a entrega das medalhas e do troféu à Seleção Espanhola. A entrega contou com a presença do presidente da Fifa, Gianni Infantino, além de Claudia Sheinbaum, presidente do México, Mark Carney, primeiro-ministro canadense, e do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, país-sede da decisão – cuja entrada foi recebida com vaias de parte do público presente no MetLife Stadium.
Como determina o protocolo da Fifa, os jogadores da Argentina, vice-campeã, foram os primeiros a subir ao palco para receber as medalhas de prata. Em seguida, a Seleção Espanhola vestiu as medalhas de ouro e o capitão Rodri ergueu a taça junto com os companheiros, que comemoraram o bicampeonato. A Inglaterra, que venceu a França na disputa pelo terceiro lugar, já havia recebido as medalhas de bronze na cerimônia realizada após a decisão da terceira colocação, no dia 18 de julho.

Na campanha do bicampeonato, o único gol sofrido pela Fúria foi marcado pelo meio-campista belga Charles De Ketelaere [Imagem: Reprodução/Instagram/@sefutbol]
Nos prêmios individuais, o volante espanhol Rodri foi eleito o melhor jogador da Copa do Mundo e recebeu a Bola de Ouro do torneio, o argentino Lionel Messi ficou com a Bola de Prata e o francês Kylian Mbappé conquistou a Bola de Bronze, bem como a Chuteira de Ouro – dada ao artilheiro da competição. Unai Simón levou a Luva de Ouro como melhor goleiro do torneio e o zagueiro Pau Cubarsí, de 19 anos, foi eleito o melhor jogador jovem.
A cerimônia também marcou a estreia de uma novidade implementada pela Fifa nesta edição do Mundial: os anéis de campeão, tradição inspirada nas principais ligas esportivas dos Estados Unidos. Foram produzidos mais de dois mil anéis, dos quais trinta foram destinados aos jogadores e à comissão técnica da seleção campeã. As peças têm design exclusivo, com o Troféu da Copa do Mundo incrustado em um dos lados e, no outro, elementos que remetem à identidade da campeã, Espanha. O capitão Rodri e o técnico Luis de la Fuente receberam versões provisórias durante a cerimônia, enquanto os anéis definitivos, feitos sob medida para toda a delegação, serão entregues posteriormente. Os exemplares restantes serão comercializados para colecionadores.

Cada unidade do anel está avaliada em cerca de €130 mil euros, aproximadamente R$760 mil reais, e será feita sob medida, numerada individualmente e acompanhada de certificado [Imagem: Reprodução/Instagram/@sportv]
Ficha técnica
Espanha 1 x 0 Argentina
Data: 19/07/2026
Local: MetLife Stadium, Nova Jersey, EUA
Horário: 16h (BRT)
Espanha (4-1-2-3): Unai Simón, Pedro Porro, Pau Cubarsí, Aymeric Laporte (Eric Garcia, 98’), Marc Cucurella, Rodri (Martin Zubimendi, 98’), Dani Olmo (Nico Williams, 74’), Fabián Ruiz (Pedri, 61’), Lamine Yamal, Mikel Oyarzabal (Ferran Torres, 61’) e Álex Baena (Mikel Merino, 74’).
Argentina (4-4-2): Emiliano Martínez, Gonzalo Montiel (Nahuel Montiel, 57’), Cristian Romero (Facundo Medina, 69’), Lisandro Martínez (Nicolas Otamendi, 43’), Nicolás Tagliafico, Rodrigo De Paul (Giuliano Simeone, 69’), Enzo Fernández, Alexis Mac Allister, Nicolás González (Leandro Paredes, 45’), Lionel Messi e Julián Álvarez.
Gol: Ferran Torres (106’).
Cartões amarelos – Argentina: Lisandro Martínez (40’), Leandro Paredes (51’), Enzo Fernández (81’ e 90+3’) e Alexis Mac Allister (111’).
Árbitro: Slavko Vincic (Eslovênia). Auxiliares: Tomaž Klančnik (Eslovênia) e Andraž Kovačič (Eslovênia). Quarto árbitro: Adham Makhadmeh (Jordânia).
*Imagem de capa: Reprodução/Instagram/@sefutbol
