Por Lais Fernandes (laisfernandes@usp.br) egito
Em sua quarta participação em Copas do Mundo, o Egito chega ao torneio de 2026 com a expectativa de escrever um novo capítulo em sua história e avançar pela primeira vez à fase mata-mata. Ausentes na última edição do Mundial, os egípcios retornam após uma campanha consistente nas Eliminatórias africanas com oito vitórias em dez jogos — desempenho comparável ao de outras seleções de destaque do continente como Marrocos e Senegal.
Primeira seleção africana a disputar uma Copa do Mundo, em 1934, os Faraós procuram retomar o protagonismo histórico no futebol. Sob o comando do técnico Hossam Hassan e inspirados por seu principal astro, Mohamed Salah, os egípcios terão pela frente Bélgica, Irã e Nova Zelândia. O Grupo G, uma chave considerada equilibrada, mantém em aberto a possibilidade de uma classificação inédita para a fase eliminatória do torneio.
Do pioneirismo ao retorno ao mundial
A primeira participação da seleção do Egito em Copas do Mundo aconteceu em 1934 e, apesar da campanha curta, marcou a história do futebol africano. Os Faraós se tornaram a primeira seleção do continente a disputar a competição e abriram caminho para a consolidação africana no cenário mundial. Na ocasião, os egípcios fizeram apenas uma partida e foram derrotados por 4 a 2 pela Hungria. A seleção voltou a integrar a competição mundial em 1990, porém, novamente saíram sem vitórias.
A atuação mais recente da Seleção Egípcia ocorreu em 2018, na Rússia. Mesmo com o protagonismo de Salah, autor dos principais gols da equipe na competição, o Egito não conseguiu avançar de fase e terminou eliminado após derrotas para Uruguai, Rússia e Arábia Saudita.
Agora, os Faraós chegam ao Mundial de 2026 em um contexto diferente, impulsionados por uma campanha consistente nas Eliminatórias Africanas e por sinais de evolução recentes dentro do continente. O desempenho no último Campeonato Africano das Nações, com a classificação até a semifinal, reforçou a sensação de reconstrução e devolveu confiança à seleção para voltar a competir em alto nível internacional.

A união do elenco após vitória de 3 a 0 contra o Djibouti durante as Eliminatórias [Imagem: Reprodução/X/@MoSalah]
Convocação do Egito
No dia 29 de maio, o técnico Hossam Hassan divulgou a lista oficial de convocados para a Copa do Mundo 2026. Confira os nomes selecionados:
Goleiros
- Mohamed El Shenawy (Al Ahly, KSA)
- Mostafa Shobeir (Al Ahly, KSA)
- El Mahdy Soliman (Zamalek, EGY)
- Mohamed Alaa (El Gouna, EGY)
Defensores
- Mohamed Hany (Al Ahly, KSA)
- Tarek Alaa (Zed FC, EGY)
- Hamdi Fathi (Al Wakrah, KSA)
- Ramy Rabia (Al Ain, KSA)
- Yasser Ibrahim (Al Ahly, KSA)
- Hossam Abdelmaguid (Zamalek, EGY)
- Mohamed Abdelmonem (Nice, ITA)
- Ahmed Fatouh (Zamalek, EGY)
- Karim Hafez (Pyramids, EGY)
Meio-campistas
- Marwan Attia (Al Ahly, KSA)
- Mohannad Lasheen (Pyramids, EGY)
- Nabil Emad Dunga (Al Najma, KSA)
- Mahmoud Saber (Zed, EGY)
- Ahmed Sayed Zizo (Al Ahly, KSA)
- Mahmoud Trezeguet (Al Ahly, KSA)
- Emam Ashour (Al Ahly, KSA)
- Mostafa Ziko (Pyramids, EGY)
- Ibrahim Adel (Nordsjaelland, DNK)
- Haitham Hassan (Real Oviedo, ESP)
Atacantes
- Omar Marmoush (Manchester City, ENG)
- Aktay Abdullah (Enppi, EGY)
- Hamza Abdel Karim (Al-Ahly, KSA)
- Mohamed Salah (Liverpool, ENG)
Identidade tática e o que esperar do Egito
A Seleção Egípcia apresenta algumas variações táticas muito características do técnico Hassan, mas sempre focadas na pressão defensiva e transição rápida. Nas Eliminatórias Africanas, por exemplo, o Egito adaptou seu modelo mais comum (5-3-2) e apresentou uma postura mais agressiva ofensivamente, com 19 gols marcados em dez partidas.
Esse modelo prioriza a compactação defensiva e a intensidade nos contra-ataques. Com três zagueiros de origem e alas mais participativos na recomposição, o Egito conseguiu jogar em alto nível contra seleções competitivas do torneio africano ao proteger melhor sua área e dificultar infiltrações adversárias, sem abrir mão da velocidade nas transições ofensivas.

Ashour é a principal peça para construir contra-ataques: o meia fica responsável por acelerar a circulação da bola e encontrar passes verticais. [Arte: Lais Fernandes/buildlineup.com]
Nesse esquema, Mohamed Salah e Omar Marmoush atuam próximos no ataque e exploram os espaços deixados pelas defesas adversárias. A estratégia mais conservadora é ideal para embates contra seleções tecnicamente superiores e foi fundamental para dar equilíbrio à equipe durante a campanha nas Eliminatórias.
Durante a Data Fifa do início deste ano, porém, Hassan promoveu mudanças na estrutura da equipe e passou a utilizar um 4-2-3-1, um esquema mais agressivo e equilibrado. A formação favoreceu maior ocupação do campo ofensivo e aproximação entre os jogadores de ataque, sem abandonar a intensidade defensiva característica da seleção. O modelo esteve presente no empate contra a Espanha e na goleada sobre a Arábia Saudita, resultado que reforçou a versatilidade tática da equipe egípcia.

Escalação da seleção durante a Data Fifa. Na ocasião, Salah não foi cotado em função de uma lesão e o modelo foi adaptado para sua ausência [Arte: Lais Fernandes/buildlineup.com]
Para essa edição da Copa do Mundo, a tendência é que Hassan utilize o 5-3-2 contra seleções mais fortes, como a Bélgica, para priorizar o equilíbrio defensivo e os contra-ataques. Já diante de adversários mais acessíveis que tendem a se retrair, como Irã e Nova Zelândia, o 4-2-3-1 surge como alternativa para um Egito mais agressivo ofensivamente.
Destaques
O Rei egípcio na terra da rainha – Mohamed Salah
Um dos maiores ídolos da história recente do Liverpool, Mohamed Salah chega à Copa do Mundo como principal referência técnica da seleção e embalado pela experiência acumulada ao longo da carreira. Apesar do sucesso nos Reds, o atacante enfrentou uma trajetória de altos e baixos no futebol europeu, marcada pela passagem discreta pelo Chelsea e depois a retomada de confiança durante sua temporada pela Roma.
Campeão da UEFA Champions League na temporada 2018/19, Salah construiu sua carreira com atuações decisivas e números expressivos no futebol inglês. Conhecido pela velocidade, habilidade no um-contra-um e poder de definição, o atacante é a principal esperança dos Faraós para transformar a boa fase da seleção em uma campanha histórica no Mundial de 2026.

Atualmente, Salah se despede do Liverpool após quase uma década no clube e a conquista de nove títulos. O jogador ficou marcado por sua atuação dentro e fora dos campos [Imagem: Reprodução/X/@MoSalah]
O príncipe em ascensão – Omar Marmoush
Omar Marmoush é um dos principais jogadores da atual seleção. O atacante do Manchester City se consolidou como uma peça versátil e veloz, capaz de atuar tanto pelos lados do campo quanto centralizado. Revelado nas categorias de base do Wadi Degla, clube da segunda divisão egípcia, Marmoush ganhou projeção internacional durante sua passagem pelo futebol alemão, país em que viveu a melhor fase da carreira antes de chegar à Inglaterra.
A jóia egípcia se destaca pela velocidade, finalizações fortes e precisas e, principalmente, pelas cobranças de falta, qualidades que podem resultar em uma arma importante para os Faraós durante a Copa do Mundo.

Durante sua passagem pelo futebol alemão, Omar Marmoush disputou a artilharia da Bundesliga com nomes como Harry Kane e encerrou aquela sequência com impressionantes 15 gols em 17 partidas [Imagem: Reprodução/Instagram/@marmoush]
O muro dos Faraós – Mohamed El Shenawy
Mohamed El Shenawy é uma das figuras mais experientes e respeitadas da atual Seleção Egípcia. No Al Ahly desde a temporada 2016/17, o goleiro construiu uma trajetória vitoriosa no maior clube do continente africano, com conquistas do Campeonato Egípcio, da Copa do Egito e da CAF Champions League. Na seleção nacional desde 2013, o goleiro se consolidou como uma das principais lideranças do elenco, sua figura simboliza experiência, regularidade e segurança defensiva para a equipe.

Na Copa do Mundo de 2018, Mohamed El Shenawy recusou o prêmio de “Melhor da Partida” por conta do patrocínio ligado a uma marca de bebida alcoólica, já que o goleiro não consome álcool por motivos culturais e religiosos [Imagem: Reprodução/Instagram/@m.elshenawy1]
Programação
O Egito faz sua estreia, no dia 15 de junho, contra a Seleção Belga, às 22h (BRT), em um confronto que promete ser o mais desafiador da fase de grupos para a equipe árabe. Diante de uma seleção muito tradicional, os egípcios terão a oportunidade de medir seu nível competitivo logo na abertura da campanha.
Na sequência, os Faraós enfrentam a Nova Zelândia, no dia 21, novamente às 22h (BRT), em uma partida equilibrada mas com boas chances de vitória para os egípcios. Já no dia 27 de junho, à 0h (BRT), o Egito encerra sua participação na primeira fase contra o Irã, em um duelo que define as vagas do Grupo G para o mata-mata da competição.
*Imagem da capa : Reprodução / X/@MoSalah
