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Um filme sobre adolescência, independência e descobertas
CINÉFILOS
11 fev 2014 | Por Jornalismo Júnior

por Amanda Manara
apmanara@gmail.com

Entre os dias 6 e 16 de fevereiro ocorre o 64º Festival de Berlim, um dos mais importantes festivais cinematográficos do mundo. E é neste festival que foi exibido pela primeira vez o longa dirigido por Daniel Ribeiro, Hoje eu quero voltar sozinho (Idem, 2014). O filme, que teve origem no curta “Eu não quero voltar sozinho”, conta a história de três amigos no Ensino Médio, Leonardo, Giovana e Gabriel, descobrindo a paixão, a amizade, a homossexualidade, a vida.

Além de estar participando do festival, o filme já faz bastante sucesso no Brasil e é muito aguardado. A página no facebook conta com mais de 46 mil curtidas, e o trio de atores principais, Tess Amorim, Ghilherme Lobo e Fábio Audi já colecionam fãs ansiosos pela estréia do filme. Tess, que interpreta Giovana, diz que é muito gratificante ter esse contato com os fãs pelas redes sociais. “A relação com os fãs é muito boa! As pessoas respeitam bastante e é muito gratificante também. Eu procuro responder a todos que me escrevem, no twitter também – apesar de ser meio ausente lá.”

O sucesso e os fãs que a película já coleciona antes mesmo da estréia é devido ao curta, que teve grande repercussão quando foi lançado. A ideia do diretor não era lançar o vídeo na internet, mas ele acabou vazando e hoje possui quase 3 milhões de visualizações. A homossexualidade já é um tema recorrente nos trabalhos de Daniel Ribeiro. Além de Eu não quero voltar sozinho e agora Hoje eu quero voltar sozinho, o diretor também já trabalhou o assunto em seu primeiro curta, Café com leite (Idem, 2007), que foi premiado com o Urso de Cristal de melhor curta-metragem em 2008.

Essa não é, portanto, a estreia de Daniel Ribeiro em Berlim. Apesar de nessa vez não estar concorrendo, a oportunidade de ter o filme sendo exibido na seção Panorama, a segunda mais importante do evento, é única. Tess Amorim conta que está muito ansiosa pra sentir qual será a reação do público. “Não sei o que esperar de lá porque nós (os atores) ainda não vimos o filme! Então eu estou com muita expectativa e nervosismo ao mesmo tempo. Mas eu confio muito no trabalho do Daniel, então estou com expectativas boas para o filme! Espero que o público de lá goste!” Além disso, ela fala um pouco sobre como é ver essa repercussão internacional do cinema brasileiro. “É sempre bom ver que o trabalho de uma equipe toda ser reconhecido e até premiado nos festivais! Quanto à repercussão internacional, acho que o filme tem um grande potencial por tratar, de forma delicada, uma temática que está muito em voga ultimamente. Eu espero o melhor sempre, e é maravilhoso ver o cinema brasileiro crescendo lá fora.”

Apesar de falar sobre questões delicadas, como homossexualidade e deficiência visual, o filme procura focar na vida dos adolescentes e na descoberta do amor, e não nos preconceitos enfrentados. O longa procura, assim como o curta, tratar de maneira delicada a descoberta do amor por dois jovens. Como agora os atores estão mais velhos, e consequentemente os personagens, entra em jogo a questão da sexualidade. Mas esse não é o foco. O longa não contem cenas de sexo, mas se  assemelha ao recente filme francês “Azul é a cor mais quente” por tratar naturalmente o amor entre jovens homossexuais. “Acho que ambos os filmes buscam falar principalmente de uma história de amor, puxando o enfoque para os sentimentos e relacionamentos, mais do que simplesmente a homossexualidade em si. Mostrando que relações homossexuais são naturais, sem focar tanto no tabu que parece sempre ser o tema. Em Hoje Eu Quero Voltar Sozinho é abordada sim a sexualidade das personagens, principalmente por causa da idade deles, mas mantendo sempre a sutileza, marca registrada do Daniel!”, diz Tess.

É com toda a sutileza e naturalidade que o filme se tornou um dos mais aguardados de 2014. Com estreia no Brasil dia 28 de março, “Hoje eu quero voltar sozinho” com certeza se tornará um sucesso de público, e se seguir os passos do curta, de crítica. Só nos resta esperar para conferir de perto a história de Leo, Gabriel, e Giovana. E se você ainda não assistiu à “Eu não quero voltar sozinho”, corre que ainda dá tempo.

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