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Eleições 2026 | Conheça os candidatos ao Senado por São Paulo e suas propostas

Eleitorado paulista escolherá dois senadores nas eleições de 4 de outubro, para mandatos nos próximos oito anos
Por Lucas Miranda (lucasmirandaf@usp.br)*

No primeiro domingo de outubro, eleitoras e eleitores voltarão às urnas para escolher seus representantes nas eleições gerais de 2026. Entre os cargos em disputa estão as cadeiras para o Senado Federal, que têm mandatos de oito anos. O Senado é composto por 81 senadores — três de cada estado e do Distrito Federal. Embora o mandato seja de oito anos, as eleições ocorrem a cada quatro, com renovação escalonada da casa: em um ciclo eleitoral, são disputadas 27 vagas, equivalentes a um terço do total; no seguinte, 54, correspondentes a dois terços.

Neste ano, serão disputadas 54 vagas, duas por estado brasileiro. Os candidatos ao Senado por São Paulo são (em ordem alfabética): André do Prado (PL), Dra. Eliana Ferreira (PSTU), Ednelson Cesaretti (PCO), Geraldo Rufino (PODE), Guilherme Derrite (PP), Guto Schiavetto (MISSÃO), Maíra de Souza (UP), Márcio Alves (UP), Marina Silva (REDE), Petter Maahs (PCB), Ricardo Salles (NOVO), Simone Tebet (PSB), Soninha Francine (CIDADANIA), Weller Gonçalves (PSTU) e William Teixeira (AGIR).

As propostas dos cinco mais bem colocados na última pesquisa Datafolha, do dia 21 de agosto, estão apresentadas abaixo:

André do Prado (PL)

Homem branco de terno azul falando no microfone
[Imagem: Mônica Andrade/Wikimedia Commons]

Com 10% das intenções de voto, André do Prado foi vereador, vice-prefeito e prefeito de Guararema em 2004. Também foi deputado estadual de São Paulo por quatro mandatos e, desde 2023, preside a Assembleia Legislativa do estado (Alesp). A experiência no Legislativo estadual e no Executivo municipal, segundo o candidato, orienta suas propostas para o Senado, com foco nos interesses econômicos de São Paulo, especialmente do interior do estado, e na segurança pública.

Em suas propostas, André reforça a importância do agronegócio para a economia do estado. Na área de segurança, o candidato afirma que não é mais possível combater a criminalidade sem o uso de tecnologia e defende a atuação conjunta entre estado e municípios por meio de sistemas como o Smart Sampa. Também ressalta a necessidade de maior controle nacional das fronteiras para reduzir a entrada de armas e drogas, além do endurecimento das penas e do cumprimento integral das condenações.

Na economia, o candidato critica a forma como a Reforma Tributária foi debatida com os setores da sociedade afetados e afirma que os municípios ainda não sabem claramente se perderão ou ganharão receitas com as mudanças. Ele defende um amplo debate após as eleições sobre a questão e admite a possibilidade de alterações na legislação já aprovada. André também defende reformas administrativa e trabalhista com o objetivo de reduzir o déficit orçamentário, além de medidas para aumentar a segurança jurídica e reduzir os juros.

Guilherme Derrite (PP)

Homem branco de tenro cinza falando ao microfone
[Imagem: Câmara dos Deputados/Wikimedia Commons]

O candidato ao Senado, Guilherme Derrite, com 7% das intenções de voto, entrou para a Polícia Militar de São Paulo em 2003, onde trabalhou como oficial das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota). Antes de iniciar sua trajetória política, alcançou a patente de capitão da corporação. Em 2018, foi eleito deputado federal por São Paulo e, em 2022, reeleito. Entre 2023 e 2025, afastou-se do Legislativo para chefiar a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, durante a gestão de Tarcísio de Freitas (Republicanos). 

As principais propostas de Derrite estão concentradas na segurança pública e no endurecimento da legislação penal. O candidato defende a redução da maioridade penal, a prisão perpétua para crimes hediondos e mudanças na legislação para dificultar que pessoas condenadas de forma reincidente voltem às ruas. Também propõe o fortalecimento das forças de segurança e a ampliação do uso de tecnologia no combate ao crime.

Marina Silva (REDE)

Mulher negra de coque sorrindo
[Imagem: Senhor Leão Cabral/Wikimedia Commons]

Líder das pesquisas, com 12% das intenções de voto, Marina Silva é professora, historiadora, ambientalista e ex-senadora pelo Acre. Natural de Rio Branco (AC), cresceu em família de seringueiros. Na juventude, aproximou-se dos movimentos de defesa da floresta e dos direitos dos trabalhadores rurais. Nesse período, tornou-se companheira de militância de Chico Mendes, líder ambientalista e sindicalista assassinado em 1988.

A postulante iniciou sua carreira política como vereadora de Rio Branco e, depois, foi eleita deputada estadual pelo Acre. Em 1994, conquistou uma cadeira no Senado pelo estado, onde permaneceu até 2011. Entre 2003 e 2008, comandou o Ministério do Meio Ambiente no primeiro governo Lula (PT). Marina concorreu à Presidência da República em 2010, 2014 e 2018, e terminou os três pleitos em terceiro lugar. Em 2022, foi eleita deputada federal por São Paulo. No ano seguinte, reassumiu o Ministério do Meio Ambiente no governo Lula e permaneceu  no cargo até 2026, quando deixou a pasta para concorrer ao Senado.

Entre as principais propostas de Marina estão o desenvolvimento sustentável, a transição energética, a melhoria das condições de trabalho e a reindustrialização de São Paulo. A candidata defende conciliar crescimento econômico e preservação ambiental, com um processo de licenciamento mais ágil, mas tecnicamente rigoroso. 

No setor energético, propõe transformar a Petrobras em uma empresa de energia e destinar parte dos recursos obtidos com o petróleo para acelerar investimentos em fontes renováveis. Para São Paulo, defende o uso de fundos federais para estimular a reindustrialização e os investimentos em tecnologia do estado.

Ricardo Salles (NOVO)

Homem branco de terno azul falando no microfone
[Imagem: Câmara dos Deputados/Wikimedia Commons]

Com 6% das intenções de voto, Ricardo Salles é advogado e deputado federal por São Paulo. Iniciou sua carreira política em 2013, no governo do estado, onde atuou como secretário particular do então governador Geraldo Alckmin (à época, filiado ao PSDB). Entre 2016 e 2017, esteve à frente da Secretaria do Meio Ambiente de São Paulo. Em 2019, assumiu o Ministério do Meio Ambiente durante o governo de Jair Bolsonaro (PL). Durante  o período, ficou conhecido pela declaração sobre “passar a boiada”, em referência a aproveitar que a atenção da imprensa estava voltada à pandemia de Covid-19 para alterar regras de proteção ambiental. Em 2022, foi eleito deputado federal por São Paulo pelo PL. Mais tarde, deixou o partido e filiou-se ao Novo.

Salles concentra suas propostas em uma agenda de responsabilidade fiscal e desenvolvimento econômico. Para isso, defende a redução dos gastos públicos e da carga tributária, maior controle sobre o uso de recursos e investimentos federais mais compatíveis com o peso econômico do estado. Também defende o endurecimento do combate à criminalidade e à corrupção, além de uma atuação mais fiscalizadora do Senado sobre os demais Poderes. No campo trabalhista, é contrário ao fim da escala 6×1 e argumenta que mudanças desse tipo devem considerar seus impactos econômicos.

Simone Tebet (PSB)

Mulher branca de camisa vermelha falando ao microfone
[Imagem: Vice-Presidência da República/Wikimedia Commons]

Ao lado de Marina Silva, também com 12% e líder das pesquisas de intenção de voto, Simone Tebet é advogada, professora universitária de Direito, ex-senadora por Mato Grosso do Sul e ex-ministra do Planejamento e Orçamento no terceiro mandato do governo Lula. Filha do ex-senador Ramez Tebet, iniciou sua trajetória política em Mato Grosso do Sul.

Foi deputada estadual, prefeita de Três Lagoas por dois mandatos e vice-governadora de Mato Grosso do Sul. Em 2014, foi eleita senadora pelo estado, mandato que exerceu entre 2015 e 2023. Durante esse período, ganhou projeção nacional e, em 2022, disputou a Presidência da República pelo MDB, terminando a eleição em terceiro lugar. Em 2023, passou a ser ministra do Planejamento e Orçamento, função que exerceu até março de 2026.

Uma das principais propostas de Tebet é a responsabilidade fiscal, com revisão dos gastos públicos. A candidata defende o combate ao desperdício orçamentário, aos privilégios e à corrupção sem reduzir políticas sociais, sob o argumento de que o problema não é a falta de recursos, mas a forma como o orçamento é utilizado.

Nesse sentido, propõe reduzir o volume de emendas parlamentares, que considera excessivo e pouco transparente, e direcioná-los para áreas como saúde, infraestrutura e moradia. Também relaciona essa agenda a um novo pacto federativo, com o objetivo de ampliar o repasse de recursos diretamente aos municípios.

[Imagem de capa: Edilson Rodrigues/Agência Senado]


*Esta reportagem foi produzida pelo repórter Lucas Miranda sob a supervisão da diretora de Redação Gabriela César.

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