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A arte de Banksy
Moldura
06 set 2014 | Por Jornalismo Júnior

Entre rabiscos em becos desconhecidos, estencils de ratos e crianças, um elefante pintado como papel de parede, quadros plantados em grandes museus e até uma abertura para um episódio dos Simpsons, está o anônimo Banksy. Nos últimos anos, o grafiteiro britânico de identidade desconhecida levantou inúmeros debates no mundo da arte com suas obras polêmicas e dotadas de um humor sempre ácido. O artista nascido em Bristol, Inglaterra, possivelmente faz aniversário de 40 anos em 2014, mas sua carreira começou algumas décadas atrás na cena underground de sua cidade natal no início dos anos 90. Na época, o artista usava principalmente a técnica do grafite, mas, conforme seus desenhos se tornaram mais audaciosos e complexos, o artista precisou dar um jeito de acelerar o trabalho para evitar ser pego pela polícia. Foi então que passou a usar o estencil, que se tornaria, mais tarde, sua marca registrada à medida que seu estilo se desenvolvia.

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Mas, foi em Londres que Banksy começou a virar uma sensação. Combinando um estilo satírico envolvendo temas como política, guerras e o próprio sistema capitalista; com uma identidade secreta, o artista gerava cada vez mais curiosidade e interesse. Não demorou muito para sair da capital britânica e tomar o mundo. Em 2005, Banksy surpreendeu ao pintar o lado palestino do muro da Cisjordânia que separa o território de Israel. “Este muro foi considerado ilegal pela ONU, mas garante um feriadão para um grafiteiro”, comentou em seu site na época. E não para por aí: no ano seguinte, ele entrou disfarçado de turista em um parque da Disney e plantou um boneco inflável vestido como um preso de Guantánamo ao lado de uma montanha russa – fato documentado no seu filme “Exit Through the Gift Shop”.

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O trabalho de Banksy, além de levantar questões sobre a hipocrisia e ganância da sociedade contemporânea, discute o papel da arte e o mundo artístico. O artista, que já teve trabalhos vendidos por milhões para celebridades como Brad Pitt, Angelina Jolie e Gwen Stefani, disse em uma entrevista ao Village Voice que “não tem jeito, o sucesso comercial é a marca do fracasso para um grafiteiro”, mas que é óbvia a necessidade de ser pago, apesar de ser complicado e contraditório: “parece que assim que você lucra a partir de uma imagem que você colocou na rua, a peça magicamente se transforma em publicidade. Quando o grafite não é uma atividade criminosa, ele perde a maior parte da sua inocência”, disse Banksy na entrevista. Acrescentando ainda que, para ele, o melhor jeito de fazer dinheiro com a arte é “nem ao menos tentar”. Seu documentário de 2010 indicado ao Oscar “Exit Through the Gift Shop” e uma de suas intervenções em Nova Iorque questionam o valor da arte. No caso da peça em Nova Iorque, ela foi uma de várias intervenções do artista, que fez da cidade sua casa por um mês no ano passado e se propôs a apresentar uma nova obra a cada dia. Se tratava de uma barraquinha de rua no Central Park com um homem vendendo pinturas originais do artista por apenas 60 dólares, preço muito inferior ao valor normalmente atribuído a suas obras em galerias. Pouquíssimos quadros foram vendidos, o que levanta uma série de questões sobre o mundo da arte, como os valores são atribuídos, a importância de ser um “original” e do nome do artista. Essas questões também aparecem em seu documentário ao contar a história de Thierry Guetta, um francês fanático por filmadoras que tenta fazer um documentário sobre grafite e sobre o próprio Banksy.

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Mundialmente conhecido por sua arte inovadora e criativa, Banksy parece seduzir ainda mais com sua escolha em permanecer anônimo. Muito já se especulou sobre sua identidade; o jornal britânico Daily Mail chegou a afirmar ter revelado a identidade de Banksy, publicando uma foto e seu suposto nome que seria Robert Banks, o que foi negado. Talvez o anonimato reforce o debate sobre a arte, fazendo com que as pessoas concentrem-se em suas obras e não na sua identidade, evitando tornar-se mais uma celebridade. Para os fãs do grafiteiro, resta esperar qual será sua próxima empreitada. Por hora, fiquemos com duas perguntas feitas pelo próprio artista em seu site: “qual é a pior coisa sobre arte de rua?”. E “qual é melhor coisa também sobre arte de rua?” A resposta, dada pelo próprio artista, é a mesma: “ter que cometer seus erros em público”.

Por Isabel Lima
isaseta@gmail.com
Crédito das imagens: banksy.co.uk

 

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