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Brasil conquista 2 ouros inéditos no Mundial De Ginástica Rítmica

Com duas medalhas de ouro e uma de bronze no conjunto geral, a seleção conquistou a maior pontuação da temporada e garantiu vaga antecipada nas Olimpíadas de 2028

Por Cecília Barros (@ceciliaabarros@usp.br) ginástica rítmica

No último fim de semana, nos dias 15 e 16, a seleção brasileira de ginástica rítmica conquistou um feito inédito: três medalhas — duas de ouro e uma de bronze — no Campeonato Mundial de Frankfurt, na Alemanha. A 42ª edição da competição reuniu cerca de 300 ginastas de mais de 60 países.

Nas finais disputadas no domingo (16), as brasileiras dividiram o pódio com China e Bulgária e colocaram o Brasil no centro de um esporte historicamente dominado por nações do norte global. As conquistas também representam os primeiros títulos mundiais sul-americanos na modalidade, de modo a romper com a hegemonia de países como Rússia, Ucrânia, Bulgária, Belarus, Israel e Itália. 

 “Sempre foi um sonho. Poder ver a bandeira do Brasil no lugar mais alto, poder representar nosso povo, nossa família, não tem preço”

Duda Arakaki, capitã do conjunto brasileira, em entrevista ao Sportv

País da ginástica rítmica

A medalha de bronze conquistada no sábado, 15 de agosto, garantiu à seleção brasileira de ginástica rítmica uma vaga para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028 com dois anos de antecedência. É a primeira vez que o Brasil assegura a classificação olímpica nesse momento da preparação, que consolida a presença das Leoas na próxima edição dos Jogos.

As atletas responsáveis pelo melhor desempenho da história do Brasil no torneio são Julia Kurunczi, Maria Eduarda Arakaki, Maria Paula Caminha, Mariana Gonçalves, Nicole Pircio e Sofia Madeira, sob o comando da técnica Camila Ferezin. Até então, o melhor resultado havia sido alcançado no ano passado, com medalhas de prata no conjunto geral e na série mista.

“Olhar para essas meninas e poder dizer que somos campeãs mundiais é algo quase surreal. É a realização de um sonho que foi construído todos os dias, durante muitos anos”

Camila Ferezin, técnica da seleção brasileira de ginástica rítmica, em entrevista ao Sportv após ouro no conjunto simples

A conquista de dois ouros em provas com aparelhos também representa um feito histórico. Desde 2000, apenas a Rússia havia alcançado esse resultado, em 2007 e 2010. Agora, o Brasil entra para essa lista.

O país vive um momento de destaque na modalidade. A seleção reúne atletas experientes, novatas e ginastas promovidas da categoria juvenil, o que cria uma combinação de diferentes gerações no mesmo conjunto.

A equipe brasileira manteve a formação apresentada no Mundial de 2025 e preservou parte da base que disputou os Jogos Olímpicos de Paris, com Duda Arakaki, Sofia Madeira e Nicole Pircio [Imagem: Reprodução/Agência Brasil]

Conjunto Geral — sábado, dia 15

O conjunto geral funciona não só como uma disputa independente, mas também como uma etapa classificatória para as finais dos aparelhos. A pontuação é definida pela soma das notas das duas séries: a simples, com cinco bolas, e a mista, com três arcos e duas maças. Com 55,500 pontos, o Brasil conquistou a medalha de bronze e dividiu o pódio com a Espanha, campeã com 57,450 pontos, e o Japão, medalhista de prata com 56,700.

Na série mista, as Leoas alcançaram a segunda maior nota, com 28,700 pontos, após optarem por uma apresentação que reduzisse os riscos em algumas recuperações, ou seja, os movimentos corporais – saltos, giros e deslocamentos – das ginastas para recuperar um elemento lançado anteriormente, como bolas ou maças. O resultado ficou atrás apenas da Espanha, que somou 28,950, e à frente do Japão, atual campeão mundial, que obteve 28,150.

Já na série de cinco bolas, uma falha na recuperação de um dos aparelhos fez o Brasil marcar 26,800 pontos, resultado que colocou a equipe na oitava posição da prova. Apesar da perda de pontos, a soma do desempenho nas duas séries foi suficiente para manter a seleção no pódio do conjunto geral.

Seleção brasileira feminina durante a apresentação com cinco bolas no Mundial de Ginástica Rítmica

Com zero penalidades no dia seguinte, as brasileiras saltaram de 26.800 para 29.450 pontos [Imagem: Reprodução/X/@bolhaolimpica]

Na mesma série, a Espanha somou 28,500 pontos, enquanto o Japão marcou 28,550. Com isso, as três seleções repetiram o pódio do Mundial de 2025, disputado no Rio de Janeiro, mas em posições diferentes. Naquela edição, o Brasil terminou como vice-campeão.

As finais — domingo, dia 16

As notas obtidas nas apresentações do conjunto geral definem a classificação para as decisões específicas dos aparelhos, e as oito equipes com as maiores pontuações em cada um garantem vaga para a respectiva final.

Na decisão, as oito classificadas repetem a série do aparelho em que avançaram. A nota obtida nessa apresentação define a classificação final e a distribuição das medalhas, sem que a pontuação da fase classificatória seja somada ao resultado da final. Assim, se o Brasil terminar a classificatória com a segunda maior nota na série mista, garante uma vaga na decisão. A partir daí, começa uma nova disputa: a pontuação anterior serviu apenas para determinar a classificação e não é levada para a nota final.

Cinco bolas

“Em ano de Copa do Mundo, quem deu um show de bola foi a ginástica rítmica”

Gonçalo Luiz, narrador da Cazé TV

A seleção brasileira foi a terceira equipe a se apresentar na final da série simples. Ao som de “I’m Feeling Good”, na versão de Michael Bublé, as Leoas superaram o próprio recorde e alcançaram a maior nota da temporada: 29.450. O resultado também ficou acima dos 29.250 obtidos pelo Brasil na final do Campeonato Pan-Americano.

Imagem da seleção brasileira de ginástica rítmica feminina vestindo as medalhas de ouro e apontando para cima

“É muito orgulho do time inteiro, porque, acima de qualquer resultado, somos uma família. A gente trabalhou muito duro para estar aqui. Conseguir essa vaga agora era nosso principal objetivo, era um sonho” disse Duda Arakaki em entrevista à CNN Brasil [Imagem: Reprodução/X/@piuesportes]

A China ficou com a prata. Mesmo sem cometer erros na apresentação, a equipe recebeu 28.900, nota insuficiente para superar as brasileiras. Já a Bulgária completou o pódio com 28.400. Depois de dividir as menores notas da série simples com o Brasil no dia anterior, as búlgaras conseguiram melhorar seu desempenho e garantir a medalha de bronze. A Espanha, por sua vez, cometeu uma falha durante a apresentação e recebeu 27.450, pontuação que fez com que a equipe terminasse na quinta colocação.

Série mista

Com o ouro inédito garantido, o Brasil entrou confiante na final da série mista. Ao som de “Abracadabra”, de Lady Gaga, as Leoas igualaram sua nota de 29.450 pontos registrada na série simples, que foi também a maior marca mundial no ano de 2026. 

“Eu desafio você a não se emocionar, e digo mais, não tem como!”

Gonçalo Luiz, narrador da Cazé TV

Campeã da prova geral e líder da classificatória, a Espanha também cravou a série, mas os 29.050 pontos que obteve não foram suficientes para alcançar as brasileiras e  renderam medalha de prata à equipe. O Japão, terceiro colocado das classificatórias, cometeu pequenas falhas e ocupou o quarto lugar, desbancado do pódio pela Bulgária, que marcou 28,750.

Por fim, coube à Ucrânia fechar a disputa. No ano passado, o país se consagrou como campeão da série mista e tirou o ouro do Brasil em casa. Nesse ano, porém, as ucranianas deixaram as maças caírem duas vezes, o que manteve o Brasil no topo do pódio. 

 “A gente acreditava muito que era possível. Esse é um dos pontos mais importantes da nossa equipe: acreditar antes de acontecer. Isso é ter fé. A gente tinha muita fé que poderíamos fazer nossas séries ainda melhor. A medalha é consequência”

Duda Arakaki, capitã do conjunto brasileiro

Mundial de Ginástica Rítmica

O Mundial de Ginástica Rítmica é uma das principais competições da modalidade. Organizado pela Federação Internacional de Ginástica (World Gymnastics, anteriormente conhecida como FIG), o torneio é realizado anualmente, exceto nos anos em que são disputados os Jogos Olímpicos. 

A sua primeira edição foi realizada em 1963, época em que o esporte era conhecido como ginástica moderna. Atualmente, o programa do Campeonato Mundial contempla apresentações individuais e em grupo. Desde sua criação, duas provas foram excluídas do programa: corda individual e mãos livres. 

A corda, um dos aparelhos tradicionais da ginástica rítmica, deixou o programa individual sênior em 2011, em uma decisão relacionada à busca por apresentações mais visualmente atrativas. Já a prova com mãos livres foi retirada pois as apresentações eram consideradas teatrais e possuíam forte influência do balé, o que fazia com que a modalidade se afastasse da identidade que a ginástica rítmica busca consolidar como esporte competitivo. Com isso, o programa passou a privilegiar apresentações que envolvem a manipulação de aparelhos. 

Quadro de medalhas do Mundial de Ginástica Rítmica

O campeonato mundial foi historicamente dominado pela União Soviética e pela Bulgária. Desde a dissolução da URSS, o domínio do campeonato recaiu sobre os países do leste europeu, e as únicas nações fora do continente que conseguiram conquistar medalhas foram o Japão, a China, a Coreia do Norte, a Coreia do Sul, o Brasil e os Estados Unidos [Imagem: Reprodução/Wikipedia]

*Imagem de capa: [Imagem: Reprodução/X/@osolimpicos]

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