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Corgi: Top Dog – um filme que pode divertir, mas não ultrapassa essa barreira
CINÉFILOS
12 set 2019 | Por Arthur Nascimento (arthur.gm.nascimento@usp.br)

Corgi: Top Dog (The Queen’s Corgi, 2019) conta a história de Rex (Jack Whitehall), um cachorro da raça Corgi que é o cão favorito de Elizabeth II (Julie Walters). Ele é apresentado já na primeira cena do filme, que mostra a sua chegada ao Palácio de Buckingham e como conquistou a rainha do Reino Unido, alcançando o posto de “top dog”.

A partir dessa premissa, o enredo se desenvolve depois que Rex entra  em uma confusão e morde o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que visitava o Palácio Real. Isso faz com que Rex, incentivado por um dos outros cães, fuja de sua residência. Mas esse suposto amigo do “top dog” o engana, impedindo seu retorno. O protagonista acaba sendo levado a um canil, e se vê em necessidade de retornar ao lar em que era tão amado.

Desde o instante inicial do filme, é notável o destaque dado a Rex e o caráter secundário dado aos humanos na trama. A rainha Elizabeth II, o Duque de Edimburgo e todos os serviçais da realeza são personagens secundários, abordados sem profundidade, enquanto os cachorros assumem o protagonismo. Mais do que protagonismo, os cães são abordados de maneira humana. Isso dá profundidade aos personagens, que possuem vaidades, desejos e sentimentos.

O respeito aos predicados de cada personagem é elogiável. Rex nunca deixa de seguir seu propósito inicial: retornar ao Palácio de Buckingham e receber o carinho da Rainha Elizabeth II. E os coadjuvantes, sejam eles amigos ou inimigos do protagonista, permanecem agindo conforme suas particularidades, impedindo quaisquer reviravoltas sem sentido na trama.

Apesar dos cachorros serem abordados com certa profundidade, a sensação predominante é que falta algo em Corgi: Top Dog. A trama do filme diverte, mas não a ponto de gerar emoções intensas. Rex é interessante, mas o seu lado mimado e acostumado a regalias impede a criação de um vínculo maior.

O protagonista Rex, um cão mimado por todos ao seu redor [Foto: Imagem Filmes]

Outra questão que pode ser criticada na animação é o número de piadas e situações voltadas para o público adulto. Há referências implícitas a atos sexuais, por exemplo, que não condizem com o público-alvo do filme. E, mesmo que se relacionasse, não são situações complexas ou que gerem o riso inevitável.

Tratando de aspectos técnicos, o filme possui uma bela animação, que é capaz de transmitir a beleza do Palácio de Buckingham e de retratar com cuidado outras paisagens. E a dublagem para o português possui vozes que não geram estranhamento, cumprindo seu papel. Embora, por duas vezes, os personagens realizem performances musicais que não foram adaptadas para o português e nem possuem legendas, prejudicando o entendimento da cena.

O trabalho realizado em Corgi: Top Dog tem aspectos positivos, mas não ultrapassa a barreira do comum. É um filme que tem seus méritos, como o protagonismo aprofundado dos cães, capaz de entreter o espectador durante os 90 minutos de filme. Mas é notável a ausência de algo a mais, que seja capaz de fazer rir, chorar ou exprimir outra grande sensação.

A animação tem estreia prevista para 5 de setembro nos cinemas nacionais e é classificada como livre para todos os públicos. Confira o trailer:

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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