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‘Divertida Mente 2’: todas as emoções são feitas para serem sentidas

Com novos personagens, 'Divertida Mente' retorna com o mesmo aspecto do filme original, mas ainda mais divertido, complexo e sensível
Personagens do filme divertida mente
Por: Clara Viterbo Nery (claravnery@usp.br)

“Já olhou pra alguém e pensou o que passa na cabeça dela?”. Desde 2015, é difícil encontrar quem não tenha ouvido falar sobre as emoções que vivem na cabeça de todas as pessoas. Divertida Mente (Inside Out, 2015), dirigido por Pete Docter, se tornou um fenômeno de bilheteria, crítica e audiência, arrecadando mais de U$800 milhões ao redor do mundo e conquistando 2 Oscars — de Melhor Animação e Melhor Roteiro Original. Por essa razão, não havia como não notar a chegada da tão esperada sequência. Em Divertida Mente 2 (Inside Out 2, 2024), a trama retorna com um desafio ainda maior, com a chegada da adolescência, novas emoções e, claro, da expectativa do público. 

Como parte de um grande sucesso, imaginar uma sequência capaz de se equiparar com o filme original, agradando tanto público quanto crítica, seria uma tarefa árdua. Era preciso desenvolver uma história que não anulasse todo o trabalho de Pete Docter e, ao mesmo tempo, trouxesse novidades narrativas. Mesmo com um grande desafio em mãos, Kelsey Mann, diretor estreante que assume a direção no lugar de Docter, resolveu encarar o desafio de desenvolver o novo longa, agora ainda mais cercado de dúvidas e expectativas. 

Divertida Mente 2, mesmo lançado com quase uma década de diferença do primeiro, se passa a apenas dois anos do encerramento dos eventos originais. A trama acompanha Riley aos 13 anos, tendo que lidar não apenas com a puberdade, mas também com os novos personagens que chegam com ela: Ansiedade, Inveja, Tédio e Vergonha. As emoções do primeiro filme, que já haviam encontrado equilíbrio entre elas, agora veem o painel de controle ser complementado reformado e precisam aprender a lidar com os novos agregados, e, o que pode parecer uma dinâmica confusa, na verdade, é uma grata surpresa ao telespectador. 

Ansiedade do filme Divertida mente 2
O primeiro trailer de Divertida Mente 2 obteve mais de 157 milhões de visualizações nas primeiras 24 horas, quebrando o recorde de Frozen II. [Imagem: Reprodução/Youtube/Pixar]

Todas as emoções possuem, nem que seja mínima, uma importância dentro narrativa, o que demonstra a dedicação da equipe em justificar a inserção dos novos personagens na criação dessa narrativa mais complexa. A adição das novas emoções, que era temida por parte do público, no primeiro momento, gera um leve caos na sala de controle e rende cenas bem-humoradas e leves para o público. Ao mesmo tempo, ao longo da trama, eles vão ganhando espaço e uma verdadeira profundidade que contribui para o caráter emocional do filme. 

Como antecipado pelo marketing, a Ansiedade (brilhantemente dublada por Tatá Werneck na versão brasileira) é o verdadeiro destaque do filme. Introduzida como vilã, é importante destacar que o papel da Ansiedade vai muito além disso. Enquanto a personagem toma as rédeas da narrativa, suas atitudes podem partir do melhor altruísmo possível, mas, ainda assim, causam efeitos desastrosos. A visibilidade que a emoção recebe nesta trama é, acima de tudo, muito humana e condiz com o conhecimento comum sobre o sentimento, possibilitando seu desenvolvimento compreensível e didático para o público mais jovem. 

Quanto às emoções e elementos previamente introduzidos no original, nenhuma ideia é perdida ou descartada. Fica claro que Kelsey Mann e sua equipe de roteiristas tiveram um trabalho minucioso em estudar o universo de Divertida Mente para aproveitar os elementos e desenvolvê-los junto à nova ideia. Todos os espaços dentro da mente de Riley que já eram conhecidos, como as ilhas da personalidade ou o labirinto das memórias, retornam e, mesmo os que passam por modificações, a exemplo das ilhas que ficam maiores ou menores conforme a personagem cresce, são justificadas pelo roteiro. Já os ambientes (e personagens) introduzidos vem para somar a esse universo, tornando-o cada vez mais complexo como pede o enredo do filme. 

A história de Divertida Mente 2, nos demais aspectos, amadurece com a protagonista. O telespectador, dessa vez, passa mais tempo com a Riley e isso o conecta ainda mais com a personagem. É possível entender melhor os conflitos pelos quais ela passa e experienciar como ela e as emoções vivem aqueles sentimentos. O filme não precisa se apoiar em nenhuma perda (como a do amigo imaginário Bing Bong, no primeiro)  para tocar o público. Agora, ele emociona porque ele é ainda mais real — mais humano. A maneira como os personagens têm de lidar com todas as situações fora de seu alcance  talvez seja a melhor síntese do que é a adolescência.

Ansiedade no filme Divertida mente
A estreia de Divertida Mente 2 se tornou a segunda maior da história da Pixar, somando mais de U$62 milhões de dólares apenas no primeiro dia nos EUA. [Imagem: Reprodução/Youtube/Pixar]


Em aspectos mais técnicos, uma das coisas que deveria ser um diferencial, mas não surpreende, é a estrutura do roteiro. Talvez em uma tentativa desesperada de emplacar o sucesso,  a mesma fórmula narrativa do primeiro filme é reutilizada, com os 3 atos  praticamente idênticos aos do original. A problemática em torno das emoções, retiradas do painel de controle, a aventura que elas têm que percorrer até conseguirem retornar, e, claro, com um retorno emocionante nos últimos minutos, parece muito seguro e simples para a grandiosidade do universo que a equipe têm em mãos.  Essa estratégia é útil de forma que quem gostou do primeiro filme, não tem como não gostar desse. Mas, para o telespectador mais atento, gera uma sensação de repetitividade inesperada. 

Nas demais tecnicidades, não há do que reclamar.  O humor é mais inteligente, sarcástico e acentuado do que no primeiro, as breves utilizações de outras técnicas de animação são bem inseridas e contribuem para melhorar ainda mais o visual do filme e o ritmo não apressa ou enrola os seus acontecimentos. O único elemento que falta é a coragem de tentar ir além do que o original já propusera.  

Os filmes da Pixar ficaram conhecidos pelos universos diferentes e histórias complexas e, mesmo assim, serem acessíveis para toda a família. A magia era atrelada à criatividade, ao inesperado e à emoção que esses filmes traziam, como em Up! Altas Aventuras (Up!, 2009) e Monstros S.A. (Monsters Inc., 2001), ambos dirigidos por Pete Docter, que também fez Divertida Mente. A preocupação em torno desse filme era se ele conseguiria retomar essa magia que havia sido um pouco perdida nos últimos anos. Lightyear (2023), por exemplo, é um filme tão fora da curva para o estúdio que fracassou nas bilheterias. 

Felizmente, essa sequência segue o seu original. É um filme emocionante, divertido e, mais importante, verdadeiramente Pixar. Divertida Mente 2 é a sequência ideal: mesmo que não supere o primeiro, consegue capturar sua essência e desenvolver melhor a profundidade emocional. O longa não deixa de ser cativante pela sua narrativa; na verdade, ele se utiliza disso para garantir a emoção e diversão do seu público. Aquele que vai ao cinema esperando diversão para toda a família com certeza a encontrará. 

O filme estará disponível dia 20 de junho nos cinemas. Confira o trailer

*Imagem de capa: Divulgação/Pixar

1 comentário em “‘Divertida Mente 2’: todas as emoções são feitas para serem sentidas”

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