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Impacta Mais 2026 – Fórum de Economia de Impacto | ‘O Nordeste não é o futuro da inovação; é o hoje’

Segundo dia do evento debateu desenvolvimento sustentável no Nordeste e contou com premiação para iniciativas com impacto socioambiental
Na imagem,Michelle Ribeiro, Mayara Costa, Monique Moraes e Andréa Gomes no painel sobre desenvolvimento no nordeste
Por Renata Paes (renatapaes777@usp.br) e Thaiza Souza (thaizasouza@usp.br)

Na última quinta-feira (21), o Pro Magno Centro de Eventos, em São Paulo, recebeu o segundo e último dia do Impacta Mais 2026 – Fórum de Economia de Impacto. A iniciativa reuniu investidores, empresários, representantes do poder público, pesquisadores e lideranças acadêmicas para discutir soluções sustentáveis para os desafios ambientais e sociais da atualidade. O encontro consolidou-se como um espaço de diálogo estratégico voltado à construção de modelos econômicos mais responsáveis, inovadores e alinhados às demandas globais de desenvolvimento sustentável.

Ao longo da programação, os visitantes acompanharam painéis temáticos, palestras, rodadas de negócios e apresentações de projetos voltados à economia verde, inovação social, transição energética e práticas ESG (ambiental, social e de governança, na sigla em português). Especialistas de diferentes setores compartilharam experiências, pesquisas e iniciativas que buscam conciliar crescimento econômico, preservação ambiental e impacto social positivo.

O evento também promoveu conexões entre empresas, startups, universidades e instituições públicas, incentivando parcerias e investimentos em tecnologias sustentáveis e soluções de impacto, ou seja, projetos ou inovações tecnológicas que geram retorno financeiro ao mesmo tempo em que resolvem desafios socioambientais. Nas áreas de exposição e feiras de negócios, organizações apresentaram planejamentos voltados à energia limpa, gestão de resíduos, agricultura sustentável, mobilidade urbana e inclusão social, ampliando as oportunidades de networking e cooperação entre os participantes.

Nordeste no centro do debate ecotecnológico

O painel “Nordeste como fronteira de investimento de impacto no Brasil” foi um dos destaques do último dia do Fórum, com pautas sobre questões territoriais e ambientais. A apresentação expôs o potencial estratégico da região nordestina  como catalisadora social, econômica, tecnológica e ecológica a partir da conexão entre capital privado, políticas públicas e empresas familiares do Nordeste.

A palestra reuniu Mayara Costa, especialista em impacto e inovação social do Parque Tecnológico Horizontes de Inovação; Monique Moraes, diretora da Su Causa Mi Causa; Andréa Gomes, fundadora e estrategista da Maya Labs; e Michelle Ribeiro, conselheira da Coalizão pelo Impacto em Fortaleza. Com foco no fortalecimento da região nordestina como polo de impacto socioambiental aliado a oportunidades econômicas, as participantes responderam às perguntas da mediadora Michelle Ribeiro a partir das perspectivas de suas áreas de atuação, abordando iniciativas ligadas tanto ao setor público quanto ao privado.

Moraes destacou que, embora o Nordeste seja frequentemente visto como um território homogêneo, compreender e potencializar investimentos na região exige reconhecer as particularidades de seus nove estados, marcados por diferentes contextos geográficos, socioeconômicos e ambientais. Ao abordar a realidade do Maranhão, seu estado de atuação, a diretora do projeto Su Causa Mi Causa enfatizou a competência da “economia criativa local” — modelo econômico baseado na cultura, no conhecimento e no capital intelectual como motores de geração de valor, emprego e renda. 

Costa apontou que, na Paraíba, os investimentos voltados ao desenvolvimento regional têm priorizado áreas consideradas estratégicas, como saúde e educação. Segundo a especialista em empreendedorismo social, o avanço do estado está diretamente ligado a editais promovidos pelo setor público, voltados ao incentivo de negócios de impacto. “São iniciativas que disponibilizam cerca de R$10 milhões em investimentos para startups que apresentem soluções voltadas às demandas sociais e ambientais locais”, explicou.

Para Gomes, a concentração do fluxo de capital no eixo Sul-Sudeste é negativa por entender o Nordeste como uma fronteira estratégica de investimentos de impacto pela força da economia criativa, bioeconomia, energias renováveis, inovação social e empreendedorismo periférico. “Há um mito de que o único potencial nordestino é o turismo. É muito importante ouvir esse debate sobre a tecnologia e a forte economia que existem no Nordeste”, argumentou. 

Michelle Ribeiro, Mayara Costa, Monique Moraes e Andréa Gomes, respectivamente, no painel do Fórum
Michelle Ribeiro, Mayara Costa, Monique Moraes e Andréa Gomes, respectivamente, no painel do Fórum [Imagem: Thaiza Souza/Jornalismo Júnior]

De acordo com Moraes, o Banco do Nordeste do Brasil (BNB) é reconhecido como o maior banco de desenvolvimento regional da América Latina. O BNB opera também como o grande motor do investimento com impacto social e econômico no país. 

Embora todo o investimento em tecnologia seja bem-vindo, é importante que as construções estejam alinhadas com a perspectiva ambientalista, defende Gomes.  Data centers — estruturas físicas que armazenam e processam dados na nuvem e treinam modelos de Inteligência Artificial (IA) — serão construídos na região nos próximos anos e, embora as especialistas considerem essa inovação como algo positivo por consolidar o Nordeste como um dos principais polos de infraestrutura digital do país, é importante ressaltar o enorme uso de água que essas instalações utilizam.

“As coisas estão chegando no Nordeste, mas é importante que não venham para esgotar os recursos do território, e sim para potencializá-los”.
Andréa Gomes

Para Costa, fortalecer o Nordeste passa por criar pontes entre quem possui capital e quem desenvolve soluções de impacto na região. A especialista afirmou que sua atuação está voltada à construção de mecanismos legais e incentivos capazes de consolidar o ecossistema de inovação local. Já Moraes destacou o trabalho de articulação entre empreendedores de impacto e iniciativas regionais, estimulando conexões e oportunidades dentro do próprio território. “O Nordeste reúne condições únicas para o fortalecimento da bioeconomia, especialmente pela abundância de recursos naturais. Com a crescente busca de empresas por matrizes energéticas mais sustentáveis, muitas dessas iniciativas passam, também, a gerar impacto social e ambiental no território”, destacou.

Como mensagem final, as palestrantes destacaram que, embora o Nordeste ainda enfrente desafios históricos ligados à desigualdade social, ao acesso a investimentos e à vulnerabilidade climática, a região não pode ser reduzida a esses fatores. Em um contexto de emergência climática, avanço da inteligência artificial e concentração de investimentos no eixo Sudeste, elas defenderam a necessidade de ampliar o olhar para o potencial nordestino em inovação, tecnologia e soluções alinhadas à agenda ambiental. 

Tirem da cabeça essa ideia de que precisam nos salvar. O Nordeste já é o laboratório de soluções dele mesmo”.
Mayara Costa

Valorização do impacto por meio do reconhecimento 

Como forma de apoiar e destacar projetos que visam a atitudes sustentáveis e fundamentais para uma economia responsável, o Impact Hub e a Certificadora Social entregaram pela primeira vez o prêmio Impacta Mais, que reafirma e reconhece pessoas, organizações e iniciativas que contribuem de forma concreta para acelerar a economia de impacto no Brasil. De acordo com Paul Hendl, diretor do Impact Hub, para além de uma aclamação formal, o prêmio se posiciona como um marco para a valorização do ecossistema de impacto e impulsiona novas iniciativas e conexões estratégicas.

O processo do prêmio começou com inscrições online, em que os participantes precisavam atender a alguns requisitos mínimos para submeter seus projetos. Segundo Fábio Kanashiro, sócio diretor da Certificadora Social, critérios como intencionalidade, centralidade de impacto, sustentabilidade financeira, atividade econômica formal, monitoramento de impacto e atuação no território brasileiro foram aplicados. 

José Kaeté, apresentador da premiação, afirmou que foi um processo focado em quem trouxe a verdadeira essência dos negócios de impacto em seu respectivo campo. Kanashiro também explicou que dos quase duzentos projetos inscritos, trinta foram selecionados, junto com sete destaques de cada categoria e um ganhador geral do evento.

Na imagem, os 30 vencedores do primeiro Prêmio Impacta Mais, em 2026
Ao todo, foram premiados 30 representantes dos grupos vencedores do prêmio Impacta Mais, que abordam temas que interligam natureza, tecnologia, sustentabilidade e inovação em todo o Brasil [Imagem: Thaiza Souza/Jornalismo Júnior]

Confira a lista das sete categorias premiadas e seus respectivos vencedores:

Após a entrega do troféu para os grupos destaques, José apresentou o grupo Infinito Mare como ganhador final da edição de 2026. De acordo com Bruno Libardoni, diretor e CEO da empresa, o foco do seu negócio de impacto é uma solução baseada na natureza. Seu projeto tem uma proposta de cuidado das águas e estímulo do crescimento de algas nativas que regeneram água em qualquer ambiente em que são instaladas. Enquanto as algas crescem, elas se alimentam da poluição, absorvem carbono e oxigenam a água. Nas colheitas, os poluentes são retirados juntamente com a alga.

Na imagem, o representante do grupo Infinito Mare recebendo o prêmio de Melhor Negócio de Impacto 2026
De acordo com Libardoni, a operação sustentável promovida pela Infinito Mare pode contribuir com até oito Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) [Imagem: Thaiza Souza/Jornalismo Júnior]

Ao finalizar a cerimônia, o apresentador, Kaeté, afirmou: “Cada iniciativa que falamos aqui no palco, que participou e foi reconhecida nesse prêmio, mostra que já existem pessoas, organizações e soluções construindo, na prática, uma nova economia mais inclusiva, sustentável e regenerativa no Brasil”.

[Imagem de Capa: Thaiza Souza/Jornalismo Júnior]

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