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O Que Toca na Sala 33: Pé na Estrada

Entre paisagens pela janela, lembranças e novos caminhos, uma boa trilha sonora faz da estrada uma viagem inesquecível
a imagem mostra o porta malas de um carro com uma caixa de som dentro dele. Ele solta arco-íris que representa a sonoridade da música e notas musicais acompanham as ondas

Por Larissa Santos (larissasantos22@usp.br) e Loren Tangi (loretangi@usp.br)

Passar horas na estrada pode ser sinônimo de tédio para algumas pessoas, mas basta uma boa música começar a tocar para que a viagem ganhe novos significados. Entre letras marcantes, sentimentos de felicidade e lembranças que surgem sem aviso, o tempo parece passar de outra forma.

Há quem escolha canções carregadas de valor sentimental, capazes de trazer à tona memórias especiais. Outros preferem aquelas que funcionam como uma fuga da realidade, e transportam  o ouvinte para um “outro mundo”. E há também as músicas perfeitas para acompanhar a paisagem pela janela, que permitem  momentos de reflexão — ou simplesmente o prazer de não pensar em nada e apenas sentir o momento.

Independentemente do destino, a trilha sonora certa tem o poder de transformar qualquer trajeto em uma experiência única. Afinal, algumas viagens não são lembradas apenas pelos lugares por onde passamos, mas também pelas músicas que tocaram durante o caminho.

Nesta edição do O Que Toca na Sala 33, os repórteres e diretores da gestão 26 da Jornalismo Júnior compartilharam as músicas que não podem faltar em suas viagens e que, quando voltam a tocar, devolvem as lembranças e as boas memórias vividas pelo trajeto. Confira alguns destaques:

1. Infinita Highway, Engenheiros do Hawaii (1987)

A canção publicada no álbum A Revolta dos Dândis (1987), cantada pela banda Engenheiros do Hawaii, tornou-se um dos maiores clássicos do rock nacional. A letra fala sobre a decisão de seguir em frente mesmo sem saber exatamente onde se vai chegar, aprendendo a conviver com as dúvidas e encontrar sentido no próprio caminho. 

“Não precisamos saber pra onde vamos, nós só precisamos ir.”
Humberto Gessinger, vocalista

A música utiliza a estrada como uma metáfora para o caminho da vida, e valoriza o percurso seguido por cada pessoa. Ao abordar a resiliência e a coragem necessária para seguir em frente, mesmo diante das incertezas e dos desafios, Mostra que o mais importante nem sempre é o destino, mas tudo o que se aprende ao longo da jornada.

2. Dê Um Rolê, Gal Costa (1971)

Interpretada por Gal Costa e escrita por Morais Moreira e Luiz Galvão durante o período da ditadura militar brasileira, em 1970, a canção é um hino à liberdade, ao otimismo e à resistência, além de carregar um espírito ligado à contracultura e ao Movimento Tropicalista. 

A letra descreve alguém que passeia (“dá um rolê”) enquanto observa o mundo ao redor e reflete sobre a própria existência. Mais do que contar uma história linear, a música cria imagens e sensações, e utiliza rolê como uma metáfora para a experiência de viver. 

Ela retrata os encontros e as transformações que acontecem ao longo do caminho e convida o ouvinte a enxergar o cotidiano com mais leveza e menos pressa.

O verso “Enquanto eles se batem, dê um rolê” reforça essa ideia. Mais do que um convite para passear, ele sugere um afastamento das violências e dos conflitos, incentiva o ouvinte a viver, explorar o mundo e não se deixar aprisionar pelo caos ao redor, buscando a própria experiência de liberdade.

3. Tiny Dancer, Elton John (1971)

A música, escrita por Elton John e Bernie Taupin, não foi um sucesso instantâneo como outras músicas do cantor. Tiny Dancer foi, inicialmente, lançada nos Estados Unidos, porém a versão que foi ao ar na época era editada para rádio (mais curta que a original), e privava o público de acompanhar a progressão musical que dá destaque a faixa.  Anos depois, ao ser veiculada na rádio FM em sua versão original, a canção conquistou mais fama, e hoje em dia, é considerada um clássico do rock. 

Em entrevista à  Rolling Stone, Bernie diz que a música foi inspirada em uma viagem à Califórnia dos anos 1970, onde ele diz que “o sol simplesmente irradiava das pessoas”.  O compositor afirma que a música foi composta em uma tentativa de capturar o espírito daquela época, que segundo ele, estava personificado nas  mulheres que os artistas conheceram nas lojas de roupas, restaurantes e bares pela Sunset Trip.

A  canção aparece no filme Quase Famosos (Almost Famous, 2000), que retrata a vida de astros do rock da década de 1970. Quando a banda fictícia Stillwater se encontra no ônibus de viagem em um momento tenso, o baterista começa a cantarolar o ritmo da música, todos se juntam a ele, e o senso de coletividade e alegria vem à tona, transformando o ambiente.

4. There Is a Light That Never Goes Out, The Smiths (1986)

Uma das canções mais populares do rock alternativo, escrita por Morrissey e Johnny Marr, There Is a Light That Never Goes Out foi lançada no álbum The Queen Is Dead (1986) e se tornou um fenômeno global, com mais de 1 bilhão de streams nas plataformas digitais. 

A música, apesar de seu ritmo animado, fala sobre a possibilidade de morrer esmagado por um ônibus de dois andares ao lado de alguém que você ama, o que do ponto de vista do eu lírico, seria “such a heavenly way to die” (“uma forma muito divina de morrer”, em tradução livre). Esse fluxo de pensamentos é gerado pela ideia de que morrer ao lado de alguém que você ama seria melhor do que viver sozinho, uma vez que o personagem que protagoniza a canção fala sobre não pertencer a lugar algum no trecho “It’s not my home, it’s their home, and I’m welcome no more” (“Não é meu lar, é o lar deles, e eu não sou mais bem-vindo”, em tradução livre). 

Morrissey,  vocalista da banda, dá vida à  música com uma intensidade que é digna do drama e dos dilemas expostos na letra da canção. Em meio a todas essas questões, a frase “There is a light that never goes out” (“Há uma luz que nunca se apaga”, em tradução livre) nomeia a música, e representa a esperança que apesar de tudo, continua ali.

5. Eduardo e Mônica, Legião Urbana (1986)

A canção que marcou gerações, e continua famosa até os dias atuais, narra a história de um amor improvável. Composta por Renato Russo, o verso “quem um dia irá dizer que não existe razão nas coisas feitas pelo coração” define muito bem a essência da narrativa. Duas pessoas com personalidades e estilo de vida totalmente opostos se encontram, por acaso, em uma festa e ao final da música, terminam juntas e felizes.

A produção do rock brasileiro conta com uma energia contagiante e uma letra que marcou muitos brasileiros. A história inspirou um filme, que leva o mesmo nome, e acompanha o enredo já conhecido, onde Gabriel Leone e Alice Braga dão vida aos personagens sob a direção de René Sampaio. 

Confira a seleção completa da playlist “O Que Toca na Sala 33: Pé na Estrada”:

  1. Santeria, Sublime – Sugerida por Letícia Longo (diretora de Assessoria)
  2. Ticket to Ride, The Beatles – Sugerida por Letícia Longo (diretora de Assessoria)
  3. Lá vou eu, Irmão Urso – Sugerida por Victor Gama, (diretor do RH)
  4. Tiny Dancer, Elton John – Sugerida por Letícia Longo (diretora de Assessoria)
  5. Nights, Frank Ocean – Sugerida por Pedro Mattos (Repórter da J.Press e Assessoria)
  6. Infinita Highway, Engenheiros do Hawaii – Sugerida por Estela Bughay (repórter do Laboratório e Audiovisual)
  7. It Ain’t Over ‘Til It’s Over, Lenny Kravitz – Sugerida por Cecilia Barros (repórter do Laboratório e Comunicação Visual)
  8. There Is a Light That Never Goes Out, The Smiths – Sugerida por Ana Germano (repórter do Arquibancada e Mídias)
  9. ⁠Take It Easy, Eagles- Sugerida por Luiza Torre (repórter do Cinéfilos e Mídias)
  10. My Sweet Lord, George Harrison – Sugerida por Renata Paes (repórter da J. Press e Eventos)
  11. Slow Dancing in a Burning Room, John Mayer – Sugerida por Hellen Indrigo, (diretora do Arquibancada)
  12.  Tennessee Skyline, The Foragers – Sugerida por Murilo Bezerra, (repórter da J. Press e Mídias)
  13.  ⁠Saúde, Rita Lee -Sugerida por Murilo Bezerra (repórter da J. Press e Mídias)
  14.  ⁠Alma de Guerreiro, Seu Jorge – Sugerida por Murilo Bezerra (repórter da J. Press e Mídias)
  15. ⁠Meu Lugar, Onze:20 – Sugerida por Murilo Bezerra (repórter da J. Press e Mídias)
  16.  ⁠Fim de Tarde, Fat Family – Sugerida por Murilo Bezerra (repórter da J. Press e Mídias)
  17. Should I Stay or Should I Go, The Clash – Sugerida por Thaiza Souza (repórter da J. Press e Comunicação Visual)
  18. Moonage Daydream, David Bowie – Sugerida por Yuri Umemaru (repórter da J.Press e Eventos)
  19. Spinz, Smino – Sugerida por Fernando Lucchi (repórter do Arquibancada e Audiovisual)
  20. Life is Good, SiR – Sugerida por Fernando Lucchi (repórter do Arquibancada e Audiovisual)
  21. ⁠Leave, Post Malone – Sugerida por Isabela Slussarek (diretora de Mídias)
  22. Take It Easy My Brother Charles, Jorge Ben Jor – Sugerida por Kauany Rocha (repórter da J Press)
  23. A Ordem Natural das Coisas, Emicida feat. Mc Tha – Sugerida por Maju Pinheiro (repórter do Sala33 e Comunicação Visual)
  24. Always On My Mind, Pet Shop Boys – Sugerida por Yuri Umemaru (repórter da J.Press e Eventos)
  25. Walk on the Wild Side, Lou Reed – Sugerida por Theo Zapella (repórter do Sala33 e Comunicação Visual)
  26. Summer Wine, Nancy Sinatra – Sugerida por Theo Zapella (repórter do Sala33 e Comunicação Visual)
  27. Harvest Moon, Neil Young – Sugerida por Theo Zapella (repórter do Sala33 e Comunicação Visual)
  28. Reconvexo, Maria Bethânia -Sugerida por Fernando Silvestre (diretor de Eventos)
  29. Dê um rolê, Gal Costa – Sugerida por Kauany Rocha (repórter J. Press e Assessoria)
  30. Highway Song, System of a Down – Sugerida por Heloisa Falaschi, (diretora do Sala33)
  31. Why, Annie Lennox – Sugerida por Sara da Franca (repórter do Cinéfilos e Audiovisual)
  32. Parklife, Blur – Sugerida por Sara da Franca (repórter do Cinéfilos e Audiovisual)
  33. Hot Wind Blows, Tyler, the Creator – Sugerida por Fernando Lucchi (repórter do Arquibancada e Audiovisual)
  34. Eduardo e Mônica, Legião Urbana – Sugerida por João Paulo Mansur (repórter do Sala33 e Mídias)
  35. Seis Cordas / Baião de Dois / Cavalo Lampião, Wesley Safadão –  Sugerida por Larissa Santos (repórter do Sala33 e Mídias) 
  36. Meu Reggae é Roots, Natiruts – Sugerida por Larissa Santos (repórter do Sala33 e Mídias)
  37. Andei Só, Natiruts – Sugerida por Larissa Santos (repórter do Sala33 e Mídias)
  38. Desmistificar, Marina Sena – Sugerida por Larissa Santos (repórter do Sala33 e Mídias)
  39. Coisas Naturais, Marina Sena – Sugerida por Larissa Santos (repórter do Sala33 e Mídias)
  40. Sweet Child O’ Mine, Guns N’ Roses – Sugerida por Larissa Santos (repórter do Sala33 e Mídias)
  41. Acima do Sol, Skank – Sugerida por Larissa Santos (repórter do Sala33 e Mídias)
  42. Friday I’m In Love, The Cure – Sugerida por Loren Tangi (repórter do Sala33 e Comunicação Visual)

A capa desta matéria usa uma imagem editada do Unsplash, por Wesley Tingey e uma imagem editada do Magnific, por zirconicusso

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