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O que toca na Sala 33: Jeitinho Brasileiro

Músicas que animam todos para torcer e não podem faltar em playlists feitas para a Copa do Mundo
Imagem de Elza Soares e Jorge Ben Jor como se estivessem em um álbum de figurinhas, com "O que toca na Sala 33" escrito

Por Bianca Candido (biancasantoscandido@usp.br) e Kaylaine Farias (kaylainemdsf@usp.br

Em clima de jogos e festa, a esperança de ganhar mais uma Copa do Mundo está presente no coração dos brasileiros. O campeonato remonta a ideia de famílias reunidas para ver o Brasil jogar, bares lotados, ruas coloridas e músicas temáticas que geram identificação na nação. 

Existem composições que enchem os torcedores de orgulho de serem brasileiros: desde clichês, músicas chiclete, obras que foram feitas especialmente para a competição, ou também, aquelas que falam do país do futebol com orgulho e emoção. Do samba ao funk, a representação do Brasil aparece em diversos estilos. 

Apesar das diferenças em seus contextos, propostas e mensagens, estas canções compartilham um elemento central: a construção de representações sobre a identidade brasileira por meio de aspectos populares.

Nesta edição do O Que Toca na Sala 33, perguntamos aos repórteres e aos diretores da gestão 26 da Jornalismo Júnior, quais músicas representam a identidade nacional do Brasil e que, em ano de Copa,  não deixam ninguém calado! Confira alguns destaques:

1. País Tropical, Jorge Ben Jor (1969)

Na música País Tropical, composta por Jorge Ben Jor e introduzida como marchinha de Carnaval, o orgulho de ser brasileiro e a valorização de pequenas coisas do cotidiano são evidenciadas. Lançada em 1969, durante o regime militar, a canção adota um tom ufanista, exaltando as belezas naturais e culturais do Brasil, como o carnaval e o clima festivo de fevereiro. 

As referências ao Cristo Redentor e ao Flamengo conectam a letra ao Rio de Janeiro, cidade natal do artista, e reforçam o orgulho carioca e a identidade nacional. Embora Jorge Ben tenha composto a música, ela foi gravada primeiro pelo cantor Wilson Simonal em julho de 1969, tornando-se o maior sucesso de sua carreira e um marco na época. 

Em dezembro do mesmo ano, tanto Gal Costa (no álbum Gal, 1969) quanto o próprio Jorge Ben Jor lançaram suas próprias versões da música. Com o tempo, a versão de Jorge Ben se consolidou como a definitiva. O estilo único de violão do compositor ajudou a dar o ritmo contagiante que faz a música ser reconhecida internacionalmente até hoje como um símbolo brasileiro.

2. Evidências, Chitãozinho e Xororó (1990)

A composição de José Augusto e Paulo Sérgio Valle é um sucesso mundial, isso porque sua letra aborda o orgulho, o medo, as negações e a dificuldade de assumir os sentimentos verdadeiros.

Lançada oficialmente no álbum Cowboy do Asfalto (1990), a música eternizada pela dupla Chitãozinho & Xororó transcende seu papel como um simples sucesso sertanejo para se tornar um verdadeiro fenômeno cultural e hino informal do Brasil. Embora o cantor Leonardo Sullivan tenha gravado a faixa em 1989, foi a versão da dupla que se tornou um sucesso estrondoso e atemporal. 

A canção se tornou símbolo de identificação coletiva, estando presente em karaokês e grandes eventos, nos quais o público canta o sucesso e transforma a letra em uma explosão de emoções. No Grammy Latino de 2018, o álbum Elas em Evidências (2017), inteiramente focado na faixa, venceu o prêmio de Melhor Álbum de Música Sertaneja.

3. Garota de Ipanema, Tom Jobim (1962)

“Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça” é um trecho da música Garota de Ipanema (1962) baseado em Helô Pinheiro, musa da canção escrita por Antônio Carlos Jobim. A música explora a admiração silenciosa e a distância emocional diante de uma beleza inatingível.

Inspirada na modelo e apresentadora, a letra retrata o fascínio pela jovem que passa, mas também revela uma melancolia presente. Essa combinação de encanto e tristeza cria uma atmosfera na qual a beleza observada desperta não apenas admiração, mas também um sentimento de solidão.

O cenário do Rio de Janeiro é retratado por meio de imagens como “corpo dourado, do Sol de Ipanema” e “doce balanço a caminho do mar”, que evocam a beleza natural, leve e espontânea característica da cidade. A canção sugere que o encanto da garota é ao mesmo tempo universal e passageiro. Isso evidencia como sua presença transforma o ambiente ao redor e torna o cotidiano mais belo e poético.

A admiração é acompanhada pelo sentimento de saudade e de amor não correspondido, o que confere profundidade emocional à composição. Além disso, o contexto de criação da música, inspirado na observação de uma jovem que frequentava o bar Veloso, reforça a autenticidade do olhar dos compositores e a universalidade dos sentimentos expressos na obra.

4. País do Futebol, MC Guimê (2013)

A música País do Futebol (2013), lançada por MC Guimê em colaboração com o cantor Emicida, tornou-se um dos grandes sucessos do período que antecedeu a Copa do Mundo de 2014, ano em que o Brasil foi sede da competição. A obra, que se encaixa no gênero musical funk ostentação e rap, inova ao mesclar arranjos instrumentais em na construção de sua sonoridade a invés da base conhecida como tamborzão, popular na cena do funk carioca.

Apenas no primeiro dia de seu lançamento, o videoclipe da faixa atingiu 1 milhão de visualizações e se consagrou como um dos principais sucessos da carreira de MC Guimê e chegou a entrar no top 10 de músicas mais vendidas do iTunes.

O som conquistou o prêmio Capricho Awards na categoria Hit Nacional e foi indicado em outras dez premiações. Também vale destacar o uso da música como trilha sonora do documentário Pelada – Futebol na Favela (2013) e da telenovela Geração Brasil (2014).

O principal tema da música é o amor dos brasileiros pelo futebol, mas, apesar da menção ao esporte, a letra não se restringe apenas aos campos e utiliza o futebol como símbolo de esperança, união e possibilidade de ascensão social. Na letra, MC Guimê e Emicida abordam vivências da periferia, abraçam suas origens e utilizam elementos culturais compartilhados para moldar uma identidade nacional marcada pela diversidade e pelo sentimento de pertencimento.

5. Brasil, Cazuza (1988)

Brasil (1988), composta por Cazuza em parceria com George Israel e Nilo Romero, faz parte do terceiro álbum de estúdio de Cazuza, Ideologia (1988), que conquistou o Prêmio Sharp de Melhor Álbum no ano de seu lançamento. A faixa se popularizou como uma das principais canções de protesto da música brasileira devido ao seu teor crítico à realidade social e política do Brasil durante os anos 80.

Lançada em um período marcado pela redemocratização do país após a ditadura militar, a canção ressalta a desilusão quanto às mudanças políticas e sociais da nação devido a um cenário onde a corrupção, a desigualdade e a falta de representatividade dos governantes prevaleciam. Em vez de celebrar elementos da cultura brasileira, a música busca provocar reflexão e expor os problemas enraizados na sociedade daquela época.

O eu lírico adota um tom irônico e crítico para questionar quem se beneficia com o sistema vigente, transformando a indignação em uma forma de cobrança e participação política. Apesar do teor da faixa, o cantor não rejeita a nação, pelo contrário, ele demonstra preocupação com os rumos que o Brasil está tomando. A crítica presente na letra surge justamente de um desejo do autor de viver em uma sociedade mais justa e transparente.

6. Mostra tua força, Brasil, Jair Oliveira (2014)

Mostra tua Força Brasil (2014), interpretada por Fernanda Takai e Paulo Miklos, foi composta por Jair Oliveira e produzida por Simoninha como parte de uma campanha publicitária do Banco Itaú para a Copa do Mundo de 2014. Apesar de ter sido idealizada como uma ação de marketing, a canção ultrapassou o universo da publicidade e se tornou um dos principais hinos da torcida brasileira durante o campeonato de 2014.

A música foi lançada em um contexto de muita expectativa para a Copa do Mundo devido à sua realização em território brasileiro em 2014. Sua letra busca despertar sentimentos de patriotismo, confiança, orgulho e paixão nacional para incentivar os torcedores a apoiarem a seleção brasileira naquele torneio. 

No decorrer da faixa, o público é apresentado como um elemento fundamental no desempenho da equipe em campo, estimulando ainda mais uma sensação de pertencimento e participação indireta nas partidas. O refrão “mostra tua força Brasil” desempenha um papel de chamado coletivo, para incentivar o apoio de cada torcedor como parte essencial para a conquista e exaltar o ato de torcer como uma celebração nacional.

Confira a seleção completa da playlist “O que toca na Sala 33: Jeitinho Brasileiro”:

  1. Vilarejo, Marisa Monte –  Sugerida por Gabriela César (diretora da J.Press)
  2. Açaí, Djavan-  Sugerida por João Zogobi (repórter do Laboratório) 
  3. Para Lennon e McCartney, Milton Nascimento – Sugerida por Estela Bughay (repórter do Laboratório)
  4. País Tropical, Jorge Ben Jor – Sugerida por Lívia Falbo (repórter da J. Press e de Mídias)
  5. Evidências, Chitãozinho e Xororó – Sugerida por João Paulo Mansur (repórter de Mídias e do Sala 33)
  6. Me Abraça, Banda EVA – Sugerida por Beatriz Sandoval (diretora de Mídias)
  7. Vai Vendo, Lucas Lucco – Sugerida por Murilo Bezerra (repórter de Mídias e da J. Press)
  8. Voando pro Pará, Joelma – Sugerida por Murilo Bezerra (repórter de Mídias e da J. Press)
  9. Taj Mahal, Jorge Ben Jor – Sugerida por Murilo Bezerra (repórter de Mídias e da J. Press)
  10. Pé na areia, Diogo Nogueira –  Sugerida por Amanda Yoshizaki (RH) 
  11. Garota de Ipanema, Tom Jobim – Sugerida por Amanda Yoshizaki (RH)
  12. O show tem que continuar, Fundo de Quintal – Sugerida por Gabriella dos Santos (diretora da J.Press)
  13. O que é o que é? Gonzaguinha – Sugerida por Gabriella dos Santos (diretora da J.Press) e  Marte (repórter da J. Press e Comunicação Visual)
  14. Eu quero é botar meu bloco na rua, Ney Matogrosso – Sugerida por Leda Lôbo (repórter do Cinéfilos e do AudioVisual)
  15. O canto da cidade, Daniela Mercury – Sugerida por Leda Lôbo (repórter do Cinéfilos e do AudioVisual)
  16. Palco, Gilberto Gil – Sugerida por Nina Bozic (repórter do Laboratório e de Eventos)
  17. Você chegou, Barbatuques – Sugerida por Amanda Yoshizaki (RH)
  18. Baianá, Barbatuques – Sugerida por Amanda Yoshizaki (RH)
  19. Amarelo, azul e branco, ANAVITÓRIA, Rita Lee – Sugerida por Amanda Yoshizaki (RH)
  20. Futuros Amantes, Chico Buarque – Sugerida por Yuri Umemaru (repórter da J. Press)
  21. Alma de guerreiro, Seu Jorge- Sugerida por Alicia Dias (repórter do Laboratório)
  22. Brasil Pandeiro, Novos Baianos –  Sugerida por Letícia Longo (diretora de Assessoria de Imprensa)
  23. Um Índio, Caetano Veloso – Sugerida por Letícia Longo (diretora de Assessoria de Imprensa)
  24. País do Futebol, Mc Guimê (part. Emicida) – Sugerida por Melissa Siqueira (repórter do Arquibancada e AudioVisual)
  25. Clube do Samba, João Nogueira – Sugerida por Davi Milani (diretor do Arquibancada)
  26. Alguém me avisou, Dona Ivone Lara – Sugerida por Davi Milani (diretor do Arquibancada)
  27. Hoje é dia de festa, Elza Soares – Sugerida por Débora van Pütten (diretora do Laboratório)
  28. Hino Vira-Lata, Emicida – Sugerida por Fernando Lucchi (repórter do Arquibancada e AudioVisual)
  29. Brasil, Cazuza – Sugerida por Pedro Mattos (repórter J.Press e Assessoria)
  30. Tempos Modernos, Lulu Santos – Sugerida por Cecilia Barros (repórter do Laboratório e Comunicação Visual)
  31. Pais e filhos, Legião Urbana – Sugerida por Manuela Trafane (diretora de Comunicação Visual)
  32. Aquele abraço, Gilberto Gil – Sugerida por Marte (repórter da J. Press e Comunicação Visual)
  33. Tropicana (Morena Tropicana), Alceu Valença –  Sugerida por Ana Julia Oliveira (diretora do Sala33)
  34. Acenda o farol, Tim Maia – Sugerida por Ana Julia Oliveira (diretora do Sala33)
  35. Xote dos milagres,  Falamansa – Sugerida por Victória Guedes (diretora de Eventos)
  36. A voz do morro, Jair Rodrigues – Sugerida por Hugo Boff (repórter do Laboratório e Comunicação Visual)
  37. Onde anda você, Toquinho – Sugerida por Hellen Rodrigues (repórter do Arquibancada e Mídias)
  38. Melodia Sentimental / Pátria Minha (texto), Maria Bethânia – Sugerida por Sara da Franca (repórter Cinéfilos e AudioVisual)
  39. Aqui e agora, Gilberto Gil – Sugerida por Renata Paes (repórter da J. Press e Eventos)
  40. Sulamericano, BaianaSystem – Sugerida por Leda Lôbo (repórter do Cinéfilos e do AudioVisual)
  41. Realce, Gilberto Gil – Sugerida por Leda Lôbo (repórter do Cinéfilos e do AudioVisual)
  42. Mostra tua força, Brasil; Paulo Miklos e Fernanda Takai – Sugerida por Guilherme Hofer (repórter do Cinéfilos e do AudioVisual).

*A capa desta matéria usa uma imagem editada do Wikimedia Commons, por Ministério da Cultura

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