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A história do príncipe de Bel-Air
CINÉFILOS
11 abr 2020 | Por Catarina Barbosa (catarinavbarbosa@usp.br)

Willard Christopher Smith Jr., ou simplesmente Will Smith, nasceu em 25 de setembro de 1968. O ator de 51 anos foi casado com Sheree Zampino entre 1992 e 1995, e dessa união nasceu seu filho mais velho Trey Smith. Dois anos após o divórcio, em 1997, o ator casou-se com a também atriz Jada Pinkett-Smith, com quem teve dois filhos: Jaden e Willow. Além do talento, a família é conhecida por posicionar-se abertamente sobre assuntos raciais e de gênero. Will e Jada, reconhecidos como um dos principais casais de atores negros de Hollywood, chegaram a boicotar a cerimônia do Oscar em 2016 pela falta de representatividade entre os indicados às categorias principais.

Em uma entrevista para a revista Variety, Smith afirmou que ele e a esposa, como parte da comunidade negra, ficariam desconfortáveis em assistir a cerimônia, por isso decidiram não comparecer. Ele reconheceu que todos os atores brancos indicados são incríveis, mas que atores negros tão incríveis quanto também deveriam estar lá. Will ainda declarou para a revista que: “uma posição importante na nossa comunidade é que se você não procura solução, você faz parte do problema. Então eu e minha família decidimos ser parte da solução”. O ator completa: “ao olhar todas as indicações da Academia, não consigo ver a beleza de Hollywood refletida nelas”.

Will, Jada e os filhos Jaden, Trey e Willow [Imagem: Denise Truscello/WireImage]

Will Smith, hoje conhecido por seus papéis icônicos, iniciou sua carreira como rapper na dupla DJ Jazzy & the Fresh Prince. Os amigos lançaram álbuns de grande sucesso como Rock The House e Hey, He’s The DJ and I’m The Rapper, e estouraram nos Estados Unidos durante os anos 1980 e 1990 ao cantar músicas sobre a vida de adolescente e a relação entre pais e filhos nessa idade. A dupla deu tão certo que ganhou o primeiro Grammy da categoria de Melhor Rap em 1989. Além disso, a visibilidade que tiveram fez com que Will fosse convidado pelo canal NBC para estrelar sua própria sitcom: Um Maluco no Pedaço (The Fresh Prince of Bel-Air, 1990).

Na série —  o agora também ator —  interpreta Will, um personagem que mesclava ficção e realidade, uma vez que a própria vida e personalidade do ator servia de inspiração para o papel. A história retrata as mudanças na vida de uma rica família negra da Califórnia — ideia que rompia com os padrões da época — após a chegada do sobrinho vindo da Filadélfia. A série rendeu seis temporadas e duas indicações ao Globo de Ouro, em 1993 e 1994, ambas para Will Smith na categoria de Melhor Ator. Com o fim da série em 1996, Smith seguiu carreira solo como rapper e investiu em papéis para o cinema.

O elenco de Um Maluco no Pedaço [Imagem: NBC/Getty Images]

De lá para cá, Will atuou em filmes dos mais variados gêneros e demonstrou ser um ator versátil, fazendo sucesso em papéis que iam desde os filmes de ação até os grandes dramas. Entre os muito títulos que participou, fizemos uma linha do tempo com alguns dos filmes que fizeram de Will Smith o fenômeno que conhecemos hoje.

Em 1995, Smith fez dupla com Martin Lawrence em Os Bad Boys (Bad Boys, 1995) e interpretou seu primeiro protagonista. O longa de ação policial é bem característico dos anos 1990: muitos tiros, explosões, perseguições na rua e mocinhas em perigo. Na trama, Will interpreta Mike Lowry, que junto com o parceiro Marcus Burnnet (Martin Lawrence) tem de lidar, ao mesmo tempo, com o sumiço de uma carga de heroína e com a única testemunha do caso, que só aceita falar se estiver o tempo todo ao lado de Mike. O filme definitivamente não é o melhor do ator, mas foi um sucesso de bilheteria e o ajudou a alavancar a carreira. Os Bad Boys foi tão bem sucedido que se tornou uma franquia, e o terceiro filme será lançado em 2020.

O próximo sucesso de Smith veio dois anos depois, com a comédia de ficção científica MIB: Homens de Preto (MIB-Men in Black, 1997). No longa, os agente Kay (Tommy Lee James) e Jay (Will Smith) são responsáveis por monitorar a vida de alienígenas na Terra e acabam deparando-se com o caso de um terrorista intergalático que quer destruir o planeta. Diferente do sério policial Mike Lowry, o papel de Will como Agente Jay é um dos alívios cômicos de MIB, o que permitiu que ator trouxesse para as telonas seu lado humorístico —  já apresentado durante Um Maluco no Pedaço — e garantisse a simpatia do público por seu trabalho. Posteriormente, MIB também ganhou duas sequências com Will Smith elenco principal.

O famoso laser usado pelos agentes para apagar memórias sobre os alienígenas [Imagem: Divulgação]

Em 2001, Will se propôs a interpretar o lutador Muhammad Ali no longa biográfico Ali (2001). O filme narra o início da trajetória do boxeador e suas grandes lutas, além de seus fortes posicionamentos a favor do movimento negro e da religião muçulmana —  numa época em que ser negro e muçulmano era praticamente crime nos Estados Unidos —. Will conseguiu representar a personalidade forte e irreverente de Ali de maneira potente, impressionando a crítica e a Academia, fato que lhe rendeu sua primeira indicação ao Oscar de Melhor Ator, em 2002. Denzel Washington acabou levando a estatueta, mas ressaltou a importância dos prêmios máximos da noite terem sido disputados por três atores negros: ele, Will Smith e Halle Berry, que levou o Oscar de Melhor Atriz.

Três anos mais tarde, Will aventurou-se no mundo da animação ao dublar o peixe Oscar em O Espanta Tubarões (Shark Tale, 2004). Depois de presenciar a morte de um tubarão chefe, Oscar, que era somente um funcionário de lava rápido, assume a autoria do feito e ganha fama entre os demais peixes; no entanto, acaba desmascarado quando colocado à frente do resto dos tubarões. O bom humor do peixinho e sua personalidade malandra são boas marcas deixadas por Smith que permitiram ao público identificar o ator no papel. A divertida animação ainda conta com nomes como Robert De Niro, Angelina Jolie, Jack Black e Martin Scorsese no elenco de dublagem, e rendeu mais de 360 milhões de dólares em bilheteria.

Jack Black, Angelina Jolie e Will Smith durante a divulgação de O Espanta Tubarões [Créditos: The Hollywood Reporter]

Em 2005, Will mostra seu lado galã na comédia romântica Hitch – Conselheiro Amoroso (Hitch, 2005). Alex Hitch (Will Smith) é um conselheiro amoroso que tenta ajudar o contador Albert Brennaman (Kevin James) a conquistar a milionária Allegra Cole (Amber Valletta). O problema acontece quando Hitch apaixona-se pela jornalista Sara Melas (Eva Mendes), fato que ameaça o trabalho do conselheiro. Tudo porque Sara está escrevendo uma matéria que justamente busca descobrir a identidade do conselheiro amoroso de New York.

O filme é narrado por Hitch, algo diferente das demais comédias românticas, que geralmente são contadas pela ótica feminina, e ainda traz diversas cenas improvisadas por Will para acrescentar mais carisma e humor ao protagonista. A comédia ainda foi feita pela produtora da qual Smith é dono e fez um sucesso enorme, faturando quase 370 milhões em bilheteria.

No ano seguinte, Smith volta aos cinemas com o aclamado drama biográfico A Procura da Felicidade (The Pursuit of Happyness, 2006). Na trama, o ator faz o papel de Chris Gardner, pai disposto a enfrentar tudo e todos para garantir o bem estar do filho, o pequeno Christopher (Jaden Smith), de quem cuida sozinho depois que a mãe do menino resolve ir embora. O fato de Will atuar ao lado de seu filho Jaden trouxe mais realidade ainda para o papel, desempenhado de forma sensível e verdadeira. A atuação de Smith rendeu não apenas boas críticas e bilheteria para o longa, como também a segunda indicação ao Oscar de Melhor Ator e indicação ao Globo de Ouro de Melhor Ator de Drama.

Em 2013, Will e o filho Jaden voltaram a atuar juntos em Depois da Terra (After Earth, 2013), porém o filme é considerado um dos maiores fracassos da carreira de ambos.

Pai e filho chegam a passar a noite no metrô para permanecerem juntos [Créditos: Sony Pictures/Divulgação]

Avançando na carreira do ator, seu personagem mais recente foi o de Gênio, no live-action  Aladdin (2019). Inicialmente questionado para o papel, Will conseguiu encarnar o bem humorado gênio e o deu tanta personalidade quanto Robin Williams — responsável por dublar o personagem na animação de 1992 —. Smith, que usou referências do hip hop e de Um Maluco no Pedaço para construir o personagem, atuou e cantou durante o filme, coroando o melhor live-action da Disney e também a si mesmo, uma vez que o longa tornou-se o mais bem sucedido de sua carreira ao ultrapassar a marca de 1 bilhão em bilheteria.

Aladdin e o Gênio no live-action [Imagem: Divulgação/Entertainment Weekly]

Ao conseguir construir papéis de estilos tão diferentes e fazer-se reconhecer em cada um deles, o ator consegue encantar quem o assiste com seu carisma e talento. Afinal, não é atoa que Will Smith é visto hoje como um dos mais importantes e respeitados atores de Hollywood.

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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